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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Posso Ir a Benzedeiros? (Danilo Gesualdo)

Privado: Posso ir a Benzedeiros?O Dicionário nos ensina que benzer é: Abençoar, tornar abençoadoInvocar a proteção do céu
Isso é o que diz o Dicionário…E até aqui não existe um problema, pois estamos vendo somente o significado da palavra! O problema está na maneira que este significado foi interpretado durante muito tempo, e como é que o mesmo ainda hoje é colocado em prática.
As pessoas mais antigas, nossos avós, bisavós, quando conversávamos com eles, diziam que iam na Igreja se benzer, ou procurar um padre para benzer as crianças,benzer objetos e coisas do tipo…E o que realmente eles queriam e procuravam era exatamente o significado da palavra benzer, conforme o dicionário nos ensina; que é tornar abençoado
Não sei ao certo precisar quando no Brasil a prática de benzer foi se desviando realmente para a questão da superstição e até mesmo à prática do Ocultismo.
Alguns relatos históricos dizem que foi no período de colonização, que esta prática já era adotada pelos Imigrantes que aqui chegaram. Ainda há informações que este tipo de prática foi inspirada nas culturas indígenas e outras mais, que tinham como costume seus próprios rituais sagrados.
Não vou entrar aqui nas questões mais “culturais” do benzimento e coisas do tipo; pois o que quero, é chamar a atenção e alertar para o que se tornou o ato de procurar um benzedeiro e os seus reais riscos.
A verdade, é que em um dado momento esta prática de benzer se desvirtuou do seu real sentido, e foi “embutido” no mesmo, ensinamentos e práticas ocultistas.
Seitas Ocultistas, assim como ramificações do próprio espiritismo, adotaram a palavrabenzer para aquilo que eram práticas em seus rituais. E realmente a partir daí a palavra benzer entrou numa categoria muito grande de possibilidades: Que abrange desde a visita a uma pessoa em sua casa com um ramo de arruda passando-a pelo seu corpo, até a visita em terreiros de Umbanda e Candomblé para se benzerem…
E por isso esta prática se tornou sem dúvida nenhuma uma prática perigosa a nossa vida cristã, porque nem todas as pessoas conseguirão distinguir uma coisa da outra.
E é certo que hoje 99% das pessoas que dizem BENZER ou fazer BENZIMENTOS estão envolvidas diretamente a doutrinas relacionadas ao Ocultismo.
E o grande perigo está que, quando procuramos estas pessoas e nos permitimos que estas façam “benzimentos“, estamos “abrindo portas” para que AQUILO que elas invocarem, possam agir em nossas vidas e na situação pelo qual procuramos a ajuda destes benzedeiros.
Na prática, nos abrimos a ação de toda e qualquer entidade que os mesmos invocarem sobre nós! Sabemos desde sempre que não existem espíritos evoluídos, entidades boas ou más, espíritos bons ou maus; o que existe no mundo espiritual são Anjos de Deus ou Demônios.
Então quando estes benzedeiros vem sobre nós invocar certas entidades, na verdade estão invocando Demônios com nomes diferentes, nada mais que isso.
Este tipo de “BENZIMENTO” esta também diretamente ligado a questão da Superstição, que a o Catecismo da Igreja Católica nos ensina de maneira tão clara no numero 2111:
A superstição é um desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Também pode afetar o culto que prestamos ao verdadeiro Deus: por exemplo, quando atribuímos uma importância de algum modo mágica a certas práticas, aliás legítimas ou necessárias. Atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição.”
Ai está mais um motivo: Recorrer a benzedeiros é cair em Superstição! Pois isso afeta diretamente “o culto que prestamos ao verdadeiro Deus“. Deixamos de recorrer a Deus em nossos problemas, dificuldades, duvidas, doenças e etc…E começamos a recorrer ao benzedeiro, começamos a recorrer as praticas que eles nos ensinam, as simpatias que eles conhecem. Ficamos cada vez mais presos a eles.
Há benzedeiros que atualmente já estão partindo para a questão da adivinhaçãoprevisão do futuro, já dizem que conseguem ver quem fez algum tipo de mau para a pessoa, e se está quer devolver o mau com um “trabalho espiritual“; entraram literalmente em praticas satânicas,ocultistasdiabólicas…Perverteram o “sentimento religioso” e as “práticas que ele impõe“.
Quem recorre a este tipo de benzedeiros e benzimentos esta abrindo sua vida aos Demônios.
Eu mesmo quando criança fui levado muitas vezes pelos meus pais a benzedeiros. Achando que estavam fazendo coisas boas, que estavam ajudando…Mas o que estavam fazendo era abrindo as nossas vidas ao Mal.
Em geral as pessoas procuram benzedeiros e benzimentos para: quebrantomau olhado,olho gordoespinhela caída, cobreiro, bucho virado, medos, sustos, dores, coceiras e muitas outras…
Há elementos físicos que os mesmos se utilizam com maior frequência: Ramos, água, sal, carvão, faca, vela, tesoura, ervas, entre outros…O mais utilizado é o ramo de arruda, na qual estes benzedeiros passam eles nas pessoas, as benzendo; e dizem que os males ficam como que “presos” aos ramos, e se a pessoa tiver algo negativo ou algum mal, os ramos irão murchar…
Conheço casos de pessoas que sofreram reais tormentos e ações diabólicas por frequentarem benzedeiros e se envolverem com realidades espirituais Malignas!
E ai pode surgir a pergunta:
E se eu já fui a benzedeiros ou levei meus filhos, o que devo fazer?
Para não me delongar neste artigo, leia a continuação POSSO IR A BENZEDEIROS? – Parte 2
Deus abençoe você, e até o próximo artigo!
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Sobre o Autor:
Danilo Gesualdo, é membro da Comunidade Canção Nova e atua junto ao Ministério de Cura e Libertação, residindo em nossa sede em Cachoeira Paulista.
Para contato me envie um e-mail:
 livresdetodomal@cancaonova.com

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A importância do Anjo da Guarda em nossa vida - Prof. Felipe Aquino

A vida humana é cercada por sua proteção e intercessãoImagem de Destaque


O Catecismo da Igreja diz que “a existência dos seres espirituais, não-corporais, que Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé”. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição (n. 328). Nenhum católico pode, então, negar a existência dos anjos. Eles são criaturas pessoais e imortais, puramente espirituais, dotados de inteligência e de vontade e superam em perfeição todas as criaturas visíveis (cf. Cat. n. 330). São Gregório Magno disse que quase todas as páginas da Revelação escrita falam dos anjos.

A Igreja ensina que desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção (cf. Sl 90,10-13) e por sua intercessão. “O Anjo do Senhor acampa ao redor dos que o temem e os salva” (Sl 33,8).

São Basílio Magno (†369), doutor da Igreja, disse: "Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida." (Ad. Eunomium 3,1). Isto é, temos um Anjo da Guarda pessoal. Jesus disse: “Não desprezeis nenhum desses pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus veem continuamente a face de meu Pai que está nos céus”(Mt 18,10).

Assista: Deus colocou um anjo ao nosso lado

A liturgia de dois de outubro celebra os Anjos da Guarda desde o século XVI, festa universalizada por Paulo V, depois que em 1508 Leão X aprovou o novo Ofício composto pelo franciscano João Colombi. Ora, se a Igreja celebra a festa dos Anjos da Guarda é porque de fato eles existem e cuidam de nós, nos protegem, iluminam, governam nossa vida, ajudam-nos como ajudou a Tobias. Mas para isso é preciso crer neles, respeitá-los, não afugentá-los pelo pecado. Um dia um rapaz me disse: “Eu não vejo pornografia na internet porque tenho vergonha de meu Anjo da Guarda!”. A melhor homenagem a nosso anjo é viver uma vida sem pecados, buscando, com sua ajuda, fazer a vontade de Deus.

A Tradição da Igreja acredita que nosso Anjo da Guarda tem a tarefa de oferecer a Deus as nossas orações, apoiar-nos e proteger-nos dos ataques do diabo, que tenta nos fazer pecar e perder a vida eterna. Então, nada mais importante que ter uma vida de intimidade com nosso Anjo da Guarda, invocá-lo constantemente e colocar-se debaixo de sua proteção. Desde criança aprendi com minha mãe esta oração: “Santo Anjo da minha guarda a quem eu fui confiado por celestial piedade; iluminai-me, guardai-me, regei-me, governai-me. Amém.” Nunca deixei de rezar essa oração.

Então, o melhor a fazer é não fazer nada sem pedir a luz, a proteção, o governo do bom anjo que o Senhor colocou como guarda e custódio de nossa vida, do batismo até a morte.

É por isso que muitos papas, como o Papa João XXIII, revelaram a sua profunda devoção pelo Anjo da Guarda, sugerindo, como também disse Bento XVI, de expressar a sua própria gratidão pelo serviço que ele presta a cada um de nós e de invocá-lo todos os dias, com o “Angelus Dei”.

São Pio de Pietrelcina teve um relacionamento profundo com o Anjo da Guarda. São inúmeras as passagens de sua vida com o seu anjo e com os dos outros. Certa vez ele disse a uma pessoa: “Nós rezaremos pela sua mãe, para que o seu Anjo da Guarda lhe faça companhia”.

Invoque o seu Anjo da Guarda, pois ele o iluminará e guiará no caminho de Deus.

Foto
Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino @pfelipeaquino, é casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

terça-feira, 25 de junho de 2013

O caminho da via-sacra vai acontecer com a Igreja

O caminho da via-sacra vai acontecer com a Igreja. Uma coisa impressionante, que nos toca, é ver como aqueles homens, doutores da lei, escribas e fariseus não perceberam que o povo de Deus existiu para preparar a vinda do Salvador. O Senhor escolheu este povo, mas quando o Messias chegou, eles não O aceitaram. Eles faziam perguntas só para atrapalhar Jesus naquilo que Ele estava fazendo.

Jesus fala do noivo, que será tirado, que é justamente Ele. O noivo sempre significou o Messias, aquele que traria o Reino. O próprio Jesus diz que um dia o noivo lhes seria arrancado. Você sabe que toda a ira deles caiu sobre Jesus, queriam que o Senhor fosse condenado à morte – e morte de cruz. Depois de fazer tudo o que fizeram, passados aqueles quarenta dias, Jesus foi elevado aos céus. “Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu”(cf. Atos 1, 11ss).

Por trás de todos aqueles homens, que fizeram todo o mal que poderiam fazer com Jesus, estava o inimigo. É claro que o inferno nunca vencerá. No entanto, quando vemos tudo o que fizeram com Jesus – e hoje ainda continuam fazendo aos indefesos –, a impressão que temos é a de que o inferno está vencendo. Mas não, isso não é verdade. A Igreja vai passar por tudo aquilo que Jesus passou. Estamos só no começo. Eles vão nos perseguir muito mais, como fizeram com Jesus.

Não se assuste, pois o próprio Catecismo da Igreja Católica, quando fala do fim dos tempos, diz que o caminho da via-sacra vai acontecer com a Igreja. Embora pareça um escândalo para muitos aceitar isso [que está no catecismo], o que não podemos e não devemos nos esquecer é de que Jesus também passou pela ressurreição. De forma que assim como Ele ressuscitou, ela [Igreja] também ressuscitará. Prepare-se para isso: Vigie esperando a aurora!

Monsenhor Jonas Abib
 
fonte: Canção Nova
Seja Fiel!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Por que a Igreja Católica cultua a imagem de santos?

Há sempre - principalmente aqui no Brasil - muita falácia sobre nós, Católicos, "adorarmos" imagens. Eu, particularmente, nunca dei muita atenção para essa gente, pois esse tipo de pensamento é inculcado nos menos esclarecidos na fé, para lhes confundir e afastá-los da verdade, que é Cristo Jesus, e Sua Sã Doutrina, que é guardada desde os apóstolos, pela Igreja Católica Apostólica Romana.

Sei em quem depositei minha Fé, aquela mesma que recebi no Batismo, "um só Batismo" (O Credo).

Estudo a minha Fé, procuro conhecê-la cada dia mais e melhor.

Obedeço às determinações do Evangelho, e ao Santo Padre, o legítimo sucessor de Pedro.

E cultuo aqueles homens e mulheres que abnegaram a própria vida por amor a Deus e Sua Palavra. E se tornaram exemplos. E sempre aprendi que bons exemplos devemos seguir.

Os santos são pessoas como nós, que acreditaram na força de Deus para transformarem suas vidas. São homens de Coração e Fé.
A Igreja Católica nunca afirmou que devemos “adorar” as imagens
Imagem de DestaqueEm primeiro lugar, é preciso entender que Deus não nos proíbe de fazer imagens, mas sim imagens “de ídolos”, ou seja, de deuses falsos.

Já no Antigo Testamento, o próprio Deus prescreveu a confecção de imagens como querubins, serpentes de bronze, leões do palácio de Salomão etc. A Bíblia defende o uso de imagens como é possível verificar em muitas passagens: Ex 25,17-22; 37,7-9; 41,18; Nm 21,8-9; 1Rs 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7; 1Cr 28,18-19; 2Cr 3,7.10-14; 5,8; 1Sm 4,4; 2Sm 6,2; Sb 16,5-8; Ez 41,17-21; Hb 9,5 e outras mais.

Os profetas condenavam a confecção de imagens “de ídolos”: “Os que modelam ídolos nada são, as suas obras preciosas não lhes trazem nenhum proveito. Quem fabrica um deus e funde um ídolo que de nada lhe pode valer?” (Isaías 44,9-17).

O que é um ídolo? É aquilo que:
1 - substitui o único e verdadeiro Deus;
2 - são-lhes atribuídos poderes exclusivamente divinos, e
3 - são-lhe oferecidos sacrifícios devidos ao verdadeiro Deus. É o que os judeus antigos, no deserto, fizeram com o bezerro de ouro (cf. Ex 32).

Não é o que os católicos fazem. A Igreja Católica nunca afirmou que devemos “adorar” as imagens dos santos; mas venerá-las, o que é muito diferente.
A imagem é um objeto que apenas lembra a pessoa ali representada; o ídolo, por outro lado, “é o ser em si mesmo”. A quebra de uma imagem não destrói o ser que representa; já a destruição de um ídolo implica a destruição da falsa divindade.

Saiba como são fabricadas as imagens:

Para Deus, e somente para Ele a Igreja presta um culto de adoração (“latria”), no qual reconhecemos Deus como Todo-Poderoso e Senhor do universo. Aos santos e anjos, a Igreja presta um culto de veneração (“dulia”), homenagem.

A Nossa Senhora, por ser a Mãe de Deus, a Igreja presta um culto de “hiper-dulia”, que não é adoração, mas hiper-veneração. A São José “proto-dulia”, primeira veneração.

A palavra “dulia” vem do grego “doulos”, que significa "servidor". Dulia, em português, quer dizer reverência, veneração. Latria é adoração; vem do grego “latreia”, que significa serviço ou culto prestado a um soberano senhor. Em outras palavras, significa adoração. Então, não há como confundir o culto prestado a Deus com o culto prestado aos santos.

Rogando aos santos não os olhamos nem os consideramos senão nossos intercessores para com Jesus Cristo, que é o único Medianeiro (cf. 1Tm 2,4) que nos remiu com Seu Sangue e por quem podemos alcançar a salvação. A mediação e intercessão dos santos não substituem a única e essencial mediação de Cristo, o único Sacerdote, mas é uma mediação “por meio de” Cristo, não paralela nem substitutiva. Sem a mediação única de Cristo nenhuma outra tem poder.

Significado da imagem de um santo

A imagem de um santo tem um significado profundo. Quando se olha para ela, a imagem nos lembra que a pessoa, ali representada, é santa, viveu conforme a vontade de Deus. Então, é um “modelo de vida” para todos.

A imagem lembra também que aquela pessoa está no céu, isto é, na comunhão plena com o Senhor; ela goza da chamada “visão beatífica de Deus” e intercede por nós sem cessar, como reza uma das orações eucarísticas da Missa.

São Jerônimo dizia: “Se, aqui na Terra, os santos, em vida, rezavam e trabalhavam tanto por nós, quanto mais não o farão no céu, diante de Deus. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que “ia passar o céu na terra”, isto é, intercedendo pelas pessoas.

O Catecismo da Igreja nos ensina o seguinte no §956: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na Terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por seguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (LG 49).

A imagem de um santo nos lembra ainda que ele é santo pelo poder e graça de Deus; então, a veneração da imagem dá glória ao Senhor, mais que ao santo. São Bernardo, doutor da Igreja, sempre que passava por uma imagem de Nossa Senhora dizia: “Salve, Maria!”. Um dia, depois de dizer essas palavras, Nossa Senhora lhe disse: “Salve, Bernardo!”

Podemos tocar e beijar as imagens como um gesto de amor, reverência e veneração, não de adoração. Não fazemos isso com a imagem de um ente querido falecido? Podemos admirar as imagens – por isso elas devem ser bem feitas, em clima de oração – e rezar diante delas, pedindo ao santo, ali representado, que interceda diante de Deus. É Ele quem faz o milagre, mas o pedido vem dos santos, como nas Bodas de Caná, onde Jesus fez a transformação de 600 litros de água em vinho, “porque Sua Mãe intercedeu”. Ainda não era a hora dos seus milagres!

A intercessão dos santos

A intercessão dos santos é algo maravilhoso. Quando nós precisamos de um favor de uma pessoa importante, mas não conseguimos chegar até ela, então, procuramos um mediador, um intercessor, que seja amigo dessa pessoa, para fazer a ela o nosso pedido. E a pessoa importante a atende por ter intimidade com nosso intercessor. Ora, fazemos o mesmo com Deus. Não temos intimidade com Ele como os santos que já estão na Sua glória; nossos pecados limitam nossa intimidade com o Pai; então, os santos nos ajudam. Mas, como eles podem ouvir todos os pedidos ao mesmo tempo sem que tenham a onisciência e a onipresença de Deus? É simples. Na vida eterna, já não há mais as realidades terrenas do tempo e espaço. A comunhão perfeita com Deus dá aos santos o conhecimento de nossas orações e pedidos e, na plenitude de Deus, e por meio d'Ele não há a dificuldade de atender a todos ao mesmo tempo, pois já não existe mais esse fator limitador. No Céu, a realidade é outra.

Alguns perguntam: mas os mortos não estão todos dormindo, aguardando a ressurreição? Não. Jesus contou o caso do pobre Lázaro, o qual já estava no seio de Abraão, vivo e salvo, e o rico que sofria as penas eternas. A alma não dorme. No livro de Macabeus (2Mac 15, 11-15) temos a narrativa de Judas Macabeus, que teve a visão do sacerdote Onias, já falecido, orando pelo povo judeu.

Por tudo isso, as imagens precisam ser bem feitas, mais parecidas possíveis com o santo. Não devemos fazer imagens mal feitas ou mal pintadas. Quando não há uma foto ou uma pintura de santos antigos, então é licito que artistas sugiram uma imagem que a Igreja abençoe.

Quando uma imagem que foi benzida se quebra, e não é possível restaurá-la, então deve ser enterrada, destruída ou colocada em um lugar onde não haja profanação dela. Se for de material combustível, pode ser queimada.

O Concílio Ecumênico de Nicéia, no ano 789, que aprovou o uso de imagens, disse:

“Na trilha da doutrina divinamente inspirada de nossos santos padres e da tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos.”

São João Damasceno, doutor da Igreja, dizia: "A beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus."
Foto Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino @pfelipeaquino, é casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

A paternidade-maternidade contemplada de maneira responsável

O matrimônio é o primeiro passo para a construção de uma nova família, pois quando um homem e uma mulher se tornam um só pela concretização do sacramento do matrimônio, ambos desejam experimentar a maternidade e a paternidade. 
A chegada de um filho é sempre uma alegria para a família, mas é preciso que o casal se prepare para receber a criança em um ambiente que seja repleto de amor e carinho.

Sobre o nascimento de filhos, a Igreja tem uma encíclica do Papa Paulo IV, ‘Humanae Vitae’, na qual orienta as famílias a realizarem uma ‘paternidade responsável’, exercida tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como a decisão, tomada por motivos graves e com respeito à lei moral, de espaçar, temporariamente ou mesmo por tempo inderteminado, um novo nascimento.

Isso é muito importante ressaltar, pois o Catecismo da Igreja Católica adverte que cabe aos esposos “verificar que esse seu desejo de espaçar os nascimentos não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável”, o que difere completamente do que o Governo recomenda, o planejamento familiar com o incentivo do Ministério da Saúde em uma conscientização para métodos contraceptivos.

Portanto, é válido ressaltar que sobre a procriação, a Igreja usa o termo “paternidade responsável”, o qual inclui também a abertura para uma família numerosa, “continência periódica” e “métodos de regulação da procriação”.

Dentre esses métodos de regulação, existe o Método de Ovulação Billings™, método científico desenvolvido pelo Dr. John Billings e a Dra. Evelyn Billings.

Segundo a instrutora e responsável pelo Centro de Formação Famílias Novas, no Posto Médico Padre Pio, Fabiana Azambuja, o método é simples e fácil de ser realizado, mas precisa ter uma orientação para que seja eficaz. Ela ainda ressalta que, antes de o casal receber a orientação para a realização deste método, é preciso compreender qual é visão da Igreja em relação à procriação.

“O sacramento do matrimônio, as suas finalidades, são de unir o casal – ‘sereis uma só carne’; portanto, o caráter unitivo. Gerar filhos, caráter pró-criativo. Trata-se das finalidades, ou seja, para que nos comprometemos no sacramento do matrimônio? Logo, os casais são convidados a viver essa dupla finalidade de forma harmoniosa e que lhes favoreça o uso pleno, total, fiel e fecundo do ato conjugal. Para isso, o convite não é  fazer ‘planejamento familiar’ como se o casal fosse árbitro da vida, mas sim viver a paternidade responsável”, explicou Fabiana.

O Método de Ovulação Billings™ possibilita à mulher conhecer seu corpo, aprendendo a identificar os sinais e os sintomas da fertilidade; além de entender seu sistema reprodutivo. O método propõe ao homem que ele também possa compreender melhor sua esposa. De acordo com Fabiana, quando o casal deseja utilizar este método, é preciso que os dois tenham o conhecimento dos dias férteis dela.

“Requer do casal o conhecimento da sua fertilidade pelo registro diário de um gráfico e do acompanhamento de uma instrutora qualificada. Sem o registro do gráfico diário e o acompanhamento de uma instrutora, a eficácia do método é comprometida”, explicou a instrutora.

“Caso tenha necessidade e razões justas para espaçar o nascimento dos filhos, devem procurar Centros de Ensino de Métodos Naturais, como hoje temos no Posto Médico Padre Pio, em Cachoeira Paulista (SP), o Centro de Formação Famílias Novas, um Centro de Ensino do Método de Ovulação Biliings™, que leva as pessoas a uma redescoberta do valor e do significado da Sexualidade Humana, em que haja uma disponibilidade fundamental à paternidade e à maternidade responsável com respeito às leis naturais”, aconselhou Fabiana.


O casal de noivos da Comunidade Canção Nova Denise Claro e Thiago Campos recomenda que os  noivos ou  os já casados procurem conhecer este Método de Ovulação Billings™, e que o homem e a mulher, como um casal, possam juntos se conhecer e viver um relacionamento santo.

“Conversando sobre a nossa realidade e podendo ver o exemplo dos nossos pais e de casais próximos que vivem esta fidelidade a Deus dentro da Igreja, nós podemos absorver e traçar uma meta para viver juntos”, disse Denise.

A missionária, há três anos, procurou o Centro de Formação Famílias Nova, em Cachoeira Paulista (SP), localizado no Posto Médico Padre Pio, para informar-se e realizar a sua formação sobre o Método de Ovulação Billings™, a fim de que, junto de seu futuro esposo, possa realizar a ‘paternidade responsável’.

“A vida sexual só tem início após o casamento, mas você como mulher precisa se conhecer e partilhar isso com o seu namorado ou noivo para que ele também possa conhecê-la; saber como funciona o seu ciclo menstrual, pois há dias em que você está mais sensível. No período fértil, é preciso evitar estar muito junto, e isso vai da realidade de cada um e da intimidade do casal para viver santamente o relacionamento”, testemunhou Denise.

Para seu noivo, Thiago, é de grande importância que a mulher conheça o seu corpo e possa manter um diálogo com seu parceiro sobre o momento que ela está vivendo, pois ele acredita que, desta forma, o homem poderá aprender a conhecer e compreender sua namorada, noiva e esposa.

“Esta conversa vai criando no homem uma corresponsabilidade para saber esperar, cuidar e preservar, porque a mulher não é um objeto, mas um ser criado por Deus e precisa ser cuidada. Com o conhecimento do método, o homem vai firmando uma sintonia junto com a mulher e percebendo que não é somente saciar os seus desejos, mas, principalmente, saciar a mulher naquilo que é o ser dela e naquilo que é o tesouro que ela traz de uma futura maternidade”, partilhou Thiago.

A Igreja, por meio das pastorais e movimentos em prol da família, Doutrinas e Catecismo da Igreja Católica, tem a missão de orientar e auxiliar os jovens casais que estão se formando para que não percam os valores de ser família.

“A melhor formação para os jovens é buscar, com seriedade e verdade, a sua vocação ao Amor e saber de que forma eles vão vivê-la, se é no celibato ou no matrimônio. Após esta descoberta, caso seja o matrimônio, buscar compreender a dignidade e beleza de tal vocação”, afirmou Fabiana.

Para se aprofundar neste assunto leia alguns artigos:




fonte: Canção Nova
 
Seja Feliz!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Crer em Jesus Cristo: verdadeiro Deus e verdadeiro homem

Jéssica Marçal

Padre Toninho destacou a indissociabilidade entre as naturezas divina e humana de Jesus Cristo
Os católicos vivem atualmente o tempo do Advento, que é uma preparação para o Natal. A data celebra o nascimento do Senhor Jesus Cristo, um dos mistérios da fé cristã, que tem Jesus como o Filho de Deus, o enviado pelo Pai para salvar a humanidade. Essa é uma crença que os católicos professam no Credo, oração que pode ser meditada em especial neste Ano da Fé, como forma de entender melhor a fé católica.

Sendo uma das pessoas da Santíssima Trindade, Cristo é chamado pelos católicos como Senhor. O padre Antônio Justino Filho, padre Toninho, da Comunidade Canção Nova, explicou que isso se deve, primeiramente, ao fato de Jesus ser o Filho de Deus Pai. Além disso, Ele habitou entre os seres humanos, sendo a face do Deus que até então ninguém tinha visto.

“A pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo é a imagem visível do Deus invisível (...) por isso ele é o Senhor, porque Ele ressuscitou, e sendo senhor Ele tem esse título de Kyrios: Senhor”.

Essa forma de se referir a Jesus tem um significado especial para os cristãos. O Youcat, recente versão do Catecismo da Igreja Católica voltada aos jovens, explica que dizer que Jesus é o Senhor implica no fato de que um cristão não deve se submeter a nenhum outro poder.  Os cristãos conhecem o poder de Jesus não somente pelas profecias que anunciavam a vinda do Filho de Deus, mas por todos os milagres realizados.

Os fiéis reconhecem em Jesus a divindade, uma vez que é Deus, e a humanidade, pois se fez homem entre os homens. Quanto a isso, padre Toninho lembrou que as naturezas divina e humana de Cristo não se sobrepõem, ou seja, nenhuma é maior que a outra. “Ele não é nem mais Deus e nem mais homem.(...) A divindade e a humanidade de Jesus não se separam, por isso que Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem”.

E quando se fez homem entre os homens, Jesus chamou 12 apóstolos para seguir sua missão de difundir a Palavra de Deus na terra. Mas o chamado não parou por aí. A partir dessas 12 pessoas, a Igreja chamou outros para serem apóstolos da Igreja. Exemplo disso, segundo padre Toninho, são os bispos.

“Os bispos, são os sucessores dos apóstolos e nessa sucessão apostólica, a tradição apostólica vai sendo passada de geração a geração dentro da vida da Igreja. Então hoje, o chamado a viver uma apostolicidade, como assim nós chamamos na Igreja, é para todos os batizados, mas de modo especial para aqueles que têm um chamado especial como são os bispos”.

Mas, afinal, o que mudou no mundo a partir da vinda de Cristo? Padre Toninho lembrou que muita coisa mudou. O ponto destacado por ele foi o grande impulso evangelizador que os discípulos missionários tiveram após a vinda de Cristo, cujas palavras contidas no Evangelho exortam à pregação da Boa Nova a todas as criaturas. 

“Se hoje nós temos essa presença da Igreja em vários lugares do mundo, é devido a isso: após a morte e ressurreição de Jesus, os discípulos foram impulsionados a sair em missão. Então eu vejo essa grande novidade da ressurreição de Jesus: o mundo que começou a conhecer a Palavra de Deus”. 

Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Fé: Uma Alegria Renovada

Beleza tão antiga e tão nova
Imagem de DestaqueUma das páginas mais comoventes do livro das Confissões de Santo Agostinho é a oração que dirige a Deus, com um misto de alegria e de dor, ao lembrar-se das hesitações e as demoras que atrasaram a sua conversão:

«Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te procurava fora: lançava-me transtornado sobre as belezas que tu criaste.  Tu estavas comigo, e eu não estava contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas criadas que, se não fossem sustentadas por ti, nem mesmo existiriam. Chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez; brilhaste, resplandeceste, e a tua luz afugentou a minha cegueira; exalaste o teu perfume e respirei, suspirei por ti; saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti; Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo da tua paz» (liv. 10, 27).

Santo Agostinho sentiu, desde muito jovem, uma sede ardente de felicidade, de amor, de verdade. Percorreu aos trambolhões um longo caminho de procura. Foi sincero. Por isso Deus ouviu as suas súplicas e lhe deu a resposta, acendendo-lhe na alma a luz da fé em Cristo. A partir desse instante, foi invadido por uma alegria que nunca mais iria abandoná-lo.

«Senhor…, fizeste-nos para ti e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em ti», escrevia no começo das suas Confissões. Descansou na fé e no amor. Essa foi a sua experiência.

Alegria! Paz! Todos nós as desejamos… e como nos custa encontrá-las. Continuam a ser para nós um tesouro escondido (cf. Mt 13, 44). E, no entanto, poderíamos achá-las se nos puséssemos em condições de alcançar a graça da fé. Não o incentiva pensar que a Bíblia, o Novo Testamento, nos mostra que a alegria autêntica é inseparável da fé?

Lembre. Jesus acabava de nascer e já houve uns homens, os Magos, que, acolhendo com fé o sinal profético de uma estrela, empreenderam um  duro caminho. São Mateus conta assim o final dessa aventura: E eis que a estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. Ao verem a estrela – ao acharem Jesus –, sentiram uma imensa alegria (Mt 2,9-10). O tamanho dessa alegria deduz-se do texto original do Evangelho, que é difícil reproduzir com exatidão: Alegraram-se com uma alegria muito grande, e muito! Uma explosão de alegria no coração.

Assista também: "A fé da Igreja: Jesus Cristo vive!", com padre Paulo Ricardo

Lembremos também outro relato do Novo Testamento. A comunidade cristã acabava de nascer e já sofria perseguição. Como é que viviam a fé? São Pedro o conta: Este Jesus vós o amais sem o terdes visto; credes nele sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque estais certos de obter, como preço da vossa fé, a salvação de vossas almas  (1 Ped 1,8-9).

Os testemunhos sobre a alegria da fé são inúmeros
. Quero trazer agora apenas um de tempo relativamente recente, o do jornalista André Frossard. Era filho do primeiro Secretário geral do Partido Comunista francês, e foi criado totalmente à margem da religião. Entrou um dia por acaso numa igreja, ponto de espera marcado por um amigo. De repente, instantaneamente, Deus o atingiu com a sua graça, e passou a crer sem nenhuma dúvida, a crer em “todas” as verdades da fé católica. Foi um milagre do amor de Deus, que jamais esqueceria. Assim o comentava posteriormente:

«Como esquecer o dia em que, numa capela subitamente rasgada de luz, se descobre o amor ignorado pelo qual se ama e  se respira, em que se aprende que o homem não está só, que uma presença invisível o penetra, o rodeia e o espera, que para lá dos sentidos e da imaginação existe um outro mundo, em comparação com o qual este universo material, por mais belo que seja e por mais atrativo que se apresente, não passa de vaga neblina e reflexo distante da beleza que o criou» (Há um outro mundo, Quadrante 2003).

Como já sabe, estamos no Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI em 11 de outubro de 2011, com a Carta Apostólica Porta fidei (“A porta da pé”), comemorando os 50 anos do início do Concílio Vaticano II e 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica. Vai terminar na Solenidade de Cristo Rei, 24 de novembro de 2013. A carta Porta fidei incentiva-nos a desejar ter ou aumentar a nossa fé. Fala da «necessidade de redescobrir o caminho da fé, para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo» (n. 2).

Na audiência da quarta-feira 10 de outubro de 2012
, véspera do início deste Ano da Fé, o Papa voltou a exortar-nos a «redescobrir cada dia a beleza da nossa fé». No dia seguinte, inaugurando o Ano da Fé, voltava a referir-se em uma homilia à «alegria de crer e à sua importância vital para nós, homens e mulheres». E, poucos dias depois, na audiência da quarta-feira 17 de outubro, anunciou o seu propósito de dedicar, neste Ano da Fé, as alocuções das quartas-feiras à catequese sobre o tema da fé: «Quereria – dizia –que fizéssemos um caminho para reforçar ou reencontrar a alegria da fé, compreendendo que a fé não é algo alheio, separado da vida concreta, mas é a sua alma». Não deixe de ler, se puder, essas catequeses de Bento XVI, que pode encontrar no site www.vatican.va [em “Ano da fé” ou “Audiências”], e no site noticias.cancaonova.com, entre outros.

Na Carta Porta fidei o Papa faz um resumo sintético das finalidades dste ano: «Descobrir novamente os conteúdos da fé professada (as verdades da fé), da fé celebrada (nos Sacramentos), da fé vivida (na conduta, na vida real, na vida moral), e da fé rezada (da oração e da vida de oração)» (Porta fidei, n. 9).

Se você conhece o Catecismo da Igreja Católica, deve ter observado que, em poucas palavras, o Papa menciona as quatro partes em que o Catecismo se divide: I. A profissão da fé; II. A celebração do mistério cristão; III. A vida em Cristo; IV. A oração cristã.

É natural, pois, que a Carta Porta fidei insista em que «o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica [...]. Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária» (n. 11).

Todos somos conclamados, portanto, a estudar e a difundir o conteúdo – assimilado, esmiuçado, traduzido em linguagem acessível – do Catecismo da Igreja e do seu Compêndio, bem como a redescobrir os documentos do Concílio Vaticano II.

Deixe-me acabar esse trecho com uma pergunta: Você vai fazer alguma coisa? O que poderia fazer para aprofundar e dar a conhecer a “doutrina” católica, os “conteúdos” da fé?
Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

(fonte Canção Nova)

Leia hoje:  São Lucas 18,35-43

E seja Feliz!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Ano da Fé

O texto abaixo é transcrição de uma palestra do Padre Reginaldo Manzotti, em 11/11/2012, na Canção Nova, no Congresso Nacional da Fraternidade, sobre o Ano da Fé:

O Ano da Fé

Padre Reginaldo Manzotti
Foto: Natalino Ueda/Cancaonova.com
”Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito.” (I Pedro 3,15)

Temos de estar atentos ao censo da nossa Igreja. Há uma grande evasão de fiéis, porque estamos acomodados como Igreja e também como padre. Nossos bispos estão clamando que os cristãos voltem para a Igreja, e nós precisamos responder 'sim' ao Senhor.

Nesse ano da fé, somos chamados a nos debruçarmos sobre o Creio. Reze, medite e viva essa oração. Do ponto de vista teórico e dogmático, nossa fé está expressa nele; no entanto, esse não é nosso problema. O problema é nossa incoerência daquilo que acreditamos com o que demonstramos na prática.

Nós católicos temos de amar a nossa Igreja e nosso Papa. Precisamos manifestar publicamente a fé que abraçamos, precisamos ser apaixonados pela nossa Igreja, depositária da nossa fé.

Em meu computador, tenho uma foto do nosso amado Papa Bento XVI utilizando um tablet como uma forte motivação para vivermos a nossa fé. A mensagem do Evangelho é a mesma e temos de aproveitar todas as oportunidades.

A superficialidade da nossa fé é tremenda. Às vezes, somos um empecilho para o Espírito Santo e para a Igreja. Não O deixamos trabalhar em nós, e, assim, impedimos a ação de Deus em nossas paróquias e nossas comunidades.

Resolva a sua vida e não estrague a comunidade.

Todos devemos olhar para os simples. Em meus 17 anos de padre, já vi muitas pessoas passarem por mim. E aqueles que são os mais simples, não complicam a caminhada com Deus. Eles se entregam incondicionalmente. A maior dificuldade para ser santo não é para os pecadores, mas para os meio convertidos.

"Resolva a sua vida e não estrague a comunidade", pede o pregador."
Foto: Natalino Ueda/Cancaonova.com


Precisamos ter a coragem de Paulo e exortar nossos irmãos. O Ano da Fé vem tocar muitos eixos de nossa vida, vem purificar nossa alma de cristãos pela metade. Não podemos ser sal insosso, mas cristãos para valer. Não seja morno. Seja quente!

Jesus o convida a uma vida de santidade, mas é preciso dizer 'sim' para Deus. Eu tive de renunciar a minha vida política para seguir a Cristo.

Se eu tenho a luz de Cristo em mim, preciso colocá-la à vista.

Onde estão seus netos ? Onde estão seu filhos? Nós colhemos o que plantamos. A primeira evangelização é dentro de casa.


"Se eu tenho a luz de Cristo em mim, preciso colocá-la à vista."
Foto: Natalino Ueda/Cancaonova.com
Nesse ano da fé, queria que você pensasse: "Será que não está na hora de voltar ao poço de Jacó e pedir água para Jesus novamente? A samaritana tinha uma vida mal resolvida. Assim como ela, a qual tinha 5 maridos, pergunte-se agora: "Quais são as cinco pendências que você precisa resolver hoje?

São Tomas de Aquino nos dá a receita contra a depressão:
1- Tenha bons amigos
2 – Tome banho
3 – Durma bem
4 – Não esconda de você mesmo quem você é.
“O povo está sedento de ir ao poço de Jacó. E nós temos a obrigação de dar essa água para eles. ”O meu maior desejo é ouvir de um jovem: Eu olhei para o seu sacerdote e desejei ser padre.”
A fé não é emoção. Quantos deixam de ir à missa, porque não estão “sentindo” vontade de ir? Se você quer viver sua fé na base da emoção, você está redondamente errado. Você vai viver muito mais momentos de aridez do que de consolação. Fé é encontro com o Senhor, é adesão. "Eu quero servir! Independente do que aconteça, não arrede o pé, porque você é fiel a Jesus Cristo, à comunidade e ao carisma.
Transcrição e Adaptação: Cristiane Viana
:: Confira também a 2ª pregação dessa manhã de domingo: "A graça do carisma"

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Padre Reginaldo Manzotti 

Seja Feliz!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Dia de Finados


Sexta-feira, 02 de novembro de 2012, 10h01

Padre explica o que acontece à pessoa após a morte

André Luiz
Da Redação


Arquivo Canção Nova
Padre Wagner Ferreira, Doutor em Teologia Moral e Formador Geral da Comunidade Canção Nova
Nesta sexta-feira, 2, a Igreja celebra um dia especial de orações pelos fiéis defuntos, o dia de Finados. Desde os primeiros séculos, os cristãos já visitavam os túmulos dos mártires para rezar por eles e por todos aqueles que um dia fizeram parte da comunidade primitiva. No século XIII, o dia dos fiéis defuntos passou a ser celebrado oficialmente em 2 de novembro, já que no dia 1º de novembro era comemorada a solenidade de todos os santos.
Ao celebrar esta data, é comum pensarmos sobre o fim da vida neste mundo. Logo, é possível se perguntar: o que acontece após a morte? Para onde foram os que morreram? Céu e inferno são realmente lugares ou apenas estados de espírito? 
Padre Wagner Ferreira, Doutor em Teologia Moral e Formador Geral da Comunidade Canção Nova,  explica, segundo a doutrina da Igreja Católica, o que acontece à pessoa após a morte. O padre fala ainda sobre céu, inferno e purgatório e,  esclarece a diferença entre o juízo final e o fim do mundo.
noticias.cancaonova.com – Em primeiro lugar, como devemos olhar a realidade da morte?

Padre Wagner Ferreira – Quando a Igreja lida com a morte, Ela sempre tem o seu olhar voltado para o Mistério de Cristo Vivo e Ressuscitado. Como diz o livro do Apocalipse, Ele é o vivente. Ele é fonte de vida e ressurreição para aqueles que nele crêem. A Igreja vê a realidade da morte como uma realidade dramática, que toca toda e qualquer pessoa humana, mas ao mesmo tempo, tendo o seu olhar fixo em Jesus Ressuscitado, a Igreja crê na morte humana como uma passagem, um momento em que vamos definitivamente ao encontro de Deus, com muita esperança. 
noticias.cancaonova.com – O que a Igreja ensina sobre o céu e o inferno?

Padre Wagner Ferreira – O céu é a própria vida de Deus, da Santíssima Trindade. Fomos salvos por Jesus para viver eternamente na vida de Deus. No céu, nós experimentaremos plenamente o amor do Senhor. É a nossa alegria eterna, a felicidade eterna. O inferno é aquele estado da alma em que, a pessoa, com clareza, com consciência muito clara, rejeitou a vida de Deus. É uma realidade dramática até pensar nisso. Deus tem um amor profundo e imenso pela pessoa humana. Criou cada pessoa livre e Ele não quer que ninguém O ame de forma obrigada. Deus não nos criou para sermos robôs. Mas, no respeito da nossa liberdade, ele respeita também aquele filho que quis dizer não a Ele. Portanto, o inferno seria esse momento definitivo em que a pessoa escolhe de forma muito clara, uma existência eterna, porém, sem Deus. 
noticias.cancaonova.com – Segundo a Bíblia e a doutrina Católica, o que acontece após a morte?

Padre Wagner Ferreira - A partir da revelação bíblica, dos textos das Sagradas Escrituras, principalmente os textos do Novo Testamento, a Igreja crê que as pessoas, depois de sua morte, fazem a experiência do chamado juízo particular. Se elas estiveram, em sua vida terrena, comprometidas com Deus, com os valores do Reino de Deus, da justiça, do amor, da solidariedade para com o próximo e tudo mais, é claro que estas pessoas viveram uma vida de seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo e vão seguir o Senhor também em sua vitória na Ressurreição. Essas pessoas em seu juízo particular, vão para a glória de Deus, para o Céu, para a Vida Eterna. 
Agora, quem, infelizmente, viveu sua vida terrena sem compromisso com Deus, com a fé, com o amor ao próximo, a justiça, a solidariedade, depois de sua morte a pessoa segue para um juízo particular de condenação. É Claro que Deus não condena ninguém, mas a pessoa que, durante sua vida, escolheu uma vida sem Deus, descomprometida, desvinculada do amor ao próximo, da solidariedade e assim por diante, ela mesmo se condena. Mas, a Igreja nunca se pronuncia dizendo: tal pessoa foi para o inferno! Por mais terrível que tenha sido aquela pessoa, jamais a Igreja se pronuncia desta forma. 
noticias.cancaonova.com – E o purgatório, como compreendê-lo?

Padre Wagner Ferreira - Se a pessoa procurou seguir a Cristo, mas em alguns momentos de sua vida, essa opção pelo Senhor e pela vivência dos valores do Reino de Deus não foi vivida com tanta coerência, a Igreja acredita que a pessoa passa, depois de sua morte, por uma experiência de purificação final, antes de participar eternamente da glória de Deus. É o que a Igreja chama de purgatório, ou seja, uma purificação final para que a pessoa possa participar eternamente da glória de Deus.
noticias.cancaonova.com – Quanto à salvação: é dom de Deus ou fruto do esforço humano?

Padre Wagner Ferreira - A Igreja professa essa verdade, juntamente com o Apóstolo São Paulo: as pessoas são salvas pela graça de Deus, pela fé em Jesus Cristo. Mas, o Apóstolo São Tiago também diz que se a fé não for acompanhada pelas obras ela é morta. Portanto, se eu creio em Jesus Cristo, e entro numa dinâmica de Salvação, esta fé me leva ao seguimento de Jesus, a um testemunho que se verifica em obras de amor, de justiça, de solidariedade, e etc. Mas, aquele que diz: creio em Jesus Cristo, mas no dia-a-dia não vive conforme esta fé na realidade, está enganado. Uma autêntica fé em Cristo me leva a um compromisso com a verdade. São obras de fé que testemunham a graça redentora de Cristo. 
noticias.cancaonova.com – O que dizem as Escrituras e a doutrina católica sobre o juízo final? Ele corresponde também ao fim do mundo?

Padre Wagner Ferreira - O juízo final é uma verdade de fé, presente nas Sagradas Escrituras, em diversos textos bíblicos. A revelação bíblica e a tradição da Igreja nos ensinam que Nosso Senhor Jesus Cristo, um dia, virá para manifestar plenamente a glória de Deus na existência e na história humana. Jesus veio uma primeira vez, estabeleceu definitivamente o Reino de Deus e, depois, Ele ascendeu à glória de Deus. Mas, nós cremos que um dia Ele virá em sua glória para julgar os vivos e os mortos. De modo a estabelecer definitivamente o seu Reino. A vinda gloriosa de Jesus não significa fim do mundo ou destruição do mundo. Mas, será um momento, segundo a Igreja, de renovação de todas as coisas, de um estabelecimento definitivo do Reino de Deus, onde Deus será tudo em todos. 
noticias.cancaonova.com – E, por que é preciso rezar pelos mortos?

Padre Wagner Ferreira - Esta prática de oração pelos defuntos tem o seu embasamento nas Sagradas Escrituras. Particularmente, existe uma passagem do segundo livro dos Macabeus capítulo 12, versículo 46, que diz assim: “Eis por que ele, Judas Macabeu, mandou oferecer este sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, afim de que fossem absolvidos de seu pecado”. Então, essa prática de rezar pelos defuntos é muito antiga, vem desde o povo de Israel. Por isso a Igreja entendeu, desde a sua origem, como uma prática importante. Nós somos chamados a rezar pelos fiéis defuntos para que possam ser agraciados com a Misericórdia, com o perdão, com o Amor de Deus. É uma prática piedosa e que a Igreja quis estabelecer um dia para que todos nós, Igreja Peregrina, rezemos pela Igreja Padecente. 
noticias.cancaonova.com – Além de rezar pelos que já morreram, existem outras formas de se viver bem este dia de Finados?

Padre Wagner Ferreira – Além desta atenção especial para com os fiéis defuntos, Finados também é uma oportunidade para que nós como Igreja Peregrina neste mundo possamos rever as nossas opções. Uma vez que a morte pode bater a nossa porta a qualquer momento, nós precisamos ter essa atenção também, não por medo da morte ou de ir para o inferno, mas, pelo contrário, mas por uma adesão mais bonita pelas coisas de Deus e o ao amor ao próximo. É também uma oportunidade para que nós possamos rever as nossas escolhas, tendo em vista também nós comungarmos eternamente da glória de Deus.

fonte: Canção Nova

Seja Feliz!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Catequese de Bento XVI - Fé Cristã


CATEQUESE
Praça São Pedro - Vaticano
Quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje gostaria de introduzir o novo ciclo de catequeses, que se desenvolve durante todo o Ano da Fé há pouco iniciado e que interrompe – por este período – o ciclo dedicado à escola da oração. Com a Carta apostólica Porta Fidei, convoquei este Ano especial, para que a Igreja renove o entusiasmo de crer em Jesus Cristo, único salvador do mundo, reaviva a alegria de caminhar sobre a via que nos indicou, e testemunhe de modo concreto a força transformadora da fé.

A ocorrência dos cinquenta anos de abertura do Concílio Vaticano II é uma ocasião importante para retornar a Deus, para aprofundar e viver com maior coragem a própria fé, para fortalecer a adesão da Igreja, “mestra da humanidade”, que através do anúncio da Palavra, a celebração dos Sacramentos e as obras de caridade nos guia a encontrar e conhecer Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Trata-se do encontro não com uma ideia ou com um projeto de vida, mas com uma Pessoa viva que transforma em profundidade nós mesmos, revelando-nos a nossa verdadeira identidade de filhos de Deus. O encontro com Cristo renova os nossos relacionamentos humanos, orientando-lhes, dia após dia, à maior solidariedade e fraternidade, na lógica do amor. Ter fé no Senhor não é um fato que interessa somente à nossa inteligência, a área do saber intelectual, mas é uma mudança que envolve a vida, todos nós mesmos: sentimento, coração, inteligência, vontade, corporeidade, emoções, razões humanas. Com a fé muda verdadeiramente tudo em nós e para nós, e se revela com clareza o nosso destino futuro, a verdade da nossa vocação dentro da história, o sentido da vida, o gosto de ser peregrino para a Pátria celeste.

Mas – nos perguntamos – a fé é verdadeiramente a força transformadora na nossa vida, na minha vida? Ou é só um dos elementos que fazem parte da existência, sem ser aquele determinante que a envolve totalmente? Com as catequeses deste Ano da Fé, gostaríamos de fazer um caminho para fortalecer o voltar à alegria da fé, compreendendo que essa não é algo estranho, separado da vida cotidiana, mas é a alma. A fé em um Deus que é amor, e que se fez próximo ao homem encarnando-se e doando-se a si próprio na cruz para salvar-nos e reabrir-nos as portas do Céu, indica de modo luminoso que somente o amor é a plenitude do homem.  Hoje é necessário confrontar com clareza, enquanto as transformações culturais em ocorrência mostram sempre tantas formas de barbáries, que passam sobre o sinal de “conquistas da civilização”: a fé afirma que não há uma verdadeira humanidade se não nos lugares, nos gestos, nos tempos e nas formas em que o homem é animado pelo amor que vem de Deus, exprime-se como dom, manifesta-se em relações ricas de amor, de compaixão, de atenção e de serviço desinteressado para o outro. Onde há domínio, possessão, mercantilização, exploração do outro para o próprio egoísmo, onde tem arrogância do eu fechado em si mesmo, o homem está empobrecido, degradado, desfigurado. A fé cristã, operante na caridade e forte na esperança, não limita, mas humaniza a vida, de fato a torna plenamente humana.

A fé é acolher esta mensagem transformadora na nossa vida, é acolher a revelação de Deus, que nos faz conhecer quem Ele é, como atua, quais são os seus projetos para nós. Certo, o mistério de Deus está sempre para além dos nossos conceitos e da nossa razão, dos nossos ritos e da nossa oração. Contudo, com a revelação é sempre Deus que se autocomunica, que se diz, torna-se acessível. E nós somos feitos capazes de escutar a sua Palavra e de receber a sua verdade. Eis então a maravilha da fé: Deus, no seu amor, cria em nós – por meio da obra do Espírito Santo – as condições adequadas para que possamos reconhecer a sua Palavra. Deus mesmo, na sua vontade de manifestar-se, de entrar em contato conosco, de fazer-se presente na nossa história, nos torna capazes de escutá-Lo e de acolhê-Lo. São Paulo o exprime com alegria e reconhecimento assim: “Agradeçamos a Deus continuamente, porque, tendo recebido de nós as palavras divinas da pregação, a recebestes não como palavra dos homens, mas, como realmente é, aquela palavra de Deus, que opera em vós que credes” (1 Ts 2,13).

Deus se revelou com palavras e obras em toda uma longa história de amizade com o homem, que culmina na Encarnação do Filho de Deus e no seu Mistério de Morte e Ressurreição. Deus não só se revelou na história de um povo, não só falou por meio dos Profetas, mas cruzou seu Céu para entrar na terra dos homens como homem, para que possamos encontrá-Lo e escutá-Lo. E de Jerusalém o anúncio do Evangelho da salvação se difundiu até os confins da terra. A Igreja, nascida ao lado de Cristo, tornou-se portadora de uma nova sólida esperança: Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado, salvador do mundo, que está à direita do Pai e é juiz dos vivos e dos mortos. Este é o querigma, o anúncio central e disruptivo da fé. Mas desde o início colocou-se o problema da “regra da fé”, ou seja, da fidelidade dos crentes à verdade do Evangelho, na qual permanecerem firmes, à verdade salvadora sobre Deus e sobre o homem que deve ser guardada e transmitida. São Paulo escreve: “Sereis salvos, se o conservardes [o evangelho] como vo-lo anunciei. Caso contrário, vós teríeis acreditado em vão” (1 Cor 15,2).

Mas onde encontramos a fórmula essencial da fé? Onde encontramos a verdade que nos foi fielmente transmitida e que constitui a luz para a nossa vida cotidiana? A resposta é simples: no Credo, na Profissão de Fé o Símbolo da fé, nós nos reportamos ao evento originário da Pessoa e da História de Jesus de Nazaré; torna-se concreto aquilo que o Apóstolo dos gentios dizia aos cristãos de Corinto: “Vos transmiti, antes de tudo, aquilo que eu também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras, foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia” (1 Cor 15,3).

Também hoje precisamos que o Credo seja melhor conhecido, compreendido e pregado. Sobretudo é importante que o Credo seja, por assim dizer, “reconhecido”. Conhecer, de fato, poderia ser uma operação somente intelectual, enquanto “reconhecer” quer significar a necessidade de descobrir a ligação profunda entre a verdade que professamos no Credo e a nossa existência cotidiana, para que esta verdade seja verdadeiramente e concretamente – como sempre foi – luz para os passos do nosso viver, água que irriga o calor do nosso caminho, vida que vence certos desertos da vida contemporânea.  No Credo se enxerta a vida moral do cristão, que nesse encontra o seu fundamento e a sua justificativa.

Não é por acaso que o Beato João Paulo II quis que o Catecismo da Igreja Católica, norma segura para o ensinamento da fé e fonte certa para uma catequese renovada, fosse baseado no Credo. Tratou-se de confirmar e guardar este núcleo central da verdade da fé, tornando-o uma linguagem mais compreensível aos homens do nosso tempo, a nós. É um dever da Igreja transmitir a fé, comunicar o Evangelho, a fim de que a verdade cristã seja luz nas novas transformações culturais, e os cristãos sejam capazes de dar razões da esperança que portam (cfr 1 Pt 3,14). Hoje vivemos em uma sociedade profundamente alterada mesmo comparada a um passado recente, e em constante movimento. Os processos da secularização e de uma mentalidade niilista generalizada, em que tudo é relativo, impactaram fortemente a mentalidade comum. Assim, a vida é vista sempre com leveza, sem ideais claros e esperanças sólidas, dentro das ligações sociais e familiares líquidas, provisórias. Sobretudo as novas gerações não vêm educadas para a busca da verdade e do sentido profundo da existência que supera o contingente, da sensibilidade dos afetos, da fidelidade. Ao contrário, o relativismo leva a não ter pontos fixos, suspeita e volatilidade causam inconstâncias nas relações humanas, enquanto a vida é vista dentro de experiências que duram pouco, sem assumir responsabilidades. Se o individualismo e o relativismo parecem dominar a alma de muitos contemporâneos, não de pode dizer que os crentes estão totalmente imunes deste perigo, com o qual somos confrontados na transmissão da fé. A pesquisa promovida em todos os continentes para a celebração do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização evidenciou alguns: uma fé vista de modo passivo e privado, a recusa da educação na fé, o rompimento entre a vida e a fé

O próprio cristão não conhece nem sequer o núcleo central da própria fé católica, do Credo, de modo a deixar espaço a um certo sincretismo e relativismo religioso, sem clareza sobre a verdade de crer e da singularidade salvífica do cristianismo. Não está tão longe hoje o risco de construir, por assim dizer, uma religião “faça você mesmo”. Devemos, em vez disso, voltar a Deus, ao Deus de Jesus Cristo, devemos redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-lo entrar de modo mais profundo nas nossas consciências e na vida cotidiana.

Nas catequeses deste Ano da Fé gostaria de oferecer uma ajuda para fazer este caminho, para retomar e aprofundar a verdade central da fé em Deus, no homem, na Igreja, em toda a realidade social e cósmica, meditando e refletindo sobre as afirmações do Credo. E gostaria que ficasse claro que este conteúdo ou verdade da fé (fides quae) se conectam diretamente às nossas vidas; pedem uma conversão da existência, que dá origem a um novo modo de crer em Deus (fides qua). Conhecer Deus, encontrá-Lo, aprofundar o conhecimento de sua face põe em jogo a nossa vida, porque Ele entra nos dinamismos profundos do ser humano.

Possa o caminho que iremos fazer neste ano fazer-nos crescer todos na fé e no amor a Cristo, para que aprendamos a viver, na escolha e nas ações cotidianas, a vida boa e bela do Evangelho. Obrigado.




Boletim da Santa Sé
(Tradução: Jéssica Marçal-equipe CN Notícias)

Seja Feliz!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Como deve ser o "Ano da Fé"?

Esta na hora, e é agora, de assumirmos a nossa identidade. A Igreja a que pertencemos não é a de pedras, mas aquela que em de nossa conversão diária, trabalhada na oração, no jejum, na adoração, na leitura orante da Palavra, na confissão auricular ao sacerdote, na Eucaristia! Leia a Carta apostólica "PORTA FIDEI". Instrua-se! Reavive, renove, renasça a sua Fé!

 É chegada a hora, e é agora!


Começa o grande Ano da Fé
É data que marcou o início do Concílio Vaticano II, em 1962. O Papa convocou o Sínodo dos Bispos no mês de outubro de 2012 que terá como tema: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, e que abrirá o “Ano da Fé”, que irá até a Festa de Cristo Rei, em novembro de 2013. É a Igreja cumprindo a missão que Jesus lhe deu: “Ide evangelizar!”.  A missão da Igreja é esta; Paulo VI disse que esta é a identidade e a missão da Igreja. Para a Igreja deixar de evangelizar seria como para o sol deixar de brilhar.
O Vaticano tem dado orientações de como deve ser este Ano especial. “O Ano da Fé quer contribuir para uma conversão renovada ao Senhor Jesus e à redescoberta da fé…”. A “Congregação da Fé” destaca que hoje é necessário um empenho maior a favor duma Nova Evangelização (“novo ardor, novos métodos e nova expressão”), para crer, reencontrar e comunicar a fé.
Recordando o 50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II, destaca que no Ano da Fé devem-se encorajar as romarias dos fiéis ao Vaticano, bem como à Terra Santa. O papel especial de Maria no mistério da salvação deverá ser ressaltado, e recomenda também  romarias, celebrações e encontros nos maiores Santuários Marianos no mundo.
A Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro deverá ser um evento de destaque dentro do Ano da Fé, uma “ocasião privilegiada aos jovens para experimentar a alegria que provém da fé no Senhor Jesus e da comunhão com o Santo Padre, na grande família da Igreja”. Sejam organizados simpósios, congressos e encontros de grande porte, a nível paroquiano, diocesano e internacional, que favoreçam o encontro com testemunhos da fé e o conhecimento da doutrina católica. Neste sentido o Vaticano pede que os fiéis se aprofundem no conhecimento dos principais Documentos do Concílio Vaticano II e o estudo do Catecismo da Igreja Católica, o que vale de modo particular “para os candidatos ao sacerdócio”.
O Vaticano deseja que haja celebração de abertura do Ano da Fé e uma solene conclusão do mesmo a nível de cada Igreja particular. E em cada diocese do mundo deverá ser preparada uma jornada sobre o Catecismo da Igreja Católica.  Também é pedido que neste Ano da Fé os fiéis  acolham com maior atenção as homilias, as catequeses, os discursos e as outras intervenções do Papa. “Cada Bispo poderá dedicar uma sua Carta pastoral ao tema da fé, recordando a importância do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja”. No período da quaresma, haja celebrações penitenciais para se pedir perdão a Deus, em particularmente pelos pecados contra a fé; e que haja maior frequência ao sacramento da Penitência. “As novas Comunidades e os Movimentos eclesiais, de modo criativo e generoso, saberão encontrar os modos mais adequados para oferecer o próprio testemunho de fé ao serviço da Igreja”.
Prof. Felipe Aquino
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Porta Fidei - O Ano da Fé!

Quando eu era pequeno - isso foi em 1967 -, o Papa Paulo VI, por inspiração divina, declarou um ano da Fé,  "para comemorar o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo no décimo nono centenário do seu supremo testemunho." (Carta Apostólica Porta Fidei, Bento XVI, 11/10/2011).

Agora, o Papa Bento XVI, seguindo a mesma inspiração do Divino Espírito que sustém a Igreja, declara novo Ano da Fé.

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Como deve ser o “Ano da Fé”?

O Ano da Fé quer contribuir para uma conversão
É data que marcou o início do Concílio Vaticano II, em 1962. O Papa convocou o Sínodo dos Bispos no mês de outubro de 2012 que terá como tema: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, e que abrirá o “Ano da Fé”, que irá até a Festa de Cristo Rei, em novembro de 2013. É a Igreja cumprindo a missão que Jesus lhe deu: “Ide evangelizar!”.  A missão da Igreja é esta; Paulo VI disse que esta é a identidade e a missão da Igreja. Para a Igreja deixar de evangelizar seria como para o sol deixar de brilhar.

O Vaticano tem dado orientações de como deve ser este Ano especial. “O Ano da Fé quer contribuir para uma conversão renovada ao Senhor Jesus e à redescoberta da fé…”. A “Congregação da Fé” destaca que hoje é necessário um empenho maior a favor duma Nova Evangelização (“novo ardor, novos métodos e nova expressão”), para crer, reencontrar e comunicar a fé.

Recordando o 50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II, destaca que no Ano da Fé devem-se encorajar as romarias dos fiéis ao Vaticano, bem como à Terra Santa. O papel especial de Maria no mistério da salvação deverá ser ressaltado, e recomenda também  romarias, celebrações e encontros nos maiores Santuários Marianos no mundo.

Assista também: "Marco do Séc. XX: O Concílio Vaticano II", com prof. Felipe Aquino 

A Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro deverá ser um evento de destaque dentro do Ano da Fé, uma “ocasião privilegiada aos jovens para experimentar a alegria que provém da fé no Senhor Jesus e da comunhão com o Santo Padre, na grande família da Igreja”. Sejam organizados simpósios, congressos e encontros de grande porte, a nível paroquiano, diocesano e internacional, que favoreçam o encontro com testemunhos da fé e o conhecimento da doutrina católica. Neste sentido o Vaticano pede que os fiéis se aprofundem no conhecimento dos principais Documentos do Concílio Vaticano II e o estudo do Catecismo da Igreja Católica, o que vale de modo particular “para os candidatos ao sacerdócio”.

O Vaticano deseja que haja celebração de abertura do Ano da Fé e uma solene conclusão do mesmo a nível de cada Igreja particular. E em cada diocese do mundo deverá ser preparada uma jornada sobre o Catecismo da Igreja Católica.  Também é pedido que neste Ano da Fé os fiéis  acolham com maior atenção as homilias, as catequeses, os discursos e as outras intervenções do Papa. “Cada Bispo poderá dedicar uma sua Carta pastoral ao tema da fé, recordando a importância do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja”.

No período da quaresma, haja celebrações penitenciais para se pedir perdão a Deus, em particularmente pelos pecados contra a fé; e que haja maior frequência ao sacramento da Penitência. “As novas Comunidades e os Movimentos eclesiais, de modo criativo e generoso, saberão encontrar os modos mais adequados para oferecer o próprio testemunho de fé ao serviço da Igreja”.
 
Foto Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino @pfelipeaquino, é casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

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