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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Ano da Fé

O texto abaixo é transcrição de uma palestra do Padre Reginaldo Manzotti, em 11/11/2012, na Canção Nova, no Congresso Nacional da Fraternidade, sobre o Ano da Fé:

O Ano da Fé

Padre Reginaldo Manzotti
Foto: Natalino Ueda/Cancaonova.com
”Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito.” (I Pedro 3,15)

Temos de estar atentos ao censo da nossa Igreja. Há uma grande evasão de fiéis, porque estamos acomodados como Igreja e também como padre. Nossos bispos estão clamando que os cristãos voltem para a Igreja, e nós precisamos responder 'sim' ao Senhor.

Nesse ano da fé, somos chamados a nos debruçarmos sobre o Creio. Reze, medite e viva essa oração. Do ponto de vista teórico e dogmático, nossa fé está expressa nele; no entanto, esse não é nosso problema. O problema é nossa incoerência daquilo que acreditamos com o que demonstramos na prática.

Nós católicos temos de amar a nossa Igreja e nosso Papa. Precisamos manifestar publicamente a fé que abraçamos, precisamos ser apaixonados pela nossa Igreja, depositária da nossa fé.

Em meu computador, tenho uma foto do nosso amado Papa Bento XVI utilizando um tablet como uma forte motivação para vivermos a nossa fé. A mensagem do Evangelho é a mesma e temos de aproveitar todas as oportunidades.

A superficialidade da nossa fé é tremenda. Às vezes, somos um empecilho para o Espírito Santo e para a Igreja. Não O deixamos trabalhar em nós, e, assim, impedimos a ação de Deus em nossas paróquias e nossas comunidades.

Resolva a sua vida e não estrague a comunidade.

Todos devemos olhar para os simples. Em meus 17 anos de padre, já vi muitas pessoas passarem por mim. E aqueles que são os mais simples, não complicam a caminhada com Deus. Eles se entregam incondicionalmente. A maior dificuldade para ser santo não é para os pecadores, mas para os meio convertidos.

"Resolva a sua vida e não estrague a comunidade", pede o pregador."
Foto: Natalino Ueda/Cancaonova.com


Precisamos ter a coragem de Paulo e exortar nossos irmãos. O Ano da Fé vem tocar muitos eixos de nossa vida, vem purificar nossa alma de cristãos pela metade. Não podemos ser sal insosso, mas cristãos para valer. Não seja morno. Seja quente!

Jesus o convida a uma vida de santidade, mas é preciso dizer 'sim' para Deus. Eu tive de renunciar a minha vida política para seguir a Cristo.

Se eu tenho a luz de Cristo em mim, preciso colocá-la à vista.

Onde estão seus netos ? Onde estão seu filhos? Nós colhemos o que plantamos. A primeira evangelização é dentro de casa.


"Se eu tenho a luz de Cristo em mim, preciso colocá-la à vista."
Foto: Natalino Ueda/Cancaonova.com
Nesse ano da fé, queria que você pensasse: "Será que não está na hora de voltar ao poço de Jacó e pedir água para Jesus novamente? A samaritana tinha uma vida mal resolvida. Assim como ela, a qual tinha 5 maridos, pergunte-se agora: "Quais são as cinco pendências que você precisa resolver hoje?

São Tomas de Aquino nos dá a receita contra a depressão:
1- Tenha bons amigos
2 – Tome banho
3 – Durma bem
4 – Não esconda de você mesmo quem você é.
“O povo está sedento de ir ao poço de Jacó. E nós temos a obrigação de dar essa água para eles. ”O meu maior desejo é ouvir de um jovem: Eu olhei para o seu sacerdote e desejei ser padre.”
A fé não é emoção. Quantos deixam de ir à missa, porque não estão “sentindo” vontade de ir? Se você quer viver sua fé na base da emoção, você está redondamente errado. Você vai viver muito mais momentos de aridez do que de consolação. Fé é encontro com o Senhor, é adesão. "Eu quero servir! Independente do que aconteça, não arrede o pé, porque você é fiel a Jesus Cristo, à comunidade e ao carisma.
Transcrição e Adaptação: Cristiane Viana
:: Confira também a 2ª pregação dessa manhã de domingo: "A graça do carisma"

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Padre Reginaldo Manzotti 

Seja Feliz!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ironias de Deus

Às vezes acho Deus irônico.

Não, não é deboche.

Penso que o Senhor, em Sua Infinita Sabedoria, acaba sendo irônico.

Nós somos seres limitados e finitos. E extremamente egoístas.

Fechamo-nos em nossos 'mundinhos medíocres' e nos consideramos o centro do universo. 

Deus não habita nosso universo. Deus também não habita fora dele. Deus habita na eternidade. E a eternidade é o próprio Senhor, por assim dizer. Então, nada que possamos conceber em nossas 'cabeças medíocres' poderá conceber a perfeição de Deus.

Aqueles que conseguiram algo nesse campo, o fizeram reconhecendo o seu nada e por misericórdia do próprio Deus, e com o auxílio de Seu Espírito, o puderam conseguir.

Deus é insondável.

Nós somos miseráveis.

Então, quando percebo Deus agindo no nosso mundo, intervindo mesmo em nossas vidas, transformando-nos, ou transformando situações que pareciam perdidas em magníficas situações de cura, libertação, salvação, não posso deixar de ver as ironias.

Entenda bem o que chamo de ironia. Não são os atos salvíficos de Deus. Isto é misericórdia.

A ironia está em que, mesmo sem pedir, e às vezes mesmo não crendo em Deus, Ele vem e muda nossa vida. Leia a passagem de Atos dos Apóstolos sobre a conversão de São Paulo e você vai ver o que quero dizer.

Estes dias faleceu outra grande amiga de nossa família, e peguei-me pensando que desde que meu pai faleceu, em setembro do ano passado, várias pessoas conhecidas nossas também partiram para a eternidade.

A ironia que daí percebi foi que pareceu apenas estarmos aguardando que um deles se fosse para que todos o seguissem. O primeiro, então, foi o meu pai. Agora, estão indo todos os seus amigos. Será que meu pai está organizando os arquivos de São Pedro, e localizando 'fichas perdidas'?

Brincadeiras à parte, quando percebo acontecerem eventos assim, logo penso no quanto tudo isso é irônico.

Porque simplesmente não conseguimos entender ou interpretar esses sinais. De que Deus está nos preparando para também nos chamar, através das portas da morte, para Si.

E vendo a tantos partirem ao mesmo tempo, não fico mais pensando que morrerei quando for 'velhinho'...essa graça Deus deu a muitos, mas pode não dar pra mim!

Meu momento para me preparar para Deus é agora!

Deus pode até estar sendo irônico sim, para chamar minha atenção: "olhe, eu estou chamando teu pai, e depois os amigos dele, e depois será você!"

Acorde, cara! Talvez eu não tenha mais um dia!

E aí? Como será se Ele me chamar e eu não tiver resolvido a minha vida ainda, por achar que esse dia só virá para os outros? Isso sim, vai ser uma ironia eterna...


E seja Feliz!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

São Paulo, convertido, propagou a Fé

Hoje, a Igreja comemora a memória da Conversão de São Paulo.

Pilar da Igreja, junto com São Pedro, defensor ardoroso da fé, mesmo antes de sua conversão, São Paulo foi aquele que sempre se deixou seduzir pelo amor de Deus, e se considerava apesar de tudo desmerecedor disso, colocando-se sempre na condição de servil, como vemos em todos os seus escritos.

Da leitura de suas cartas, Santo Agostinho se converteu ao Cristianismo. Seus escritos, sua firmeza na fé, sua coragem, seu amor ardoroso a Jesus Cristo, seu pensamento atravessaram os séculos, os milênios, e são a base doutrinal da Igreja até os dias de hoje, e assim permanecerão, até o fim, pois a verdade que São Paulo revela não é sua, mas a de Deus, e ele sempre soube deixar-se conduzir com firmeza pela mão da Providência, e, como dito, considerava-se um 'abortivo' (I Cor 15,8). Com isso queria dizer que era indigno, mas mesmo considerando-se assim, exortava a todos, em nome de Jesus, dizendo: "prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir" (II Tim 4,2).

Assim São Paulo, uma vez convertido, passou a vida sendo instrumento de evangelização, propagando a fé. Assim nós, também devemos fazê-lo. Esta é a importância da festa hoje celebrada na Igreja.

A narrativa de sua conversão,  lemos em Atos, 22, 3-16.

São Josemaria Escrivá diz que "A conversão é obra de um instante; a santificação é tarefa de toda a vida".

Então, partindo daí, convido a todos a conhecer e se aprofundar na vida e nas obras deste pilar da Igreja, e seguir-lhe os exemplos de perseverança e amor a Nosso Senhor, em busca dessa santidade pedida por Deus a seus filhos: "sede santos!" (Lv 19,2).

Deixo-lhes também o artigo baixo, da lavra de Dom Orani João Tempesta, O.Cist., Arcebispo do Rio de Janeiro, muito reflexivo. Boa leitura!

Imagem de Destaque

A busca pela verdade e a conversão

Cristo não força nossa inteligência e muito menos nossa vontade
Celebramos hoje a festa da Conversão do Apóstolo São Paulo. É um dia que nos faz refletir sobre a história que se transforma graças à mudança de vida das pessoas. A extraordinária figura de São Paulo pode ser contemplada a partir de diversos ângulos. Meditar sobre sua conversão nos permite descobrir como foi possível que um homem com tanto ódio ao Cristianismo pudesse se transformar no maior promotor da fé cristã.

Existe um segredo na conversão de São Paulo que pode iluminar nossos passos rumo à nova evangelização. Que segredo é este?
Não há dúvidas de que ele era um escolhido por Deus. Sem a intervenção de Cristo, derrubando-lhe por terra, não seria possível que ele se levantasse um dia como o apóstolo dos gentios. Foi Cristo a dar o primeiro passo. No entanto, Cristo não força nossa inteligência e muito menos nossa vontade. O amor sem liberdade é escravidão, domínio e manipulação.
Existia em São Paulo uma condição de possibilidade para que Cristo agisse por intermédio do amor. Era necessário um terreno onde a semente da fé pudesse fazer brotar a graça da conversão e da adesão a Cristo. Refletir sobre o aspecto humano da conversão do apóstolo é desvendar um dos elementos importantes para que a mensagem de Cristo caia em solo fértil. Sobre que bases a graça pousou?

A resposta não pode ser outra: sua alma era dominada por uma sede insaciável da verdade. São Paulo era um fariseu zeloso, conhecia de memória a Lei e a Palavra. Na fé judaica via a verdade que preenchia seu coração, e por ela, era capaz de tudo. No entanto, a verdade de Paulo não era plena. Antes da conversão, Saulo “respirava ameaças de morte contra os discípulos do Senhor” (cf. Atos 9, 1). Seu ódio nascia do fato de que seu coração ainda estava insatisfeito, era consciente de que algo lhe faltava.

Na fé, São Paulo descobre que a verdade é uma Pessoa: Jesus Cristo. É quando sua vida se transforma e ele se converte aos desígnios do Senhor.

É na verdade que o apóstolo desvenda o profundo mistério da alegria e da felicidade plena. A fé em Cristo impede que a razão se feche e se reduza apenas a realidades empíricas. A fé abre a razão, enquanto a razão purifica a nossa vivência da fé de elementos que manchem o nome de Cristo. Podemos com nossa inteligência chegar a uma definição, contudo, a verdade plena não se reduz a um conceito. Só em Cristo encontramos “o Caminho, a Verdade e a Vida” (cf. Jo 14,6).

É justamente no caminho de Damasco que Saulo se encontra com “o Caminho”. É respirando ameaças de morte que ele descobre “a Vida”, É na cegueira da luz terrena que seu espírito se abre à plenitude “da Verdade”.

Sem o terreno fértil da verdade, seria muito difícil que Cristo conquistasse o coração de Saulo. É vendo em Cristo, como a verdade plena, que muitos filósofos se converteram à fé cristã. Da mesma forma, ao buscar a verdade Santo Agostinho foi conquistado por Cristo. É pela verdade que tantos consagrados e leigos desgastam a própria vida pelo bem da humanidade. A evangelização pela via da verdade é um elemento essencial para a conversão.

A grande crise que sofre a humanidade é uma “crise de verdade”. O relativismo, o materialismo e o hedonismo são formas de distrair o coração humano de sua sede incansável de infinito. Não podemos permitir que estes obstáculos invadam nossas vidas. Ao mesmo tempo, devemos ser conscientes de que é nesta cultura que devemos evangelizar. E só por meio da verdade, unida à fé e ao amor, é que poderemos um dia dizer como São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gal. 2,20).
Por isso, não tenhamos medo de conhecer nossa fé, de interrogar sobre as razões de nossa esperança. Mas, sobretudo, não tenhamos medo de deixar que Cristo entre em nossas vidas e mude nossos esquemas. Aproximem-se de  Cristo, deixem que a verdade plena de Seu amor invada sua casa. Com certeza, a fé sairá fortalecida, pois - repetindo as palavras de Santa Catarina de Siena: “Se sois o que deveis ser, incendiareis o mundo inteiro, porque o mundo tem necessidade de testemunhas”, testemunhas da Verdade.
Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Seja Feliz!