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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sagrado Coração de Jesus - Fonte de Vida Nova!

É preciso perdoar sempre. Jesus nos ensina que é preciso perdoar até setenta vezes sete.

Mas, para aprendermos a perdoar, antes precisamos aprender a pedir perdão.

Muitas vezes os nossos pecados cometidos ofendem mais e fazem mais mal ao mundo do que as ofensas que recebemos.

Deus vê tudo. Deus sabe tudo. E quando uma alma busca sinceramente se arrepender, e mudar de vida, abandonando radicalmente a vida pregressa de malefícios - a si e aos outros - Deus não ficará alheio aos clamores de sua oração, mas providenciará a graça necessária para que o pecador "volte para casa".

Precisamos nos abrir à consciência de nossos pecados e faltas. Nossa vida é muito curta para ficarmos entregues às nossas concupiscências. Precisamos nos levantar e dar um passo, senão em definitivo para saírmos da vida de pecados, ao menos o primeiro passo decidindo-se a regressar para a Fonte da Vida, que é Deus.

O salário do pecado é a morte, diz São Paulo. Mas Deus afirma que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva!

Conversão não é nada mais que abandonar seus vícios, maus-hábitos, e entregar-se, conformar seu coração ao Coração de Cristo.

Ele, então o lavará, com Seu Precioíssimo Sangue, e o purificará, como quando no dia de seu Batismo, e ficaremos puros, mais brancos que a neve, como diz o Salmista.

Deus não quer que morramos, isto é, que padeçamos até o fim de nossos dias no pecado e no mal. Seu Coração Divino abre-se eternamente e sacrifica-se perpetuamente na Santa Missa, para que nós tenhamos sempre uma nova oportunidade de voltar, de redimir-nos, de buscá-lO!

Consagre-se, hoje, ao Sagrado Coração de Jesus, e tome posse da graça de viver uma vida nova!

Deus abençoe você e sua família!

Seja Feliz!


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Inferno - São João Bosco

Deparei-me com este artigo, hoje, na internet.

Considerando o seu autor, São João Bosco, dispenso mais comentários.




Meditação I
Sobre o Inferno e a
Eternidade das Penas

Por São João Bosco
- Presbítero
Sobre o Inferno
1º)- O Inferno é um local destinado pela Justiça divina para castigar com suplícios eternos os que morrem em pecado mortal.

A primeira pena que os condenados padecem no Inferno é a dos sentidos, por ser todo o seu corpo atormentado por um fogo que arde horrivelmente sem jamais diminuir.

Esse fogo penetrará pelos olhos, pela boca e por todo o corpo, e cada um do sentidos padecerá uma pena especial.

Os olhos ficarão obscurecidos pelo fumo e pelas trevas, e aterrorizados ao ver os demônios e os demais condenados.

Os ouvidos não ouvirão incessantemente senão gritos, uivos, prantos e blasfêmias.

O olfato será atormentado com o mau cheiro do enxofre e betume ardentes, que o sufocará.

A boca sofrerá sede ardentíssima e padecerá uma fome canina: "Sofrerão fome como cães" (Sl 58,7; 15).Deus permitiu que o rico Epulão, em meio aqueles tormentos, dirigisse um olhar a Lázaro, pedindo por misericórdia uma gota de água para aliviar o ardor que o consumia; mas até esta lhe foi negada.

Aqueles infelizes, em meio às chamas, devorados pela fome e sede, atormentados por um fogo que não cessa, bradam, uivam e se desesperam.

Ah!Inferno, Inferno, como são desgraçados os que caem nos teus abismos!

E tu, meu filho, que dizes?

Se tivesses que morrer neste momento, para onde irias?

Se não podes suportar agora, se gritar de dor, a ligeira chama de uma vela na mão, como poderás sofrer aquelas chamas por toda a eternidade?

2º)- considera por outro lado, meu filho, o remorso que sentirá a consciência dos condenados.Sua memória, entendimento e vontade padecerão terrivelmente tormentos.

Recordarão continuamente o motivo porque se perderam, isto é, por terem querido satisfazer uma paixão qualquer, e esse pensamento será para eles um verme roedor que jamais morrerá.

Pensarão no tempo que Deus lhe tinha concedido para salvar-se da perdição; nos bons exemplos de seus companheiros; nos propósitos formados e não postos em prática.Pensarão nas pregações ouvidas, nos conselhos de seus confessores, nas boas inspirações pra deixar o pecado...E, vendo que já não há remédio, lançarão uivos desesperados.

A vontade jamais terá nada do que deseja, sofrendo pelo contrário todos os males.

O entendimento conhecerá o bem imenso que perdeu.A alma, separada do corpo e apresentada diante do divino tribunal, entreviu a beleza de Deus, conheceu sua bondade, contemplou por um instante o esplendor do Paraíso, terá ouvido talvez os dulcíssimos e harmoniosos cantos dos Anjos e Bem-aventurados.Que dor, vendo que tudo isso lhe é arrebatado para sempre!

Que horrorosos tormentos!Quem poderá suportá-los?

3º)- Meu Filho, que agora não te preocupas em perder a Deus e o Paraíso!Esperas por acaso conhecer tua cegueira, quando tantos companheiros teus, mais ignorantes e mais pobres do que tu, estiverem gloriosos e triunfantes no reino dos céus, e tu estiveres maldito por Deus e arrojado fora daquela pátria bem-aventurada, do gozo de Deus, da companhia da Virgem Santíssima e dos Santos?

Decide-te, pois, a servir ao Senhor, e faz penitência.Não aguardes para quando não haja mais tempo.Entrega-te a Deus.Quem sabe se esta meditação não será o teu último chamado da graça!Se não correspondes a ele, tu te expõe a que Deus te abandone e te deixe cair nos eternos suplícios.

Ah!Senhor, livrai-me das penas do inferno!
A eternidade das penas
1º)- Considera, meu filho, que se caíres no Inferno, dele jamais saíras.Nele se padecem todas as penas, e todas elas para sempre.

Passarão cem anos, mil anos, e o Inferno estará apenas começando; passarão cem mil anos, cem milhões de anos, milhões de milhões de anos e de séculos...e o Inferno estará ainda apenas começando.

Se um Anjo anunciasse a um condenado que Deus haveria de livrá-lo do Inferno depois de passar tantos milhões de séculos como gotas de água que há no mar, ou folhas de árvores e grãos de areia no mundo, essa notícia lhe causaria logo um consolo indizível."É certo, exclamaria, que é imenso o número de séculos que sofrerei, afinal, haverá um dia em que eles acabarão".

Mas, ai! passarão esses milhões de séculos e uma infinidade de outros, e o Inferno estará sempre apenas começando.

Cada condenado quereria poder dizer a Deus: "Senhor, aumentai quanto quiserdes minhas penas, e fazei-me permanecer aqui o tempo que quiserdes, contanto que me deis a esperança de ver este suplício acabar um dia!"Mas não!Esse término e essa esperança jamais chegarão.

2º)- Se ao menos o condenado pudesse iludir-se a si mesmo, pensando consigo: "Quem sabe se Deus algum dia terá piedade de mim e me tirará deste abismo!"

Mas, não!Jamais abrigará esta esperança!O condenado terá sempre presente a sentença de sua condenação eterna: "Este tormentos, este fogo, estes horríveis gritos, eu os terei para sempre".

Sempre! verá escrito nas chamas que o devoram.Sempre! na ponta das espadas que o transpassam; Sempre!, nas horríveis fisionomias dos demônios que o atormentam; Sempre!, naquelas portas fechadas que jamais se abrirão para ele!

Ó eternidade, ó abismo sem fundo!Ó mar sem limites!Ó caverna sem saída!Quem não tremerá pensando em ti?Ó maldito pecado, que tremendos suplícios preparas para quem te comete!Ah!Basta de pecados, basta de pecados em toda a minha vida!

3º)- O que deve encher-te de espanto é pensar que essa horrível fornalha está sempre aberta debaixo de teus pés e que basta um único pecado mortal para cair nela.

Compreendes, meu filho, isto que lês? Um pecado que cometes com tanta facilidade merece uma pena eterna.Uma blasfêmia, uma profanação dos dias festivos, um furto, um ódio, uma palavra, um ato, um pensamento obsceno, bastam para condenar-te às penas do Inferno.

Ah!meu filho, ouve atentamente o meu conselho; se a consciência te censura de algum pecado, vai imediatamente confessar-te para principiar logo uma boa vida; põe em prática todos os conselhos do teu confessor e se for necessário faz uma confissão geral; promete fugir das ocasiões perigosas, das más companhias, e se deus te chamar a deixar o mundo, obedece-Lhe com prontidão.

Tudo o que se faz para evitar uma eternidade de tormentos é pouco, é nada: "nenhuma segurança é excessiva quando está em jogo a eternidade", escreveu São Bernardo.

Oh!quantos jovens na flor da idade abandonaram o mundo, a pátria, a família e foram sepultar-se nas grutas e desertos, não vivendo senão de pão e água, às vezes só de algumas raízes!...E tudo isso para evitarem o Inferno!

E tu, o que fazes, depois de merecer tantas vezes o Inferno pelo pecado?

Lança-te aos pés de teu Deus e diz a Ele: "Senhor, vede-me pronto a fazer tudo o que quiserdes; já Vos ofendi demais até agora; de hoje em diante não Vos quero mais ofender; enviai-me, se preciso, todos os males nesta vida, desde que possa salvar minha alma".

Fonte: São João Bosco: 
O Jovem Instruído

(extraído de http://www.rainhadosapostolos.com/2007/05/o-inferno.html)

Seja Feliz!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Em tua imensa misericórdia, toda a minha esperança!

Através da leitura do livro "Confissões", de Santo Agostinho, posso dizer que comecei o longo processo de minha conversão, que prossegue até hoje, há mais de trinta anos.

Então, re-lendo esta passagem, a mais famosa - senão - profunda de todo o livro, não posso deixar de compartilhar com todos, que como eu, estão caminhando, trilhando a estrada para a santidade e perfeição a que Deus nos chama, continuamente. 

Em nosso peito, sempre a lembrança: "tarde te amei..."

"Onde te encontrei, Senhor, para te conhecer? Não estavas certamente em minha memória antes que eu te conhecesse. Onde então te encontrei para te conhecer, a não ser em ti, acima de mim? Não é propriamente um lugar. Afastamo-nos, aproximamo-nos e não é um lugar. Em toda parte, ó Verdade, presides a todos que vêm com diferentes consultas. Com clareza respondes, porém, nem todos ouvem com clareza. Todos perguntam o que querem e nem sempre ouvem o que querem. Ótimo servo teu é quem não espera ouvir de ti o que desejaria, mas antes quer aquilo que de ti ouve.

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro e eu fora te procurava. Precipitava-me eu disforme, sobre as coisas formosas que fizeste. Estavas comigo, contigo eu não estava. As criaturas retinham-me longe de ti, aquelas que não existiriam se não estivessem em ti. Chamaste e gritaste e rompeste a minha surdez. Cintilaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume, aspirei-o e anseio por ti. Provei, tenho fome e tenho sede. Tocaste-me e abrasei-me no desejo de tua paz.

Quando me uno a ti com todo o meu ser, não há em mim dor nem fadiga. Viva será minha vida, toda repleta de ti. Agora ergues o que de ti está repleto. Como ainda não estou pleno de ti, sou um peso para mim. Lutam minhas lamentáveis alegrias com as tristezas deleitáveis. De que lado estará a vitória, não sei.

Ai de mim, Senhor! tem piedade de mim. Lutam minhas más tristezas com as boas alegrias e não sei quem vencerá. Ai de mim, Senhor! Tem piedade de mim! Ai de mim! Bem vês que não escondo minhas chagas. És o médico; eu, o doente. És misericordioso; eu, o miserável.

Não é verdade que a vida humana na terra é uma tentação? Quem deseja pesares e dificuldades? Ordenas tolerá-los, não amá-los. Ninguém ama aquilo que tolera, mesmo se gosta de tolerar. Embora alegre-se por tolerar, prefere não ter que tolerá-lo. Na adversidade desejo a felicidade; na felicidade temo a adversidade. Que meio termo haverá onde a vida humana não seja uma tentação? Ai da felicidade do mundo, uma e duas vezes, pelo temor da adversidade e pela caducidade da alegria! Ai das adversidades do mundo, pelo desejo da felicidade! A adversidade é dura e faz naufragar a tolerância. Não é verdade que é uma tentação a vida humana sobre a terra? Em tua imensa misericórdia ponho toda a minha esperança."
Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 10,26.37–29,40; CCL 27,174-176)(Séc. V)

Muito tarde vos amei, ó Beleza sempre antiga, ó Beleza sempre nova, muito tarde vos amei! Vós chamastes e gritastes e rompestes-me a surdez. Veio o Filho do Homem buscar e salvar o que estava perdido. Vós chamastes e gritastes e rompestes-me a surdez. Veio o Filho do Homem buscar e salvar o que estava perdido. Cf. Lc 19,10

Oração: Fazei, ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais, e vossa Igreja vos possa servir, alegre e tranquila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Sagrado Coração de Jesus eu confio em vós!


Leia Hoje: Salmo 145

E seja Feliz!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sistema do mundo e o sistema de Deus



Muitos se perguntam: "Mas por que Deus não me socorre?" e "Por que não resolve minha situação?" Compreenda: Deus fez, está fazendo e vai fazer. Se existe uma falha, esta está em nós. E qual é a falha? Nós temos sido vítimas do sistema do mundo. As finanças vão mal e há muito desemprego e tragédias por causa do sistema em que vivemos; um sistema individualista, baseado no egoísmo, na ambição... Um sistema sem Deus; portanto, sem amor!

Enquanto permanecermos ligados ao sistema, seremos influenciados por ele e não nos será possível entrar no sistema de Deus. Ele é radicalmente oposto. É preciso fazer uma escolha: Ou estamos no sistema do mundo ou no sistema de Deus. É uma lógica: para sermos auxiliados pelo Senhor precisamos estar no sistema d'Ele. Se continuarmos no do mundo, seremos tratados pelo mundo e do jeito que ele nos trata. Para deixar de ser vítima desse sistema, tenho de deixá-lo e me colocar no sistema de Deus. Não dá para servir a Deus e a este mundo. É preciso decidir entre os dois sistemas. Não é questão de palavras, de aparências: é questão de coração. E Deus vê o coração.

Na hora em que eu me decido a deixar o sistema do mundo, que é baseado no egoísmo, na ganância, na mentira, falsidade, na corrupção e na busca do dinheiro e do prazer; no momento em que eu me decido a deixar de enganar e prejudicar os outros; quando sinceramente eu me decido a sair do sistema do mundo e a entrar no sistema de Deus, Sua Palavra se torna realidade em minha vida: "Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus" (Romanos 8, 28).

Os homens veem as aparências: fazem belos discursos, belas apresentações... mas Deus vê o coração. Na hora em que eu me decido sinceramente a deixar o egoísmo e parto para o sistema de Deus, que é amor, doação, se eu decido a ter um coração generoso como o d'Ele, se quero ser simples, humilde, mesmo não o sendo completamente, eu já estou no sistema de Deus. É aí que tudo começa a concorrer para o meu bem. Por isso, também a solução de nossas finanças, de nosso desemprego e dificuldades está aí. Tudo se resolve pela mudança do coração! Na hora em que mergulharmos em Deus numa verdadeira conversão, veremos que tudo concorre para nosso bem. Não há outra forma.

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova
 
Seja Feliz!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Um tempo de intenso combate espiritual

Imagem de DestaqueTal combate solicita homens e mulheres de fibra
Vivemos tempos de grande agitação espiritual. Dias decisivos em que os exércitos de Deus e das trevas se mobilizam para a ofensiva definitiva, a qual culminará na volta de Jesus Cristo. Os sinais dos tempos evidenciam a rápida conversão para este imperscrutável momento em que soará a última trombeta, o “toque de reunir” dos guerreiros da luz, convocando o “Sião de Deus” para o início do confronto final.

Uma grandiosa batalha entre a luz e as trevas está sendo travada e pende sobre nós um juízo temível. Se optarmos pela batalha da fé, seremos capazes de resistir aos ataques de satanás e aos poderes da morte, já que, na luta, somente obteremos uma fé genuína e, consequentemente, os milagres.


E não podemos jamais esmorecer, o que exige de nós muita determinação para enfrentar a batalha, que envolve homens na terra, anjos no céu e demônios no inferno. Se sentirmos que falta vida espiritual, devemos retomar com fé e coragem a vida de oração e invocar o Espírito Santo, dizendo: “Espírito Santo, vivifica-me!”

Por se tratar de uma luta sangrenta entre o bem e o mal, pela conquista da fidelidade e servidão de homens e mulheres em todo o mundo, não é possível ficar indiferente e examinar o fato com ingenuidade. Porém, certamente, encontraremos cristãos letárgicos e alienados, despreocupados com esta realidade que os cerca e “pessoas da Igreja” despreparadas para enfrentar a mais intensa e violenta crítica a ela.

Desse modo, é preciso reconhecer, prontamente, os reais inimigos, ouvir o chamado e deixar-se curar pelo Senhor para não se tornar vítima do maligno. Em Efésios 6, isso fica evidente: preparados ou não, estamos em guerra de vida ou morte contra seres espirituais.

Tal combate solicita homens e mulheres espirituais, de fibra. Não se pode confiar em pessoas insípidas, impotentes e que vivem na “inadimplência devocional”, pois elas não resistem aos “dias escaldantes e as noites gélidas” dos campos de guerra. Tempos assim destinam-se a combatentes santos.

Os grandes mestres da espiritualidade – carmelitana, beneditina, inaciana – nos orientam a discernir a ação dos diversos espíritos, que agitam os homens e as comunidades interessados na vida espiritual cristã. Para os inacianos, por exemplo, a luta é inerente à vida espiritual, pois não há vida sem luta.

Em contrapartida, um mundo conformado com a ação do inimigo, que age mentirosa e sorrateiramente, é incapaz de sentir a ação do mau espírito e, por vezes, inábil em reconhecer e agradecer a ação do bom espírito, a qual estimula e orienta todo e qualquer progresso no bem e na vida espiritual, prestando, assim, uma grande ajuda a satanás. Por conseguinte, somente a ação do Espírito Santo, gratificante e consolador, que “geme” em nossos corações, não permitirá que sejamos tentados acima de nossas forças (cf. 1Cor 10,13).

Portanto, somos alertados, pois não afrontamos o homem e sim as autoridades, os poderes, os dominadores deste mundo de trevas, os espíritos do mal (cf. Ef 6,12). A Escritura é clara ao dizer que sendo satanás e seus demônios expulsos do céu, o combate passou a ser travado na terra; foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, aquele a quem chamam diabo e satanás, o sedutor do mundo inteiro (cf. Ap 12,9).

Irmã Maria Eunice – Comunidade Canção Nova


Seja Feliz!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Fátima, lugar de revelação

Imagem de Destaque

Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!
“Há treze de maio, na Cova da Iria, no Céu aparece a Virgem Maria..."
Era 13 de maio de 1917. Um domingo de sol, por volta do meio-dia, quando três crianças que pastoreavam o rebanho de ovelhas foram surpreendidas com um grande clarão no céu. No início, pensavam que era um relâmpago e decidiram ir embora, mas, logo depois, outro clarão iluminou o espaço, e viram, em cima de uma pequena árvore, uma "Senhora mais brilhante que o sol". De suas mãos pendia um terço branco. Com voz terna, a Senhora disse às crianças para não terem medo pois ela vinha do Céu e era necessário rezar muito; convidou-os a voltar à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13, na mesma hora.


Desde então, aquele lugar nunca mais foi o mesmo. A fama das aparições atravessou oceanos e espalhou-se pelo mundo como um sinal de esperança em meio aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.
Em 13 de outubro daquele mesmo ano, conforme a Senhora havia prometido, concluiu-se o ciclo das aparições. Este dia ficou marcado com o surpreendente e famoso “Milagre do Sol” – historicamente certo e reconhecido inclusive pela ciência. Diante deste sinal e após um estudo apurado dos fatos, a Igreja, em 1930, declarou como dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria, permitindo, oficialmente, o culto de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Tive a graça de morar durante seis anos, em Fátima, e visitar quase, diariamente, o Santuário. Fiquei admirada com muitas descobertas naquele lugar. Porém, o que mais me impressionou foi a simplicidade. A começar pela escolha dos mensageiros. Nossa Senhora poderia ter aparecido a pessoas muito mais “capacitadas” - intelectualmente falando. Porém, preferiu três humildes crianças: Lúcia de 10 anos e seus primos, Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7 anos. Todos analfabetos.

O lugar escolhido para transmitir a mensagem também surpreende: diante da abundância de luxuosos castelos e fortalezas - alguns conservados até hoje enriquecendo o patrimônio histórico de Portugal - a Senhora do Rosário escolheu a Cova da Iria, uma terra de pastagens para o rebanho de ovelhas, coberta de uma vegetação rasteira, pedras e algumas poucas árvores, como a azinheira, que lhe serviu de púlpito. Ela não estava interessada em realeza, queria corações puros e dispostos a viver o sacrifício e o oferecimento para a conversão dos pecadores e os encontrou nos Pastorinhos.

O tempo passou e a simplicidade continua sendo uma forte característica de Fátima. Quem chega no Santuário com o desejo de ouvir a voz de Deus é tomado por um misto de paz e quietude que, aos poucos, contagia a alma levando-nos ao silêncio. Acredito que é no silêncio e na simplicidade que Deus se revela, nos fazendo ir além da razão e das palavras. Talvez seja este o “Segredo de Fátima” que atraia anualmente mais de cinco milhões de peregrinos ao lugar das aparições.

Recordo-me de, certa vez, quando entrevistei um peregrino que acabava de chegar no Santuário depois de caminhar a pé - dia e noite durante uma semana - rumo a Fátima. Só de observar seus olhos cheios de lágrimas, seus pés inchados e o rosto marcado pelo frio causava-me emoção. Mas como estava transmitindo os acontecimentos para os ouvintes da Rádio Canção Nova, arrisquei-me a entrevistá-lo perguntando de início: “O que significa para o senhor chegar aqui, na Capelinha das Aparições, depois de caminhar tanto tempo a pé?”

Ele não me disse nada. Apenas apontou para a imagem de Nossa Senhora que está no exato local onde ela apareceu aos Pastorinhos. Depois, falou com voz embargada: “Ela sabe por que estou aqui!”

Como eu insisti na pergunta, ele explicou: “Eu vim aqui agradecer. Se hoje estou vivo, é porque Nossa Senhora me livrou da morte. Eu estou vivo por milagre, moça! Sabe o que é isso? Eu estou vivo por milagre!” E já não conseguiu continuar falando, pois chorava como uma criança que, finalmente, chega perto da mãe depois de passar por um grande perigo.

É claro que, nesta hora, eu também estava emocionada e, até hoje, recordo-me claramente daquele encontro com o portador do milagre. Penso no Beato João Paulo II e acredito que ele viveu algo semelhante àquele homem quando esteve em Fátima para também agradecer o milagre da vida, após o atentado que sofreu a 13 de maio de 1981, e atribuiu o livramento à “mão materna de Nossa Senhora” que desviou a bala disparada para lhe tirar a vida.

Teríamos muito a dizer a respeito de Fátima! Noventa e seis anos já se passaram desde as aparições de Nossa Senhora e sua mensagem parece ecoar com ainda mais vigor. A essência de seu apelo é chamar a atenção dos homens para as verdades eternas da salvação. E a primeira exigência para colocar isso em prática é a reparação das ofensas cometidas contra Deus, contra Jesus e contra o Imaculado Coração de Maria por meio do oferecimento dos sacrifícios que já fazem parte do nosso dia a dia. Simples! Não é?

As inúmeras graças alcançadas pela intercessão de Nossa Senhora e o número crescente de confissões que são atendidas no Santuário, os testemunhos de vidas transformadas, além do número, cada vez maior de peregrinos que vêm à Cova da Iria, são sinais evidentes da presença real da Mãe de Deus neste lugar de revelação divina.

Hoje, apoiemo-nos com fé na promessa que a Virgem do Rosário de Fátima fez numa de suas aparições: «Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!» Confiantes no seu amor de Mãe, deixemo-nos formar por ela no dia a dia, como fizeram os Pastorinhos.
Foto Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com
Dijanira Silva, Dijanira Silva, missionária da Comunidade Canção Nova, atualmente reside a missão de São Paulo. Apresentadora da Rádio CN América SP.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como Começou o Terço dos Homens em nossa Paróquia


Há bem uns quatro ou cinco anos atrás, estava conversando com Roberto Fracho, outro Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão como eu, quando recebêramos a árdua missão de coordenar a Pastoral dos MESC, em um turbilhão de eventos que se desenrolavam em nossa Comunidade: a repentina saída do então Pároco, Monsenhor Ildeu Ferreira, e a também súbita chegada de Padre Antônio Gonçalves; logo depois viria a emancipação da Capela de Nossa Senhora Aparecida e a chegada de novos párocos – Padre João Carlos e Padre Rodrigo –; e de novos projetos e no meio desse turbilhão, em que mal estávamos nos ajustando a uma situação, logo sobrevinha outra.

Paroquianos se afastaram, depois voltaram. Eu e Roberto, então, pensávamos como melhor administrar a Pastoral, e ele, na sua simplicidade e piedade, me disse: “uma das primeiras atividades que precisamos desenvolver na Comunidade é o Terço dos Homens!” Fiquei muito motivado com a ideia.

Naquele ano (2008 ou 2009), não tínhamos esse movimento mariano, nem em nossa Matriz, nem nas capelas.

Entretanto, o projeto - talvez derivado do turbilhão em que mergulhou a Paróquia de Nossa Senhora d’Ajuda a partir daquele período -, ficou adormecido no papel, mas vivo em nossos corações.

E por quatro anos, eu e Roberto falávamos sobre isso.

Achava, então, que o projeto não se realizava por falta de iniciativa ou competência nossa, mas não.

Na verdade, faltava-nos a maturidade espiritual, e o tempo certo – Kairós – não era o nosso, mas o de Deus.

E quem estava preparando o terreno de nossos corações para o plantio da messe, era ninguém menos que Maria Santíssima.

Preparava, gestava, no silêncio do Céu, nossos corações, inflamando-os sempre, e aguçando nossos desejos, para continuarmos pedindo a Ela que intercedesse por nossa Paróquia de Nossa Senhora d’Ajuda, para que pudéssemos realizar esse, que mais que um projeto dos homens, é, percebo agora, um desejo do Coração de Deus, que se alegra e sofre por nós e conosco, pelo Coração Imaculado de Maria.

Como Mãe que é, e justamente por isso, sou grato a Nossa Senhora por ter ‘gerado’ mais essa obra, em Seu seio bendito, e ter-nos dado num momento que se revela ser o tempo de Deus.

E foi assim que, a partir do dia 05 de abril de 2013, deu-se início ao Terço dos Homens da Paróquia de Nossa Senhora d’Ajuda em Guapimirim!
 Então, mais uma vez repito em meu coração que todas as coisas são feitas por Jesus, por meio de Sua Santa Mãe.

Todas as graças que Deus derrama sobre a Humanidade, passam pelas santas e benditas mãos de Maria. E Ela agora convida você, homem e filho de Maria, a vir participar dessa obra dela, para a salvação das almas, conversão dos pecadores, e ação de graças por nós e nossas famílias.

Salve Maria!

“Não sei como isso acontece nem por que; entretanto é verdade, e não conheço melhor segredo para verificar se uma pessoa é de Deus, do que examinar se gosta ou não de rezar a Ave-Maria e o terço. Digo: gosta, pois pode acontecer que alguém esteja na impossibilidade natural ou até sobrenatural de dizê-la, mas sempre a ama e a inspira aos outros” (São Luis Grignion de Montfort – Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - n. 251 – ed. Vozes)

Seja Feliz!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Misericórdia, a festa da conversão


Padre Fábio de Melo
Foto: Natalino Ueda/CancaoNova.com
A Festa da Misericórdia tem de ser a festa do encontro. Afinal, é a mística do encontro de Deus com o humano, com a miséria do homem.

Aquele que oferece a misericórdia torna-se inesquecível. Muitas pessoas passaram por nossa vida, mas aquela que nos amou quando nós não merecíamos ser amados, jamais esqueceremos. Experimentamos a miséria humana, seja de marido pra mulher, do amigo para o outro; a partir disso, podemos ter uma noção do amor de Deus por nós. A nós cabe oferecer ao outro um espaço no nosso coração.

A primeira aula de miserciórdia que vivemos é a experiência do amor de mãe. Elas sabem o significado do verdadeiro amor, da entrega, mas nem sempre oferecemos a misericórdia ao irmão. Hoje, queremos pedir a Deus que arranque do nosso coração todo pecado que, muitas vezes, nos privam de viver a misericórdia.

Hoje, ninguém está fora da graça que Deus nos concede. Todos nos temos misérias vergonhosas, mas a misericórdia é para todos, inclusive para aqueles que não têm coragem de dizer que “Deus o ama”.
O verdadeiro cristão é solidário ao outro
Foto: Natalino Ueda/CancaoNova.com
Quando alguém me ofender por gesto ou palavra, vou olhar na direção do seu amor, e dizer: Eu quero ter, ó meu Senhor, um coração igual ao teu. Nós sacerdotes nos tornamos padres por prestar atenção em alguém. Tivemos um modelo positivo, o qual nos atraiu.

O diabo virou quem é por conta da inveja que cresceu no seu coração - o desejo de ser como Deus. Ao invés de simplesmente ter um coração parecido com o do Senhor, ele quis estar acima do Mestre. O Evangelho de hoje nos convida a refletir o verdadeiro significado do sepulcro vazio em minha vida. O que ele diz para a minha vida naquilo que tenho feito?

Quando alguém nos machuca, trai nossa confiança ou faz algo contrário daquilo que esperávamos, retemos o pecado do outro em nós.

 
Encontramos pessoas destruídas, porque não conseguiram encontrar forças para perdoar!

Mesmo sabendo que o outro errou, se não o perdoarmos, acabaremos guardando o pecado dele no nosso coração. É por isso que precisamos ter um coração igual ao do Senhor. Que não alimenta dores nem rancores, tampouco ingratidão. A falta de conversão consiste em reduzimos nosso Cristianismo a um conjunto de ritos e obrigações. Em que situação você ainda não se parece com Jesus? A festa de hoje é de conversão, é momento de termos a coragem de olhar para nós mesmos e investigar onde não nos parecemos com Cristo. Seja na maneira de ser mãe, pai, marido, filho ou esposa.

A única religião que nivela as pessoas por baixo, que propõe as facilidades do pecado, é aquela que o diabo inventou. O verdadeiro cristão é solidário ao outro.

O espírito cristão é, antes de tudo, de solidariedade. Se você aceitou ser iluminado pela misericórdia precisará estar disposto a viver as pequenas mortes que nos fazem pensar no outro. O Cristianismo não é brincadeira; é difícil, mas em lugar nenhum você vai encontrar um Deus que faz de tudo para ter você por perto.

Quando alguém o ofender, é preciso olhar em direção ao Cristo e pedir um coração igual ao d'Ele. Isso, muitas vezes, significa que, mesmo diante de um desaforo, você deva se calar.

Quando alguém o ofender, peça a Deus essa graça. Assim, será mais fácil ser vizinho, amigo, colega, marido, esposa e filho. Não podemos viver na hipocrisia. Se alguém o maltrata, trate-o bem. Quem quer ter um coração misericordioso como o de Jesus, não paga com a mesma moeda. Se você não se sente acolhido, ofereça seu carinho e acolhimento. Seja cristão!

Mesmo quando alguém disser que essa atitude o torna bobo das pessoas, acredite que é melhor parecer “bobo” e ser como Jesus do que assemelhar-se à hipocrisia.

É na administração de nossas misérias que vamos alcançando um coração igual ao do Senhor. Não desanime. A misericórdia de Deus está sempre sendo oferecida em cada sacramento.

O amor de Jesus nos é oferecido. Mas o recebimento desse amor é comprometimento, pois, a partir desse momento, a sua vocação tem que ser o amor.

No nosso coração não pode haver espaço para rancores, mágoas e perdendo a oportunidade de ser feliz.

Hoje, na Festa da Misericórdia eu quero que o Senhor arranque do meu coração que me dificulta aproximar do seu coração e ser parecido com ele. Arranque as minhas mágoas, ressentimentos, preconceitos e tudo aquilo que é obstáculo para a sua graça. Hoje, eu quero um coração semelhante ao seu Jesus. Amém.

Transcrição e Adapção: Dado Moura

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Padre Fábio de Melo
Padre que evangeliza como cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova. 

(os grifos são do original - fonte: Canção Nova)

Seja Feliz!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Lição de Humildade

Não faz muito tempo - alguns dias - eu fui rotulado de 'grosseiro'. 

Sei que minha atitude, que gerou o comentário, foi altiva, até porque tenho a atitude de minhas convicções, e se assim agi, foi por defesa delas. Mas, depois, analisando os fatos, vi que meu comportamento não foi mais forte do que a atitude de quem me rotulara.

Isso nos leva a pensar o seguinte.

É difícil agradar aos outros, por isso nem tento. Mas contemporizo, quanto possível. Pois esse é o essencial. Evitar litígios. Não estou falando que devamos falsear nossos temperamentos, ou fingir sorrisos ou 'caras-feias'. Sejamos justos. Isso basta.

Extrapolamos? Com certeza! Eu confesso que extrapolo, e muito! Meus temperamentos vêm das terras da Cidade Eterna - La Mama Itália! - mas também vem de lá a Fé que professo. E justamente por isso, lembro-me sempre de um Santo sul americano que pedia a Deus: "controle meu gênio, Senhor!", por saber que era de temperamento difícil.

Pensamos que nos falta a humildade. Nada disso! Dia desses ouvi de um sacerdote o seguinte: "Ser humilde é ser sincero. É ser verdadeiro. É ser coerente, mas sem ser rude." Muitos pensam que ser humilde é viver de cabeça baixa e dizer 'amém' pra todo mundo... Isso é ser subserviente, o pior a que um ser humano pode se rebaixar. Não somos menores nem maiores que ninguém! Porque, diante de Deus, somos todos iguais!

Já ouviu falar da 'lógica eisteniana'?

O que nos faz diferentes são os dons que Deus nos dá.

Nos fazemos 'servos' dos outros, numa atitude livre, não de escavidão, por amor. Por caridade.

Ser acusado de faltar a caridade não me incomoda. Conheço meus pecados melhor do que qualquer um, pois meus pecados vêm de meu coração, e eu coloco, diariamente, o meu coração diante do altar de Deus, e peço que Ele tenha misericórdia de mim e me coloque no meu lugar.

O que me incomoda é saber que alguém que nos acusa de algo, acaba sofrendo do mesmo mal com o que rotula o outro. Correção fraterna é uma coisa. Acusar alguém, pelo simples fato de nossa atitude ter ido em confronto com suas opiniões e conceitos sobre algo, ou alguém, é outra. Até porque divergir pode ser educativo.

Crescemos, diante de uma atitude de conflito, para podermos superá-la. O processo de amadurecimento do ser humano passa pela senda das crises, também. Crescemos, quando nos abrimos para colher o que é positivo na crise. Como disse Nietzche, "o que não provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte".

Diante da situação que me ocorreu, não parei no comentário feito e fiquei 'ruminando'. Avaliei a situação; e dela retirei o que havia de bom para mim. A primeira coisa que me veio foi compreender a atitude do outro. Seus motivos, suas inquietações. Minha atitude poderá ter-lhe sido benéfica, também, se o tirou de seu lugar-comum, e fê-lo dar um passo em direção a seu amadurecimento e crescimento interior. Se sim, dou graças a Deus.

Coloquei-me diante de Deus, e Ele me respondeu com o Salmo 72: "Então foi em vão que conservei o coração puro...? Reflito para compreender esse problema, e mui penosa me pareceu essa situação, até o momento em que entrei em vosso santuário...para mim, a felicidade é me aproximar de Deus, é por minha confiança no Senhor Deus." (Sl 72,13.16-17a.28a).

Vivemos esses dias soleníssimos da Páscoa do Senhor, e da festa da Misericórdia. Estamos encontrando, no Papa Francisco, um homem de uma sabedoria singular, e de uma expressão vívida da verdadeira humildade e caridade cristã.

Em sua homilia, ontem, o Papa Francisco nos ensina que o verdadeiro amor cristão é rebaixar-se a si mesmo, na humildade, assim como fez Deus, em Sua kenosis.

Isso nos mostra que temos muito que aprender. Não conosco, mas com Aquele que nos criou e nos amou até a morte, e morte de cruz.

No fim, devo agradecer a quem me criticou. Cresci mais um degrau como ser humano.

Lição aprendida, que esperarei viver com a graça de Deus. Amém!


E seja Feliz!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Como surgiu a Quaresma?

Quaresma: saiba como surgiu e qual a melhor forma de vivê-la

André Alves
Da Redação


"A penitência é um remédio que nos ajuda a vivermos melhor as disposições que Deus nos chama neste tempo", disse padre Roger
A Igreja Católica entrou neste domingo, 10, na quarta semana da Quaresma. Esse período litúrgico que começa na Quarta-feira de Cinzas é um tempo em que os católicos são convidados a intensificar a vida de oração, de penitência e de exercício de caridade; além disso, também é caracterizado pelo recolhimento e a busca intensa pela conversão.

A palavra “quaresma” tem sua raiz no latim. Surgiu a partir da frase “Quadragésima die Christus pro nobis tradétur”, que se traduz: “Daqui a quarenta dias (no quadragésimo dia) Cristo será entregue por nós”. Quaresma é abreviação de quadragésima. Na frase latina em questão, quadragésima está no feminino porque, em latim, dia, além de masculino, é também feminino. A língua portuguesa manteve a palavra no feminino, resultando em “quaresma”.

São quarenta dias em que a Igreja se prepara para celebração da Páscoa, principal celebração do Cristianismo. O número “40” é simbólico, no sentido de recordar os momentos importantes narrados pela Bíblia que foram antecedidos por quarenta dias, meses ou até anos.

De acordo com padre Roger Araújo, sacerdote da Comunidade Canção Nova, o sentido dos quarenta dias está ligado a essa simbologia bíblica: quarenta dias de dilúvio, tidos como preparação para uma nova humanidade; (cf. Gn 7, 17ss); quarenta dias em que o povo hebreu caminhou no deserto, rumo à terra prometida (cf. 8, 2.4); o profeta Elias que caminhou quarenta dias para chegar à montanha de Deus (cf. IRs 19,8); quarenta dias que Jesus passou no deserto (cf. Lc 4, 1-13), dentre como outros episódios.

Neste período que se encerra na quarta-feira da Semana Santa, os fiéis são convidados a fazer um confronto especial entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Este confronto deve levar o cristão a aprofundar sua compreensão da Palavra de Deus e a intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé.

O tempo litúrgico quaresmal surgiu por volta do ano 350 d.C.. A Igreja decidiu aumentar o tempo de preparação para a Páscoa, que era de três dias, chamado de Tríduo Sagrado da Semana Santa: Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo. A preparação para a Páscoa passou, então, a ter quarenta dias. Isto aconteceu porque os cristãos perceberam que três dias eram insuficientes para que se pudesse preparar adequadamente para a festa da Ressurreição que, segundo a Igreja, é de suma importância.

Padre Roger Araújo afirma que este tempo deve ser vivido pelos católicos segundo as orientações da Igreja, ou seja, com recolhimento, oração e silêncio. “Não é um tempo para baladas, festas e grande eventos. É um tempo de nos penitenciarmos daquilo que é o comum, ou seja, as músicas que ouvimos, os lugares que costumamos ir, para que isso favoreça mais o recolhimento interior. Não é que seja pecado; é uma escolha, um condicionamento, é um treinamento que fazemos para o espírito, neste tempo de graça que o Senhor nos dá, que é o tempo da Quaresma”.

O sacerdote também ressalta que, tratando-se de um tempo forte de conversão, algumas pessoas podem ficar apegadas às práticas penitenciais apenas neste tempo. No entanto, padre Roger explica: “Não são as práticas que nos convertem e nem são elas os sinais da nossa conversão. A conversão é mudança de atitude, de mentalidade. A expressão utilizada pela Igreja para melhor caracterizar a conversão é a palavra grega “metanoein” (metanóia), que quer dizer mudança de mentalidade, de pensamento. É preciso mudar alguns conceitos dentro de nós.”

A penitência, segundo o padre, ajuda o cristão a se desprender de algumas coisas que estão arraigadas dentro de si, tornando-o mais humildes e disposto a buscar no Cristo crucificado, o sentido para a vida. “A penitência é um remédio que nos ajuda a vivermos melhor as disposições que Deus nos chama neste tempo.”

Como direção para esse período quaresmal, padre Roger reforça a orientação da Igreja: viver as três práticas indicadas – o jejum, a esmola e a oração.

O jejum – explica o padre – como sinal de liberdade, de não querer mais estar preso a nada; a esmola, não no sentido de dar algo pessoal aos outros, mas “dar-me para o outro, reconciliar-me com o outro” e a oração que é o fermento na vida do cristão. “A oração é nosso relacionamento com Deus. Nesse tempo somos chamados a capricharmos um pouco mais na nossa vida de oração.”

Em 2013, a proposta da Igreja para a Quaresma é uma dedicação maior aos jovens. O seguimento juvenil é o público alvo mais expressivo para evangelização da Igreja neste ano. A Campanha da Fraternidade, que permeia o período quaresmal, reflete o tema “Juventude e Fraternidade”. O objetivo geral da Campanha é acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo.

Seja Feliz!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vida Cristã: Como o cristão deve dar esmola?



Quando ouvimos esta palavra ESMOLA vem logo a nossa cabeça algumas moedas ou um trocadinho que tiramos do bolso para dar a um pedinte na porta de casa, no farol de transito ou nas calçadas de nossa cidade. Quase sempre é algo que nos sobra ou um restinho do que a gente tem, mas esmola, CARIDADE é muito mais do que isso. É dar mais de si do que daquilo que se tem. Precisamos sim assistir aos nossos irmãos nas suas necessidades, a fome não espera, mas esmola é muito mais que assistencialismo é dar vida, dignidade, tirar o irmão da situação que ele se encontra. Dar algo material é muito mais fácil e cômodo do que dar de si, do seu tempo, das suas capacidades, daquilo que você sabe fazer, e principalmente do amor humano carregado do amor Divino.
Se a Oração celebra o relacionamento do Homem com Deus e daí todos os frutos dela fazem o homem abrir não somente as mãos, mas os braços e o coração. O Jejum abre e une os homens entre si. A cruz simboliza muito bem o que é a nossa fé, dimensão horizontal e vertical. A esmola celebra o relacionamento do homem com o seu próximo, na virtude Teologal da Caridade. Este assunto é polemico para quem não entende que esmola não é somente dinheiro, é doar-se concretamente ao próximo.

O que significa a esmola? Dar esmola significa dar de graça, dar sem interesse de receber de volta, dar sem egoísmo, sem pedir recompensa, em atitude de compaixão. Nisto ele imita o próprio Deus no mistério da criação e a Jesus Cristo, no mistério da Redenção. Jesus fala sobre esta verdadeira caridade na parábola do Bom Samaritano (cf. Lucas 10,25-37) quem é o teu próximo?

O homem recebeu tudo do seu criador. Tudo quanto tem, possui-o porquê recebeu. Ora, se Deus dá de graça e se o homem é criado à imagem e semelhança de Deus, se Cristo se doou totalmente, dando sua vida, também ele será capaz de dar de graça. Ao descobrir que dentro de si existe a sublime capacidade de dar de graça, a exemplo de Deus e de Cristo, brota nele o desejo de celebrá-la.

Quando, pois, na Quaresma a Igreja convoca a todos os fiéis a darem esmola, ela comemora aquele que por excelência exerceu a esmola: Jesus Cristo. Convida o homem à atitude de abertura ao próximo, convida-o a servir ao próximo com generosidade e desprendimento. Ora, neste momento a esmola começa a significar toda esta atitude de doação gratuita. Não só de bens materiais, mas o tempo, o interesse, as qualidades, o serviço, o acolhimento, a aceitação. E todo este mistério de abertura e gratuidade em favor do próximo na imitação de Deus e de Cristo possui então uma linguagem ritual. Tem valor de símbolo. Pela celebração da esmola a Igreja comemora a generosidade de Cristo que deu sua vida pelos seus e torna presente Cristo, dando-se a seus irmãos em cada irmão, formando o seu corpo. Assim, quando a Igreja convida os fieis a exercerem a esmola durante a Quaresma, sabe muito bem que não é pela esmola em si que ela vai resolver os problemas sociais e realizar a promoção humana, mas sabe também que é pelo que a esmola significa que ela vai realizar uma verdadeira promoção humana.

Portanto, não é a quantia que importa, mas o que gesto ou o rito da esmola significa. Exercitando a atitude da esmola durante a Quaresma, a Igreja quer levar os cristãos a viverem a atitude da esmola durante todo o ano, durante toda a vida. Descobrimos, então, que no exercício da esmola está contida a atitude de conversão, em relação ao próximo.

Padre Paulo Ricardo: Como o cristão deve dar esmola?

O que diz o Catecismo da Igreja Católica:
No Batismo, Deus infunde na alma, sem nenhum mérito nosso, as virtudes, que são disposições habituais e firmes para fazer o bem. As virtudes infusas são teologais e morais. As teologais têm como objeto a Deus; as morais têm como objeto os bons atos humanos. As teologais são três: fé, esperança e caridade.
Com relação à Virtude Teologal da caridade, ou seja, do amor, deve-se ter em conta que o amor a Deus e o amor ao próximo são uma mesma e única coisa, de modo que um depende do outro; por isto, tanto mais poderemos amar ao próximo quanto mais amemos a Deus; e, por sua vez, tanto mais amaremos a Deus quanto mais de verdade amemos ao próximo.

§1822 A CARIDADE é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.

§1823 Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus “até o fim” (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

§1824 Fruto do Espírito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo: “Permanecei em meu amor. Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor” (Jo 15,9-10).

§1825 Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda “inimigos” (Rm 5,10). O Senhor exige que amemos como Ele, mesmo os nossos inimigos, que nos tornemos o próximo do mais afastado, que amemos como Ele as crianças e os pobres.

O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade: “A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (l Cor 13,4-7).

§1826 Diz ainda o apóstolo: “Se não tivesse a caridade, nada seria…”. E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude… “Se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria”. A caridade superior a todas as virtudes. E a primeira das virtudes teologais “Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade” (1 Cor 13,13).

§1827 O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela Caridade, que é o “vinculo da perfeição” (Cl 3,14); é a forma das virtudes, articulando-as e ordenando-as entre si; é fonte e termo de toda prática cristã. A caridade assegura purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a a feição sobrenatural do amor divino.

§1829 A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia, exige a beneficência e a correção fraterna; é benevolência; suscita a reciprocidade; é desinteressada e liberal; é amizade e comunhão:
A finalidade de todas as nossas obras é o amor. Este é o fim, é para alcançá-lo que corremos, é para ele que corremos; uma vez chegados, é nele que repousaremos.

§1844 Pela Caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e a nosso próximo como a nós mesmos por amor a Deus. Ela é o “vínculo da perfeição” (Cl 3,14) e a forma de todas as virtudes.
A vida fraterna na família, no trabalho e na comunidade paroquial é o ambiente ideal para vivermos de maneira concreta a Caridade. Portanto, dar tudo e de melhor a Deus e aos irmãos e não as migalhas e muito menos aquilo que nos sobra.  Qual tem sido a qualidade de sua vida fraterna e de seus gestos concretos com seus irmãos? 

Oração: Senhor daí-nos experimentar primeiro o Teu amor por nós e depois amaremos profundamente a Ti e a nossos irmãos, “pois sem Ti nada podemos fazer”. Eu quero e sei que este caminho é o caminho da perfeição, por isso, derrama sobre nós o Teu Espírito Santo, é Ele quem nos revela o Amor do Pai e do Filho, a clareza dos nossos pecados e a graça da conversão para poder amar de verdade a Deus e aos nossos irmãos.
Conte com as minhas orações.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
Diretor Espiritual e Formador do Pré-discípulado.

* Fonte de pesquisa: Livro Celebrar a vida Cristã, Frei Alberto Beckhauser, OFM. Editora Vozes, 1991 * § Catecismo da Igreja Católica

Fonte: Blog do Pe. Luizinho

Leia hoje: São Lucas, 11,14-23

E seja Feliz!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Último Angelus do Papa Bento XVI

Brasao_BentoXVI
Angelus
Praça São Pedro
Domingo, 24 de fevereiro de 2013
Queridos irmãos e irmãs,
Obrigado pelo vosso afeto!
Hoje, segundo domingo da Quaresma, temos um Evangelho particularmente belo, aquele da Transfiguração do Senhor. O Evangelista Lucas coloca especial atenção para o fato de que Jesus se transfigurou enquanto rezava: a sua é uma experiência profunda de relacionamento com o Pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive em um alto monte na companhia de Pedro, Tiago e João, os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre (Lc 5,10; 8,51; 9,28). O Senhor, que pouco antes tinha predito a sua morte e ressurreição (9, 22) oferece aos discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração, como no batismo, ressoa a voz do Pai celeste: “Este é o meu filho, o eleito; escutai-o!” (9, 35). A presença então de Moisés e Elias, que representam a Lei e os Profetas da antiga Aliança, é ainda mais significativa: toda a história da Aliança é orientada para Ele, o Cristo, que cumpre um novo “êxodo” (9, 31), não para a terra prometida como no tempo de Moisés, mas para o Céu. A intervenção de Pedro: “Mestre, é bom estarmos aqui” (9, 33) representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Comenta Santo Agostinho: “[Pedro] … sobre o monte … tinha Cristo como alimento da alma. Por que ele iria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá estava cheio de sentimentos de amor santo para Deus e que o inspiravam, portanto, a uma conduta santa? (Discurso 78,3: PL 38,491).
Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos aprender um ensinamento muito importante. Antes de tudo, o primado da oração, sem a qual todo o empenho do apostolado e da caridade se reduz ao ativismo. Na Quaresma aprendemos a dar o tempo certo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e das suas contradições, como no Tabor queria fazer Pedro, mas a oração reconduz ao caminho, à ação. “A existência cristã – escrevi na Mensagem para esta Quaresma – consiste em um contínuo subir ao monte do encontro com Deus, e depois voltar a descer trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus” (n. 3).
Queridos irmãos e irmãs, esta Palavra de Deus a sinto de modo particular dirigida a mim, neste momento da minha vida. Obrigado! O Senhor me chama a ‘subir o monte’, a dedicar-me ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, ao contrário, se Deus me pede isto é para que eu possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor com o qual tenho buscado fazê-lo até agora, mas de modo mais adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: ela nos ajude a todos a seguir sempre o Senhor Jesus, na oração e nas obras de caridade.
BENTOXVI_assinatura

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Juventude Apaixonada Pelos Céus!

Estamos na Quaresma...tempo de reflexão e de voltar ao primeiro amor, que é Deus, e que muitas e muitas vezes abandonamos, para seguir ilusões que só fazem nos decepcionar.

Neste Carnaval, tive a oportunidade de estar em meio aos jovens de minha Paróquia e de outras comunidades da Diocese de Petrópolis, em retiro. Foi extremamente gratificante vê-los na sua alegria tão característica, e pude refletir, nesses dias, o quanto os jovens têm sede de Deus!

Mas o mundo que os cerca enche-lhes de cores vibrantes para poder distrsí-los e levá-los para a perdição: sexo, drogas, bebidas, cigarros, prazeres desenfreados...e no dia seguinte o que resta é a culpa.

Nesta Jornada Mundial da Juventude, que estaremos realizando no Brasil, em Julho, em pleno Rio de Janeiro, espero ver muitos jovens voltando para Deus, voltando para casa, voltando para seus pais, voltando para a Fé.

Eu vou ficar por aqui, rezando e pedindo a Deus que abençoe cada jovem, cada coração apaixonado pelos céus!

Seja Feliz!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2013



MENSAGEM
Crer na caridade suscita caridade 
"Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele"
(1 Jo 4, 16) 

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2013

Queridos irmãos e irmãs!

A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da ação do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: "Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele" (1 Jo 4, 16), recordava que, "no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um 'mandamento', mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro" (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e "apaixonado" que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: "O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está 'concluído' e completado" (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os "agentes da caridade", a necessidade da fé, daquele "encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor" (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - "caritas Christi urget nos" (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

"A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir" (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente "o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado" (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o "sim" da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).

Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma "fé que atua pelo amor" (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é "caminhar" na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma "dialética". Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra "caridade" à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o "serviço da Palavra". Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contato com o divino que é capaz de nos fazer "enamorar do Amor", para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.

A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: "É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas ações que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos" (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a ação do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:"Abbá! – Pai!" (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: "Jesus é Senhor!" (1 Cor 12, 3) e "Maranatha! – Vem, Senhor!" (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé ("saber-se amado por Deus"), mas deve chegar à verdade da caridade ("saber amar a Deus e ao próximo"), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012