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sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Papa João Paulo II e a Virgem de Fátima

joaopauloAs mãos maternais de Nossa Senhora de Fátima e o trabalho de São João Paulo II mudaram a história do mundo
No dia 13 de maio de 1980, o Papa São João Paulo II foi baleado na Praça de São Pedro, pelo turco Ali Agca, a mandado da KGB, polícia secreta russa, segundo o inquérito da polícia italiana: “Esta Comissão acredita, indubitavelmente, que a liderança da União Soviética tomou a decisão de eliminar o papa João Paulo II”, diz o Relatório. (http://noticias.uol.com.br/ultnot/ – ROMA (Reuters).
No mesmo dia, do ano seguinte, o Papa foi a Fátima e levou a bala que o tinha atingido para ser colocada na coroa de Nossa Senhora de Fátima, como agradecimento por Ela lhe ter salvado a sua vida.
O atentado ao Papa foi a “queima roupa”, uma das balas atingiu o seu abdome, e por milagre de Nossa Senhora ele não morreu. Ele disse depois que “uma mão puxou o gatilho, mas outra Mão dirigiu a bala”, de modo que esta não o matasse. O Papa se referia à proteção que Nossa Senhora de Fátima lhe dera.
Essa bala foi colocada na Coroa de Nossa Senhora, que as mulheres portuguesas mandaram confeccionar para agradecer a Virgem de Fátima por ter livrado Portugal de participar da Segunda Guerra Mundial, e não ver seus filhos morrerem em campos de batalhas.
Quando os especialistas foram colocar a bala na Coroa da Virgem, não sabiam onde iriam encaixá-la sem comprometer a bela arte; mas eis que notaram que havia um orifício bem na frente da Coroa; e não sabiam por que o deixaram ali. Então os especialistas ali colocaram a bala que se ajustou perfeitamente no orifício; uma enorme surpresa. Quem poderia ter deixado ali aquele orifício?
O Papa foi eleito em 16 de Outubro de 1978, no auge do comunismo ateu e materialista que ele tanto condenou e trabalhou para extingui-lo. Consagrou seu pontificado a Nossa Senhora; no seu brasão colocou a frase: “Totus tuus”.
Juan Lara, vaticanista, disse que João Paulo II passaria para a história como o Pontífice que contribuiu decisivamente para a queda do comunismo, que nele viveu durante mais de três décadas. Fortemente ligado à Polônia, impulsionado pelo sindicato livre “Solidariedade”, e com o forte apoio da Igreja começou o trabalho de libertação do seu povo do jugo comunista.
O golpe definitivo viria em janeiro de 1989, quando Solidariedade foi legalizado definitivamente e, em agosto desse mesmo ano, quando o católico Tadeusz Mazowiecki, que foi assessor do sindicato, chegou ao poder, derrotando os comunistas.
A Polônia foi a primeira ficha do “efeito dominó”. Sua queda arrastou a Hungria, que abriu suas fronteiras e seus cidadãos fugiram para a Áustria; depois a Alemanha Oriental, cujos cidadãos também fugiram propiciando em 9 de novembro de 1989, a queda do Muro de Berlim.
Em 1º de dezembro de 1989, o Premiê russo Mikhail Gorbachov cruzou a praça de São Pedro do Vaticano para o encontro histórico com o Papa. Depois caíram os regimes da Bulgária, Tchecoslováquia, Romênia e já em agosto de 1991, o da URSS.
Foi um fato impressionante a queda retumbante do comunismo no Leste Europeu em 1989, sem derramamento de sangue, como queria João Paulo II. De fato, isso não pode ser explicado sem considerarmos a ação de Deus e de Nossa Senhora através do Papa. Nas aparições de Fátima, em 1917 a Virgem tinha prometido que se a Rússia fosse consagrada a Seu Coração, seu Coração triunfaria no país comunista. E isto aconteceu. Ela tinha dito às crianças que haveria uma Segunda Guerra e que a Rússia espalharia seus terríveis erros (o comunismo) por muitos países, como de fato ocorreu.
O mundo vivia a “guerra fria” entre a União Soviética e os países ocidentais. O medo imperava com a possibilidade real de uma Terceira Guerra mundial, e nuclear, que pulverizaria o planeta. De repente, o bloco comunista se dissolve como um castelo de areia, da noite para o dia. Como explicar isso?
João Paulo II viveu e sofreu sob este terrível regime na Polônia; cabendo a ele, por vontade de Deus, ser o principal artífice de sua queda, depois de ter por mais de 70 anos escravizado muitas nações da Europa e as ter confinado sob o chamado Muro de Berlim ou “Muro da Vergonha”. Milhões de pessoas foram vítimas deste terrível flagelo. O “Livro negro do comunismo” (Stephan Courtois, Ed. Bertrand Roussel, 2005) fala em cem milhões de mortos na Rússia, China, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Romênia, Bulgária, Polônia, Cuba, Vietnam, Laos, Cambodja, etc. Milhões viveram sob este pesadelo. Lamentavelmente ainda vivem sob este cativeiro a ilha de Cuba, a Coréia do Norte e a China.
O jornalista Bernard Lecomte, especializado em assuntos da União Soviética e dos países do Leste Europeu, depois de investigar os arquivos do Leste europeu e de Paris, escreveu, em 1991, um livro sobre a história da queda do comunismo, mostrando ao mundo que foi fundamental a ação do Papa João Paulo II para que isto acontecesse.cpa_a_mulher_do_apocalipse
Quando o comunismo caiu, os autores Bernstein e Politi escreveram que: “boa parte do mundo passou a saudar Wojtyla como o vencedor de uma guerra que começara em 1978” (Revista PR, nº 420/1997).
Quando da revelação do Terceiro Segredo de Fátima, o Cardeal Ratzinger, disse que: “Com relação ao “Bispo vestido de branco” (o Papa) que é ferido de morte e cai por terra, a Irmã Lúcia concordou plenamente com a afirmação do Papa João Paulo II: “Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Santo Padre deteve-se no limiar da morte” (Meditação com os Bispos italianos na Policlínica Gemelli, 13 de maio de 1994).”
O Cardeal fez questão de recordar o que a Irmã Lúcia disse ao Papa em 12 de maio de 1982, um ano após o atentado que ele sofreu: “A terceira parte do segredo se refere às palavras de Nossa Senhora: “Senão [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.”
Pelas mãos maternas de Nossa Senhora de Fátima, e o trabalho de São João Paulo II, o Leste Europeu ficou livre do comunismo ateu, materialista e sanguinário. Demos graças a Deus! Mudou a história do mundo.
Prof. Felipe Aquino
Seja Feliz!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Qual é o Terceiro Segredo de Fátima? (Prof. Felipe Aquino)

Os acontecimentos, a que se refere o Terceiro Segredo de Fátima deixa o permanente apelo à oração e à penitência para a salvação das almas

Resultado de imagem para n sra fátimaInfelizmente, circula na internet um tal “Terceiro Segredo de Fátima”, que muito assusta as pessoas, como se o Papa João Paulo II não o tivesse revelado no ano 2000. No dia 26 de junho deste ano, foi revelado, com a devida autorização do Papa, o verdadeiro Terceiro Segredo de Fátima, que tanta curiosidade, medo e, às vezes, pavor, despertava no povo. Na verdade, houve muita fantasia prejudicial às pessoas. Nas suas três partes, o segredo nada tem de previsões sobre o fim do mundo nem de catástrofes ou flagelos.

Com a revelação do segredo, feita por meio da Sagrada Congregação da Fé, com uma interpretação feita, a pedido do Papa, pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Papa Bento XVI, prefeito da citada congregação na época, viu-se que se trata de uma visão do século XX, século este impregnado de mártires do comunismo, do nazismo e de outras forças inimigas da Igreja e de Deus. Milhões morreram pela fé.

Na entrevista que Dom Tarcísio Bertone, então Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, teve com a Irmã Lúcia, por ordem do Sumo Pontífice, em 27 de abril de 2000, no Carmelo de Coimbra, onde vivia a religiosa, esta, lúcida e calma, concordou com a interpretação do segredo, segundo a qual a terceira parte do Segredo de Fátima consiste numa visão profética, comparável às da história sagrada. Ela reafirmou a sua convicção de que a visão de Fátima se refere “sobretudo à luta do comunismo ateu contra a Igreja e os cristãos” e descreve os duros sofrimentos das milhões de vítimas do século XX.

Irmã Lúcia confirmou que a principal personagem do segredo era o Santo Padre e recordou como os pastorinhos tinham pena dele. Com relação ao “Bispo vestido de branco” (o Papa), que é ferido de morte e cai por terra, a Irmã concordou plenamente com a afirmação do saudoso Papa João Paulo II: “Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Santo Padre deteve-se no limiar da morte” (Meditação com os Bispos italianos na Policlínica Gemelli, 13 de maio de 1994).

É interessante destacar o que diz a Irmã Lúcia: “Eu escrevi o que vi; não compete a mim a interpretação, mas ao Papa”. A ela foi dada a visão, não a interpretação. Mais uma vez, vemos aí a importância da Igreja e do Pontífice. E a Irmã concordou com a interpretação dada pela Igreja. Na interpretação do segredo, já bastante publicado e conhecido, feita pelo Cardeal Ratzinger, alguns pontos merecem ser destacados:

1 – A palavra-chave da primeira e segunda parte do segredo é “salvar as almas”; a palavra-chave da terceira parte é “penitência, penitência e penitência”. O mesmo cardeal lembrou que a Irmã Lúcia lhe disse que o objetivo de todas as Aparições da Santíssima Virgem era fazer crescer, cada vez mais, a fé, a esperança e a caridade.

2 – A visão do anjo com a espada de fogo representa o perigo da destruição da humanidade por si mesma, por meio da guerra e de outras formas. O brilho da Mãe de Deus aparece como a força capaz de vencer as forças da terrível destruição.

3 – O sentido da visão não é mostrar um filme sobre o futuro, mas uma forma de orientar a liberdade humana a buscar o bem. Há que se evitar, portanto, as interpretações fatalistas do segredo, como se tudo já fosse traçado para acontecer, sem respeitar a liberdade dos homens. O futuro é visto como que num espelho, de maneira simbólica.

4 – Três sinais aparecem: uma montanha alta, uma grande cidade meio em ruínas e uma grande cruz de troncos toscos. A montanha e a cidade são o lugar da história humana, de convivência, mas de luta; como uma subida árdua no qual o homem destrói, com as próprias mãos, o que ele mesmo construiu (cidade em ruínas). No alto da montanha está a cruz, meta e orientação da história humana, sinal da miséria humana e promessa de salvação.

A visão mostra o caminho da Igreja como uma Via-Sacra, ladeado de violência, destruição e morte, mas também de esperança. Diz o cardeal que, nesta imagem, pode-se ver a história de um século que se finda. O século dos mártires, dos sofrimentos e das perseguições à Igreja. Século de duas guerras mundiais e de muitas guerras locais. No espelho desta visão, vemos passar as testemunhas da fé deste século.

O cardeal fez questão de recordar o que a Irmã Lúcia disse ao Papa João Paulo II, em 12 de maio de 1982, um ano após o atentado sofrido por ele: “A terceira parte do segredo se refere às palavras de Nossa Senhora: “Se não [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

Os Papas deste século tiveram um papel preponderante na árdua “subida da montanha” do segredo. Desde Pio X até João Paulo II, todos os Santos Padres sofreram no caminho que nos leva à cruz.

5 – Destaca o mesmo cardeal que o fato de o Papa não ter morrido no atentado de 13/5/81 significa que não existe um destino imutável (na visão Sua Santidade aparece morta), e se a mão de Nossa Senhora guiou a bala para que não o matasse, é porque a força da oração e da penitência é maior do que as balas, e a fé é mais poderosa do que os exércitos. Tudo pode ser mudado pela oração e pela conversão!

6 – Por fim, a visão mostra os anjos que recolhem da cruz o sangue dos mártires e com ele regam as almas que se aproximam de Deus. O Sangue de Cristo e o dos mártires são vistos juntos a significar que o nosso sofrimento completa a salvação do mundo (cf. Cl 1, 24). O sangue dos mártires é semente de novos cristãos, como dizia Tertuliano. E assim, o terceiro Segredo termina com uma forte mensagem de esperança: nenhum sofrimento é vivido em vão se é acolhido na fé. É de todo o sofrimento e de todo o sangue derramado pela Igreja, no século XX, que brotarão as forças de um novo Cristianismo no século XXI. Haverá uma forte purificação e uma renovação que já se faz sentir no coração da Igreja. É a eficácia salvífica que brota do Sangue de Cristo misturado ao dos Seus mártires.

7 – Os acontecimentos, a que se refere o segredo, já são do passado; fica o permanente apelo à oração e à penitência para a salvação das almas. O cardeal termina afirmando que a certeza de Nossa Senhora de que, por fim, “o meu Imaculado Coração triunfará” significa que um coração voltado inteiramente para Deus é mais forte do que as pistolas ou as outras armas de fogo. A mensagem do Terceiro Segredo é uma mensagem de confiança no Cristo que venceu o mundo (cf Jo 16, 33).

Estive em Portugal, logo após a morte de Irmã Lúcia, em Coimbra, com a Dra. Branca, que cuidou da religiosa até a sua morte. A médica disse-me que Irmã Lúcia concordou inteiramente com a revelação feita pela Igreja sobre o segredo e que mais nada havia a revelar. Portanto, é preciso cessar a divulgação de um falso Terceiro Segredo de Fátima, como se a Igreja não tivesse revelado o verdadeiro.


Felipe Aquino
Professor Felipe Aquino é viúvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino



terça-feira, 1 de julho de 2014

Maria teve Pecados?

Como responder às pessoas que nos perguntam se a Virgem Maria, Mãe de Deus, teve pecados? 
Maria teve pecados?A sã Doutrina da Igreja, desde os primórdios do Cristianismo, ensina que a Santíssima Virgem Maria foi concebida sem a mancha do pecado original e não teve nenhum pecado mortal ou venial. A Virgem Santa, Nova Eva, é o verdadeiro Paraíso Terrestre do Novo Adão1. “Há, nesse paraíso terrestre, riquezas, belezas, raridades e doçuras inexplicáveis que o Novo Adão, Jesus Cristo, aí deixou. Nesse paraíso, Ele achou as Suas delícias durante nove meses, operou as suas maravilhas e ostentou as suas riquezas com a magnificência de um Deus”2A Mãe do Senhor é o lugar santo, a terra virgem e imaculada sem qualquer nódoa ou mancha, da qual foi formado e se alimentou o Novo Adão pela ação do Espírito Santo que aí habita.
O Magistério da Igreja ensina que a concepção da Virgem Maria aconteceu, no ventre da sua mãe, sem a mancha do pecado original. Em conformidade com a Palavra e com a Tradição da Igreja, o dogma da Imaculada Conceição de Maria foi definido pelo Papa Pio IX, pela BulaIneffabilis Deus, em 8 de dezembro de 1854: “Para a honra da santa e indivisível Trindade, para adorno e ornamento da Virgem Deípara (Mãe de Deus), para exaltação da fé católica e o incremento da religião cristã, com a autoridade do Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo, declaramos, proclamamos e definimos a doutrina que sustenta a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha da culpa original, é revelada por Deus e por isso deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis”3.
Naquele tempo, a festa da Imaculada Conceição de Maria já era celebrada, no dia 8 de dezembro, por definição do Papa Sisto IV, em 1476. A celebração desta festa, na Liturgia da Igreja Católica, é reflexo do pensamento dos padres da Igreja e dos Santos Doutores, que, muito antes, já defendiam a Imaculada Conceição de Maria, pois era adequado que a Mãe do Cristo estivesse completamente livre da mancha do pecado original para gerar o Filho de Deus. “A um Deus puríssimo convinha uma Mãe isenta de toda culpa”4. Além disso, “o consenso universal dos fiéis, […] o sentimento comum dos católicos é favorável a essa doutrina”5. Favorável ao Dogma da Imaculada Conceição é também a festa da Natividade de Maria, celebrada por causa da fé da Igreja na sua santidade desde o ventre materno.
A Doutrina não ensina somente que Nossa Senhora foi concebida sem o pecado original, mas também atesta a Perpétua Virgindade de Maria. A Virgem Santa foi preservada por Deus de todo pecado, em vista dos méritos de seu Filho Jesus Cristo, desde o primeiro momento da sua vida. A Santa Igreja ensina que Maria é virgem antes, durante e depois do parto. A definição magisterial da virgindade perpétua da Mãe de Deus é o dogma mariano mais antigo das Igrejas Católica e Oriental Ortodoxa, que afirmam a “real e perpétua virgindade mesmo no ato de dar à luz o Filho de Deus feito homem”6. Este dogma foi definido pelo Concílio de Trento, em 1555, embora essa doutrina já estivesse presente no Cristianismo primitivo, nos escritos de São Justino e Orígenes.
Os dogmas da virgindade perpétua e da Imaculada Conceição de Maria, definidos pelo magistério, pelos Santos Doutores e pelo consenso de fé dos fiéis, tem como fundamento a revelação. Ainda que não haja, nas Sagradas Escrituras, afirmações explícitas dessas doutrinas, há vários textos que, implicitamente, atestam essas verdades, como nos ensinam os Santos Padres. Estes aplicam à Virgem Maria as palavras do Eclesiástico: “Eu saí da boca do Altíssimo, a primogênita entre todas as criaturas”7. A própria Igreja se serve desse texto na Liturgia da Solenidade da Imaculada Conceição. Maria é a primogênita de Deus, pois foi predestinada juntamente com o Filho nos desígnios divinos, antes de todas as criaturas. Convinha que nem sequer por um instante ela fosse escrava de Lúcifer, mas pertencesse unicamente a Deus: “O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos”8.
Deus Altíssimo elegeu a Virgem de Nazaré para ser Mãe de Seu Filho unigênito9 e, pelo Espírito Santo, a tornou digna dessa sublime honra. Por isso, Maria foi concebida sem o pecado original, em vista dos méritos de Cristo, e durante a vida a “Cheia de Graça”10 não cometeu nenhum pecado mortal ou venial. Se Nossa Senhora tivesse cometido apenas um pecado venial, ela já não seria digna Mãe de Deus. Muito menos digna seria ainda se sobre ela pesasse a culpa original. Se sobre ela pesasse semelhante culpa, Maria seria inimiga de Deus e escrava do demônio. Essa reflexão levou Santo Agostinho a pronunciar a célebre sentença: “Nem se deve tocar na palavra pecado, em se tratando de Maria; e isso por respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, o qual a preservou de todo pecado por sua graça”11.
Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!
1Cf. I Cor 15, 45.
2SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Fraternidade Arca de Maria, 2002, 261.
3DENZINGER-HÜNERMANN. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral.São Paulo: Paulinas; Loyola, 2007, 2803.
4SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Glórias de Maria. 3ª ed. Aparecida: Santuário, 1989, p. 241.
5Idem, p. 253.
6JOÃO PAULO II. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000, 499.
7Eclo 24, 5.
8Pr 8, 22.
9Cf. Lc 1, 30.
10Lc, 1, 28.
11SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Op. cit., p. 244.

Natalino Ueda

Missionário da comunidade Canção Nova, desde 2005 cursou Filosofia e Teologia, atua no portal cancaonova.com como produtor de conteúdo é autor do blog Todo de Maria. blog.cancaonova.com/tododemaria

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Um sonho a D. Bosco sobre a Igreja - Prof. Felipe Aquino


São João Bosco, muitas vezes, recebia as mensagens e inspirações de Deus através de sonhos. Ainda pequeno, recebeu de Nossa Senhora Auxiliadora, a indicação de sua vocação de trabalhar com os meninos que viviam no vício e na delinquência. Já sacerdote, conduzindo a sua Congregação, fundada sob o patrocínio de São Francisco de Sales, teve uma visão que marcou a sua vida e a da Igreja.
Em sonho viu uma grande embarcação que navegava em um oceano agitado. As ondas do mar estavam encarpeladas pelo vento e batiam furiosas contra a embarcação que se agitava de um lado para o outro, no meio de uma batalha que se travava. Aproximando o olhar, D. Bosco percebeu que quem estava no timão, no comando da nau, era o Papa, com as suas vestes características, pilotando diligentemente para que a Barca seguisse o seu rumo. Mas o vento tornava-se mais forte e as ondas do mar agitavam-na furiosamente, a ponto de quase fazê-la naufragar.
Quando o perigo aumentava, D. Bosco percebeu que de cada lado da nau surgiu uma coluna, as quais impediam o naufrágio. Aproximando o olhar, percebeu que em cima de uma das colunas estava a Hóstia num ostensório dourado, e na sua base estava escrito: “Salus Credentium” (Salvação dos que creem); e no alto da outra coluna, estava a imagem de Nossa Senhora. Na base da coluna estavam as palavras: “Auxilium Christianorum” (Auxiliadora dos Cristãos).
Ao acordar, D. Bosco percebeu que Deus lhe havia mostrado a realidade da Igreja Católica neste mundo. Ela é a nau de Cristo, dirigida por Pedro, o Papa, para conduzir-nos ao Céu. O mar agitado pelos ventos são todas as dificuldades, ataques, heresias, perseguições, das quais a Igreja nunca esteve livre, de uma forma ou de outra. E como auxílios celestes, para ela poder seguir a sua caminhada nesta terra, sem naufragar nas ondas impetuosas do pecado, foi-lhe dada a Eucaristia, Maria e o Papa. São suas salva-guardas.
Eis aí os sinais fortes da catolicidade: Jesus Eucarístico na Hóstia consagrada; Maria, “a Mãe do Meu Senhor”, como disse Isabel (Lc 1,43); e o Santo Padre, o Papa, Vigário do Senhor.
Foi o próprio Jesus quem deixou a Eucaristia, Maria e o Papa à Sua Igreja, a fim de cumprir a promessa feita a Pedro: “… e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela”(Mt 16,18). A primeira dádiva de Jesus para nós foi o Papa: “Tú és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.  “A minha Igreja…” A Igreja de Jesus é Única e Una, é a Igreja de Pedro, que hoje se chama João Paulo II. Só ele e seus sucessores ouviram essas palavras inefáveis:“Eu te darei as chaves do reino dos céus: Tudo o que ligares na Terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos céus”(Mt 16,19).
Na pessoa  do Papa, Jesus guia a sua Igreja, com infalibidade, mantendo-a unida numa só fé, num só governo, numa só doutrina, numa só liturgia, num único Corpo.
Outra dádiva de salvação que Ele nos deixou foi a Eucaristia. Ele próprio presente nas espécies do pão e do vinho, para ser, “em Pessoa”, o remédio e o sustento da nossa vida. Nós ouvimos essas palavras: “Isto é o meu corpo”(Mc 14,22). “Este é o meu sangue”(Mc 14,24). Esta é a maior prova do amor de Jesus por nós; Ele próprio dado a nós.
Por fim, pregado na cruz, com lábios de sangue, Jesus entregou-nos a última dádiva de Salvação, a Sua própria Mãe. Cada um de nós ouviu no Calvário esta palavra memorável, doce, inesquecível: “Eis  aí a tua Mãe”(Jo 19,27). Nenhum filho é feliz sem a sua mãe. Ele nos deu a sua própria Mãe! Que amor  por nós!
Quem rejeita o Papa, a Eucaristia e Maria, rejeita o próprio Senhor, pois rejeita as suas dádivas mais preciosas para a garantia da nossa salvação.Percebemos que hoje, mais do que nunca, o mundo e o seu príncipe diabólico investem furiosamente contra essas três “colunas”, porque sabem que são a grande força e proteção da Igreja. Mas todo esse ataque é inútil, pois sabemos que são Três colunas invencíveis. Todos os que se atirarem contra elas se verão despedaçados…Os inimigos da Igreja combatem furiosos essas santas dádivas, sem perceber que atiram pedras no próprio Senhor. Essas são as colunas inexpugnáveis.
Prof. Felipe Aquino

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Homens, sejam como São José!

Mensagem do missionário Alexandre Oliveira, no programa "Sorrindo pra Vida", da TV Canção Nova, desta terça-feira, dia 29 de outubro de 2013.

A Palavra meditada, hoje, está em São Mateus 2,13-18.


Hoje a Palavra de Deus fala especialmente aos homens. Ela conta o que São José viveu com sua família.


Nós homens, quando vamos viajar, gostamos de nos programar, organizar toda a viagem, mas com José não foi assim. Ele foi acordado no meio da noite pelo anjo, que apareceu a ele em sonho, para lhe dizer que ele teria de se levantar e fugir para o Egito com sua família, pois Herodes queria matar todas as crianças daquela região.

São José não teve tempo de se preparar, ele levantou-se de noite e com sua esposa e seu filho e partiu para o Egito e lá permaneceu até a morte de Herodes. Entendam que esse homem [Herodes] é como se fosse o próprio demônio, cujo desejo é destruir nossas famílias.

E no versículo 18 está escrito: “Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais.” 


Hoje, não é mais o choro de Raquel que nós ouvimos, mas o de Maria. Nossa Senhora derrama lágrimas de sangue por cada família que não existe mais.

Quero dizer a você que é pai de família e homem de Deus: nós vivemos o que José viveu na fuga para o Egito, uma luta contra a destruição da nossa família. E hoje, há uma carência muito grande de homens que sejam como o pai adotivo de Jesus, que se levantem para proteger suas famílias.

Nós homens temos o dom e o dever de cuidar do presente que Deus nos deu: a nossa família. Aquela mulher que, um dia, subiu ao altar com você é um dom para sua vida. Os filhos são dons de Deus, presentes d’Ele para você, e a Igreja também ensina que é nosso dever protegê-los.

Se José não tivesse a consciência de que era dever dele proteger a Virgem Maria e o Menino Jesus, ele não teria acatado o pedido do anjo. Ele sabia que precisava cuidar dos dois. 

A Igreja também ensina que nós homens devemos viver uma amizade com nossas esposas, cuidar delas como se estivéssemos cuidando do nosso próprio corpo. Tratá-las com ternura e gestos concretos de amor. 

Nós precisamos ser homens como São José. Que o Espírito Santo levante muitos homens no dia de hoje, para que saiam desse comodismo e desse orgulho que os têm levado à perdição. Que todos tenham coragem de chegar para suas esposas com um presente, ou de coração sincero, e lhes dizer que elas são importantes e especiais, e lhes pedir perdão. 


Homens, o diabo quer destruir nossas famílias! Acordem, peguem suas famílias e saiam das garras do demônio, do pecado! Deus lhes deu um dom, mas também o dever de cuidar dessa família. Cuidar não é só trabalhar, mas também ser de Deus, ser exemplo de amor para seus filhos. 

A maior alegria que você pode dar ao seu filho é tratar sua esposa com amor na frente dele. Beije a sua esposa na frente do seu filho, pegue na mão dela, ame-a do jeito que ela é. Isso é casamento. Pare de exigir uma mulher perfeita! Pegue sua família e leve-a para Deus.


Levantem-se, "Josés"! Suas famílias estão sendo perseguidas, correndo o risco de ser destruídas! Que o Espírito Santo possa levantar cada homem para que ele diga: “A minha família não vai ser destruída! Eu vou fugir do pecado, vou levar minha família para o céu, eu agora sou um José!” Contem com a intercessão de São José e comecem, hoje, a amar e a cuidar de suas famílias.

Vou terminar contando uma história. Havia uma carpintaria e lá tinha a assembleia das ferramentas. O martelo queria ser líder desta assembleia, mas disseram que ele não poderia, porque era muito duro, grosso, vivia golpeando e machucando os demais. Então, ele disse que já que não podia, também não queria que o parafuso fosse o líder, porque ele daria muitas voltas e não chegaria a lugar nenhum. O parafuso aceitou, mas disse que a lixa também não podia ser líder, porque ela era áspera e vivia causando atrito. A lixa concordou, mas falou que a trena também não seria, porque ela media todo mundo e achava que só ela era perfeita. E ficou aquela discussão. Aí, chegou o carpinteiro. Ele pegou o martelo, o parafuso, a lixa e a trena; e fez um lindo móvel. Depois que terminou, colocou os objetos de lado e saiu. Então, o serrote, que viu tudo de um canto, afirmou: “Vocês ficam aí, olhando só os defeitos uns dos outros, o carpinteiro veio aqui e pegou o que cada um tem de melhor, para fazer esse lindo móvel.”

O "Carpinteiro de Nazaré", que é Jesus Cristo, hoje apresenta o carpinteiro José, que pode ajudá-lo. Peça a intercessão dele, peça para ser ferramenta nas mãos de Deus, para que Ele use os seus talentos. 

Você é um homem bom, só está desorientado. Volta para casa e para sua família! Deixe esse pecado de lado, peça perdão, recomece, pare de brigar, dialogue com sua esposa, ame-a na frente dos filhos, cuide do que Deus lhe deu.

Que hoje se levante uma geração de homens como São José, homens de Deus, virtuosos, corajosos, que fogem do pecado e da tentação; e que vão para o "Egito" de hoje, isto é, para a Igreja, que é lugar de refúgio, e que levem suas famílias consigo.

Alexandre Oliveira
Membro da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

São Frei Galvão

Hoje, a Igreja no Brasil comemora a memória litúrgica do Primeiro Brasileiro elevado à honra dos altares: Frei Galvão! Apresento um pouco de sua história:

Frei Galvão

Frei Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, interior de São Paulo e iniciou sua vida religiosa aos 13 anos de idade quando foi estudar no Seminário dos Padres Jesuítas, em Belém, na Bahia, entre 1752 a 1756. Dedicou toda sua vida a caridade e a missão de disseminar a palavra de Deusjunto aos necessitados. Percorrendo dezenas, ás vezes centenas, de quilômetros a pé, Frei Galvão cumpria a sua missão de bondade, caridade e entrega ao próximo. Por isso Santo Frei Galvão era chamado de "O homem da paz e da caridade"

Fundou, em 1774, juntamente com Madre Helena Maria do Espírito, o Recolhimento de Nossa Senhora da Luz, hoje conhecido como Mosteiro da Luz. Frei Galvão acompanhou a construção, passo a passo, como seu diretor e arquiteto, muitas vezes juntando-se aos trabalhadores e os ajudando no pesado trabalho. Ao todo, Frei Galvão dedicou 48 anos de sua vida à construção do Mosteiro. Por esse exemplo de dedicação e amor a sua obra, Frei Galvão é considerado o padroeiro da Construção Civil no Brasil.


Faleceu em 23 de Dezembro de 1822 e foi enterrado na capela do Mosteiro da Luz onde se encontram até hoje os seus restos mortais. Em 1938, teve inicio o processo de beatificação de Frei Galvão que só foi concluido em 1998 com a beatificação, em Roma, por João Paulo II, que o chamou de "doçura de Deus". Frei Galvão foi oficialmente canonizado pelo Papa Bento XVI no dia 11 de Maio de 2007, durante sua visita ao Brasil.

  
Pílulas de Frei Galvão
As pílulas de Frei Galvão, consideradas milagrosas, são minúsculos pedaços de papel de arroz contendo um versículo do ofício da Santíssima Virgem. No passado, Frei Galvão escrevia as jaculatórias, ou seja, orações, para as pessoas que solicitavam sua ajuda, hoje as pílulas são feitas e distribuídas pelas irmãs do mosteiro da Luz. O mosteiro recebe, diariamente, cerca de trezentos fiéis em busca das pílulas de Frei Galvão. Nos finais de semana, esse número sobe para mais de mil pessoas que vem em busca de cura para problemas de saúde, gravidez ou outro pedido para si ou seus próximos.

Como surgiram as pílulas de Frei Galvão
Certo dia, Frei Galvão recebeu um pedido de oração para um moço que se debatia com fortes dores provocadas por cálculos vesicais. Compadecido, Frei Galvão lembra-se do infalível poder daVirgem Maria e, tomando um pequeno pedaço de papel, nele escreve estas palavras do Ofício de Nossa Senhora: "Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta. Mãe de Deus, intercede por nós". Em seguida, enrolou o papel na forma de um minúsculo canudo, em forma de pílulas, e mandou que dessem para o moço tomá-lo. Este, confiando em Nossa Senhora, apenas o ingeriu, expeliu os cálculos sem dificuldade e imediatamente ficou são.


Esta foi a origem das Pílulas de Frei Galvão, que desde então foram freqüentemente procuradas pelos seus devotos, e ainda hoje são distribuídas gratuitamente pela Igreja em vários locais do Brasil às pessoas que têm .

  
Milagres
Geralmente, a religiosidade e a curiosidade popular colocam em evidência os santos pelos seus "milagres", por isso, recorre-se a ele para buscar graças e favores celestes. A Igreja católica não considera isso errado, mas recorda que não é o milagre que faz alguém ficar santo. No processo de canonização, verifica-se rigorosamente se a pessoa levou vida santa. Isso é fundamental, pois a Igreja não "santifica" ninguém, mas apenas reconhece e atesta a santidade de alguém. O milagre entra somente na fase final do processo de canonização e é esperado como graça especial e confirmação divina sobre a santidade de alguma pessoa. De fato, os santos não fazem milagres mas Deus, somente. Dizemos, então, que o milagre é obtido pela intercessão dos santos, e não por um poder que eles próprios têm. Dom Odilo Scherer


Durante toda sua vida e até hoje, Frei Galvão foi protagonista de centenas de milagres e graças alcançadas.

  
Primeiro milagre:
DANIELA CRISTINA DA SILVA, filha de Valdecir da Silva e Jacyra Francisco da Silva, era uma criança de 4 anos, residente na Vila Brasilândia, na cidade de São Paulo. Daniela, desde o seu nascimento em 9 de março de 1986, havia sido sempre uma criança de saúde delicada. Em 1990, por causa de complicações bronco-pulmonares, foi internada no Hospital do SESI em São Paulo.Com alta hospitalar, retornou para casa, mas logo depois começou a apresentar sonolência e crises convulsivas, sendo encaminhada pelo pediatra para o Hospital Emílio Ribas com suspeita de meningite ou hepatite, na noite de 24 de maio de 1990. Foi imediatamente levada para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com quadro clínico instável e convulsões.Com diagnóstico de "insuficiência hepática fulminante", sofreu ainda parada cardiorrespiratória que evoluiu com epistaxe, sangramento gengival, hematúria, ascite, progressivo aumento da circunferência abdominal, broncopneumonia, parotidite bilateral, faringite, além de dois episódios de infecção hospitalar. Daniela permaneceu na U.T.I. por 13 dias (25 de maio a 7 de junho de 1990) praticamente desenganada pelos médicos. No fim desse período, teve uma parada cardio-respiratória e quase morreu. Segundo sua mãe, os médicos haviam lhe dito "Você sabe rezar? Então reze, porque só um milagre pode salvá-la". E foi justamente isso que ela fez, apelando para Frei Galvão e, inclusive, levando para a UTI, escondidas das enfermeiras, as pílulas de Frei Galvão que ministrava a Daniela.

Aí a cura aconteceu, de forma rápida e sem nenhuma explicação científica, por intercessão de Frei Galvão. Em pouco tempo, foi transferida para a Pediatria e, finalmente, recebeu alta hospitalar no dia 21 de junho de 1990, "considerada curada".


Acompanhada ambulatorialmente nunca apresentou alguma recaída. Em 1995, o pediatra, que acompanha a menina desde o nascimento, atestou: "a Menor foi examinada por mim nesta data (4 de agosto de 1995), estando a mesma em perfeitas condições de saúde física e mental".



O mesmo Pediatra perante o Tribunal Eclesiástico afirmou a respeito da cura de Daniela "eu atribuo à intervenção divina, não só a cura da doença, mas a recuperação total dela". A intervenção de Deus foi pedida pelos pais, parentes, amigos, vizinhos, religiosas do Mosteiro da Luz, que unidos numa só prece invocaram com muita fé a intercessão de Frei Antônio de Sant'Anna Galvão dando à menina água e as pílulas de Frei Galvão. Seus pais estavam tão convictos da intercessão do Santo que, ao receber alta do Hospital Emílio Ribas levaram Daniela diretamente ao túmulo de Frei Galvão no Mosteiro da Luz para agradecer a graça alcançada.


Segundo Milagre
SANDRA GROSSI DE ALMEIDA e seu filho ENZO DE ALMEIDA GALLAFASSI, que atualmente moram em Brasília, corriam risco de vida. Sandra tinha dificuldade para engravidar por causa de um problema no útero, que lhe provocou três abortos espontâneos entre 1993 e 1994, de acordo com o relatório apresentado por irmã Célia aos examinadores da Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano. "Ela tinha útero bicorne, com duas cavidades de dimensões muito pequenas e assimétricas, como se fosse uma parede. Com tal formação, não corrigida cirurgicamente, era impossível levar a termo qualquer gravidez, pois o feto não tinha espaço suficiente para crescer e se formar".

Nesta situação, Sandra voltou a ficar grávida em 1999. Em agosto, sua ginecologista, Dra. Vera Lucia Delascio Lopes, fez uma "cerclagem cervical" preventiva, para evitar o fim de outra gravidez.


A gravidez era julgada de altíssimo risco - o parto seria muito prematuro e, além disso, úteros malformados podem provocar sangramentos maiores. Apesar de o prognóstico médico ser de provável interrupção da gravidez, ou de que ela atingisse no máximo o 5° mês, a gestação evoluiu normalmente até a 32° semana.



Neste período, Sandra fez repouso absoluto de junho a novembro de 1999, internada na maternidade Pro Matre de São Paulo. O parto cesariano foi realizado no dia 11 de dezembro, depois da ruptura da bolsa e perda do líquido amniótico. Não houve, entretanto, complicações. A criança nasceu pesando quase dois quilos e medindo 42 cm. Apresentava problemas respiratórios, com doença das "membranas hialinas", classificada como sendo de 4° grau, isto é, o mais grave, o que colocava em risco sua vida.



"O quadro teve uma evolução muito rápida e a criança foi entubada no dia 12, recebendo alta no dia 19 de dezembro", diz o relatorio da postuladora que acompanhou o caso do frei Galvão. Especialistas médicos e teólogos consultados durante o processo de canonização de frei Galvão disseram que o sucesso do caso, considerado raro, deve ser atribuído à intervenção do santo brasileiro. "Desde o início e durante toda a gravidez, ele foi invocado pela família com muita oração e por Sandra que, além de fazer novenas, tomou as 'pílulas de frei Galvão'", afirma a irmã Célia Diadorin, postuladora do processo de canonização. A opinião de que o nascimento de Enzo aconteceu por milagre é compartilhada pela obstetra Vera Lúcia Delascio Lopes, que cuidou do parto de Enzo no Hospital Pro Mater em São Paulo. "Houve algo a mais que somente medicina", asseverou a médica.


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