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segunda-feira, 11 de março de 2013

Como surgiu a Quaresma?

Quaresma: saiba como surgiu e qual a melhor forma de vivê-la

André Alves
Da Redação


"A penitência é um remédio que nos ajuda a vivermos melhor as disposições que Deus nos chama neste tempo", disse padre Roger
A Igreja Católica entrou neste domingo, 10, na quarta semana da Quaresma. Esse período litúrgico que começa na Quarta-feira de Cinzas é um tempo em que os católicos são convidados a intensificar a vida de oração, de penitência e de exercício de caridade; além disso, também é caracterizado pelo recolhimento e a busca intensa pela conversão.

A palavra “quaresma” tem sua raiz no latim. Surgiu a partir da frase “Quadragésima die Christus pro nobis tradétur”, que se traduz: “Daqui a quarenta dias (no quadragésimo dia) Cristo será entregue por nós”. Quaresma é abreviação de quadragésima. Na frase latina em questão, quadragésima está no feminino porque, em latim, dia, além de masculino, é também feminino. A língua portuguesa manteve a palavra no feminino, resultando em “quaresma”.

São quarenta dias em que a Igreja se prepara para celebração da Páscoa, principal celebração do Cristianismo. O número “40” é simbólico, no sentido de recordar os momentos importantes narrados pela Bíblia que foram antecedidos por quarenta dias, meses ou até anos.

De acordo com padre Roger Araújo, sacerdote da Comunidade Canção Nova, o sentido dos quarenta dias está ligado a essa simbologia bíblica: quarenta dias de dilúvio, tidos como preparação para uma nova humanidade; (cf. Gn 7, 17ss); quarenta dias em que o povo hebreu caminhou no deserto, rumo à terra prometida (cf. 8, 2.4); o profeta Elias que caminhou quarenta dias para chegar à montanha de Deus (cf. IRs 19,8); quarenta dias que Jesus passou no deserto (cf. Lc 4, 1-13), dentre como outros episódios.

Neste período que se encerra na quarta-feira da Semana Santa, os fiéis são convidados a fazer um confronto especial entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Este confronto deve levar o cristão a aprofundar sua compreensão da Palavra de Deus e a intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé.

O tempo litúrgico quaresmal surgiu por volta do ano 350 d.C.. A Igreja decidiu aumentar o tempo de preparação para a Páscoa, que era de três dias, chamado de Tríduo Sagrado da Semana Santa: Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo. A preparação para a Páscoa passou, então, a ter quarenta dias. Isto aconteceu porque os cristãos perceberam que três dias eram insuficientes para que se pudesse preparar adequadamente para a festa da Ressurreição que, segundo a Igreja, é de suma importância.

Padre Roger Araújo afirma que este tempo deve ser vivido pelos católicos segundo as orientações da Igreja, ou seja, com recolhimento, oração e silêncio. “Não é um tempo para baladas, festas e grande eventos. É um tempo de nos penitenciarmos daquilo que é o comum, ou seja, as músicas que ouvimos, os lugares que costumamos ir, para que isso favoreça mais o recolhimento interior. Não é que seja pecado; é uma escolha, um condicionamento, é um treinamento que fazemos para o espírito, neste tempo de graça que o Senhor nos dá, que é o tempo da Quaresma”.

O sacerdote também ressalta que, tratando-se de um tempo forte de conversão, algumas pessoas podem ficar apegadas às práticas penitenciais apenas neste tempo. No entanto, padre Roger explica: “Não são as práticas que nos convertem e nem são elas os sinais da nossa conversão. A conversão é mudança de atitude, de mentalidade. A expressão utilizada pela Igreja para melhor caracterizar a conversão é a palavra grega “metanoein” (metanóia), que quer dizer mudança de mentalidade, de pensamento. É preciso mudar alguns conceitos dentro de nós.”

A penitência, segundo o padre, ajuda o cristão a se desprender de algumas coisas que estão arraigadas dentro de si, tornando-o mais humildes e disposto a buscar no Cristo crucificado, o sentido para a vida. “A penitência é um remédio que nos ajuda a vivermos melhor as disposições que Deus nos chama neste tempo.”

Como direção para esse período quaresmal, padre Roger reforça a orientação da Igreja: viver as três práticas indicadas – o jejum, a esmola e a oração.

O jejum – explica o padre – como sinal de liberdade, de não querer mais estar preso a nada; a esmola, não no sentido de dar algo pessoal aos outros, mas “dar-me para o outro, reconciliar-me com o outro” e a oração que é o fermento na vida do cristão. “A oração é nosso relacionamento com Deus. Nesse tempo somos chamados a capricharmos um pouco mais na nossa vida de oração.”

Em 2013, a proposta da Igreja para a Quaresma é uma dedicação maior aos jovens. O seguimento juvenil é o público alvo mais expressivo para evangelização da Igreja neste ano. A Campanha da Fraternidade, que permeia o período quaresmal, reflete o tema “Juventude e Fraternidade”. O objetivo geral da Campanha é acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo.

Seja Feliz!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vida Cristã: Como o cristão deve dar esmola?



Quando ouvimos esta palavra ESMOLA vem logo a nossa cabeça algumas moedas ou um trocadinho que tiramos do bolso para dar a um pedinte na porta de casa, no farol de transito ou nas calçadas de nossa cidade. Quase sempre é algo que nos sobra ou um restinho do que a gente tem, mas esmola, CARIDADE é muito mais do que isso. É dar mais de si do que daquilo que se tem. Precisamos sim assistir aos nossos irmãos nas suas necessidades, a fome não espera, mas esmola é muito mais que assistencialismo é dar vida, dignidade, tirar o irmão da situação que ele se encontra. Dar algo material é muito mais fácil e cômodo do que dar de si, do seu tempo, das suas capacidades, daquilo que você sabe fazer, e principalmente do amor humano carregado do amor Divino.
Se a Oração celebra o relacionamento do Homem com Deus e daí todos os frutos dela fazem o homem abrir não somente as mãos, mas os braços e o coração. O Jejum abre e une os homens entre si. A cruz simboliza muito bem o que é a nossa fé, dimensão horizontal e vertical. A esmola celebra o relacionamento do homem com o seu próximo, na virtude Teologal da Caridade. Este assunto é polemico para quem não entende que esmola não é somente dinheiro, é doar-se concretamente ao próximo.

O que significa a esmola? Dar esmola significa dar de graça, dar sem interesse de receber de volta, dar sem egoísmo, sem pedir recompensa, em atitude de compaixão. Nisto ele imita o próprio Deus no mistério da criação e a Jesus Cristo, no mistério da Redenção. Jesus fala sobre esta verdadeira caridade na parábola do Bom Samaritano (cf. Lucas 10,25-37) quem é o teu próximo?

O homem recebeu tudo do seu criador. Tudo quanto tem, possui-o porquê recebeu. Ora, se Deus dá de graça e se o homem é criado à imagem e semelhança de Deus, se Cristo se doou totalmente, dando sua vida, também ele será capaz de dar de graça. Ao descobrir que dentro de si existe a sublime capacidade de dar de graça, a exemplo de Deus e de Cristo, brota nele o desejo de celebrá-la.

Quando, pois, na Quaresma a Igreja convoca a todos os fiéis a darem esmola, ela comemora aquele que por excelência exerceu a esmola: Jesus Cristo. Convida o homem à atitude de abertura ao próximo, convida-o a servir ao próximo com generosidade e desprendimento. Ora, neste momento a esmola começa a significar toda esta atitude de doação gratuita. Não só de bens materiais, mas o tempo, o interesse, as qualidades, o serviço, o acolhimento, a aceitação. E todo este mistério de abertura e gratuidade em favor do próximo na imitação de Deus e de Cristo possui então uma linguagem ritual. Tem valor de símbolo. Pela celebração da esmola a Igreja comemora a generosidade de Cristo que deu sua vida pelos seus e torna presente Cristo, dando-se a seus irmãos em cada irmão, formando o seu corpo. Assim, quando a Igreja convida os fieis a exercerem a esmola durante a Quaresma, sabe muito bem que não é pela esmola em si que ela vai resolver os problemas sociais e realizar a promoção humana, mas sabe também que é pelo que a esmola significa que ela vai realizar uma verdadeira promoção humana.

Portanto, não é a quantia que importa, mas o que gesto ou o rito da esmola significa. Exercitando a atitude da esmola durante a Quaresma, a Igreja quer levar os cristãos a viverem a atitude da esmola durante todo o ano, durante toda a vida. Descobrimos, então, que no exercício da esmola está contida a atitude de conversão, em relação ao próximo.

Padre Paulo Ricardo: Como o cristão deve dar esmola?

O que diz o Catecismo da Igreja Católica:
No Batismo, Deus infunde na alma, sem nenhum mérito nosso, as virtudes, que são disposições habituais e firmes para fazer o bem. As virtudes infusas são teologais e morais. As teologais têm como objeto a Deus; as morais têm como objeto os bons atos humanos. As teologais são três: fé, esperança e caridade.
Com relação à Virtude Teologal da caridade, ou seja, do amor, deve-se ter em conta que o amor a Deus e o amor ao próximo são uma mesma e única coisa, de modo que um depende do outro; por isto, tanto mais poderemos amar ao próximo quanto mais amemos a Deus; e, por sua vez, tanto mais amaremos a Deus quanto mais de verdade amemos ao próximo.

§1822 A CARIDADE é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.

§1823 Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus “até o fim” (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

§1824 Fruto do Espírito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo: “Permanecei em meu amor. Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor” (Jo 15,9-10).

§1825 Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda “inimigos” (Rm 5,10). O Senhor exige que amemos como Ele, mesmo os nossos inimigos, que nos tornemos o próximo do mais afastado, que amemos como Ele as crianças e os pobres.

O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade: “A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (l Cor 13,4-7).

§1826 Diz ainda o apóstolo: “Se não tivesse a caridade, nada seria…”. E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude… “Se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria”. A caridade superior a todas as virtudes. E a primeira das virtudes teologais “Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade” (1 Cor 13,13).

§1827 O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela Caridade, que é o “vinculo da perfeição” (Cl 3,14); é a forma das virtudes, articulando-as e ordenando-as entre si; é fonte e termo de toda prática cristã. A caridade assegura purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a a feição sobrenatural do amor divino.

§1829 A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia, exige a beneficência e a correção fraterna; é benevolência; suscita a reciprocidade; é desinteressada e liberal; é amizade e comunhão:
A finalidade de todas as nossas obras é o amor. Este é o fim, é para alcançá-lo que corremos, é para ele que corremos; uma vez chegados, é nele que repousaremos.

§1844 Pela Caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e a nosso próximo como a nós mesmos por amor a Deus. Ela é o “vínculo da perfeição” (Cl 3,14) e a forma de todas as virtudes.
A vida fraterna na família, no trabalho e na comunidade paroquial é o ambiente ideal para vivermos de maneira concreta a Caridade. Portanto, dar tudo e de melhor a Deus e aos irmãos e não as migalhas e muito menos aquilo que nos sobra.  Qual tem sido a qualidade de sua vida fraterna e de seus gestos concretos com seus irmãos? 

Oração: Senhor daí-nos experimentar primeiro o Teu amor por nós e depois amaremos profundamente a Ti e a nossos irmãos, “pois sem Ti nada podemos fazer”. Eu quero e sei que este caminho é o caminho da perfeição, por isso, derrama sobre nós o Teu Espírito Santo, é Ele quem nos revela o Amor do Pai e do Filho, a clareza dos nossos pecados e a graça da conversão para poder amar de verdade a Deus e aos nossos irmãos.
Conte com as minhas orações.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
Diretor Espiritual e Formador do Pré-discípulado.

* Fonte de pesquisa: Livro Celebrar a vida Cristã, Frei Alberto Beckhauser, OFM. Editora Vozes, 1991 * § Catecismo da Igreja Católica

Fonte: Blog do Pe. Luizinho

Leia hoje: São Lucas, 11,14-23

E seja Feliz!

quarta-feira, 6 de março de 2013

O que rezar durante a Sé Vacante?

Durante a Sé Vacante na Igreja, não devemos ficar inermes ao que está acontecendo, mas buscar sempre uma maior sintonia com o Espírito Santo, que continua, pelos acontecimentos, nos indicando a direção a seguir.

Principalmente nestes dias quaresmais, a oração, a meditação da Palavra de Deus e as orações próprias da Igreja, nos impulsionam à uma maior intimidade com o Pai.

Nós somos o Corpo Místico de Cristo, que é a Cabeça da Sua Igreja. Permaneçamos então unidos, e coloquemos nosso espírito em oração com a Santa Mãe Igreja, pedindo que o Senhor nos dê um pastor que conduza adiante, na Fé e na Caridade, a Sua Igreja, que somos nós!

Missal Romano dispõe de orações próprias para o período 
Sugestões de oração para o período de Sé Vacante
Orações do Missal Romano, para o período de Sé vacante, estão na pág. 885.

Durante o período de Sé vacante, a Igreja é convidada a rezar pela eleição do Sucessor de Pedro. A Missa, como principal oração dos católicos, pode ser celebrada especialmente nesta intenção.
Leia mais:

Para celebrar a Missa votiva pelo Conclave é necessário pedir autorização do bispo diocesano. Os formulários das celebrações para as diversas necessidades só podem ser usados nos dias de semana do período quaresmal com a devida licença episcopal. (cf. Instrução Geral do Missal Romano, n. 374).

Conheça as orações da Igreja para a eleição do Papa que também podem ser rezadas particularmente pelos fiéis.

Antífona de entrada (1 Sm 2, 35)
Farei surgir um sacerdote fiel,
que agirá segundo o meu coração e minha vontade.
Eu lhe darei uma casa que permaneça para sempre
e ele caminhará na minha presença todos os dias

Oração do dia
Ó Deus, pastor eterno,
Que governais o vosso rebanho com solicitude constante,
No vosso amor de Pai
Concedei à Igreja um pastor que vos agrade pela virtude
E que vele solícito sobre nós.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
Na unidade do Espírito Santo.

Sobre as oferendas
Ó Deus, sede compassivo para conosco,
e dai-nos, pelas oferendas que vos apresentamos,
a alegria de ver à frente de vossa Igreja
um pastor do vosso agrado.
Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da comunhão (Jo 15, 16)
Fui eu que vos escolhi e enviei
para produzirdes fruto,
e o vosso fruto permaneça, diz o Senhor.

Depois da comunhão
Refeitos, ó Deus,
pelo sacramento do corpo e do sangue de vosso Filho,
dai-nos a alegria de possuir um pastor
que dirija o vosso povo no caminho da virtude
e faça penetrar em seu coração a verdade do evangelho.
Por Cristo, nosso Senhor.
(Extraídas do Missal Romano, pág. 885)

 Seja Feliz!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Último Angelus do Papa Bento XVI

Brasao_BentoXVI
Angelus
Praça São Pedro
Domingo, 24 de fevereiro de 2013
Queridos irmãos e irmãs,
Obrigado pelo vosso afeto!
Hoje, segundo domingo da Quaresma, temos um Evangelho particularmente belo, aquele da Transfiguração do Senhor. O Evangelista Lucas coloca especial atenção para o fato de que Jesus se transfigurou enquanto rezava: a sua é uma experiência profunda de relacionamento com o Pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive em um alto monte na companhia de Pedro, Tiago e João, os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre (Lc 5,10; 8,51; 9,28). O Senhor, que pouco antes tinha predito a sua morte e ressurreição (9, 22) oferece aos discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração, como no batismo, ressoa a voz do Pai celeste: “Este é o meu filho, o eleito; escutai-o!” (9, 35). A presença então de Moisés e Elias, que representam a Lei e os Profetas da antiga Aliança, é ainda mais significativa: toda a história da Aliança é orientada para Ele, o Cristo, que cumpre um novo “êxodo” (9, 31), não para a terra prometida como no tempo de Moisés, mas para o Céu. A intervenção de Pedro: “Mestre, é bom estarmos aqui” (9, 33) representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Comenta Santo Agostinho: “[Pedro] … sobre o monte … tinha Cristo como alimento da alma. Por que ele iria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá estava cheio de sentimentos de amor santo para Deus e que o inspiravam, portanto, a uma conduta santa? (Discurso 78,3: PL 38,491).
Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos aprender um ensinamento muito importante. Antes de tudo, o primado da oração, sem a qual todo o empenho do apostolado e da caridade se reduz ao ativismo. Na Quaresma aprendemos a dar o tempo certo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e das suas contradições, como no Tabor queria fazer Pedro, mas a oração reconduz ao caminho, à ação. “A existência cristã – escrevi na Mensagem para esta Quaresma – consiste em um contínuo subir ao monte do encontro com Deus, e depois voltar a descer trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus” (n. 3).
Queridos irmãos e irmãs, esta Palavra de Deus a sinto de modo particular dirigida a mim, neste momento da minha vida. Obrigado! O Senhor me chama a ‘subir o monte’, a dedicar-me ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, ao contrário, se Deus me pede isto é para que eu possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor com o qual tenho buscado fazê-lo até agora, mas de modo mais adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: ela nos ajude a todos a seguir sempre o Senhor Jesus, na oração e nas obras de caridade.
BENTOXVI_assinatura

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O que são Indulgências?

Indulgências: Padre Paulo explica o que são e quais seus efeitos

André Luiz
Da Redação

"A indulgência é a Igreja que vem em socorro do fiel que faz penitência para, como mãe, aliviá-la," explica Padre Paulo Ricardo.
"A absolvição sacramental livra a pessoa do inferno e a indulgência livra a pessoa do purgatório", explica o sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá, padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior.
Segundo ele, o perdão dos pecados não resolve o problema das doenças espirituais do homem, portanto, as indulgências são necessárias para que os efeitos do pecado, ainda no coração humano, sejam curados.
As indulgências são uma realidade antiga na Igreja Católica. E no decorrer dos anos, foram motivo de questionamentos para muitos, como também foram, para os que creem, um meio de rezar pelos falecidos e buscar a remissão dos pecados.
Em entrevista à equipe do noticias.cancaonova.com, padre Paulo traz uma definição simples e clara sobre a realidade das indulgências. O sacerdote também explica como elas surgiram na Igreja, qual seu objetivo e o que fazer para obtê-las.

noticias.cancaonova.com - De forma prática e simples, como o senhor definiria as indulgências?
Padre Paulo - Para que as pessoas entendam o que é indulgência é necessário entender antes o que é pena temporal. Quando vamos nos confessar o sacerdote perdoa a pena eterna. Por causa dos nossos pecados, nós merecemos o inferno, então, o sacerdote perdoa os nossos pecados e com isso nós seremos salvos.
Mas, ao mesmo tempo, o pecado tornou o nosso coração pior, nosso coração não está pronto para entrar no céu. Se eu me confessar e morrer imediatamente após a confissão, eu estou salvo, mas não estou santo. Por que ainda não amo a Deus de todo o coração, de toda alma e todo o entendimento. Então, a pessoa que morre nesta situação vai para o purgatório e, ali, purifica-se.
A indulgência é a remissão deste tempo do purgatório. A absolvição sacramental livra a pessoa do inferno e a indulgência livra a pessoa do purgatório.
noticias.cancaonova.com - Como surgiram as indulgências na Igreja?
Padre Paulo - No início do Cristianismo, quando as pessoas iam recorrer ao Sacramento da Reconciliação, a ordem das coisas era diferente como nos tempos de hoje. Atualmente, nós vamos ao padre, ele nos dá o perdão dos pecados e passa uma penitência para cumprirmos depois da confissão. No início da Igreja, era diferente: a pessoa confessava os seus pecados, o padre passava a penitência e, então, a pessoa ficava cumprindo aquela penitência durante vários meses e, às vezes, longos anos para que, finalmente, fosse perdoada.
Acontece que nesta época, havia a perseguição da Igreja e também havia vários mártires. Então, os cristãos que estavam aprisionados e que iam morrer condenados à morte pelos perseguidores do Império Romano, muitas vezes, escreviam cartas aos bispos dizendo: "senhor bispo, eu vou morrer e a minha morte será uma penitência. Use esta minha penitência para remir as penas, para perdoar a penitência de outra pessoa".
Eram mártires que se ofereciam para cumprir penitência no lugar daquelas pessoas. A origem da indulgência consiste nisso: sabermos que somos um só corpo. E sendo um só corpo enquanto Igreja, a penitência, o martírio de alguns, pode servir para compensar a penitência de outros. Na verdade, essa história de amor está na raiz do surgimento das indulgências.
noticias.cancaonova.com - A questão das indulgências é uma prática antiga na Igreja e sofreu algumas incompreensões em certos momentos da história. A que se deve a visão negativa que muitos tiveram com relação às indulgências?
Padre Paulo - Deve-se principalmente à reação de Lutero àquilo que era a prática das indulgências na Alemanha, na época da reforma protestante. A Igreja acredita que essas penitências que o fiel faz, podem realmente remir a pena do purgatório. Seja do próprio fiel, sejam das almas que estão no purgatório.

Entre essas várias práticas penitencial, existe a esmola. Acontece que na época da Alemanha, do tempo de Lutero, havia alguns pregadores que estavam abusando da prática da esmola. Havia na realidade uma espécie de venda das indulgências, ou seja, as pessoas recebiam a indulgência gratuitamente, mas a obra penitencial exigida delas era uma esmola. Então, isso fazia parecer que os pregadores estavam vendendo a indulgência. Lutero se revoltou contra isso e a partir da sua reação houve a revolta protestante.
noticias.cancaonova.com - Por que é necessário buscar as indulgências mesmo após ter recebido o Sacramento da Reconciliação?
Padre Paulo - Por que o perdão dos pecados não resolve o problema das nossas doenças espirituais, ou seja, uma vez que nós formos perdoados, nós precisamos ainda assim fazer práticas penitenciais. Por que é a penitência que irá, aos poucos, tornar o nosso coração um coração melhor. A indulgência é a Igreja que vem em socorro do fiel que faz penitência para, como mãe, aliviá-la.
noticias.cancaonova.com - Qual a diferença entre a indulgência plenária e a parcial?
Padre Paulo - Indulgência plenária, o próprio nome diz, ela redime totalmente a pena que a pessoa teria que cumprir no purgatório. Enquanto a parcial, redime só em partes. A plenária é totalmente eficaz e definitiva para as pessoas mortas. Por exemplo, se eu tenho um parente que faleceu e cumpro uma obra indulgenciada, essa pessoa então, estaria liberta de todo o tempo do seu purgatório.
noticias.cancaonova.com - A Igreja ensina que para obter as indulgências o fiel precisa estar em estado de graça. O vem a ser este estado?
Padre Paulo - É um estado de amizade com Deus em que a pessoa não só recebeu o perdão dos pecados, mas também está disposta a abandonar qualquer tipo de pecado, até mesmo o venial.
noticias.cancaonova.com - Quais as outras condições para se obter indulgências? Quem pode e quem não pode recebê-las?
Padre Paulo - As indulgências plenárias, geralmente, consistem em uma obra que é indulgenciada e mais outras três condições: confissão, comunhão e oração pelo Santo Padre, o Papa. Estas três condições básicas sempre acompanham as obras que são indulgências plenárias.

A pessoa, para receber a indulgência, precisa ter condição para cumprir as obras. Se uma pessoa está em estado de pecado, numa situação irregular e não pode se confessar, logo, é evidente que ela não pode receber indulgência.
noticias.cancaonova.com - Quais as obras que, cumpridas, oferecem indulgência aos fiéis?
Padre Paulo - As obras podem ser: uma visita a um cemitério, uma Igreja, a um santuário; fazer uma peregrinação, dentre outras práticas. Mas, neste Ano da Fé, o Santo Padre indulgenciou o fato de as pessoas estudarem o Catecismo da Igreja Católica ou os documentos do Concílio Vaticano II.

Então, se as pessoas que, durante esse Ano da Fé, estudarem o Catecismo num certo tempo ou lerem piedosamente os documentos do Vaticano II, elas podem, fazendo aquelas três condições básicas de confissão, comunhão e oração pelo Papa, receber indulgências plenárias.

fonte: Canção Nova

Juventude Apaixonada Pelos Céus!

Estamos na Quaresma...tempo de reflexão e de voltar ao primeiro amor, que é Deus, e que muitas e muitas vezes abandonamos, para seguir ilusões que só fazem nos decepcionar.

Neste Carnaval, tive a oportunidade de estar em meio aos jovens de minha Paróquia e de outras comunidades da Diocese de Petrópolis, em retiro. Foi extremamente gratificante vê-los na sua alegria tão característica, e pude refletir, nesses dias, o quanto os jovens têm sede de Deus!

Mas o mundo que os cerca enche-lhes de cores vibrantes para poder distrsí-los e levá-los para a perdição: sexo, drogas, bebidas, cigarros, prazeres desenfreados...e no dia seguinte o que resta é a culpa.

Nesta Jornada Mundial da Juventude, que estaremos realizando no Brasil, em Julho, em pleno Rio de Janeiro, espero ver muitos jovens voltando para Deus, voltando para casa, voltando para seus pais, voltando para a Fé.

Eu vou ficar por aqui, rezando e pedindo a Deus que abençoe cada jovem, cada coração apaixonado pelos céus!

Seja Feliz!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2013



MENSAGEM
Crer na caridade suscita caridade 
"Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele"
(1 Jo 4, 16) 

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2013

Queridos irmãos e irmãs!

A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da ação do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: "Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele" (1 Jo 4, 16), recordava que, "no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um 'mandamento', mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro" (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e "apaixonado" que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: "O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está 'concluído' e completado" (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os "agentes da caridade", a necessidade da fé, daquele "encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor" (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - "caritas Christi urget nos" (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

"A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir" (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente "o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado" (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o "sim" da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).

Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma "fé que atua pelo amor" (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é "caminhar" na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma "dialética". Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra "caridade" à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o "serviço da Palavra". Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contato com o divino que é capaz de nos fazer "enamorar do Amor", para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.

A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: "É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas ações que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos" (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a ação do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:"Abbá! – Pai!" (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: "Jesus é Senhor!" (1 Cor 12, 3) e "Maranatha! – Vem, Senhor!" (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé ("saber-se amado por Deus"), mas deve chegar à verdade da caridade ("saber amar a Deus e ao próximo"), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quaresma de São Miguel Arcanjo

Quando rezei esta Quaresma, no ano passado, meu pai se encontrava internado em um hospital. Então, eu roguei a Deus, por intercessão de Seu Arcanjo mais poderoso, São Miguel, que curasse o meu pai e o levasse para casa. Mas os caminhos de Deus para meu pai eram outros. Agora, penso que ao rezar a Quaresma, meus pedidos foram atendidos, sim; mas não do meu jeito, não pela minha vontade, mas foram atendidos pois meu pai está na Eternidade, e - creio! -, junto a Deus, e a intercessão de São Miguel foi oração forte que me sustentou naqueles dias doloridos de angústia, perda e sofrimento, mas de descanso, paz e repouso eterno para uma das pessoas que mais amei, amo e amarei em toda a vida.

Hoje começa a Quaresma de São Miguel Arcanjo. Eu não sei o que você está vivendo em sua vida, mas sei que Deus pode mudar o que você precisar mudar para se tornar melhor e mais santo. Quer rezar comigo?

Quaresma de São Miguel

Hoje começa a Quaresma de São Miguel, e eu quero conviadar você a rezar conosco durante 40 dias esta poderosa oração.  Você poderá imprimir esta novena para rezar em sua casa ou até mesmo no seu trabalho. Convide mais pessoas para rezar com você pois como é longo esta oração, um poderá ajudar o outro a não desanimar e nem mesmo esquecer. Você poderá também rezar com o pe. Roberto em on-line neste link: Quaresma de São Miguel

QUARESMA DE SÃO MIGUEL
Inicio da Quaresma: 15 de agosto  a 29 de setembro (Festa de São Miguel) Providenciar um altar para São Miguel com uma imagem ou uma estampa e também de São Padre Pio.

Todos os dias:
* Acender uma vela
* Oferecer uma penitência
* Fazer o sinal da cruz
* Rezar a oração inicial
* Rezar a ladainha de São Miguel
* Santo Terço, sendo nas contas da Ave Maria rezar a oração de São Miguel Arcanjo ("São Miguel Arcanjo protegei-nos no combate, sede nosso refúgio contra as maldades e cíladas do demônio. Ordene-lhe Deus que instantemente vos pedimos, e vós príncipe da Milicia Cesleste pela virtude Divina precipitai ao inferno a Satanás e todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas"). 
  
ORAÇÃO INICIAL
“São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém”.

“Rogai por nós, santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém”.

LADAINHA DE SÃO MIGUEL

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa, que sois um único Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós.
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós.
São Miguel, poderosíssimo Príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós.
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós.
São Miguel, Luz dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, baluarte dos Cristãos, rogai por nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da Cruz, rogai por nós.
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós.
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós.
São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós.
São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, nosso Príncipe, rogai por nós.
São Miguel, nosso Advogado, rogai por nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, Príncipe da Igreja de Cristo,
para que sejamos dignos de Suas promessas. Amém.

Oração

Senhor Jesus, santificai-nos, por uma bênção sempre nova, e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, esta sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do Céu e a trocar os bens do tempo pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém.

(fonte: Blog Fátima Hoje)

terça-feira, 20 de março de 2012

O Louvor Liberta!


"Oferece ... a Deus um sacrifício de louvor e cumpre teus votos para com o Altíssimo. 
Invoca-me nos dias de tribulação, e eu te livrarei e me darás glória. 
Ao pecador, porém, Deus diz: Por que recitas os meus mandamentos, e tens na boca as palavras da minha aliança? 
Tu que aborreces meus ensinamentos e rejeitas minhas palavras? 
Se vês um ladrão, te ajuntas a ele, e com adúlteros te associas. 
Dás plena licença à tua boca para o mal e tua língua trama fraudes. 
Tu te assentas para falar contra teu irmão, cobres de calúnias o filho de tua própria mãe. 
Eis o que fazes, e eu hei de me calar? Pensas que eu sou igual a ti? 
Não, mas vou te repreender e te lançar em rosto os teus pecados. 
Compreendei bem isto, vós que vos esqueceis de Deus: não suceda que eu vos arrebate e não haja quem vos salve. 
Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor; ao que procede retamente, a este eu mostrarei a salvação de Deus." (Salmo 49 14-23)

Neste dias finais de Quaresma, convém continuarmos sempre voltando aos nossos ideais, numa ascese renovada.

O Salmo 49, cuja segunda parte transcrevi acima, nos alerta para o nosso comportamento indiferente às Graças que Deus nos lança diariamente. Pai amoroso que não se esquece de seus filhos (Is 49,15).

"Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti" . Esta frase, de Santo Agostinho de Hipona, resume bem a nossa situação perante Deus.

Somos Suas criaturas, que ele mesmo nos faz filhos pelo Batismo. Filho é herdeiro do pai. então somos herdeiros de Deus. E o tesouro a ser recebido como herança está na Eternidade, não aqui. Por ora, Deus nos sustenta, como nossos pais fizeram conosco e fazemos com nossos filhos. alimenta-nos com a Sua Santa Palavra e com a Santa Eucaristia, e ambos esses alimentos não são outra coisa que Ele mesmo, na Pessoa de Seu Divino Filho, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Nosso Senhor Jesus Cristo (São João 1, 1-14 e São João 6,51).

Também de Deus recebemos tudo o mais: o ar que respiramos, o sol, a chuva, a brisa da tarde. Se temos o que temos, de quem recebemos? pode argumentar que foi do seu próprio esforço, que eu retruco que foi Deus quem lhe deu a têmpera!

"Eu o enchi do espírito divino para lhe dar sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras" (Êxodo 31,3).

Nada somos se Deus não permitir. E tudo o que temos e somos, só teremos e seremos em plenuitude, conhecendo e reconhecendo o que possuímos, em Deus.

Não sejamos atingidos pelo termo de nosso tempo neste existir sem estarmos na companhia do Senhor.  "Compreendei bem isto, vós que vos esqueceis de Deus: não suceda que eu vos arrebate e não haja quem vos salve." (Salmo 49, 22). 

A salvação, só a teremos na outra vida se a buscarmos nesta. É tolo o pensamento niilista. Só o homem fechado em si mesmo, 
(como os três macaquinhos)pode pensar assim.

Deus nos mostra o caminho. Está em Cristo e Sua Igreja. 

Sei como é difícil achar que estou falando sério sobre isso, quando talvez você esteja há tantos anos (ou toda a sua vida) sendo enganado por uma existência vazia, de "sexo, drogas e Rock'n'Roll". Também já fui assim. Vivia minha vida 'da pele para fora', sem me aprofundar em nada. Estudos, companhia, trabalho, namoradas. Tudo era superficial. "Enchia o saco", eu caía fora.

Mas, em algum momento bem ruim na minha vida - acredite, ruim mesmo! - Deus mostrou-me a Sua mão, estendida para mim. Sua mão não foi estendida para mim naquele momento. Ela sempre esteve ali, estendida, à minha disposição, eu é que não queria saber. 

Hoje, eu trabalho para recuperar aquele tempo perdido longe do Senhor. E agradeço a Ele por ter estado comigo todo aquele tempo, quando eu nem me lembrava Dele..."Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor; ao que procede retamente, a este eu mostrarei a salvação de Deus" (Salmo 49,23). Louve! O louvor liberta! Pare de reclamar e comece a louvar!

Tudo o que vocvê tem a fazer é dizer: "Senhor, eu estou aqui. Eu talvez não creia plenamente em Teu Poder; talvez nem creia em Ti, mas quero acreditar! Mostra-me como chegar a Ti! Mostra-me como sair deste poço fundo e escuro em que me jogaram meus pecados, meus vícios, meus crimes! Tira-me, Senhor, deste buraco! Quero me corrigir de meu passado, e estou disposto a fazer o que tu quiseres para poder me tornar uma pessoa limpa, de corpo e de alma! Mostra-me como acreditar que isso é possível, Senhor!"

Deus via lhe mostrar. Acredite! Acredite do fundo de seu coração, mesmo despedaçado. Até porque, se você diz para si mesmo que não tem mais nada a perder...então? O que você pode 'perder'?

Acredito em você. Sei que você poderá fazer o que é possível. E Deus lhe fará o impossível.

Leia hoje: São João 5,1-16 e veja como é possível!

Seja Feliz!