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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Posso Ir a Benzedeiros? (Danilo Gesualdo)

Privado: Posso ir a Benzedeiros?O Dicionário nos ensina que benzer é: Abençoar, tornar abençoadoInvocar a proteção do céu
Isso é o que diz o Dicionário…E até aqui não existe um problema, pois estamos vendo somente o significado da palavra! O problema está na maneira que este significado foi interpretado durante muito tempo, e como é que o mesmo ainda hoje é colocado em prática.
As pessoas mais antigas, nossos avós, bisavós, quando conversávamos com eles, diziam que iam na Igreja se benzer, ou procurar um padre para benzer as crianças,benzer objetos e coisas do tipo…E o que realmente eles queriam e procuravam era exatamente o significado da palavra benzer, conforme o dicionário nos ensina; que é tornar abençoado
Não sei ao certo precisar quando no Brasil a prática de benzer foi se desviando realmente para a questão da superstição e até mesmo à prática do Ocultismo.
Alguns relatos históricos dizem que foi no período de colonização, que esta prática já era adotada pelos Imigrantes que aqui chegaram. Ainda há informações que este tipo de prática foi inspirada nas culturas indígenas e outras mais, que tinham como costume seus próprios rituais sagrados.
Não vou entrar aqui nas questões mais “culturais” do benzimento e coisas do tipo; pois o que quero, é chamar a atenção e alertar para o que se tornou o ato de procurar um benzedeiro e os seus reais riscos.
A verdade, é que em um dado momento esta prática de benzer se desvirtuou do seu real sentido, e foi “embutido” no mesmo, ensinamentos e práticas ocultistas.
Seitas Ocultistas, assim como ramificações do próprio espiritismo, adotaram a palavrabenzer para aquilo que eram práticas em seus rituais. E realmente a partir daí a palavra benzer entrou numa categoria muito grande de possibilidades: Que abrange desde a visita a uma pessoa em sua casa com um ramo de arruda passando-a pelo seu corpo, até a visita em terreiros de Umbanda e Candomblé para se benzerem…
E por isso esta prática se tornou sem dúvida nenhuma uma prática perigosa a nossa vida cristã, porque nem todas as pessoas conseguirão distinguir uma coisa da outra.
E é certo que hoje 99% das pessoas que dizem BENZER ou fazer BENZIMENTOS estão envolvidas diretamente a doutrinas relacionadas ao Ocultismo.
E o grande perigo está que, quando procuramos estas pessoas e nos permitimos que estas façam “benzimentos“, estamos “abrindo portas” para que AQUILO que elas invocarem, possam agir em nossas vidas e na situação pelo qual procuramos a ajuda destes benzedeiros.
Na prática, nos abrimos a ação de toda e qualquer entidade que os mesmos invocarem sobre nós! Sabemos desde sempre que não existem espíritos evoluídos, entidades boas ou más, espíritos bons ou maus; o que existe no mundo espiritual são Anjos de Deus ou Demônios.
Então quando estes benzedeiros vem sobre nós invocar certas entidades, na verdade estão invocando Demônios com nomes diferentes, nada mais que isso.
Este tipo de “BENZIMENTO” esta também diretamente ligado a questão da Superstição, que a o Catecismo da Igreja Católica nos ensina de maneira tão clara no numero 2111:
A superstição é um desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Também pode afetar o culto que prestamos ao verdadeiro Deus: por exemplo, quando atribuímos uma importância de algum modo mágica a certas práticas, aliás legítimas ou necessárias. Atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição.”
Ai está mais um motivo: Recorrer a benzedeiros é cair em Superstição! Pois isso afeta diretamente “o culto que prestamos ao verdadeiro Deus“. Deixamos de recorrer a Deus em nossos problemas, dificuldades, duvidas, doenças e etc…E começamos a recorrer ao benzedeiro, começamos a recorrer as praticas que eles nos ensinam, as simpatias que eles conhecem. Ficamos cada vez mais presos a eles.
Há benzedeiros que atualmente já estão partindo para a questão da adivinhaçãoprevisão do futuro, já dizem que conseguem ver quem fez algum tipo de mau para a pessoa, e se está quer devolver o mau com um “trabalho espiritual“; entraram literalmente em praticas satânicas,ocultistasdiabólicas…Perverteram o “sentimento religioso” e as “práticas que ele impõe“.
Quem recorre a este tipo de benzedeiros e benzimentos esta abrindo sua vida aos Demônios.
Eu mesmo quando criança fui levado muitas vezes pelos meus pais a benzedeiros. Achando que estavam fazendo coisas boas, que estavam ajudando…Mas o que estavam fazendo era abrindo as nossas vidas ao Mal.
Em geral as pessoas procuram benzedeiros e benzimentos para: quebrantomau olhado,olho gordoespinhela caída, cobreiro, bucho virado, medos, sustos, dores, coceiras e muitas outras…
Há elementos físicos que os mesmos se utilizam com maior frequência: Ramos, água, sal, carvão, faca, vela, tesoura, ervas, entre outros…O mais utilizado é o ramo de arruda, na qual estes benzedeiros passam eles nas pessoas, as benzendo; e dizem que os males ficam como que “presos” aos ramos, e se a pessoa tiver algo negativo ou algum mal, os ramos irão murchar…
Conheço casos de pessoas que sofreram reais tormentos e ações diabólicas por frequentarem benzedeiros e se envolverem com realidades espirituais Malignas!
E ai pode surgir a pergunta:
E se eu já fui a benzedeiros ou levei meus filhos, o que devo fazer?
Para não me delongar neste artigo, leia a continuação POSSO IR A BENZEDEIROS? – Parte 2
Deus abençoe você, e até o próximo artigo!
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Sobre o Autor:
Danilo Gesualdo, é membro da Comunidade Canção Nova e atua junto ao Ministério de Cura e Libertação, residindo em nossa sede em Cachoeira Paulista.
Para contato me envie um e-mail:
 livresdetodomal@cancaonova.com

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Por que a Igreja cobra espórtulas e taxas? (Prof. Felipe Aquino)

Como meio de sustentação legítimo, a espórtula não configura o comércio com as coisas sagradas
Espórtulas são os valores cobrados pela Igreja quando esta ministra alguns sacramentos como batismo, crisma e matrimônio; especialmente a Santa Missa por alguma intenção especial.
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Em primeiro lugar, é preciso deixar bem claro que essa medida longe está de querer cobrar pelo sacramento ministrado. Cada um deles é impagável, porque custou o preço do Sangue precioso de Jesus para a nossa salvação. Os sete sacramentos brotaram do coração de Jesus transpassado pela lança na cruz. É por meio deles que as graças da salvação, conquistadas a nós por Cristo, chegam a nós, e isso é impagável!
Então, por que a Igreja cobra uma taxa para celebrar alguns deles?
A prática das espórtulas é inspirada no Novo Testamento e existe durante quase dois mil anos. Essa prática tem duplo sentido:
1) para quem oferece sua dádiva, é uma forma de participar, de maneira mais íntima, da oblação Eucarística e dos frutos desta. É expressão da fé e do amor com que tem acesso ao Pai por Cristo no Espírito Santo. Assim, as espórtulas se justificam como a expressão da fé e do amor dos fiéis que desejam participar mais intimamente dos frutos da Santa Missa.
2) para a Igreja é um meio de sustentação legítimo, baseado na tradição bíblica e que não se trata de simonia, isto é, de comércio com as coisas sagradas. Após o Concílio do Vaticano II (1962-1965), que fez um balanço da vida eclesial, considerando as suas necessidades, o Papa Paulo VI regulamentou as espórtulas da Missa, em 13/06/1974, quando publicou o Motu Próprio “Firma in Traditione”, em que dizia:
“É tradição firmemente estabelecida na Igreja que os fiéis, movidos por seu espírito religioso e seu senso eclesial, acrescentem ao sacrifício eucarístico um certo sacrifício pessoal, a fim de participar mais estritamente daquele. Atendem assim às necessidades da Igreja e, mais particularmente, à subsistência dos seus sacerdotes. Isso está de acordo com o espírito das palavras do Senhor: ‘o trabalhador merece o seu salário’ (Lc 10,7), palavras que São Paulo lembra em sua primeira carta a Timóteo (5,18) e na primeira aos Coríntios (9,7-14)”.
“O clero que, por seu trabalho, merece receber o necessário para se sustentar, deveria ter sua subsistência garantida por um sistema de financiamento independente de ofertas feitas por particulares ou pelos fiéis que peçam serviços religiosos”.

Depois disso, o assunto foi regulamentado também pelo Papa João Paulo II, em 22 de janeiro de 1991, no Decreto Sobre as Espórtulas, preparado pela Sagrada Congregação para o Clero. O Código de Direito Canônico, promulgado em 25/11/83, quando fala das espórtulas, diz, entre outras coisas:
Cânon 945 – § 1. “Segundo o costume aprovado pela Igreja, a qualquer sacerdote que celebra ou concelebra a Missa, é permitido receber a espórtula oferecida para que ele aplique a Missa segundo determinada intenção”.
§ 2. Recomenda-se vivamente aos sacerdotes que, mesmo sem receber nenhuma espórtula, celebrem a Missa segundo a intenção dos fiéis, especialmente dos pobres.

Cânon 946 –- “Os fiéis que oferecem espórtula para que a Missa seja aplicada segundo suas intenções concorrem, com essa oferta, para o bem da Igreja e participam de seu empenho no sustento de seus ministros e obras”.
Cânon 947 – – “Deve-se afastar completamente das espórtulas de Missas até mesmo qualquer aparência de negócio ou comércio.”
No início da Igreja, os cristãos, ao participarem da Santa Missa, levavam consigo dons naturais (pão, vinho, leite, frutas, mel etc.). Depois, passou a se fazer doações também em dinheiro por ser mais prático. A Igreja, como uma sociedade também humana e inserida neste mundo, precisa de dinheiro para exercer a missão de pregar o Evangelho, confiada a ela pelo próprio Cristo, desde os tempos d’Ele. Os doze apóstolos tinham uma caixa comum (cf. Jo 12,6). Jesus aceitava que algumas mulheres os ajudassem com seus bens, entre elas, Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza; Susana e várias outras (cf. Lc 8,1-3).
A primeira comunidade cristã em Jerusalém praticava a voluntária partilha de bens (cf. At 2,44; 5,1-6). Jesus elogiou a oblação da viúva no Tesouro do Templo: “Em verdade eu vos digo que esta viúva, que é pobre, lançou mais do que todos os que ofereceram moedas ao Tesouro. Pois todos os outros deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver” (Mc 12,42-44).
E aqueles que não têm dinheiro para mandar celebrar a Santa Missa?
A Igreja reza diariamente por todas as grandes intenções e necessidades da humanidade (os doentes, os moribundos, os encarcerados, os falecidos etc.), também pelas almas do Purgatório em todas as Celebrações Eucarísticas. Assim, não há almas abandonadas no Purgatório por falta de dinheiro da parte dos familiares.
Quando todos os católicos pagarem o dízimo que a Igreja não obriga que seja 10% do que a pessoa ganha, embora isso seja bom–, então, certamente não será mais preciso cobrar taxas para a celebração dos sacramentos, como o batismo, o crisma e o matrimônio. Mas isso ainda não é comum; por isso a Igreja precisa das taxas para suas necessidades materiais.
O Código de Direito Canônico afirma:
Cânon 222 § 1. “Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros.”
O que o Catecismo da Igreja Católica diz no §2043: “Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja”.

Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

quinta-feira, 28 de março de 2013

Homilia do Papa Francisco na Missa do Crisma

Estupendas palavras!

Brasão Papal passa por pequenas modificações 
Homilia
Basílica Vaticana – Missa do Crisma
Quinta-feira Santa, 28 de março de 2013

Amados irmãos e irmãs,

Com alegria, celebro pela primeira vez a Missa Crismal como Bispo de Roma. Saúdo com afeto a todos vós, especialmente aos amados sacerdotes que hoje recordam, como eu, o dia da Ordenação.

As Leituras e o Salmo falam-nos dos “Ungidos”: o Servo de Javé referido por Isaías, o rei Davi e Jesus nosso Senhor. Nos três, aparece um dado comum: a unção recebida destina-se ao povo fiel de Deus, de quem são servidores; a sua unção “é para” os pobres, os presos, os oprimidos… Encontramos uma imagem muito bela de que o santo crisma “é para” no Salmo 133: “É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes” (v. 2). Este óleo derramado, que escorre pela barba de Aarão até à orla das suas vestes, é imagem da unção sacerdotal, que, por intermédio do Ungido, chega até aos confins do universo representado nas vestes.

Papa Francisco fala sobre vivência do bom sacerdote (Foto: Clarissa de Oliveira / CN Roma)As vestes sagradas do Sumo Sacerdote são ricas de simbolismos; um deles é o dos nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ónix que adornavam as ombreiras do efod, do qual provém a nossa casula atual: seis sobre a pedra do ombro direito e seis na do ombro esquerdo (cf. Ex 28, 6-14). Também no peitoral estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel (cf. Ex 28, 21). Isto significa que o sacerdote celebra levando sobre os ombros o povo que lhe está confiado e tendo os seus nomes gravados no coração. Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo.

Depois da beleza de tudo o que é litúrgico – que não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado –, fixemos agora o olhar na ação. O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo a ele, mas espalha-se e atinge “as periferias”. O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção, amados irmãos, não é para nos perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso… e o coração amargo.

O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo; temos aqui uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, “as periferias” onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé.

As pessoas agradecem-nos porque sentem que rezamos a partir das realidades da sua vida de todos os dias, as suas penas e alegrias, as suas angústias e esperanças. E, quando sentem que, através de nós, lhes chega o perfume do Ungido, de Cristo, animam-se a confiar-nos tudo o que elas querem que chegue ao Senhor: “Reze por mim, padre, porque tenho este problema”, “abençoe-me, padre”, “reze para mim”… Estas confidências são o sinal de que a unção chegou à orla do manto, porque é transformada em súplica – súplica do Povo de Deus. Quando estamos nesta relação com Deus e com o seu Povo e a graça passa através de nós, então somos sacerdotes, mediadores entre Deus e os homens.

O que pretendo sublinhar é que devemos reavivar sempre a graça, para intuirmos, em cada pedido – por vezes inoportuno, puramente material ou mesmo banal (mas só aparentemente!) –, o desejo que tem o nosso povo de ser ungido com o óleo perfumado, porque sabe que nós o possuímos. Intuir e sentir, como o Senhor sentiu a angústia permeada de esperança da hemorroíssa quando ela Lhe tocou a fímbria do manto. Este instante de Jesus, no meio das pessoas que O rodeavam por todos os lados, encarna toda a beleza de Aarão revestido sacerdotalmente e com o óleo que escorre pelas suas vestes. É uma beleza escondida, que brilha apenas para aqueles olhos cheios de fé da mulher atormentada com as perdas de sangue. Os próprios discípulos – futuros sacerdotes – não conseguem ver, não compreendem: na “periferia existencial”, vêem apenas a superficialidade duma multidão que aperta Jesus de todos os lados quase O sufocando (cf. Lc 8, 42). Ao contrário, o Senhor sente a força da unção divina que chega às bordas do seu manto.

É preciso chegar a experimentar assim a nossa unção, com o seu poder e a sua eficácia redentora: nas “periferias” onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus. Não é, concretamente, nas auto-experiências ou nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor: os cursos de auto-ajuda na vida podem ser úteis, mas viver a nossa vida sacerdotal passando de um curso ao outro, de método em método leva a tornar-se pelagianos, faz-nos minimizar o poder da graça, que se ativa e cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que não têm nada de nada.

O sacerdote, que sai pouco de si mesmo, que unge pouco – não digo “nada”, porque, graças a Deus, o povo nos rouba a unção –, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor “já receberam a sua recompensa”. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de coleccionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o “cheiro das ovelhas” – isto vo-lo peço: sede pastores com o “cheiro das ovelhas”, que se sinta este –, serem pastores no meio do seu rebanho e pescadores de homens. É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes. É um bem que a própria realidade nos faça ir para onde, aquilo que somos por graça, apareça claramente como pura graça, ou seja, para este mar que é o mundo atual onde vale só a unção – não a função – e se revelam fecundas unicamente as redes lançadas no nome d’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: Jesus.

Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus.

Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas “periferias” onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia. Que o nosso povo sinta que somos discípulos do Senhor, sinta que estamos revestidos com os seus nomes e não procuramos outra identidade; e que ele possa receber, através das nossas palavras e obras, este óleo da alegria que nos veio trazer Jesus, o Ungido. Amém.

Seja Feliz!

segunda-feira, 18 de março de 2013

O seu casamento é a coisa mais linda que Deus criou

O Senhor se lembra sempre da aliança que Ele fez conosco. A aliança que Ele fez com vocês, casados, é toda especial. Deus, o Criador, criou tudo e resolveu criar outro ser humano com a participação do casal.

A participação de Deus no casamento é uma coisa sagrada. Foi Ele quem fez essa aliança com vocês, homem e mulher, para que Ele continuasse criando por meio de vocês.

Entre milhões de espermatozóides, apenas um é fecundado. Nós somos escolhidos especialmente pelo Senhor. Você é único. Sua filha, por mais decepção que ela tenha dado a você ou à sociedade, é única. Deus a quis assim.
"A vida em família, no casamento, só pode ser uma vida de fé", ensina monsenhor Jonas
Não existiu e não existirá ninguém igual a você. O Senhor se lembra sempre da aliança que fez com você. E quando alguém é adúltero, em primeiro lugar, está sendo infiel ao Pai.

Dá uma olhadinha na história do seu casamento. Cada um morava num lugar diferente, e só por Deus se encontraram. Todas as coisas referentes ao casamento, à família, são referentes ao Senhor. Nós estamos ao léu dos nossos erros e dos erros dos outros. E é por isso que muitos desencontros acontecem nas nossas famílias. Nós estamos acostumados a olhar somente as dificuldades do casamento e da família, mas Deus quer que as superemos.

Eu gosto de dizer que marido e mulher são como a faca do açougueiro, pois este amola uma faca na outra. É assim no casamento, ambos vão ficando afiados por causa dos erros, falhas e pecados. E também pelos erros dos filhos e de nós, os pais.

Assim como os filhos em casa dão trabalho, os filhos na comunidade também dão trabalho para mim. Se você gosta de dormir, de ficar na "vida boa", quando seu filho nasce, ele chora de noite e fica doente; então o seu comodismo vai por água abaixo. Aí, você tem de acordar para ficar com o bebê. E porque amamos, dispomo-nos a enfrentar a situação e aí ficamos "amolados".

A vida em família, no casamento, só pode ser uma vida de fé. Eu me recordo que meu pai sempre foi um homem muito honesto e trabalhador, mas ele não era um homem de ir à Igreja. Quando cheguei no seminário, no domingo, vi meu pai. Ele nem havia ido à minha Primeira Comunhão, mas estava na Missa e foi comungar.

Quando terminou a Missa, ele foi me explicar "com a boca cheia" que havia feito uma boa confissão. Depois desse dia, nunca mais deixou de ir à Igreja, de confessar-se e comungar. A partir daí, puxava todo mundo para ir à Igreja. Gaças a Deus, tornou-se um homem de fé.

Eu preciso dizer que, qualquer casamento e qualquer família só pode viver pela fé. Assim como nosso pai Abraão. E você conhece muito bem a história de Abraão. Ele morava bem longe, e Deus o tirou de lá onde havia pecadores, para que ele morasse numa terra habitada. Mas aquela terra tinha dono, e Deus havia prometido que ele teria uma grande terra.

O Senhor foi treinando Abraão para que ele acreditasse, mesmo sem ter as coisas na mão. O Pai dizia para ele: "Contempla, Eu te darei toda essa terra". E deu. Mas não foi logo, não; passaram-se quarenta anos.

E dizia ainda: "Olhai as estrelas, sua descendência será muito maior que elas". Mas ele pensava: "Como? Se eu já estou velho e Sara também?". Houve um momento que Sara fraquejou na fé, pois sabia que, depois de certa idade, não poderia mais ter filhos. E Sara deu-o à sua escrava Agar, para que Abraão tivesse um filho com ela.

Quando eles menos esperavam, Deus mandou um anjo, o qual lhe disse que, depois de um ano, ela estaria grávida. Sara até sorriu, pensando consigo que seria impossível. No ano seguinte, lá estava ela com Isaac. O Senhor cumpriu a sua promessa até com uma mulher estéril.

E quando o menino já tinha uma maturidade religiosa, Deus pediu a vida de Isaac. Abraão achou muito estranho. Ele demorou tanto para dar um filho a ele, e quando o menino estava chegando à adolescência, pede-o em sacrifício. Mas Deus não queria um sacrifício humano, na verdade Ele queria por Abraão à prova.

E, no caminho, o menino diz: "Onde está o cordeiro?", e o pai responde: "Deus proverá". No momento em que ele já ia sacrificá-lo, um anjo do Senhor apareceu dizendo: "Basta, já provaste que crês em Deus. E veja com isso todas as promessas do Senhor que se realizou na vida de Abraão.

E mais do que tudo, por meio de Abraão veio Jesus e pela fé entramos nessa família. E como Abraão, é necessário que vocês sejam uma família de fé. Claro, com suas fraquezas, como Sara, mas é necessário sermos uma família de fé.

E como o "encardido" vem atacando as famílias! Quanto mais bonito é o matrimônio, mais ele quer fazer a sujeira! E por que ele faz essas sujeiras? Porque o seu casamento é a coisa mais linda que Deus criou. E por isso é preciso você despertar para fé. E se você sustentou o seu casamento até agora, é pela fé que você tem sustentado, não pelas suas forças. E é necessário sermos como Abraão que esperou contra toda esperança.

Assim como Ele fez com Abraão, Ele faz conosco. Deus está nos treinando. Nós precisamos formar uma geração de homens e mulheres de fé.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Tome posse da bênção que Deus lhe dá

Deus é maravilhoso, mas você precisa aprender a percebê-lO na sua vida, pois Ele age diretamente nela, para dar-lhe bênçãos abundantes, que você nem imagina estar recebendo! A cada segundo que você respira, é o milagre da vida que Deus está-lhe concedendo viver! Você não vê a Deus com seus olhos, mas O vê pela FÉ!

Deus é Pai, mas não é paternalista – não faz aquilo que podemos fazer por nós mesmos. A bênção que o Senhor nos dá é aquilo que não podemos fazer por nós mesmos, está acima da nossa natureza.

Se o Senhor lhe dá uma bênção para cada dia, assim como dava o maná para o povo de Israel, você precisa pegar esta bênção.

A graça de Deus nunca é demais. Você pode e precisa pedi-la a cada dia: "Abençoa-me e abençoa-me muito". Isso não é egoísmo, mas necessidade.

É Deus quem sabe como e quando a bênção vai atingir a nossa vida. Você não precisa se preocupar quando Deus vai agir, mas apenas tomar posse da bênção que Ele lhe dá.

Ele quer que você aprenda a pedir, porque pode ser que a bênção daquele dia reflita na sua vida inteira.

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

Seja Feliz!