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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Criogenia: é possível preservar a vida?

O congelamento de corpos ou a criogenia é um ramo da físico-química que estuda tecnologias para congelar corpos a temperaturas abaixo de -150°C
Os gases de nitrogênio, hélio e oxigênio quando liquefeitos podem ser usados em muitas aplicações criogênicas (ex. congelamento de embriões em laboratórios de reprodução artificial; de células-tronco de embriões ou do cordão umbilical).
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Criogenia é possível preservar a vidaSão muitos os objetivos buscados ao congelar corpos, mas o mais ambicioso é a tentativa de manter a pessoa supostamente “viva” e congelada, na expectativa de, no futuro, encontrar a cura da doença pela qual ela foi acometida. Dessa forma, essa pessoa poderá ser curada e continuar sua vida livre daquela enfermidade. Conforme cientistas do Cryionics Institute, criado com o objetivo de preservação da vida por meio da criogenia, imediatamente após a morte confirmada, o paciente é exposto a uma substância que impedirá a formação de gelo em torno do corpo e, logo em seguida, o corpo é resfriado a uma temperatura muito baixa, mantendo-o por tempo indeterminado em “cryostasis”, ou seja, congelado em nitrogênio líquido. No entanto, os próprios cientistas afirmam que essa técnica não consiste em querer “ressuscitar” a pessoa, pois a criogenia não poderá restaurar pessoas com morte cerebral.
A criopreservação só pode garantir a preservação de estruturas corporais que possam voltar à vida, ou seja, serem restauradas. A criônica tem como objetivo “preservar” corpos humanos recém-falecidos para reanimá-los na posteridade. Muitos cientistas descartam essa possibilidade como algo mais ligado ao campo religioso do que à ciência; afinal, as pessoas são congeladas e ficam à espera de um progresso científico capaz de curá-las de sua enfermidade até então incurável.
A criopreservação é possível, já temos o congelamento de embriões humanos em laboratórios por tempo indeterminado; porém, imaginar que o paciente possa voltar e ser curado da enfermidade já é outra história. Cientistas estão fazendo testes com animais, tecidos e órgãos humanos e garantem que estão tendo sucesso. Para os defensores dessa tecnologia, é como se a pessoa acordasse de um sono profundo muitos anos depois de sua era. Para isso, diferentes laboratórios criogênicos do mundo estão trabalhando exaustivamente e têm a permissão de seus respectivos governos para funcionarem normalmente. Um dos grandes desafios para os criônicos é como reverter os danos biológicos causados pelo processo de esfriamento, ou seja, ainda não possuem a tecnologia para reverter a vitrificação.
O que podemos dizer de tudo isso? Tem-se desenvolvido uma nova expectativa que é funcional, sobretudo, na cruzada da medicina contra a mortalidade: tudo é permitido, salva vidas, cura as doenças e evita a morte, ou seja, deve-se fazer de tudo para preservar a saúde e prolongar o máximo possível a vida; os outros valores devem se curvar na presença de divindades biomédicas como uma melhor saúde, maior vigor e vida mais longa.
Se a vida é um bem e viver mais é melhor, por que não considerar a morte uma doença e lutar para vencê-la a todo custo? O uso das biotecnologias na luta contra a morte levanta razões sérias e importantes para uma reflexão ética acerca da oportunidade da “cura da morte”.
De fato, a vitória sobre a morte é o objetivo implícito da ciência médica moderna e de todos os projetos científicos ao longo da história. São várias as propostas na busca contínua da conquista da natureza para aliviar a condição humana, e para isso instituíram a ciência, cujo objetivo explícito é inverter a maldição caída sobre Adão e Eva, sobretudo recuperar a árvore da vida por meio do conhecimento científico. Para a maioria de nós, especialmente no mundo moderno secularizado, onde as pessoas cada vez mais estão convencidas de que esta é a única vida que nos foi dada, o desejo de estender (mesmo que pouco) a duração da vida é a revelação do desejo de não envelhecer e nunca morrer.
A moralidade da busca contra a morte depende da ação ou do objetivo aos quais o desejo está vinculado. O mal está em sua procura desordenada e desvinculada de nosso verdadeiro fim que é estar em Deus. É necessário que o homem reconheça e aceite a própria realidade e os próprios limites. E, ao abrir-se a Deus, poderá acolher melhor o sentido da própria fragilidade, dos próprios limites e desejos ilimitados.
Não é contrário à natureza, em busca de uma medida ética e digna da pessoa, encontrar meios para lutar contra a mortalidade ou mesmo para envelhecer com melhor qualidade de vida. Na atribuição ética da tecnologia que procura vencer a morte, é preciso avaliar a intenção de tal busca, enquanto tal intervenção é capaz de modificar a natureza humana e as eventuais consequências para a pessoa e para a humanidade. A busca desenfreada da cura da morte, neste caso específico do congelamento do corpos, que afeta a integridade da pessoa na tentativa de atingir uma vida imortal, é uma ofensa contra a dignidade em sua humanidade, é a não aceitação da condição de criatura e como relata o livro do Gênesis sobre Adão e Eva, é querer reivindicar para si o direito de decidir o que é bom e o que mau,uma força perigosa e ameaçadora e da qual cada geração a vive e, por isso, o pecado ainda continua.

Padre Mário Marcelo Coelho

Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário Assunção ( SP), o sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP).


quinta-feira, 30 de abril de 2015

Mecânica Quântica e Misticismo (Prof. Felipe Aquino)

A06
Pedi ao amigo Alexandre Zabot, Mestre e doutorando em Física pela Universidade Federal de Santa Catarina, que escrevesse um breve artigo sobre a Física Quântica, tendo em vista que algumas pessoas a têm usado para tentar justificar doutrinas espirituais, o que não tem cabimento. Segue o artigo do Alexandre, pelo que lhe agradeço muito.
“A mecânica quântica, desde seu surgimento, sempre foi objeto de debates acalorados de físicos e filósofos. Arquitetada sobre conceitos nada comuns para explicar fenômenos físicos tampouco usuais, tem sido aplicada hoje em dia a uma diversidade enorme de assuntos, para espanto de muitos. Está na moda que místicos elaborem suas doutrinas quânticas aplicando jargões de maneira inescrupulosa. Sem o menor pudor, usam a reputação da teoria física para “validar” suas mais vãs filosofias. O que poucas pessoas avaliam é: até que ponto é válido transportar conceitos de uma área para outra?
A teoria quântica nasceu em 1900, de maneira totalmente imprevista, para explicar um problema de importância subestimada na física. A maneira como os corpos aquecidos irradiam luz. Como a sua lâmpada de filamento em casa, ou o Sol, por exemplo. Seu criador foi um físico alemão, Max Planck. Ele mesmo a considerou “moderninha” demais para seu paladar de físico do século XIX. Quem deu o primeiro reconhecimento à teoria foi outro físico alemão, mais conhecido, Albert Einstein. Ele aplicou-a para explicar o efeito fotoelétrico e o calor específico dos sólidos. Somente alguns anos depois é que a teoria ganhou corpo e prestígio. Seus aspectos incomuns foram sendo reconhecidos aos poucos.
Destes, o mais conhecido é o princípio da incerteza, que foi elaborado por outro físico alemão, Werner Heisenberg. Segundo este princípio, na natureza é impossível medir com precisão infinita, simultaneamente, alguns pares de grandezas físicas. Como a velocidade e a posição de uma partícula, por exemplo. Por isso o nome, princípio da incerteza. Sempre há uma indeterminação intrínseca nas medidas. Isso se deve, segundo Heisenberg, ao fato de que o ato de medir inexoravelmente interfere no objeto medido. O interessante, é que esta indeterminação não se resume à experiência. É preciso, acreditam os físicos, levá-la em conta também na hora de construir a teoria, de elaborar as equações. É curioso que Einstein, apesar de ter sido um dos primeiros a usar a física quântica, tenha se oposto veementemente, sem sucesso, a esta conclusão. A grande revolução da mecânica quântica foi, portanto, acabar com o determinismo da mecânica clássica.
Mas o objetivo aqui não é discutir física. A ideia é deixar claro algo que, apesar de óbvio, é sempre esquecido. O domínio e a aplicabilidade da mecânica quântica é o mundo da física! Não é lícito tirar um conceito de uma área e aplicar diretamente a outra. É possível fazer uma analogia, usar comparações, claro. Porém, não se pode usar as mesmas construções teóricas da física para fazer “teologia”. Você não pode querer usar a mecânica quântica para explicar Deus, nem nossas almas, ou o mundo espiritual, por exemplo. Ela não foi criada pra isso. Não é neste campo que ela funciona. Ela funciona na física e, por isso mesmo, é lá que ela ganhou respeito.
Entretanto, o pior não é usar construções teóricas da mecânica quântica como se fossem teológicas. O pior é usar a autoridade que ela conquistou no seu domínio, a física, para justificar teorias absurdas. Argumentos do tipo, “já foi provado pela mecânica quântica”, ou “segundo a mecânica quântica” são completamente desprovidos de sentido quando usadas fora da física. O que foi provado pela quântica, foi provado somente para a física. Além do mais, este tipo de afirmação usa uma velha tática maldosa de persuasão, conhecida como “argumentos de autoridade”. Usa-se este tipo de construção quando, na verdade, não se consegue provar o que deseja!
Vários livros e filmes recentes, além de aplicarem a mecânica quântica fora de seu contexto, a distorcem totalmente, inventando coisas que não existem na teoria. Os mais conhecidos são o livro “O Segredo” e o filme “Quem somos nós”. Enganam o público dizendo que o observador interfere no objeto com o pensamento e que isso é explicado pela mecânica quântica. Um pensamento não é uma interação física com o objeto medido, não é uma medição. Está, portanto, fora do escopo do princípio da incerteza.
Entendo que seja uma conclusão natural que seja válido fazer especulações filosóficas baseadas na mecânica quântica. Tomando o devido cuidado, entretanto, de não aplicar seus conceitos físicos diretamente, mas como analogias, inspirações. Evidentemente que isto não justifica o uso indevido que se tem feito ultimamente por muitas pessoas que distorcem totalmente o que a teoria diz. Aplicam estas distorções diretamente a áreas radialmente diferentes e, maldosamente, iludem os menos precavidos com argumentos de autoridade que não tem valor algum, especialmente fora da física”.
Alexandre Zabot – alexandrezabot@gmail.com
Seja Feliz!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Vaidades

O homem moderno, senão o homem - de todos os tempos - peca muito, e sobretudo por sua vaidade.

Resultado de imagem para vaidadeIncontida na infância, quando os pais devem - mas muitos não fazem - ensinar os filhos que o mundo não gira em torno deles, e gradativamente vão mostrando à criança as realidades próprias, como ter hora para comer, para dormir, para brincar,  segue-se de um crescendo sempre, que ao chegar na adolescência, faz com que nos sintamos "super-homens", e, adultos, sentimo-nos os 'tais'.

O fato de não aceitarmos contrariedades nos levam a atos tão extremos que chegamos a entrar em guerras!

Com a tecnologia moderna - twiter, Facebook, Whatsapp, etc., estamos como que voltados para nossa primeira infância. Como vemos mimos, reclamações, egos inflados, quando não corpos inflados por silicones, sendo mostrados incontida e irrepetidamente nas telinhas, corpos 'pendurados' nos Instagram, expostos à própria vaidade para serem cobiçados exaustivamente pela vaidade alheia, concupiscência das concupiscências.

A vaidade paira também na indisciplina geral que encontramos nas ruas. Todos se sentem melhores do que os que lhes passam ao lado, ou sentam-se ao lado na condução. Ninguém mais é digno de receber seu "bom dia!", "com licença!", "muito obrigado!". 

Aqui no Brasil a coisa desandou de vez. Juízes, que merecem nosso respeito por serem aqueles que, por sua prudência e cautela, determinam, muitas vezes, a vida e o destino - senão jurídico, até passional - das pessoas, agora temos visto alguns em atitudes completamente desbragadas: recolhendo em sua casa bens penhorados de réus, afrontando o policial que o pára por  estar dirigindo bêbado e sem habilitação, apontando arma para seu par por motivo vil. Vaidade das vaidades.

Nossos políticos, alheios às condições de uma população crédula naqueles em que empenharam seu voto, para tentarem sair da miséria em que muitos de nosso País se encontram, estão nas páginas diárias não mais das colunas políticas, mas policiais, por peculato, lavagem de dinheiro, quando não por coisas piores.

Nossos médicos tornaram-se tão acadêmicos e abstraídos que, se tocarem no paciente ou até mesmo olharem para ele, acham que morrerão infectados.

Nossa televisão, considerada como uma das melhores do mundo, na verdade é poço de vermes, corroída da mais notória degradação a que se pode expor. O belo deu lugar ao bizarro, o romantismo deu lugar ao pornográfico, e a cultura da morte impera nos telejornais e filmes de toda espécie. Pouca coisa se salva, e à duras penas.

Até nas igrejas de várias denominações religiosas, deixou-se de falar do amor ao próximo para se erigir tratados sobre a 'Teologia da Prosperidade', onde Deus não é mais Senhor e Soberano. É moeda de troca. É troco.

A corrupção é iminente, ou emergente, em todas as camadas da sociedade.

Todos acham que "levar vantagem" é regra de ouro.

Onde tudo isso começou? Como ficamos assim?

Muitos culpam nossos colonizadores, dizendo que para cá não mandavem colonos, mas degredados da Coroa Portuguesa. O que não prestava para Portugal, deveria ser jogado fora, nas colônias. E as colônias só serviam para servir de repasto e sustento dos reinantes.

Não foi isso que Roma nos ensinou, subjugando os povos à sua 'Pax Romana'?

Mas não penso que tenha sido assim. Nosso povo, miscigenado tanto, já deveria ter absorvido muito do bom de cada raça. 

Não há vaidade maior, ou toda vaidade é enorme mesmo!, que pensar que não se precisa de ninguém.

Entretanto, ninguém caminha com um pé só. Precisa do outro para compassar.

Quando morremos, precisamos que alguém leve nosso caixão para o túmulo.

Então, ninguém pode viver só.

Precisamos levantar a cabeça de nossos smartphones, que em nada nos deixam assim tão 'smarts', e voltar a olhar nossos semelhantes 'olho-no-olho'.

Esquecer um pouco os milhares de amigos do Facebook e ir visitar os poucos amigos de verdade.

Desligar mais a TV e ir ao encontro de nossos filhos, de nossas esposas, e levá-los para passear no parque, na praia, na montanha, ou pela rua mesmo, sem destino, só pelo prazer de estar com quem nos ama e que amamos.

Disciplinar o nosso ego, 'baixando a bola' inchada de nossas razões, e aprender - é. a-p-r-e-n-d-e-r  - a ouvir o nosso semelhante, que de bom ou de ruim, sempre nos dará uma nova experiência do que fazer, ou do que não fazer.

Podemos ser melhores. Podemos porque somos assim. Só desacostumamos.

E a culpa não é dos outros. A culpa não é do governo, do vizinho, da sogra, do padre, do patrão. É minha, que sou teimoso em ouvir as boas lições que aprendi, e prefiro dar sempre ouvidos a mim mesmo.

E tenho aprendido que eu sou a pior pessoa para dar-me ouvidos.

E você?

Leia hoje: Ecl 1,1-18

E seja Feliz!




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

"Relatório da ONU é distorcido e negativo"

Liliane Borges
Da Redação, com Rádio Vaticano
Relatório da ONU é distorcido e negativo, diz Dom TomasiO Observador permanente da Santa Sé, Dom Silvano Tomasi, criticou, nesta quarta-feira, 5, o relatório do Comitê de Direitos da Infância, ligado à ONU, sobre a postura da Santa Sé referente aos direitos das crianças e as questões ligadas ao abuso de menores.
Segundo Dom Tomasi, o Comitê critica o Vaticano por sua posição sobre os métodos contraceptivos, a homossexualidade e o aborto. O arcebispo afirma que o texto aparenta não ter levado em conta o relatório pedido à Santa Sé sobre as medidas tomadas nos casos de abuso sexual nem o cuidado que a Igreja tem para com os menores.
“A primeira reação é de surpresa, porque o aspecto negativo do documento que fizeram aparenta que ele já estava pronto antes do encontro entre o comitê e a delegação da Santa Sé”, relata o arcebispo.
Dom Tomasi afirma que a posição do Comitê se mostra contraditória às exigências da Convenção Internacional dos direitos das Crianças, no que diz respeito à tutela da vida. Segundo o arcebispo, são pontos inegociáveis em relação ao que a Igreja pensa sobre o direito à vida.
 “A recomendação feita à Santa Sé é a de mudar sua posição sobre a questão do aborto. É claro que, quando uma criança é morta, ela não tem mais direitos. Então, isso me parece uma contradição real com os objetivos fundamentais da Convenção, que é proteger as crianças”, alerta o arcebispo.
O observador da Santa Sé afirma ainda que o relatório parece estar permeado por posições ideológicas e de “organizações não-governamentais que têm interesses sobre a homossexualidade, o casamento gay e outras questões. Certamente, esses tiveram suas observações apresentadas e, de alguma forma, reforçaram uma linha ideológica”, alerta.
O arcebispo afirma ainda que a Santa Sé responderá o relatório de modo detalhado e com calma, uma vez que não há nada a esconder. Ele comenta ainda que o próprio Comitê havia declarado que o documento apresentando pelo Vaticano era o mais completo e claro entre todos os países que o entregaram.
“Vem a tentação de dizer que, provavelmente, o texto já estava escrito e não reflete os pontos e a clareza, mas sim uma adição precipitada (…). Por isso, devemos, com serenidade e com base na evidência – porque não há nada a esconder! – levar adiante as explicações das posições da Santa Sé”, conclui o arcebispo.
fonte: Canção Nova

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Advogado cristão assume caso de chinesa obrigada a abortar

A liberdade é o dom mais precioso da alma humana. Nem Deus a viola. Quem admite que o comunismo é bom, ou não conhece o comunismo, ou tem interesses que, com certeza, não são moralmente corretos.

Defender, enquanto advogado, uma causa como a dessa jovem, é um risco muito grande na China. Mas não fazê-lo é perder a própria liberdade de consciência.

Rezo pelo colega advogado e irmão na fé, para que o Senhor lhe dê o dom da Sabedoria e da Fortaleza, para enfrentar, com nobreza e altivez, o direito, a justiça e a verdade.


Da Redação, com Agências 

Foi presa na província de Guizhou, a chinesa que denunciou os maltratos e o aborto sofrido à força por ordem do governo local. Segundo informou a agência de notícias dos jesuítas, AsiaNews, Li Fengfei foi raptada no mês de julho e obrigada a abortar no nono mês de gravidez. Após se recuperar, a jovem de etnia Hmong decidiu denunciar o fato à polícia.

O caso se tornou conhecido depois que o advogado cristão, Li Guisheng, tomou conhecimento do fato através de um blog popular da China, o Weibo. De acordo com o advogado  que decidiu defendê-la,  a jovem foi presa dias depois da denúncia.

A chinesa, que trabalhava em um banco municipal de Bijie, foi acusada de “fraude e apropriação indevida”. O advogado afirmou que a acusação é falsa e serviu para desviar a atenção da denúncia feita por ela. Segundo testemunhas, a jovem foi punida por ter se recusado a participar de uma fraude proposta pelo chefe.

A lei do filho único continua a ser um instrumento não só de repressão e violação dos direitos humanos da população chinesa, mas confirma-se como um método para promover a corrupção e desvio de fundos no governo. Segundo denúncia de um advogado dissidente, em 2012, só as multas impostas por infrações desta lei somaram mais de 5  milhões de reais.

fonte: Canção Nova

Leia hoje: Salmo 30

terça-feira, 4 de junho de 2013

Um bebê no esgoto

Faço minhas as palavras do Professor Felipe Aquino.

Amor e zelo pelas crianças Por Professor Felipe Aquino

Cresce a cada dia a preocupação com a natureza e o meio ambiente, o que é bom e necessário; mas infelizmente o mesmo não acontece com a dignidade humana. Assistimos hoje verdadeiros atentados à vida humana. Como disse João Paulo II na sua famosa Carta às Famílias, de 1994, a vida está jurada de morte, há uma conspiração contra ela. Uma terrível e destruidora “cultura da morte”, tão denunciada pelos últimos papas, tem mostrado o perigo do aborto, da eutanásia, da contracepção, da micro-abortiva pílula do dia seguinte, da destruição de embriões humanos, da falsificação da família, etc.

E essa cultura da morte tem sido empregada insistentemente para se resolver os problemas da vida, como se isso fosse lícito e possível. As “soluções fáceis para problemas difíceis” aumentam a cada dia, aumentando esses problemas ao invés de resolve-los.

Além disso, outros desrespeitos inimagináveis acontecem ainda; veja-se o caso do comércio da prostituição e o tráfico de mulheres com esta finalidade, as guerras genocidas, o trabalho escravo, os sequestros, o estupros, etc.

Da China nos chega uma notícia que chocou o mundo: um bebê recém-nascido foi resgatado em uma tubulação de esgoto em um prédio em Jinhua, depois de cair ou ser jogado no vaso sanitário, passou de duas a três horas preso no cano. A mãe da criança, de 22 anos, que não é casada, escondeu a gravidez dos vizinhos pelo medo de ser vítima de preconceito. Ela deu à luz de maneira inesperada quando foi ao banheiro no sábado e a criança caiu no vaso sanitário. Foi resgatada e levada para um hospital. É um menino de 2,3 quilos, que sofreu alguns cortes no corpo, e agora está bem.

É por isso, e por outras, que a Igreja insiste que toda criança deve nascer em um lar, com um pai e uma mãe que o acolha, com um berço que o acalente. Fora disso a criança pode se tornar carente, abandonada, ameaçada e triste.

As fontes de notícia revelam que bebês chineses nascidos fora do casamento muitas vezes são abandonados em consequência das pressões sociais e financeiras. A política do filho único do país representa multas pesadas para os casais que têm mais de um bebê.

Não se sabe ainda ao certo se a mãe jogou a criança no vaso sanitário ou não conseguiu impedir que ela ali caísse. Qualquer que seja o caso é lamentável e deixa muito a pensar. Certamente esta mãe estava aflita com sua gravidez o que acaba sendo a causa primária do ocorrido. Como pode uma criança vir ao mundo desse jeito, e ir parar no esgoto? Que berço é este? Não é isso um sinal de como está a vida humana hoje sendo tratada em muitos lugares? Esta é a dignidade de um filho de Deus?


Isto mostra o grave desrespeito que existe hoje contra a vida humana, especialmente contra o feto, a criança mais indefesa de todas. Como ela não reage, como ela ainda não grita, como ela ainda não mostrou o seu rosto, então, para muitos fica fácil e cômodo descarta-la como se fosse um copo de plástico usado e atirado no lixo. Urge que se levantem vozes em defesa desses inocentes sem vozes.

Devemos chamar a isso de civilização ou de barbárie? A civilização se caracteriza em primeiro lugar por defender, acima de tudo, os não nascidos, os fracos, o doentes, os excepcionais, os deficientes, os velhos… O sinal de sua fraqueza deve ser motivo para aumentar ainda mais o cuidado e o amor a eles. No entanto, em nossa atual civilização, passou a ser lícito e fácil descarta-los quando já não são produtivos.

De todos os direitos humanos, o primeiro e fundamental é o direito de nascer com dignidade; sem isso, não há verdadeira civilização, pois não se respeito a pessoa humana. Disse o Concilio Vaticano II que “o homem é o único ser que Deus quis por si mesmo” (GS, 26).

:: Ouça, na íntegra, o podcast da redação com a psicanalista Ana Carlota Pinto Teixeira que comenta a respeito deste caso e sobre o que leva as pessoas a cometerem estes atos.

Seja Feliz!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A paternidade-maternidade contemplada de maneira responsável

O matrimônio é o primeiro passo para a construção de uma nova família, pois quando um homem e uma mulher se tornam um só pela concretização do sacramento do matrimônio, ambos desejam experimentar a maternidade e a paternidade. 
A chegada de um filho é sempre uma alegria para a família, mas é preciso que o casal se prepare para receber a criança em um ambiente que seja repleto de amor e carinho.

Sobre o nascimento de filhos, a Igreja tem uma encíclica do Papa Paulo IV, ‘Humanae Vitae’, na qual orienta as famílias a realizarem uma ‘paternidade responsável’, exercida tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como a decisão, tomada por motivos graves e com respeito à lei moral, de espaçar, temporariamente ou mesmo por tempo inderteminado, um novo nascimento.

Isso é muito importante ressaltar, pois o Catecismo da Igreja Católica adverte que cabe aos esposos “verificar que esse seu desejo de espaçar os nascimentos não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável”, o que difere completamente do que o Governo recomenda, o planejamento familiar com o incentivo do Ministério da Saúde em uma conscientização para métodos contraceptivos.

Portanto, é válido ressaltar que sobre a procriação, a Igreja usa o termo “paternidade responsável”, o qual inclui também a abertura para uma família numerosa, “continência periódica” e “métodos de regulação da procriação”.

Dentre esses métodos de regulação, existe o Método de Ovulação Billings™, método científico desenvolvido pelo Dr. John Billings e a Dra. Evelyn Billings.

Segundo a instrutora e responsável pelo Centro de Formação Famílias Novas, no Posto Médico Padre Pio, Fabiana Azambuja, o método é simples e fácil de ser realizado, mas precisa ter uma orientação para que seja eficaz. Ela ainda ressalta que, antes de o casal receber a orientação para a realização deste método, é preciso compreender qual é visão da Igreja em relação à procriação.

“O sacramento do matrimônio, as suas finalidades, são de unir o casal – ‘sereis uma só carne’; portanto, o caráter unitivo. Gerar filhos, caráter pró-criativo. Trata-se das finalidades, ou seja, para que nos comprometemos no sacramento do matrimônio? Logo, os casais são convidados a viver essa dupla finalidade de forma harmoniosa e que lhes favoreça o uso pleno, total, fiel e fecundo do ato conjugal. Para isso, o convite não é  fazer ‘planejamento familiar’ como se o casal fosse árbitro da vida, mas sim viver a paternidade responsável”, explicou Fabiana.

O Método de Ovulação Billings™ possibilita à mulher conhecer seu corpo, aprendendo a identificar os sinais e os sintomas da fertilidade; além de entender seu sistema reprodutivo. O método propõe ao homem que ele também possa compreender melhor sua esposa. De acordo com Fabiana, quando o casal deseja utilizar este método, é preciso que os dois tenham o conhecimento dos dias férteis dela.

“Requer do casal o conhecimento da sua fertilidade pelo registro diário de um gráfico e do acompanhamento de uma instrutora qualificada. Sem o registro do gráfico diário e o acompanhamento de uma instrutora, a eficácia do método é comprometida”, explicou a instrutora.

“Caso tenha necessidade e razões justas para espaçar o nascimento dos filhos, devem procurar Centros de Ensino de Métodos Naturais, como hoje temos no Posto Médico Padre Pio, em Cachoeira Paulista (SP), o Centro de Formação Famílias Novas, um Centro de Ensino do Método de Ovulação Biliings™, que leva as pessoas a uma redescoberta do valor e do significado da Sexualidade Humana, em que haja uma disponibilidade fundamental à paternidade e à maternidade responsável com respeito às leis naturais”, aconselhou Fabiana.


O casal de noivos da Comunidade Canção Nova Denise Claro e Thiago Campos recomenda que os  noivos ou  os já casados procurem conhecer este Método de Ovulação Billings™, e que o homem e a mulher, como um casal, possam juntos se conhecer e viver um relacionamento santo.

“Conversando sobre a nossa realidade e podendo ver o exemplo dos nossos pais e de casais próximos que vivem esta fidelidade a Deus dentro da Igreja, nós podemos absorver e traçar uma meta para viver juntos”, disse Denise.

A missionária, há três anos, procurou o Centro de Formação Famílias Nova, em Cachoeira Paulista (SP), localizado no Posto Médico Padre Pio, para informar-se e realizar a sua formação sobre o Método de Ovulação Billings™, a fim de que, junto de seu futuro esposo, possa realizar a ‘paternidade responsável’.

“A vida sexual só tem início após o casamento, mas você como mulher precisa se conhecer e partilhar isso com o seu namorado ou noivo para que ele também possa conhecê-la; saber como funciona o seu ciclo menstrual, pois há dias em que você está mais sensível. No período fértil, é preciso evitar estar muito junto, e isso vai da realidade de cada um e da intimidade do casal para viver santamente o relacionamento”, testemunhou Denise.

Para seu noivo, Thiago, é de grande importância que a mulher conheça o seu corpo e possa manter um diálogo com seu parceiro sobre o momento que ela está vivendo, pois ele acredita que, desta forma, o homem poderá aprender a conhecer e compreender sua namorada, noiva e esposa.

“Esta conversa vai criando no homem uma corresponsabilidade para saber esperar, cuidar e preservar, porque a mulher não é um objeto, mas um ser criado por Deus e precisa ser cuidada. Com o conhecimento do método, o homem vai firmando uma sintonia junto com a mulher e percebendo que não é somente saciar os seus desejos, mas, principalmente, saciar a mulher naquilo que é o ser dela e naquilo que é o tesouro que ela traz de uma futura maternidade”, partilhou Thiago.

A Igreja, por meio das pastorais e movimentos em prol da família, Doutrinas e Catecismo da Igreja Católica, tem a missão de orientar e auxiliar os jovens casais que estão se formando para que não percam os valores de ser família.

“A melhor formação para os jovens é buscar, com seriedade e verdade, a sua vocação ao Amor e saber de que forma eles vão vivê-la, se é no celibato ou no matrimônio. Após esta descoberta, caso seja o matrimônio, buscar compreender a dignidade e beleza de tal vocação”, afirmou Fabiana.

Para se aprofundar neste assunto leia alguns artigos:




fonte: Canção Nova
 
Seja Feliz!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Entrevista: a ditadura das minorias

“As minorias devem ser respeitadas mas não podem impor a sua pauta às maiorias. Hoje nós vemos claramente isto, esta pressão para que a maioria se sinta envergonhada e inibida diante da minoria”. Estas são palavras de Dom Henrique Soares, bispo auxiliar de Aracaju-SE que concedeu uma entrevista ao apresentador do Destrave Adriano Gonçalves para falar sobre a ideologia de gênero e sua imposição sobre a sociedade.

Na entrevista Dom Henrique alerta para uma nova ditadura que começa a surgir na sociedade do qual podemos chamar ‘ditadura das minorias’. Dentro deste fenômeno podemos encontrar todo o trabalho da grande mídia para a promoção de uma cultura contra os valores cristãos e, sobretudo, os valores da Igreja Católica.


Destrave: hoje não vemos uma mídia que não só expõe mas propõe uma cultura gay. Como nós católicos devemos nos pontualizar diante disto?
Dom Henrique: hoje a grande mídia é pró-gay e coloca as discussões sempre numa cortina de fumaça para que você não tenha os elementos claros desta discussão. Por exemplo, vamos tomar a posição da Igreja: a Igreja é contra a violência a pessoas homossexuais? Totalmente! A Igreja rejeita o preconceito contra pessoa homossexuais? Totalmente! Mas o comportamento moral, a homossexualidade do ponto de vista de ATOS homossexuais, a avaliação da Igreja é positiva? Não, por causa do Evangelho. Mas uma coisa é o fenômeno e outra coisa é a pessoa homossexual. Nós devemos respeito à pessoa homossexual, e digo mais, o respeito inclusive pela opção delas, se querem viver uma relação estável, se querem montar seu apartamento, se querem dividir sua herança… é direito delas e a Igreja não se opõe a estes direitos. O que a Igreja diz é que não se pode equiparar isto à realidade familiar, porque o que está em jogo não é o direito de uma minoria mas o desvirtuamento de uma instituição que representa a maioria, porque se tudo é família nada é família.

Confira a entrevista na íntegra

Destrave: Nós, católicos, podemos e devemos debater sobre estes temas?
Dom Henrique: Eu penso que devemos entrar nestes debates mas espero que as pessoas, sobretudo os católicos, saibam argumentar não só com argumentos religiosos. Quando você for discutir com um não-cristão, com um não-católico. Não comece dizendo ‘é porque Deus manda’ ou  ’é porque a Igreja manda’. Não, o primeiro argumento é o de usar a razão humana. Por que não abortar, por exemplo? Porque ou uma vida é humana desde o início ou não é nunca. Então, quando debatemos estes assuntos com a sociedade nós usamos a razão e usamos também a ética civil. Nós discutimos e temos o direito de discutir e de sermos ouvidos porque somos cidadãos, pagamos nossos impostos, elegemos nossos representantes e  temos o direito de participar da construção da sociedade, não aceitando quando alguém diz: ‘estes argumentos são religiosos’. Não, estes argumentos são de gente que pensa, que tem opinião e que quer ser ouvida também.

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Fonte: destrave.cancaonova.com

quarta-feira, 27 de março de 2013

Uso ilegal de Misoprostol

Organizações denunciam o uso ilegal do misoprostol para provocar abortos na América Latina

MEXICO D.F., 27 Mar. 13 / 10:43 am (ACI/EWTN Noticias).- Organizações de defesa da vida e da família no México, Uruguai, Equador, Chile e Estados Unidos, alertaram sobre o uso ilegal do misoprostol em diversas clínicas para provocar abortos e acelerar partos, embora este medicamento seja permitido somente para tratar úlceras gástricas.

Em um comunicado, a Fundação Família e Futuro (Equador), o Instituto de Formação em Valores (México), a Associação protege a Vida (Uruguai), a Rede pela Vida e a Família e a Organização Não Governamental Investigação, Formação e Estudos da Mulher (Chile), e Personhood (Estados Unidos), alertaram que este medicamente inclusive é vendido sem receita em alguns países, apesar de que pode provocar a morte da mãe e do nascituro.

O texto recordou que a Food and Drug Administration (FDA) autorizou o uso do misoprostol somente para a prevenção e tratamento das úlceras gástricas. Entretanto, aumentou seu uso na América Latina para induzir abortos no início da gravidez e devido ao seu baixo custo, algumas clínicas o utilizam para acelerar partos.
A doutora em ciências biomédicas pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), Alejandra Huerta, assinalou que entre 10 e 35 por cento dos casos o aborto com misoprostol não se completa, podendo provocar hemorragias e, por isso, a necessidade de tirar o que fica do feto por aspiração, agravando o problema de um aborto induzido.

Entretanto, indicou, em outras ocasiões a gravidez continua, mas provoca altos níveis de intoxicação no bebê que podem chegar a má formações graves ou a doenças congênitas.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Caos Social Ou Falta de Fé?

Professor Felipe Aquino fala da tragédia dos EUA

Mais uma vez, acontece o mesmo tipo de tragédia nos Estados Unidos da América: Adam Lanza, um jovem desequilibrado, de 20 anos, matou cerca de vinte crianças e pelo menos seis adultos numa escola primária do Estado norte-americano do Connecticut, colégio Sandy Hook.
Diante de um fato como esse, muitas pessoas se desesperam e outras querem culpar Deus por tal fato. Como Ele pode permitir isso? Ora, Ele não tem culpa alguma disso, pois quer a paz, o amor, a verdade, a justiça e a liberdade. Esse é o Reino d’Ele. A culpa é do homem que se deixa guiar por filosofias e ideologias erradas e se afasta do Senhor e de Suas leis.
Deus nos fez belos, criados à Sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26), por isso temos inteligência, liberdade, vontade, memória, consciência, etc., que os animais não têm. Eles não sabem o que fazem, mas nós sabemos. Com esses atributos, podemos dirigir este mundo na paz, no amor e na harmonia seguindo as leis do Senhor.
O salmista diz: “Os céus são céus do Senhor, mas a terra, ele a deu aos filhos de Adão” (Sl 113,24 ou 115,24). Isso quer dizer que Deus confiou e confia no homem e entregou o governo da Terra em suas mãos com as leis da criação. Com as faculdades intelectivas e espirituais, o homem pode e deve cuidar bem da humanidade e da Terra.
Cabe aos sociólogos, psicólogos e psiquiatras levantar as causas profundas da tragédia americana; mas algumas razões nos saltam à vista. Trata-se de uma família ferida, na qual não aparece a figura do pai. A mãe é divorciada; a educação dos dois filhos foi falha; a carência deles é notória. O rapaz era isolado e vivia sem amigos. Ora, isso não é normal para um jovem.
A mãe do assassino, Nancy Lanza, foi assassinada pelo próprio filho Adam. Era uma mulher sem orientação cristã, angustiada com a situação do mundo e com a crise financeira do país; imaginando uma catástrofe em breve. Isso a levou a ensinar os filhos Adam e Ryan Lanza a atirar, como se isso fosse um meio de se defenderem do imaginário caos social à frente. Certamente, outras ideias erradas foram passadas a esses filhos, criando neles também o medo, o pânico e a revolta.
Fico até imaginando se esse rapaz não poderia achar que matando essas crianças as estaria livrando de um mundo cruel à frente.
O jornal “Daily Mail” noticiou que os amigos e vizinhos de Nancy disseram que ela acreditava que o mundo estaria à beira de um colapso e temia perder o filho. Nancy fazia parte de um movimento chamado de “prepper”, o qual acredita que as pessoas devem se preparar para o caos social. É o perigo disseminado pelas seitas de todos os tipos. Ela estaria estocando comida, água e armas dentro de casa.
Marsha, ex-cunhada de Nancy, disse que ela protegia as armas que tinha em casa. Havia cinco armas registradas em seu nome. Três foram levadas pelo filho para o massacre no colégio Sandy Hook e uma quarta foi encontrada no carro que ele usou.
Certamente, tratava-se de uma mãe amedrontada, desorientada e que não sabia educar os filhos. O fato de ter sido assassinada pelo próprio Adam mostra que a relação entre mãe e filho devia ser difícil.
É preciso também perguntar se a mídia, que dissemina ideias amedrontadoras de “fim do mundo”, como o tal “21/12″ e outras bobagens sem a menor base científica e religiosa, perturbando as pessoas emocionalmente instáveis e com tendências a psicopatia, não têm culpa nisso também. Recebo e-mails de pessoas amedrontadas achando que o mundo vai acabar mesmo; é um verdadeiro “terrorismo espiritual” motivado por razões até mercadológicas.
Tudo isso mostra a falta de uma família bem estruturada, religiosa, guiada pela lei de Deus. Nela há paz, harmonia, amor aos filhos e aos pais, cultivo das virtudes, educação sadia, superação dos problemas.
Mais do que nunca, esses terríveis acontecimentos nos alertam para a necessidade de fortalecermos a família segundo o coração do Senhor, no qual o pai e a mãe educam seus filhos na fé e no amor a Deus.
Na sua ‘Mensagem de Paz’, do dia 1º de janeiro de 2013, o Papa destacou, mais uma vez, a importância da verdadeira família:
“Também a estrutura natural do matrimônio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu caráter peculiar e a sua insubstituível função social”.

Professor Felipe Aquino
@PFelipeAquino 

Fonte: Canção Nova

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Estamos à Venda? Uma Reflexão

Cardeal de SP comenta leilão da virgindade de jovem brasileira

Artigo de Dom Odilo Pedro Scherer
Arquidiocese de São Paulo

Cardeal de SP comenta leilão da virgindade de jovem brasileira
Eu teria preferido escrever sobre outro assunto nesta semana, mas o leilão da virgindade de uma jovem brasileira, amplamente divulgado pela imprensa, requer uma reflexão. É um fato chocante e, ao mesmo tempo, parece tão banal que, talvez, só chamou a atenção porque o leilão aconteceu de maneira aberta, pela internet, e porque o valor do arremate foi alto. Um jovem russo tentou a mesma façanha; chamou a atenção pelo seu insucesso, pois a oferta foi muito baixa; ele desistiu do leilão e ficou deprimido.

Afinal, o que está acontecendo? Pessoas colocam livremente a própria dignidade em leilão em troca de dinheiro? O fato foi acompanhado com curiosidade morbosa e até com torcida, para ver até aonde a oferta chegaria. Chocar, por quê? Nas calçadas de certas ruas da cidade e em tantas “casas do amor” não acontece o mesmo todos os dias, sem que isso chame a atenção, ou cause consternação em ninguém? Há mesmo quem queira legalizar a prostituição, como se fosse uma profissão qualquer. Tudo se resolve no nível econômico, também para traficar pessoas, reduzi-las a escravas, vender bebês, comerciar órgãos humanos...

E há quem compre ou venda votos nas eleições, comprando ou vendendo a própria dignidade; e também quem suborne a Justiça, pondo em liquidação a própria consciência; há quem compre armas, use-as contra os outros, faça violência, mate, tudo pela vantagem econômica. E há quem trafique drogas, lucrando com o comércio da morte; e quem, simplesmente, vai roubando o que é dos outros ou de todos: tudo pela vantagem econômica que está em jogo...

Grande novidade nisso tudo não há; coisas que sempre aconteceram. O novo é que, sem nos darmos conta, estamos assimilando uma cultura do mercado, na qual o fator econômico passou a ser o referencial maior: de uma cultura de valores éticos e morais, para uma cultura do valor econômico; o bem maior parece ser a vantagem econômica, que tudo permite e legitima, amolecendo qualquer resistência do senso moral. Tudo fica justificado, se há vantagem econômica. Aonde vamos parar?

Está mais do que na hora de colocar tudo isso em discussão novamente; será que essa tendência cultural vai levar a um aprimoramento das relações humanas? A uma dignidade maior no convívio social? A uma valorização real das pessoas, ao respeito pela justiça e a paz? Provavelmente não. Certamente não. O ser humano, avaliado, sobretudo, na ótica da razão econômica, deixa de ser pessoa e vira objeto quantificável.

Nisso também não há grande novidade; no passado, houve a exploração dos escravos, dos operários, das mulheres. Mas, sob protesto. O preocupante, agora, é que essa maneira de ver e fazer passe por aceitável e normal e a própria pessoa “objetizada”, outrora considerada vítima, agora seja vista como um sujeito autônomo e livre, que faz o que quer, também com sua própria dignidade; e tudo vai bem assim...

Voltaremos às feiras em que se vendem escravos? Livremente expostos à venda, aliás, ao leilão? O leilão da virgindade, por internet, é um fato que deve preocupar educadores, juristas, filósofos... Da curiosidade morbosa, é preciso passar à reflexão, talvez com um pouco mais de vergonha diante do que está acontecendo. Nossa dignidade comum está sendo leiloada! É deprimente!

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 21.11.2012

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

 (FONTE: CANÇÃO NOVA)