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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Criogenia: é possível preservar a vida?

O congelamento de corpos ou a criogenia é um ramo da físico-química que estuda tecnologias para congelar corpos a temperaturas abaixo de -150°C
Os gases de nitrogênio, hélio e oxigênio quando liquefeitos podem ser usados em muitas aplicações criogênicas (ex. congelamento de embriões em laboratórios de reprodução artificial; de células-tronco de embriões ou do cordão umbilical).
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Criogenia é possível preservar a vidaSão muitos os objetivos buscados ao congelar corpos, mas o mais ambicioso é a tentativa de manter a pessoa supostamente “viva” e congelada, na expectativa de, no futuro, encontrar a cura da doença pela qual ela foi acometida. Dessa forma, essa pessoa poderá ser curada e continuar sua vida livre daquela enfermidade. Conforme cientistas do Cryionics Institute, criado com o objetivo de preservação da vida por meio da criogenia, imediatamente após a morte confirmada, o paciente é exposto a uma substância que impedirá a formação de gelo em torno do corpo e, logo em seguida, o corpo é resfriado a uma temperatura muito baixa, mantendo-o por tempo indeterminado em “cryostasis”, ou seja, congelado em nitrogênio líquido. No entanto, os próprios cientistas afirmam que essa técnica não consiste em querer “ressuscitar” a pessoa, pois a criogenia não poderá restaurar pessoas com morte cerebral.
A criopreservação só pode garantir a preservação de estruturas corporais que possam voltar à vida, ou seja, serem restauradas. A criônica tem como objetivo “preservar” corpos humanos recém-falecidos para reanimá-los na posteridade. Muitos cientistas descartam essa possibilidade como algo mais ligado ao campo religioso do que à ciência; afinal, as pessoas são congeladas e ficam à espera de um progresso científico capaz de curá-las de sua enfermidade até então incurável.
A criopreservação é possível, já temos o congelamento de embriões humanos em laboratórios por tempo indeterminado; porém, imaginar que o paciente possa voltar e ser curado da enfermidade já é outra história. Cientistas estão fazendo testes com animais, tecidos e órgãos humanos e garantem que estão tendo sucesso. Para os defensores dessa tecnologia, é como se a pessoa acordasse de um sono profundo muitos anos depois de sua era. Para isso, diferentes laboratórios criogênicos do mundo estão trabalhando exaustivamente e têm a permissão de seus respectivos governos para funcionarem normalmente. Um dos grandes desafios para os criônicos é como reverter os danos biológicos causados pelo processo de esfriamento, ou seja, ainda não possuem a tecnologia para reverter a vitrificação.
O que podemos dizer de tudo isso? Tem-se desenvolvido uma nova expectativa que é funcional, sobretudo, na cruzada da medicina contra a mortalidade: tudo é permitido, salva vidas, cura as doenças e evita a morte, ou seja, deve-se fazer de tudo para preservar a saúde e prolongar o máximo possível a vida; os outros valores devem se curvar na presença de divindades biomédicas como uma melhor saúde, maior vigor e vida mais longa.
Se a vida é um bem e viver mais é melhor, por que não considerar a morte uma doença e lutar para vencê-la a todo custo? O uso das biotecnologias na luta contra a morte levanta razões sérias e importantes para uma reflexão ética acerca da oportunidade da “cura da morte”.
De fato, a vitória sobre a morte é o objetivo implícito da ciência médica moderna e de todos os projetos científicos ao longo da história. São várias as propostas na busca contínua da conquista da natureza para aliviar a condição humana, e para isso instituíram a ciência, cujo objetivo explícito é inverter a maldição caída sobre Adão e Eva, sobretudo recuperar a árvore da vida por meio do conhecimento científico. Para a maioria de nós, especialmente no mundo moderno secularizado, onde as pessoas cada vez mais estão convencidas de que esta é a única vida que nos foi dada, o desejo de estender (mesmo que pouco) a duração da vida é a revelação do desejo de não envelhecer e nunca morrer.
A moralidade da busca contra a morte depende da ação ou do objetivo aos quais o desejo está vinculado. O mal está em sua procura desordenada e desvinculada de nosso verdadeiro fim que é estar em Deus. É necessário que o homem reconheça e aceite a própria realidade e os próprios limites. E, ao abrir-se a Deus, poderá acolher melhor o sentido da própria fragilidade, dos próprios limites e desejos ilimitados.
Não é contrário à natureza, em busca de uma medida ética e digna da pessoa, encontrar meios para lutar contra a mortalidade ou mesmo para envelhecer com melhor qualidade de vida. Na atribuição ética da tecnologia que procura vencer a morte, é preciso avaliar a intenção de tal busca, enquanto tal intervenção é capaz de modificar a natureza humana e as eventuais consequências para a pessoa e para a humanidade. A busca desenfreada da cura da morte, neste caso específico do congelamento do corpos, que afeta a integridade da pessoa na tentativa de atingir uma vida imortal, é uma ofensa contra a dignidade em sua humanidade, é a não aceitação da condição de criatura e como relata o livro do Gênesis sobre Adão e Eva, é querer reivindicar para si o direito de decidir o que é bom e o que mau,uma força perigosa e ameaçadora e da qual cada geração a vive e, por isso, o pecado ainda continua.

Padre Mário Marcelo Coelho

Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário Assunção ( SP), o sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP).


terça-feira, 1 de julho de 2014

Maria teve Pecados?

Como responder às pessoas que nos perguntam se a Virgem Maria, Mãe de Deus, teve pecados? 
Maria teve pecados?A sã Doutrina da Igreja, desde os primórdios do Cristianismo, ensina que a Santíssima Virgem Maria foi concebida sem a mancha do pecado original e não teve nenhum pecado mortal ou venial. A Virgem Santa, Nova Eva, é o verdadeiro Paraíso Terrestre do Novo Adão1. “Há, nesse paraíso terrestre, riquezas, belezas, raridades e doçuras inexplicáveis que o Novo Adão, Jesus Cristo, aí deixou. Nesse paraíso, Ele achou as Suas delícias durante nove meses, operou as suas maravilhas e ostentou as suas riquezas com a magnificência de um Deus”2A Mãe do Senhor é o lugar santo, a terra virgem e imaculada sem qualquer nódoa ou mancha, da qual foi formado e se alimentou o Novo Adão pela ação do Espírito Santo que aí habita.
O Magistério da Igreja ensina que a concepção da Virgem Maria aconteceu, no ventre da sua mãe, sem a mancha do pecado original. Em conformidade com a Palavra e com a Tradição da Igreja, o dogma da Imaculada Conceição de Maria foi definido pelo Papa Pio IX, pela BulaIneffabilis Deus, em 8 de dezembro de 1854: “Para a honra da santa e indivisível Trindade, para adorno e ornamento da Virgem Deípara (Mãe de Deus), para exaltação da fé católica e o incremento da religião cristã, com a autoridade do Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo, declaramos, proclamamos e definimos a doutrina que sustenta a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha da culpa original, é revelada por Deus e por isso deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis”3.
Naquele tempo, a festa da Imaculada Conceição de Maria já era celebrada, no dia 8 de dezembro, por definição do Papa Sisto IV, em 1476. A celebração desta festa, na Liturgia da Igreja Católica, é reflexo do pensamento dos padres da Igreja e dos Santos Doutores, que, muito antes, já defendiam a Imaculada Conceição de Maria, pois era adequado que a Mãe do Cristo estivesse completamente livre da mancha do pecado original para gerar o Filho de Deus. “A um Deus puríssimo convinha uma Mãe isenta de toda culpa”4. Além disso, “o consenso universal dos fiéis, […] o sentimento comum dos católicos é favorável a essa doutrina”5. Favorável ao Dogma da Imaculada Conceição é também a festa da Natividade de Maria, celebrada por causa da fé da Igreja na sua santidade desde o ventre materno.
A Doutrina não ensina somente que Nossa Senhora foi concebida sem o pecado original, mas também atesta a Perpétua Virgindade de Maria. A Virgem Santa foi preservada por Deus de todo pecado, em vista dos méritos de seu Filho Jesus Cristo, desde o primeiro momento da sua vida. A Santa Igreja ensina que Maria é virgem antes, durante e depois do parto. A definição magisterial da virgindade perpétua da Mãe de Deus é o dogma mariano mais antigo das Igrejas Católica e Oriental Ortodoxa, que afirmam a “real e perpétua virgindade mesmo no ato de dar à luz o Filho de Deus feito homem”6. Este dogma foi definido pelo Concílio de Trento, em 1555, embora essa doutrina já estivesse presente no Cristianismo primitivo, nos escritos de São Justino e Orígenes.
Os dogmas da virgindade perpétua e da Imaculada Conceição de Maria, definidos pelo magistério, pelos Santos Doutores e pelo consenso de fé dos fiéis, tem como fundamento a revelação. Ainda que não haja, nas Sagradas Escrituras, afirmações explícitas dessas doutrinas, há vários textos que, implicitamente, atestam essas verdades, como nos ensinam os Santos Padres. Estes aplicam à Virgem Maria as palavras do Eclesiástico: “Eu saí da boca do Altíssimo, a primogênita entre todas as criaturas”7. A própria Igreja se serve desse texto na Liturgia da Solenidade da Imaculada Conceição. Maria é a primogênita de Deus, pois foi predestinada juntamente com o Filho nos desígnios divinos, antes de todas as criaturas. Convinha que nem sequer por um instante ela fosse escrava de Lúcifer, mas pertencesse unicamente a Deus: “O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos”8.
Deus Altíssimo elegeu a Virgem de Nazaré para ser Mãe de Seu Filho unigênito9 e, pelo Espírito Santo, a tornou digna dessa sublime honra. Por isso, Maria foi concebida sem o pecado original, em vista dos méritos de Cristo, e durante a vida a “Cheia de Graça”10 não cometeu nenhum pecado mortal ou venial. Se Nossa Senhora tivesse cometido apenas um pecado venial, ela já não seria digna Mãe de Deus. Muito menos digna seria ainda se sobre ela pesasse a culpa original. Se sobre ela pesasse semelhante culpa, Maria seria inimiga de Deus e escrava do demônio. Essa reflexão levou Santo Agostinho a pronunciar a célebre sentença: “Nem se deve tocar na palavra pecado, em se tratando de Maria; e isso por respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, o qual a preservou de todo pecado por sua graça”11.
Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!
1Cf. I Cor 15, 45.
2SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Fraternidade Arca de Maria, 2002, 261.
3DENZINGER-HÜNERMANN. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral.São Paulo: Paulinas; Loyola, 2007, 2803.
4SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Glórias de Maria. 3ª ed. Aparecida: Santuário, 1989, p. 241.
5Idem, p. 253.
6JOÃO PAULO II. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000, 499.
7Eclo 24, 5.
8Pr 8, 22.
9Cf. Lc 1, 30.
10Lc, 1, 28.
11SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Op. cit., p. 244.

Natalino Ueda

Missionário da comunidade Canção Nova, desde 2005 cursou Filosofia e Teologia, atua no portal cancaonova.com como produtor de conteúdo é autor do blog Todo de Maria. blog.cancaonova.com/tododemaria

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Sedes Santos!

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4, 3)

Hoje, a Igreja comemora o dia de Todos os Santos. Ontem, postei matéria sobre como começou esta celebração.

Mas quem são os "santos"? Muita gente vai responder que são aqueles heróis da fé, que são lembrados liturgicamente pela Igreja, como São Francisco, Santa Teresinha, Santo agostinho, São Pedro, São Frei Galvão...também são eles. Mas não só.

Santo também é todo aquele (eu, você) que somos Batizados! Sim! O Sacramento do Batismo não serve apenas para nos purificar do pecado original, mas nos insere na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, tira-nos da condição de criatura e nos dá a condição de filhos, filhos de Deus!

O Batismo nos dá, de presente, a graça da Fé. E é pela Fé que todo homem adere ao Reino de Deus e Sua proposta salvífica. Deus só pode nos salvar se nós quisermos ser salvos, e para sermos salvos, para podermos merecer o céu, primeiro temos que acreditar que o céu existe e foi criado para mim também!

Nós sempre incorremos no erro de achar que não somos dignos de sermos considerados santos. Até aí, estamos certos. Não somos mesmo. Basta que olhemos para nossa vida, com tanto desamor, com tanta vaidade e orgulho, e logo sabemos que não somos merecedores de tamanha bondade de Deus. Se estamos pensando assim, estamos no caminho certo. Como assim? 

Explico: O fato de termos recebido o Batismo nos insere na Família de Deus, mas nossos pecados nos afastam d'Ele. entretanto, por termos a ação do Espírito Santo em nós (pelo Batismo), vamos remar contra a maré de nossa natureza pecadora, fraca, decaída, e nessa luta constante de cair e levantar, vou caminhando rumo ao céu.

O fato de ter pecado não elimina a graça do Batismo; não elimina a Fé que eu tenho no Deus que em criou. Sabe porque? Porque Deus me presenteou com a Fé, mas a opção de crer vem de uma decisão minha; uma decisão livre e feita amorosamente.

Eu amo a Deus que me criou e me deu a graça de crer n'Ele e em Suas verdades, e por saber que Deus é bom e fiel, sei que ele não faltará às promessas feitas a mim. Então, creio que Ele me dará a salvação, desde que eu O busque de coração sincero, comprometendo-me com Ele a me emendar de meus defeitos e crescer nas minhas virtudes.

Assim fizeram os grandes santos (falo agora daqueles canonizados). Pessoas como eu e você, também cheias de defeitos, mas que por uma graça especial de Deus, tornaram-se ícones de exemplo a ser seguido.

Deus como que quer dizer: Se vocês acham que imitar Meu Filho amado, Jesus Cristo, por ser Deus como Eu e o Espírito Santo, é muito difícil, então deixo-lhes esses homens e mulheres, fracos e decaídos como vocês, para que vocês vejam que não é difícil chegar à santidade. Basta que hajam duas coisas: decisão e vontade.

Muitos homens, hoje verdadeiros exemplos de heróis da fé, fizeram coisas terríveis! São Paulo, por exemplo, perseguia, matava os cristãos! São Pedro foi extremamente covarde: traiu Jesus, negando-O três vezes! Santo Agostinho viveu nas trevas do gnosticismo por trinta anos! Entretanto, ao compreenderem suas atitudes, diante do amor de Deus que se lhes revelava, não se fecharam em seus orgulhos, mas logo decidiram pelo Amor! E Deus os acolheu e quanto mais mergulhavam nesse amor infinito, mais se santificaram, mais o Espírito Santo os guiava.

Neste dia de Todos os Santos, o convite de Deus é este: renove sua decisão, ou decida-se por Deus. Decida-se pela santidade que já habita em você!

No meu processo de conversão, o livro "Confissões", de Santo Agostinho foi decisivo. vou recomendar a você essa obra, pois tenho a certeza de que vai ajudá-lo/a na sua decisão. 

E confie no Espírito Santo para crescer na Fé. Não confie em suas próprias forças. Lembre-se: não foi confiando em você mesmo que você se deu mal? Agora, confie n'Aquele que nunca vai lhe trair. Decida-se por Deus, e deixe Deus agir! 

Estarei rezando por você!

Neste dia, especialmente, quero me lembrar das palavras do Bem-aventurado João Paulo II, quando esteve no Brasil em 1991, na Missa de Beatificação de Madre Paulina: "o Brasil precisa de santos, de muitos santos! A santidade é a prova mais clara, mais convincente da vitalidade da Igreja em todos os tempos e em todos os lugares." 
Não deixemos que, por falta de exemplos, nossos filhos e filhas continuem se perdendo nas drogas, violência e prostituição, ou o pior, na indiferença aos apelos  de Deus. "Sereis santos porque eu sou santo." (Lev 11,45)

Seja Bem-aventurado!

E seja Feliz!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Grande Perigo!!

O que o diabo sabe sobre mim?

Calma! Vou explicar! Escutei do querido padre Léo que tem segredo com o diabo a pessoa que não confessa seus pecados. Muito inteligente!

Fiquei extremamente pensativo, imaginando o grande mal que é estar nas mãos de um grande inimigo, tendo com ele segredos.

É claro que, aqui, o mais importante, é receber um convite para que confessemos nossos pecados, recebendo, assim, o perdão, a paz e a força para não pecarmos mais. Quem não confessa seus pecados, guarda segredo com o diabo!

Fiquei perguntando-me: será que também tenho segredos com ele? E você?

Com carinho e orações,

Seu irmão,
Ricardo Sá 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Modo prático de se confessar

A confissão, ou Sacramento da Penitência, é o caminho escolhido por Nosso Senhor para nos redimirmos com Ele, com nossos irmãozinhos e conosco.

Nesses dias andei atribulado para me confessar, julgando-me culpado (é lógico!), porém mais do que o necessário e o devido. Então analisei de onde provinha tanto medo e acabrunhamento para buscar o socorro no sofrimento da alma, e percebi que era o sentimento de impenitência que me invadia, sorrateiramente...perigoso ardil de satanás para confundir-nos, aumentando em nós a tibieza, para nos atingir com um golpe que poderá ser fatal para nossa Fé.

Procurei logo, então, o socorro do Sacerdote, e o remédio da Confissão.

Antes, procurando fazer um mais detalhado exame de consciência, deparei-me com o artigo abaixo, que publico no desejo de que também possa levá-lo/a, ainda hoje, ao confessionário, para que você também reabilite-se com o Senhor e volte para a Graça!

Deus o/a abençoe!

O SACRAMENTO DA CONFISSÃO.
CONFESSAI-VOS BEM !!!
Parte XVI.
Modo prático de se confessar.
 
Exame
 
D. — Padre, depois dessas coisas tão bonitas que me disse até agora sobre a confissão, tenha a bondade de acrescentar algumas palavras sobre o modo de se confessar. Tenho medo de não ser capaz e de me confessar bem.
M.E por que esse medo? "A confissão, como a definiu o suavíssimo Papa Pio X, é a descoberta mais oportuna que Jesus soube fornecer à enfermidade humana".
Isso quer dizer que é o Sacramento mais fácil de se receber, ao alcance de todos, e que não requer condições difíceis, de modo que, todos os que têm boa vontade para fazer uma boa confissão, sempre o conseguem. Aqueles então que têm muito medo de se confessarem mal, são os que se confessam melhor, justamente por causa do medo.
 
D. — Devemos também rezar antes da confissão?
M.Sendo uma verdade de fé que, sem o auxílio da graça, não nos podemos confessar bem, devemos pedir esse auxílio com a oração:
1) Avivando a fé nesse Sacramento, que é o principal meio de santificação.
2) Agradecendo a Jesus que quis dar-nos tão valioso presente à custa da sua paixão e morte.
3) Recomendando-nos à nossa querida mãe. Maria Santíssima, refúgio dos pecadores, ao nosso Anjo da Guarda, às Almas do Purgatório.
 
Depois disso fazemos o exame de consciência.
 
D. — Ah, Padre, aqui começam as minhas inquietações. Eu não sou capaz de fazer o exame de consciência: ou não me lembro dos pecados, ou então me esqueço deles quando chego ao confessionário.
M.Vá devagar, meu caro, não turvemos a água com a aflição. Com o medo não se faz nada direito, mas, se nos aplicarmos com calma e confiança em Deus venceremos na certa.
Façamos o que nos for possível, e o Senhor suprirá ao resto; muitas vezes, é justamente quando estamos menos satisfeitos com nós mesmos que a sua satisfação é maior.
 
D. — Todos são obrigados a fazer o exame?
M. — Eu já vou dizendo que, se para uns o exame é obrigatório, para outros pode ser nocivo.
 
D. — É obrigatório para quem?
M. — Um exame sério e diligente é obrigatório:
1) Para os que cometem pecados mortais.
2) Para os que se confessam raramente.
3) Para os que, há algum tempo, não se confessam bem.
Todos esses, devendo acusar faltas graves, as circunstâncias que transformam a espécie, e também o número das mesmas, é claro que devem fazer um exame sério e cuidadoso.
 
D. — O quê se deve fazer para um bom exame?
M. — Para fazer um bom exame, devemos passar em revista diante da nossa consciência os mandamentos de Deus e da Igreja, juntamente com os deveres do próprio estado. Devemos examinar-nos sobre cada um deles para saber se pecamos por pensamentos, palavras, obras e omissões, tendo em mira principalmente a paixão predominante e as causas geradoras das faltas costumeiras.
 
Portanto, no que diz respeito ao primeiro mandamento, devemos observar se não tivemos fé em qualquer verdade de nossa religião se tomamos parte em conversas contra a religião, ou, se prestamos atenção a elas; se lemos livros ou jornais contra a religião; se cometemos sacrilégios, fazendo más Confissões ou más Comunhões, ou desprezando coisas ou pessoas sagradas; se cometemos práticas supersticiosas, ou se participamos de alguma sessão espírita.
 
Quanto ao segundo mandamento, observemos se blasfemamos o nome de Deus, da Virgem ou dos Santos, ou se fizemos juramentos ilícitos.
 
Quanto ao terceiro mandamento, observemos se não assistimos à Missa nos dias santos de guarda, ou se não assistimos à ela com a devida atenção; se, propositadamente, faltamos ao catecismo, ou ao sermão; se fizemos trabalhos manuais ou obras servis, ou então se passamos o dia de festa em divertimentos, pagodes, botequins.
 
Quanto ao quarto mandamento, vejamos se não respeitamos nossos pais e superiores, faltando-lhes ao respeito com palavras, obras ou insultos; ou se os fizemos chorar com o nosso mau procedimento.
 
Quanto ao quinto mandamento vejamos se golpeamos gravemente, ou se ferimos alguém; se nutrimos no coração ódio a alguma pessoa; se pensamos em vingança; se lançamos imprecações ou maldições; se demos escândalo, isto é, se com palavras ou ações excitamos outros ao pecado.
 
Quanto ao sexto e nono mandamentos, examinemos se tivemos pensamentos ou desejos contrários à castidade, se consentimos neles ou se fomos negligentes em afastá-los; se tomamos parte em conversas escandalosas, ou se lhes prestamos atenção; se lemos livros obscenos; se cometemos atos impuros, e se os cometemos sozinhos ou com outros e de que condição eram esses outros, desde que essas circunstâncias mudam a malícia do pecado; e se repetimos esses atos; se freqüentamos bailes ou espetáculos desonestos.
 
Quanto ao sétimo e décimo mandamentos examinemos se não roubamos alguma soma ou coisa de valor, seja em casa, seja de outras pessoas; se causamos danos; se tivemos pensamentos ou desejos de nos apropriarmos das coisas dos outros injustamente.
 
Chegando o oitavo mandamento vejamos se proferimos injúrias graves ou danosas; se murmuramos ou caluniamos gravemente; se causamos prejuízos à estima ou à honra de alguém.
 
Passando aos preceitos da Igreja, basta observar se violamos dias proibidos; ou se sendo obrigados a jejuar não o fizemos: finalmente se omitimos a Confissão e Comunhão bem feita no tempo da Páscoa.
 
Acrescentemos a esse exame sobre os mandamentos de Deus e da Igreja, um pequeno exame sobre os vícios capitais, considerando se cometemos pecados graves de soberba, de gula, de ira, de inveja; e para terminar deitemos um olhar para as obrigações do próprio estado.
 
D. — Para as obrigações do próprio estado também?
M. — Certamente! Um pai ou uma mãe, um marido ou uma mulher, um professor, um superior qualquer, podem muito bem observar todos os mandamentos, e ao mesmo tempo faltar gravemente aos deveres do próprio estado; o mesmo se dá com as crianças.
 
Portanto, o exame de consciência sobre os deveres do próprio estado é de suma importância, quando se quer fazer uma boa Confissão. A anedota seguinte é histórica.
O Imperador Carlos V, estava em viagem e, passando por um convento, quis confessar-se. Um religioso, cheio de caridade, ouviu a confissão do imperador e depois acrescentou:
"Confessus es peccata Caroli... nunc confitere peccata Caesaris...
Confessaste-me os pecados de Carlos, isto é, como se não fosse imperador; confessa-me agora os pecados que cometeste no desempenho do teu cargo".
 
E, com muita habilidade e simplicidade, interrogou-o sobre o modo como governava o seu povo. O imperador ficou tão comovido que, mais tarde, quando contou o fato, disse: "Finalmente encontrei quem me iluminou sobre certos argumentos, e deu à minha consciência paz completa!"
 
D. — Padre, será que todos são capazes de fazer "um exame tão diligente?"
M. — Os que não forem capazes, apresentem-se ao confessor, prontos para declarar todos os fatos de que se lembram, para responder sinceramente às perguntas que ele lhes fizer: é quanto basta.
 
D. — E se o confessor não fizer perguntas e se o penitente esquecer dos pecados mortais?
M. Os pecados, mesmo os mortais, quando não são propositadamente esquecidos, são perdoados como os que se confessar, ficando o penitente obrigado e declará-los, se se lembrar deles, nas confissões seguintes.
 
D. — Enquanto isso podemos ir para a Comunhão com a consciência tranqüila?
M. Sim, podemos ir para a Comunhão com a consciência tranqüila mesmo em ponto de morte.
 
D. — Padre, o senhor disse que nos devemos examinar sobre pensamentos e desejos?
M. Certamente, porque, quando maus, os pensamentos e desejos também são pecados.
— Mamãe, perguntou um menininho, se, como a senhora me ensinou, nada no mundo se perde, aonde vão parar os pensamentos e desejos?
— Meu filho, respondeu gravemente a mãe; vão morar na memória de Deus, e ali ficam para sempre.
— Para sempre! exclamou o menino surpreendido. Pensou um pouco, de cabeça baixa, e depois, abraçando a mãe bem apertado, murmurou baixinho:
Eu tenho medo! E pensando bem, quem é que não se sente compelido a dar o mesmo grito: eu tenho medo!...
E se certos pensamentos nos causam medo, por que não devemos examiná-los e detestá-los?
 
D. — Os maus pensamentos são sempre pecado?
M.Não, meu filho, algumas vezes não são pecado; outras vezes são pecado venial; mas podem também ser pecado mortal.
Ouça esta comparação:
Uma fagulha que cai sobre um vestido branco e é logo retirada não deixa mancha. Se a deixarmos ali, alguns instantes, deixa uma mancha chamuscada. Se a deixarmos ali, para ver o resultado, ela acaba queimando o vestido.
Assim acontece com os maus pensamentos. Se os expulsarmos logo, não são pecado nenhum; se consentirmos neles por alguns instantes são pecado venial; se ficarmos a seguir o curso, até ao fim, com plena consciência do que estamos fazendo e com prazer, nesse caso são pecado mortal.
 
D. — Quais são os que não são obrigados a fazer um longo exame?
M.As almas que tem temor de Deus e que se confessam sempre não são obrigados a um exame demorado, porque, segundo o célebre Frassinetti ou não cometem pecados mortais, ou então, na hipótese de cometerem algum, não se esqueceriam dele.
 
D. — Então, Padre, fazem mal os que ficam angustiados e se agitam porque não acham pecados?
M.Certamente! 'Não é de estranhar, diz ainda Frassinetti, se, não cometendo pecados, não os encontrais. Agradecei a Deus, e continuai a ficar deles afastados com o auxílio dos Sacramentos".
 
Lembro-me de um menino que indo para a confissão chorava como uma videira recém-cortada.
— Por que, pequeno, eu perguntei, por quê você chora tanto?
— Porque eu não encontro pecados!
— Você não os cometeu?
— Não, Padre, pecados eu nunca cometi.
 
D. — Diga-me enfim, Padre: para quem pode o exame ser nocivo?
M.Pode ser nocivo para as almas confusas, agitadas, irritadiças, escrupulosas, as quais, por terem a convicção de que devem fazer as contas como se se tratasse de matemática, não acabam nunca de se examinar para chegar sempre a zero, com despeito e desânimo sempre crescentes. Em tais casos, o Confessor proíbe o exame, e elas devem obedecer.
 
D. — Agradecido por tudo, Padre; eu nunca me esquecerei disso.



Seja Feliz!