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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

EU NÃO MEREÇO SER ESTUPRADA

Achei muito interessante esse artigo, do Contém 2G e publico aqui.

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...O que você faria?


Se estivesse em uma lanchonete e chegasse uma menina obviamente "caindo de bebada". Logo em seguida chega um estranho e, 'vendo vantagem na situação', se aproxima e tenta convence-la de ir para um motel ou outro lugar (não sabemos qual, afinal ele é um estranho). Como as pessoas na lanchonete reagem ao notar isso?
Um programa americano fez o teste, com atores e cameras escondidas. Algumas pessoas vendo que a menina não tinha nenhuma consciencia do que estava fazendo, tomaram partido e tentaram impedir o estranho de levar a menina vulnerável dali. Em entrevista após a 'pegadinha', um dos homens que reagiu impedindo o rapaz de levar a menina até chorou ao explicar para o reporter o que o motivou a interferir: "a menina lembrava minha filha, por isso não deixei que isso acontecesse com ela".
Este teste trouxe uma supressa boa e nos fez até voltar a ter fé na humanidade. Mas o teste não acaba aqui. No teste seguinte, mudaram um pouco o cenário: a menina contiava com a mesma idade, porém, com roupas e comportamentos "piriguete". O resultado foi um desastre total, muito pior do que se poderia imaginar. Sem mais spoilers, veja o vídeo aqui e entenda porque a fé na humanidade acaba depois do segundo teste (depois continue lendo o texto): https://www.youtube.com/watch?v=V5Iyx6bShas
Este simples experimento, que provavelemnte omstraria resultados similares em boa parte do mundo, deixa muito claro que as mulheres NÃO PODEM ter a mesma liberdade de comportamento que os homens, pois fazendo isso elas estão muito mais vulneráveis a violência. Não precisamos desta caso apenas, mas aqui fica muito evidente que julgamos as pessoas pelo que elas "se parecem", da forma mais superficial que existe. E a partir do momento que colocamos um rótulo em uma pessoa, critica-la se torna uma tarefa simples. Casos como este (e no Brasil o experimento real "Geisy Arruda") mostram que roupa, além de cobrir o corpo, grita 'se você quer ter respeito ou não'. Violentadores separam as pessoas assim, você e eu as vezes também nos pegamos pensando assim. Só porque a maioria e só porque está enraizado na nossa cultura, não quer dizer que este pensamento é aceitável - e não precise ser mudado 'para ontem'. Esta cultura das cavernas incentiva a violência física, verbal e moral.




"Um navio está seguro no porto. MAS não foi para isso que os mesmo foram feitos" - John A Shedd.


No meio desta confusão da campanha "Eu não mereço ser estuprada", li este comentário de um colunista de um jornal influente no Brasil, criticando o IPEA (orgão que realizou a pesquisa) alegando que o problema dos 65% que acham que merecem ser atacadas foi um problema de comunicação. O argumento dele é que o uso da palavra atacar foi errado e que esta pesquisa está tentando enganar a gente: http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/03/28/a-culpa-do-estupro-nao-e-da-mulher-mas-a-da-confusao-e-da-pesquisa-do-ipea-essa-sim-merece-ser-atacada/



Tenho certeza que o que ele pensa é o mesmo que muita gente com boas intenções pensam. Concordo que “Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros” pode ser interpretada de duas formas diferentes, embora discorde dos argumentos lógicos para isso. Explico: Pode até ser em algumas poucas situações o "bom comportamento" desperte a empatia de alguém que impeça o estupro ao invés de incentivar. Acredito que comportamento assexuado não contruibiu (pelo menos não de forma representativa) com a diminuição significativa dos casos de estupro, até porque definição de bem comportado varia de pessoa para pessoa, quem respondeu tinha um idal de comporatemento que nunca vamos saber qual é. O colunista disse não fazer idéia "se o índice de estupros diminuiria se as mulheres vestissem burcas" - porém ele tem a certeza lógica de que saia curta atrai estuprador. Se saia curta atrai estuprador e isso é lógico, então deveria ser lógico também que cobrir o corpo evita estuprador. Não? Se ele fizesse um trabalho de pesquisa antes de publicar - afinal diz-se colunista cultural, poderia talvez ter uma idéia melhor: mostrar ou não o corpo não cria nehuma situação ideal para violencia sexual, mas sim a idéia de superioridade de um sexo sobre o outro. Ah amigo, quando algumas pessoas pequenas acreditam ser superiores a outras a catástrofe é garantida. Lembrando que a maioria dos casos de violencia sexual acontecem dentro de casa ou em um círculo muito proxima: vizinhos e parentes. Se a maioria acontece em situações onde o agressor conhece a vitima e sabe quando atacar sem ser visto,tem o poder de controle da situação e enxerga "roupa de ficar em casa" como "roupa provocante"... Não tem comportamento santo que segure esta besta desenfreada. Se o vizinho acha que seu pau e exitação é maior que o ser humanos indefeso ao lado, esta é a motivação dele. A lógica dos casos de violência sexual não é de forma alguma a mesma lógica usada em relacionamentos HUMANOS onde uma pessoa é atraida pela outra. Já que chamamos estupradores de doentes, precisa-se entender o que uma mente doente "não-pensa" de diferente da nossa. O que mais atrai este doente é a vulnerabilidade da vitima, não a "sexibilidade". Se estiver vulnevável de moletom, vai ser vitima de moletom. Se estiver vulnerável de saia curta, vai ser uma vítima de saia curta.



O resultado da pesquisa não diz "quem é a favor do estupro", para esta estatística basta ver o índice de estupros e temos a resposta - que é bem preocupante. Mas o resultado mostra bem a lógica popular e a tolerência em relação ao assunto e a como estamos propensos a culpar a vítima. Mostra em forma de estatística o ambiente e cenário propício para violencia sexual aconteça. Vivemos no contexto cultural pefeito a favor da violencia sexual porque nossa cultura machista é uma fábrica de vender (até de graça) vulnerabilidade contra a mulher.



Dizem que o povo é burro (e se a gente ler comentários de artigos podemos dizer que sim), mas alguém discorda que "a ocasião faz o ladrão"?



Explico onde quero chegar com isso: você leu o que o estuprador do metro de SP explicou o que fez? "Infelizmente aconteceu", foi uma fatalidade. Não minto, veja você mesmo: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,desempregado-e-preso-por-estupro-na-estacao-luz-da-cptm,1141897,0.htm.  Até aquele dia infeliz do metro, ele não era estuprador e talvez até se considerava contra o estupro. Tão contra, e ainda é contra, que ele disse "que infelizmente aconteceu", deixando claro que ele sabe ou reconhece ser "uma coisa feia". Se não fosse a ocasião (do simples aperto do onibus?), não teriamos este ladrão. Se o IPEA perguntasse para ele um mes antes "mulheres que mostram o corpo merecem ser estupradas?" nós vamos pensar que ele responderia sim? E como identificar quem seriam estes "ladrões ocasionais" através de uma pesquisa? Ou quais seriam as mulheres/homens que diriam "mas também, com esta roupa?".



Uma sugestão desta outra pesquisa americana foi omitir palavras fortes como ESTUPRO para identificar estupradores - acredito que o IPEA pensou em algo parecido. Veja que interessante a mudança de resultado: http://www.upworthy.com/whoa-4-questions-that-got-120-rapists-to-admit-they-were-rapists-5



A pesquisa acima mostra que se perguntarmos se uma pessoa já estuprou ela provavelmente vai dizer que não. Mas se perguntarmos se ela "já teve que fazer algum tipo de força física ou pressão psicologica para que conseguisse efetivar uma relação sexual" a resposta pode ser sim. O que eu entendo disso é que, mesmo que ela grite que: não é a favor do estupro, se ela acredita que sexo se consegue usando a força física, ela tem potencial para ser um dado criminalistico. Só falta a ocasião certa.


Pesquisar com perguntas diretas resulta em respostas prontas e óbvias. Não sou especialista em questionários, mas é alo que notamos em nossa rotina. Na minha opinião deveriamos discutir "o porque" destas respostas, e não fazer uma campanha 'contra a pesquisa e contra as campanhas' (Aqui  me refiro a esta campanha que pede para mulheres levantarem a plaquinha "eu não mereço ser enganada pelo IPEA"- http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/03/29/estupro-machismo-culpa-levante-a-plaquinha-eu-nao-mereco-ser-enganada-pelo-ipea-e-mais-maioria-defende-pena-de-morte-ou-prisao-perpetua-a-estupradores/). Qual o sentido disso?


Ladrão nem sempre admite que é ladrão ou diz que é a favor de roubar. Ao contrário diz: "fazendo justiça com as proprias mãos", "desviando"... Mas não é ladrão!!!Quem leu o livro "Estação Carandiru" do Drauzio Varella vai notar que na prisão só tem discurso santo.
Não sei quantos estupradores se consideram estupradores, alguns podem dizer que "estava dando o que ela queria". Um comentário recente de um posto me deixou chocada: um usuário do facebook disse que estupradores eram MONSTROS e não homens, que nem deveriam ser considerados homens. E  que ele obviamente contra o estupro. Porém, este mesmo rapaz, depois de muito abrir a boca (e o teclado), disse que apoiava a sociedade patriarcal, alegando que o homem deve sim ser o provedor "e dar a mulher o que ela precisa, e não o que ela pensa que ela quer". Eu não sei as outras mulheres, mas eu estou bem interessada em saber quem são estas pessoas contra o estupro, porém "querem me dar o que eu acho que eu quero", e 'mudar de calçada' quando avistar uma.



Somos muito bons em camuflagem, enganamos a todos e a nós mesmos com isso. Me lembro quando o presidente Bill Clinton disse na corte que não teve relações sexuais na casa branca. Mais tarde, quando perguntaram precisamente se "aconteceu sexo oral", ai ele disse que SIM. Mas ele não fez sexo e não traiu sua mulher, apenas recebeu sexo oral. Nossa lingua nunca foi e nunca será um meio preciso. Toda palavra é carregada de significados e imagens e bagagem cultural que variam de pessoa para pessoa.


Essa lógica do que "mulher merece ser atacada" não diz somente sobre o ato sexual fisico em sí, tanto que mulheres responderam pergunta sobre mulheres - e sei que as que responderam a pesquisa não são a favor do estupro. A resposta da pergunta ajuda a mostrar o quanto que mulheres perdem o status de "ser humano complexo" e são reduzidas a objeto sexual por suas escolhas de comportamento e roupa. Isso é muito claro na pesquisa, é como se perguntassem: "você acha que mulheres que te lembrem sexo, de alguma forma, não merecem o mesmo respeito de mulheres assexuadas?".
A palavra usada foi MERECER, por isso acho a pesquisa foi muito válida. Quem "merece" geralemnte esta fazendo algo para conseguir seu objetivo, ou "está pedindo algo". Os 65% obtidos como resultado é tão real que explica também a maré de comentários onde se discute que "o protesto está sendo feito sem roupa para auto-promoção e likes". Os número só ficam questionáveis quando nos damos conta que a menina que postou a foto recebeu "ameaça virtual" de estupro pela sem-vergonhisse, então dsconfiamos que este número pode na verdade maior.



Todo mundo já ouviu o termo "objetificação". Poucos sabem identificar e é realmente dificil. Para isso acho que este vídeo explica de maneira muita clara, didática e até divertida (em inglês) o que é a objetificação sexual da mulher, como isso afeta o comportamento social e nossa alienação sobre ataques, assédioss. Em outras palavras, como tudo isso "incentiva o ladrão":http://www.upworthy.com/sexual-objectification-what-it-is-why-its-damaging-and-how-we-change?c=ufb2




Voltando a reportagem onde diz que o estuprador "acessava uma página que incentivavam que homens molestassem mulheres justamente na Linha7-Rubi". Depois de ver o  link acima e entender mais sobre objetificação, você percebe que esta página acessada é o menor dos nossos problemas. E se fossem apenas 'páginas estáticas' e mensagem diretas ao assunto, a coisa seria bem mais fácil de identificar e acabar com ela. Mas como resume bem este vídeo, a mídia oferece uma massiva variedade de imagens e mensagens favoráveis a este pensamento "mulher = sexo", "homem = ser humano complexo". Enquanto continuarmos mostrando e COMPRANDO A IDÉIA de que homem pode tudo e mulher serve o homem... Os indices não vão mudar. Homens pode comprar qualquer produto que vem na TV direcionados a ele e sair usando "todo gostosão". Vai a mulher tentar fazer o mesmo e comprar um vestido curto que a modelo super poderosa veste e exala glamour e sair na faculdade com ele: não vai exalar glamour. Moça, a propaganda te enganou. Moça, a novela te enganou. Moça, Hollywood the enganou. Moça, o IPEA é o menor dos seus problemas... 



Ok, e porque eu resolvi dizer tudo isso? Semana passada vi uma convocação que pedia para que as mulheres fizessem uma campanha para mostrar a indignação da pesquisa onde 65% dos entrevistados, maioria mulher, disse que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas", postando uma plaquinha "Eu não mereço ser estuprada" com ou sem blusa. Confesso que não gosto de protesto com peitos, exceto o "marcha das vadias" porque eu acho que neste faz sentido. Mas claro, não fiz nada. E para minha supresa os dias seguintes foi uma avalanche deste assunto. Então resolvi dizer aqui o que eu acho do protesto. Quanto aos protestos em geral, eu sou da mesma opinião do Mujica: sou simpática aos protestos, mas eles não mudam nada. Minha simpatia é especial porque, parafraseando Quintana: "os protestos não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os protestos só mudam as pessoas".



Este protesto não vai fazer o número de estupro diminuir nem avisar os estupradores que eles não são bem vindos. Mas já mudou muita gente... E trouxe a tona um assunto que é sempre discutido muito superficialmente ou totalmente ignorado por ter uma "importancia menor". Claro, com tantos problemas para discutir fica dificil dar prioridade a qualquer coisa. No quesito chamar atenção para este assunto, a campanha conquistou sim seu objetivo. Meus sinceros parabéns as mulheres que tiraram a blusa e posaram com uma plaquinha. Vocês provavelmente enfrentaram comentários e críticas parecidas com os que as primeiras mulheres que resolveram fazer topless escutaram. E ao contrário de muitas respostas machistas (idiotas) que vimos por ai, sobre o incontrolável instinto animal masculino, elas podem andar de topless e os homens nem olham mais...
Acredito que o topless não aumentou o indice de estupro - mas aqui é só meu palpite, para este tema em específico eu não tenho dados numéricos. Mas tenho que dizer que esta campanha em específico não foi apropriada para fazer sem blusa, não temos contexto suficiente para isso. Não foi apropriada para esta cultura machista de merda que temos (desculpa, moça).



Eu não tenho a mesma coragem delas - eu faço textos longos que ninguém lê. Mas que não entendam a falta da minha foto na campanha como "não sei do que elas estão falando - todo mundo é contra esturpo". Nunca fui estuprada, porém citando apenas de algumas situações de transporte publico dá pra notar que é uma questão de SORTE: Já fui perseguida no metro, tive que sair correndo a estação inteira para despistar o sujeito, que nem escondia estar atrás de mim, pelo contrário, olhava malicioso e vinha chegando perto quando eu ia mais longe. Já peguei onibus de viagem onde o cara do meu lado disfarçadamente se masturbava (não quis dar escandalo, nem acusar o mesmo, porque obviamente ele iria negar e eu saria 'a louca do busão' - o onibus estava lotado, não dava pra trocar de lugar - e então coloquei minha sandádia entre os bancos para que ele não encontasse em mim e viajei uma hora com ele do meu lado). Já sentei na ultima poltrona de um onibus quase vazio e ganhei a companhia de um assediador tarado e babaca que queria que eu mostrasse meus pés pra ele. Já dormi num onibus de viagem e acordei com uma mão gelada de um adolescente que passava a mão no meu rosto pelo vão do banco, sentado no banco de trás. Passar mão na bunda e no peito no meio do metro apertado ou numa balada eu quase que "desencanei de ficar brava". Doo um pedaço do meu corpo coberto para alguns segundos de prazer do próximo, por caridade desta pobre alma infeliz que precisa apalpar uma bunda para satisfazer suas necessidades pessoais. Tenho dó. Mas tenho medo também, toda mulher sabe que se xingar o cara que passou a mão na bunda ele vai te xingar de vadia. Ainda bem que só ando de carro agora. Só rezo para que nada aconteça quando fura o pneu na estrada, principalmente a noite. aproveito para acrescentar, para quem se importa com o dado, que em nenhuma das situações eu vestia algo "que mostrava mais".



Desta lista de não-estupradores-anonimos citados acima, será que eles responderiam a pesquisa dizendo que concorda que "uma mulher gostosa ou não, de jeans e camiseta merece ser estuprada".



...Mas porque acontece tanto estupro se ninguém é a favor?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

"Relatório da ONU é distorcido e negativo"

Liliane Borges
Da Redação, com Rádio Vaticano
Relatório da ONU é distorcido e negativo, diz Dom TomasiO Observador permanente da Santa Sé, Dom Silvano Tomasi, criticou, nesta quarta-feira, 5, o relatório do Comitê de Direitos da Infância, ligado à ONU, sobre a postura da Santa Sé referente aos direitos das crianças e as questões ligadas ao abuso de menores.
Segundo Dom Tomasi, o Comitê critica o Vaticano por sua posição sobre os métodos contraceptivos, a homossexualidade e o aborto. O arcebispo afirma que o texto aparenta não ter levado em conta o relatório pedido à Santa Sé sobre as medidas tomadas nos casos de abuso sexual nem o cuidado que a Igreja tem para com os menores.
“A primeira reação é de surpresa, porque o aspecto negativo do documento que fizeram aparenta que ele já estava pronto antes do encontro entre o comitê e a delegação da Santa Sé”, relata o arcebispo.
Dom Tomasi afirma que a posição do Comitê se mostra contraditória às exigências da Convenção Internacional dos direitos das Crianças, no que diz respeito à tutela da vida. Segundo o arcebispo, são pontos inegociáveis em relação ao que a Igreja pensa sobre o direito à vida.
 “A recomendação feita à Santa Sé é a de mudar sua posição sobre a questão do aborto. É claro que, quando uma criança é morta, ela não tem mais direitos. Então, isso me parece uma contradição real com os objetivos fundamentais da Convenção, que é proteger as crianças”, alerta o arcebispo.
O observador da Santa Sé afirma ainda que o relatório parece estar permeado por posições ideológicas e de “organizações não-governamentais que têm interesses sobre a homossexualidade, o casamento gay e outras questões. Certamente, esses tiveram suas observações apresentadas e, de alguma forma, reforçaram uma linha ideológica”, alerta.
O arcebispo afirma ainda que a Santa Sé responderá o relatório de modo detalhado e com calma, uma vez que não há nada a esconder. Ele comenta ainda que o próprio Comitê havia declarado que o documento apresentando pelo Vaticano era o mais completo e claro entre todos os países que o entregaram.
“Vem a tentação de dizer que, provavelmente, o texto já estava escrito e não reflete os pontos e a clareza, mas sim uma adição precipitada (…). Por isso, devemos, com serenidade e com base na evidência – porque não há nada a esconder! – levar adiante as explicações das posições da Santa Sé”, conclui o arcebispo.
fonte: Canção Nova

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Eutanásia: uma definição em três pontos

Glossário de Bioética: a "doce morte" acabou significando também "dar morte a uma pessoa com prognóstico negativo"; uma "morte rápida", porém, não é sinônimo de "morte digna".

(Zenit.org) Carlo Bellieni

A “morte doce” acabou significando "dar morte a uma pessoa com prognóstico negativo", embora a "morte rápida" não seja sinônimo de "morte com dignidade": pode ser entendida como "morte doce”, afinal, aquela que é vivida com coragem e na companhia dos entes queridos; facilitar a morte de alguém é um ato prejudicial ao corpo social, diferentemente da suspensão de cuidados desnecessários, dos quais ela deve ser bem diferenciada.

Realismo
Literalmente, eutanásia significa "morte doce"; na linguagem comum, ela significa "morte provocada (a fim de evitar o sofrimento grave)", que mal se distingue do suicídio assistido de uma pessoa que consente nessa prática. Dentro do contexto da eutanásia, inclui-se a suspensão da assistência médica voltada a salvar a vida, ou seja, a determinação de não reanimar o paciente caso haja risco urgente para a vida, ou de suprimir os medicamentos e até mesmo a hidratação e a alimentação. Fala-se, assim, de eutanásia ativa e passiva (ou omissiva).
A razão
A eutanásia realmente preserva a dignidade da pessoa? Seu objetivo declarado é duplo: evitar o sofrimento e a possível diminuição da dignidade da pessoa. Entretanto, para combater o sofrimento existem excelentes medicamentos; já a questão da dignidade da pessoa é mais complexa: haverá mesmo algo que diminua a dignidade de uma pessoa? Morrer de velhice é mais digno que morrer de câncer?
A dignidade humana é inerente à pessoa, em qualquer situação, em qualquer idade, em qualquer estado de saúde ou de desenvolvimento sócio-econômico. É um mito a ideia de que seja preciso criar situações para preservá-la, já que nada a elimina, nem mesmo o pior dos algozes. Ao contrário: é obrigação moral de todos respeitá-la. Esse mito vem da ideia de que ser dependente dos outros, principalmente em casos extremos de dependência, não seria "digno do ser humano", que, na sociedade pós-moderna, é visto como aquele que tem uma característica fundamental e suprema: a autonomia, a independência. Qualquer coisa que diminua ou elimine a autonomia é hoje considerado como um ataque contra o status do ser humano, levando-o inclusive a perder o título de "pessoa": seria o caso da criança, do embrião, do ancião ou do doente mental que depende dos outros.
O que deve ser assegurado de todas as maneiras é que a pessoa receba todos os cuidados a que tem direito, incluindo os paliativos, e que transcorra a etapa final da vida nas condições mais serenas possíveis. A questão, assim, é “ajudar a morrer bem”, o que não significa "decidir quando", mas "como": isto é, no melhor ambiente e com o melhor atendimento e companhia. A eutanásia é apenas um atalho para não se abordar o problema dos direitos reais do moribundo.
De que tipo de cultura nasce a ideia de escolher quando morrer? O slogan "Eu decido quando e onde morrer" é um exagero com propósitos polêmicos. Pouquíssima gente ficará paralisada sem poder expressar a própria opinião e precisando de alguém que lhe escolha o tratamento médico adequado. Esse slogan nasce também de uma cultura de autonomia extrema, na qual o meu valor reside na minha capacidade de me autogerir: é claro que isto é bom, mas não diminui o valor da pessoa que precisa ser cuidada até nas necessidades mais simples. Suspender o tratamento é válido apenas se o tratamento é insuportável ​​ou não é eficaz.
O sentimento
Não se pode supor que qualquer um vá decidir antecipadamente o que escolher quando estiver doente. Mas há um aspecto social que precisa ser levado em conta: o cuidado das pessoas gravemente doentes deve ser uma exigência legal das autoridades locais e do Estado, que devem facilitar a situação das famílias e dos indivíduos. Hipocrisia é falar contra a eutanásia fingindo-se que a pessoa deprimida ou idosa não é abandonada pela sociedade. Ao mesmo tempo, é muito fácil para o Estado simplesmente permitir a eutanásia em vez de dar o melhor das suas possibilidades para ajudar os doentes.

(06 de Novembro de 2013) © Innovative Media Inc.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Aborto: Política do filho único na China é "verdadeira guerra contra as mulheres"

O maior dom de Deus à humanidade está na maternidade. Gerar um filho é obra de graça, em co-participação na geração da Vida. O demônio, sabendo disso, ataca frontalmente a mulher, aquela que gera a vida. Como escrito: "porei inimizade entre ti e a mulher". Mas não devemos temer nada disso, ainda que terrível seja, pois Nossa Senhora já vaticinou: "No fim, o Meu Imaculado Coração triunfará!". Oremos por todas as mulheres que sofrem violência, de todo tipo, e oremos também para que elas aprendam a respeitar, amar e querer o imenso dom que é ser mãe.

WASHINGTON DC, 10 Set. 13 / 01:44 pm (ACI/EWTN Noticias).- A Presidente de Direitos da Mulher Sem Fronteiras, Reggie Littlejohn, denunciou que o total de abortos realizados na China pela política do filho único "é maior que toda a população dos Estados Unidos", e muitos deles "são forçados, inclusive estando no nono mês de gravidez" assim como o são as esterilizações e o controle restritivo da natalidade. "Esta é uma verdadeira guerra contra as mulheres", afirmou.

Littlejohn, em diálogo com o grupo ACI, assinalou que os efeitos negativos desta política estão generalizados na sociedade e prejudicam principalmente às mulheres e têm um impacto severo na sua saúde, assim como na saúde mental do país.

"Alguns abortos forçados são tão violentos que as próprias mulheres morrem (…) junto com seus bebês", e as esterilizações forçadas "causam complicações de saúde para toda a vida".

Explicou que o aborto seletivo por sexo dá lugar a "aproximadamente 37 milhões de homens chineses que nunca se casarão porque suas futuras esposas foram eliminadas de forma seletiva, e este desequilíbrio na demografia promove de maneira poderosa o tráfico de mulheres e a escravidão sexual" em todo o sudeste da Ásia.

Inclusive o Departamento de Estado dos Estados Unidos reconhece que "a tradicional preferência pelos filhos homens, (e) as políticas de redução de natalidade" são alguns dos principais fatores para que a China tenha "a taxa mais alta de suicídio feminino de qualquer país do mundo, aproximadamente 590 mulheres ao dia", indicou.

"O aborto forçado destroça as mulheres psicologicamente", expressou Littlejohn e pediu que "aqueles que se opõem à política ajudem as mulheres no país a resistir às pessoas que as obrigam a abortar ou abandonar suas filhas".

Na China há "119 meninos nascidos por cada 100 meninas", além disso, as baixas taxas de fertilidade, entre "1.5 a 1.7 filhos por mulher - muito abaixo do nível de sbstituição de 2,1", são a criação de uma sociedade que "está envelhecendo antes de fazer-se rica".

A organização que Littlejohn preside, traduziu um artigo de uma mulher da província de Guangdong no sul da China, Lili Zeng, que foi publicado recentemente no site de notícias chinês Tianya, onde relata que "dois dias antes de nascer o meu bebê, sete funcionários de planejamento familiar me seguraram e me forçaram a abortá-lo por meio de uma injeção, porque não tinha uma permissão de nascimento".

Zeng assinalou que mesmo eles tendo tentado abortar o seu bebê, seu filho nasceu com vida, mas morreu logo depois. Narrou que um oficial de planejamento da família lhe disse: "Eu sou apenas um executor da política. Se eu não estivesse aqui, haveria outra pessoa que teria feito a mesma coisa que eu e seu destino teria sido o mesmo".

Posteriormente o funcionário expressou que "se você quer culpar alguém, culpe a política (do filho único)".

Relatos como estes, onde as mulheres chinesas podem contar seu drama ao mundo, nos últimos meses são cada vez mais numerosos nas redes sociais.

No ano passado, o ativista cego pró-vida Chen Guangcheng foi notícia internacional por escapar da prisão domiciliar na China e pedir para ser levado aos Estados Unidos.

Guangcheng trabalhou para documentar os "horríveis" casos de violações dos direitos humanos em relação à política do filho único na China, falando contra esterilizações e abortos forçados, assim como outros "sofrimentos dos que não se fala" que a política ocasiona nas mulheres, explicou Littlejohn naquela oportunidade.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Como dialogar com seu filho adolescente - Prof. Felipe Aquino

Nossos filhos serão o que permitimos que eles sejam.
Saiba ser paciente e elogiar
Há um provérbio que diz: “Ame-me quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso”. Na adolescência, o mundo começa a se abrir para a criança. Os pais precisam compreender e ajudar os filhos nesta idade com especial carinho e atenção. Eles já foram adolescentes e devem recordar essa fase da vida. Na adolescência, tanto para o menino como para a menina, há mudanças fisiológicas consideráveis provocadas pelos hormônios do desenvolvimento da idade. De uma hora para outra, eles dão uma espichada no corpo e também no psiquismo. É a fase também em que descobrem o mundo, os amigos, as saídas de casa, as aventuras etc. É a fase da contestação.

O adolescente é como um pintinho que faz força para sair da casca do ovo; ele esperneia, quer se afirmar como “alguém”. “Não sou mais criança”. Algumas vezes, ele mostra alguma agressividade, rebeldia e quase sempre “é do contra”; tudo isto é da idade, e os pais têm que ter sabedoria e paciência para educá-los sem perder a calma. Isto não quer dizer abrir mão dos conceitos do certo e do errado, mas não perder a via do diálogo sem o qual nada será possível. E o mais importante é a amizade e o exemplo.

Assista: Risco da vaidade exagerada entre adolescentes

Esforce-se para se atualizar na realidade deles; as músicas, o computador, os jogos, as gírias, a moda etc. Não fique para trás; acompanhe-os para ter condições de orientar sem sufocar. Há algo de bom neste comportamento, às vezes excêntrico, que tanto irrita os adultos. É a fase em que o jovem busca a “liberdade” e a “independência”. Daí a importância de eles já terem sido ensinados pelos pais sobre o real sentido da liberdade e da independência, do amor, da fé, do namoro, das bebidas, da droga, da homossexualidade, da disciplina, do respeito aos outros etc., para que não caminhem por vias tortas. O leão é domado mais com uma pedra de açúcar na boca do que com o chicote.

Precisamos ser sábios o suficiente para saber aproveitar toda essa energia acumulada na adolescência. Sem ventos e correntes o barco não pode navegar, mas o marujo precisa saber aproveitá-los para que a viagem seja boa. Saiba dirigir a potência dos seus filhos para atividades que eles gostem e que lhes façam bem. Saibam dosar com inteligência e prudência as reprimendas, castigos e recompensas, tudo muito bem regado com diálogo e boa explicação de tudo. Saiba ser paciente e nunca deixe de dar outra oportunidade para que o jovem possa se redimir do seu erro. E saiba elogiar.

O bom castigo e a boa correção não podem faltar quando a falha é grave; eles, no fundo, querem ser educados e sabem que isso acontece, porque são amados por seus pais. Crianças sem correção chegam à conclusão de que não são amadas pelos pais, que não se interessam por elas. Mas a correção não pode ser violenta e muito menos humilhante. Às vezes, o adolescente irrita os pais e “os tira do sério”, mas é preciso estar predisposto a não perder a calma. O furacão passa. Não dê importância demais às palavras deles, pois, muitas vezes, estão extravasando os seus sentimentos mais secretos.

Lembro-me de um amigo que chegou às lágrimas quando leu, no diário de sua filha, o seguinte: “Aquele fdp do meu pai não me deixou ir ao show”. Ela já tinha obtido a permissão da mãe, mas o pai não a autorizou. Meu amigo quase morreu de desgosto; eu o fiz ver que a expressão da filha, embora grave, não podia ser motivo de uma crise; tudo devia ser resolvido com uma boa conversa. Pai e mãe precisam conversar antes de autorizar ou não algum pedido deles. Nunca um deles deve autorizar algo complicado sem antes ter falado com o outro. Isso evita que um seja jogado contra o outro.

Conquiste seu filho adolescente, não com o que você dá a ele, mas com o que você é para ele; tenha tempo para ele. Então, poderá educá-lo como deseja e poderá falar para ele dos perigos da vida que os espera e o caminho certo a seguir.
Foto Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino @pfelipeaquino, é casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

quarta-feira, 19 de junho de 2013

As manifestações pelo Brasil - Prof. Felipe Aquino

Imagem de Destaque

Algo vai mudar neste país 
As manifestações e os protestos, que acontecem em todo o país, surpreenderam a população, os políticos, os governos e também a Igreja. Tudo começou com o aumento das tarifas de ônibus urbanos nas capitais, mas agora já ficou claro que não é este o único motivo das manifestações; na verdade, é uma série de reivindicações de direitos que está em jogo.
O que pode acontecer de tudo isso? Por ora, é muito difícil dizer. Marco Maciel disse que manifestações do povo, desta natureza, podem dar em tudo e podem dar em nada. Parece-me que algo vai mudar neste país e devemos todos trabalhar e rezar para que seja para o bem e para melhor.

Castro Alves disse que “a praça pertence ao povo assim como os céus pertencem ao condor”. O povo está ocupando as ruas e praças para reivindicar direitos. O cartaz de um dos manifestantes dizia: “Não exigimos 20 centavos, mas direitos”. Quais direitos? Melhores hospitais e médicos (outro cartaz dizia: “queremos mais hospitais e menos campos de futebol”), o fim da corrupção institucionalizada, melhores transportes coletivos, menos inflação que corrói os salários, menos impostos (o Brasil é campeão do mundo em cobrança de impostos; trabalhamos cinco meses só para pagá-los). Parece que as ações sociais do Governo já não bastam para acalmar o povo, pois este quer políticos mais honestos, menos “toma lá da cá”, menos conchavos, menos fingimentos.

Assista: Manifestações contra o aumento nas passagens


O povo quer menos violência e mais segurança, mais e melhores estradas, portos, aeroportos, rodovias, escolas e professores. Parece-nos que todas essas exigências estão acumuladas nas razões dos protestos. Nota-se que, sobretudo, é um protesto da classe média que se sente prejudicada. Os pobres recebem a bolsa família e outras bolsas, os ricos não têm problemas e sabem se defender junto aos políticos e ao Governo.

A origem deste movimento não é muito clara. A organização que comanda as manifestações – Movimento Passe Livre (MPL) - é regida pelos princípios do Fórum Social Mundial como se pode conferir no site do “Movimento” (cf. http://mpl.org.br/node/2). É um movimento que tem cores um tanto diferentes (cf. http://mpl.org.br/node/5) com base em palavras chaves como “horizontalidade” (sem hierarquia, cf. http://mpl.org.br/node/1). Embora se defina como apartidário, confessa-se não antipartidário. Portanto, a não dependência partidária explícita não significa independência partidária. O site diz: “O Movimento Passe Livre é horizontal, autônomo, independente e apartidário, mas não antipartidário. A independência do MPL se faz não somente em relação a partidos, mas também a ONGs, instituições religiosas, financeiras etc.”

Há muitas perguntas a serem feitas, por exemplo: de onde vem o dinheiro para a mobilização de toda essa massa humana em todo o país? Isso custa caro! É cedo para decifrarmos tudo o que está acontecendo. Numa primeira – e muito precária observação –, parece-nos que o povo, insatisfeito com muita coisa, aproveita-se do Movimento Passe Livre e faz dele um veículo de suas manifestações. Parece ter roubado a cena.

Há mais de vinte anos não se via, no Brasil, algo dessa natureza, o que nos leva a crer que algo vai mudar neste país. Que seja, então, o que pede a Igreja na sua Doutrina Social: mudanças que coloquem o homem como centro das medidas políticas necessárias para que haja justiça, paz, verdade, amor e liberdade verdadeira. Que o mais importante não seja o lucro nem o Estado, mas a pessoa humana, mesmo a não ainda nascida. Peçamos a Deus que de tudo isso nasça um “pacto social” em favor de todos, especialmente da família – célula mater da sociedade – não só dando-lhe pão e circo, mas tudo que precisa.

Rezemos, como na oração da Bênção do Santíssimo: “Deus e Senhor nosso, protegei... todas as pessoas constituídas em dignidade para que governem com justiça; dai ao povo brasileiro paz constante e prosperidade completa”.

:: Leia no Blog Revolução Jesus: O gigante acordou!
Foto Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino @pfelipeaquino, é casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

Seja Feliz!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Estatuto do Nascituro é aprovado no Brasil pela Comissão de Finanças e Tributação

Entrevista com Paulo Fernando Vice-Presidente do movimento Pro vida família

A Comissão de Finanças e Tributação, no Brasil, aprovou nesta manhã a proposta do Estatuto do Nascituro (PL 478/07), que estabelece proteção jurídica à criança que ainda vai nascer. Nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido. A notícia foi divulgada pela Agência Câmara Notícias, às 12h40 de hoje.
Em breve entrevista a ZENIT Paulo Fernando Melo (www.paulofernando.com.br), vice-presidente do movimento Pro Vida família responde a algumas questões sobre essa aprovação.
Acompanhe abaixo:
***
ZENIT: O que significa essa aprovação do Estatuto do Nascituro pela Comissão de Finanças e Tributação?
Paulo Fernando: Após a aprovação na primeira comissão de mérito Seguridade Social e Família, hoje foi aprovada o critério técnico do projeto significando que não há nenhum óbice na adequação orçamentária e financeira. 
 
ZENIT: O que prevê o Estatuto do Nascituro?
Paulo Fernando: Assegura a criança que está por nascer todos os direitos a partir da concepção , além de estabelecer que, se a mãe não dispuser de meios econômicos suficientes para cuidar da vida, da saúde, do desenvolvimento e da educação da criança concebida em decorrência de estupro, o Estado arcará com os custos até que o genitor venha a ser identificado e responsabilizado por pensão ou a criança venha a ser adotada.
 
ZENIT: Quais são os próximos passos?
Paulo Fernando: A matéria será analisada no âmbito da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania que analisará os aspectos jurídicos, constitucionais e de redação legislativa.Como a matéria trata de direito civil e penal, a CCJC analisará o mérito até alterando e aperfeiçoando o texto, inclusive no que se refere a questão da personalidade jurídica do nascituro e também em relação a proibição total do aborto mesmo nos casos de estupro e na má formação genética.
 
ZENIT: De que maneira os cidadãos brasileiros podem participar para aprovar o projeto de lei? 
Paulo Fernando: Em primeiro lugar inteirar-se do assunto, estudá-lo profundamente e repassar as informações ao maior número de pessoas .Atuar por meio das redes sociais e principalmente pressionar os parlamentares da CCJC para aprovarem o texto 
 
ZENIT: Qual o caminho a ser seguido pelo Projeto de Lei?
Paulo Fernando: Após a apreciação na CCJC a matéria irá para o plenário da Câmara dos Deputados; em caso de aprovação, seguirá para o Senado Federal a partir das comissões e depois submetido a sanção ou veto da presidente da República, se rejeitado será arquivado.

Seja Feliz!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Um bebê no esgoto

Faço minhas as palavras do Professor Felipe Aquino.

Amor e zelo pelas crianças Por Professor Felipe Aquino

Cresce a cada dia a preocupação com a natureza e o meio ambiente, o que é bom e necessário; mas infelizmente o mesmo não acontece com a dignidade humana. Assistimos hoje verdadeiros atentados à vida humana. Como disse João Paulo II na sua famosa Carta às Famílias, de 1994, a vida está jurada de morte, há uma conspiração contra ela. Uma terrível e destruidora “cultura da morte”, tão denunciada pelos últimos papas, tem mostrado o perigo do aborto, da eutanásia, da contracepção, da micro-abortiva pílula do dia seguinte, da destruição de embriões humanos, da falsificação da família, etc.

E essa cultura da morte tem sido empregada insistentemente para se resolver os problemas da vida, como se isso fosse lícito e possível. As “soluções fáceis para problemas difíceis” aumentam a cada dia, aumentando esses problemas ao invés de resolve-los.

Além disso, outros desrespeitos inimagináveis acontecem ainda; veja-se o caso do comércio da prostituição e o tráfico de mulheres com esta finalidade, as guerras genocidas, o trabalho escravo, os sequestros, o estupros, etc.

Da China nos chega uma notícia que chocou o mundo: um bebê recém-nascido foi resgatado em uma tubulação de esgoto em um prédio em Jinhua, depois de cair ou ser jogado no vaso sanitário, passou de duas a três horas preso no cano. A mãe da criança, de 22 anos, que não é casada, escondeu a gravidez dos vizinhos pelo medo de ser vítima de preconceito. Ela deu à luz de maneira inesperada quando foi ao banheiro no sábado e a criança caiu no vaso sanitário. Foi resgatada e levada para um hospital. É um menino de 2,3 quilos, que sofreu alguns cortes no corpo, e agora está bem.

É por isso, e por outras, que a Igreja insiste que toda criança deve nascer em um lar, com um pai e uma mãe que o acolha, com um berço que o acalente. Fora disso a criança pode se tornar carente, abandonada, ameaçada e triste.

As fontes de notícia revelam que bebês chineses nascidos fora do casamento muitas vezes são abandonados em consequência das pressões sociais e financeiras. A política do filho único do país representa multas pesadas para os casais que têm mais de um bebê.

Não se sabe ainda ao certo se a mãe jogou a criança no vaso sanitário ou não conseguiu impedir que ela ali caísse. Qualquer que seja o caso é lamentável e deixa muito a pensar. Certamente esta mãe estava aflita com sua gravidez o que acaba sendo a causa primária do ocorrido. Como pode uma criança vir ao mundo desse jeito, e ir parar no esgoto? Que berço é este? Não é isso um sinal de como está a vida humana hoje sendo tratada em muitos lugares? Esta é a dignidade de um filho de Deus?


Isto mostra o grave desrespeito que existe hoje contra a vida humana, especialmente contra o feto, a criança mais indefesa de todas. Como ela não reage, como ela ainda não grita, como ela ainda não mostrou o seu rosto, então, para muitos fica fácil e cômodo descarta-la como se fosse um copo de plástico usado e atirado no lixo. Urge que se levantem vozes em defesa desses inocentes sem vozes.

Devemos chamar a isso de civilização ou de barbárie? A civilização se caracteriza em primeiro lugar por defender, acima de tudo, os não nascidos, os fracos, o doentes, os excepcionais, os deficientes, os velhos… O sinal de sua fraqueza deve ser motivo para aumentar ainda mais o cuidado e o amor a eles. No entanto, em nossa atual civilização, passou a ser lícito e fácil descarta-los quando já não são produtivos.

De todos os direitos humanos, o primeiro e fundamental é o direito de nascer com dignidade; sem isso, não há verdadeira civilização, pois não se respeito a pessoa humana. Disse o Concilio Vaticano II que “o homem é o único ser que Deus quis por si mesmo” (GS, 26).

:: Ouça, na íntegra, o podcast da redação com a psicanalista Ana Carlota Pinto Teixeira que comenta a respeito deste caso e sobre o que leva as pessoas a cometerem estes atos.

Seja Feliz!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

É na família que tudo começa (ou termina?)

Uma profunda reflexão sobre nossa responsabilidade
Imagem de DestaqueUm adolescente de 17 anos entra na casa do vizinho e mata um menino de seis anos. Dois dias depois, é preso juntamente com a namorada, de 19 anos, grávida de três meses, quando tentava fugir para outro Estado. Na entrevista que, em seguida, deu à imprensa, revelou que, quando chegou à casa da vítima, foi recebido com alegria pela criança: «Ela me ofereceu pão e maçã, dizendo que, se eu quisesse mais, podia entrar e pegar».

Uma mãe de 42 anos e seu filho de 20 contratam os serviços de um “matador de aluguel” para assassinar o marido e padrasto de 63 anos e ficar com os seus bens. Armando uma emboscada ao idoso, chamaram-no para conversar em local insuspeito e, quando aparece, é friamente assassinado pelo criminoso, que mal completou 17 anos.

Um adolescente de 15 anos mantém a “esposa” de 25 sob a ameaça de um facão durante varias horas. Chamada ao local, a polícia detém ambos: o rapaz por violência e a moça por desacato à autoridade.

Os três fatos aconteceram em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, mas poderiam ter ocorrido em qualquer outra cidade. O que impressiona – se é que ainda impressiona – é que, em todos eles, os protagonistas são adolescentes e os delitos se sucederam no espaço de três dias, de 4 a 6 de abril de 2013.


O que esperar de uma sociedade que, depois de escancarar as portas ao materialismo, ao permissivismo e ao relativismo finge se escandalizar com suas consequências e abarrota as prisões com jovens, cujo pecado foi seguir seus ensinamentos? Se querem extirpar ou diminuir a violência que se propaga entre eles, mais do que diminuir-lhes a maioridade penal é preciso investir na formação de sua consciência ética por meio da família. Foi o que lembrou a CNBB, em “nota” publicada, no dia 16 de maio: «O debate sobre a redução da maioridade penal, colocado em evidência mais uma vez pela comoção provocada por crimes bárbaros cometidos por adolescentes, conclama-nos a uma profunda reflexão sobre nossa responsabilidade no combate à violência, na promoção da cultura da vida e da paz, e no cuidado e proteção das novas gerações de nosso país. A delinquência juvenil é, antes de tudo, um aviso de que o Estado, a sociedade e a família não têm cumprido adequadamente com seu dever. Criminalizar o adolescente com penalidades no âmbito carcerário seria maquiar a verdadeira causa do problema, desviando a atenção com respostas simplórias, inconsequentes e desastrosas para a sociedade».
É na família que se inicia a renovação ou a perdição da sociedade. Nesse sentido, só deveria casar – e, mais ainda, gerar filhos – quem está preparado e maduro para assumir os compromissos que o ato comporta. É o que tenta transmitir uma estória que, há poucos dias, recebi via internet. Em sua simplicidade, ela tem muito a ensinar.

Certo dia, a professora pediu aos alunos que fizessem uma redação, expressando um pedido que gostariam de fazer a Deus. Em casa, ao corrigir os trabalhos escolares, ela se deparou com um escrito que a deixou abalada. Entrando na sala e vendo-a soluçar, o marido perguntou: «O que aconteceu?». Como resposta, ela lhe repassou a oração que uma aluna redigira: «Senhor, transforma-me numa televisão! Quero ocupar o espaço dela. Ter um lugar especial para mim e reunir a família ao redor. Ser levada a sério quando falo. Quero ter a mesma atenção que ela recebe quando não funciona. Ter a companhia do meu pai quando chega em casa, apesar de cansado. Que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. Que meus irmãos “briguem” para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado para passar alguns momentos comigo». Ao ouvir a leitura, o marido exclamou: «Pobre dessa menina! Que família ela tem!». A professora baixou os olhos e sussurrou: «É nossa filha!».

A estória confirma o que escreveram, em 2007, os bispos latino-americanos em sua reunião de Aparecida: «Os meios de comunicação invadem todos os espaços, inclusive a intimidade do lar. A sabedoria das tradições vê-se obrigada a competir com a informação do último minuto, a distração e as imagens de “vencedores” que sabem usar a seu favor as ferramentas tecnológicas, levando as pessoas a buscarem, afoitamente, um sentido para a vida onde nunca poderão encontrá-lo».

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados (MS)

Seja Feliz!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Entrevista: a ditadura das minorias

“As minorias devem ser respeitadas mas não podem impor a sua pauta às maiorias. Hoje nós vemos claramente isto, esta pressão para que a maioria se sinta envergonhada e inibida diante da minoria”. Estas são palavras de Dom Henrique Soares, bispo auxiliar de Aracaju-SE que concedeu uma entrevista ao apresentador do Destrave Adriano Gonçalves para falar sobre a ideologia de gênero e sua imposição sobre a sociedade.

Na entrevista Dom Henrique alerta para uma nova ditadura que começa a surgir na sociedade do qual podemos chamar ‘ditadura das minorias’. Dentro deste fenômeno podemos encontrar todo o trabalho da grande mídia para a promoção de uma cultura contra os valores cristãos e, sobretudo, os valores da Igreja Católica.


Destrave: hoje não vemos uma mídia que não só expõe mas propõe uma cultura gay. Como nós católicos devemos nos pontualizar diante disto?
Dom Henrique: hoje a grande mídia é pró-gay e coloca as discussões sempre numa cortina de fumaça para que você não tenha os elementos claros desta discussão. Por exemplo, vamos tomar a posição da Igreja: a Igreja é contra a violência a pessoas homossexuais? Totalmente! A Igreja rejeita o preconceito contra pessoa homossexuais? Totalmente! Mas o comportamento moral, a homossexualidade do ponto de vista de ATOS homossexuais, a avaliação da Igreja é positiva? Não, por causa do Evangelho. Mas uma coisa é o fenômeno e outra coisa é a pessoa homossexual. Nós devemos respeito à pessoa homossexual, e digo mais, o respeito inclusive pela opção delas, se querem viver uma relação estável, se querem montar seu apartamento, se querem dividir sua herança… é direito delas e a Igreja não se opõe a estes direitos. O que a Igreja diz é que não se pode equiparar isto à realidade familiar, porque o que está em jogo não é o direito de uma minoria mas o desvirtuamento de uma instituição que representa a maioria, porque se tudo é família nada é família.

Confira a entrevista na íntegra

Destrave: Nós, católicos, podemos e devemos debater sobre estes temas?
Dom Henrique: Eu penso que devemos entrar nestes debates mas espero que as pessoas, sobretudo os católicos, saibam argumentar não só com argumentos religiosos. Quando você for discutir com um não-cristão, com um não-católico. Não comece dizendo ‘é porque Deus manda’ ou  ’é porque a Igreja manda’. Não, o primeiro argumento é o de usar a razão humana. Por que não abortar, por exemplo? Porque ou uma vida é humana desde o início ou não é nunca. Então, quando debatemos estes assuntos com a sociedade nós usamos a razão e usamos também a ética civil. Nós discutimos e temos o direito de discutir e de sermos ouvidos porque somos cidadãos, pagamos nossos impostos, elegemos nossos representantes e  temos o direito de participar da construção da sociedade, não aceitando quando alguém diz: ‘estes argumentos são religiosos’. Não, estes argumentos são de gente que pensa, que tem opinião e que quer ser ouvida também.

Veja mais:

Fonte: destrave.cancaonova.com

Desembargador comenta decisão do CNJ sobre uniões homossexuais

Segundo desembargador Roberval Belinati, a resolução ainda deve causar polêmica
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu nesta terça-feira, 14, que os cartórios de todo o País terão que realizar casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Assim que for publicada no Diário de Justiça, a nova regra entrará em vigor.

De acordo com o Desembargador Roberval Belinati, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a grande implicação dessa decisão é o fato de obrigar os cartórios a realizarem o casamento civil entre homossexuais, pois até pouco tempo, alguns estavam se recusando a celebrá-lo alegando que não havia no país uma lei federal que a ordenasse. A resolução, agora, estabelece que o cartório que não obedecer à decisão poderá ser punido.

Ainda segundo Belinati, essa obrigatoriedade deve causar polêmica pois a resolução não é lei, mas um ato normativo, que precisa estar subordinada à uma lei. "Essa resolução do CNJ antecipou a lei que o Congresso Nacional está estudando", explicou.

Para o pós-doutor em Teologia Moral e Família e professor da PUC-PR, padre Rafael Solano Duran, a união civil entre pessoas do mesmo sexo não pode ser considerada "casamento", pelo sentido que essa palavra traz em si. Seria como "desvirtuar algo que foi dado pelo próprio Criador".

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"Deus criou o homem e a mulher, à sua imagem e semelhança, os abençoou e os mandou povoar a Terra. (cf. Gn 1, 27-28) A união de um homem com uma mulher gera uma nova experiência-sinal do amor de Deus no mundo, e essa experiência chama-se matrimônio, casamento", explicou padre Rafael.

Sobre esse trecho da Bíblia, o presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, Dom João Carlos Petrini, recordou que o beato João Paulo II costumava falar que "devemos compreender quais são as razões e as consequências dessa decisão do Criador de sempre querer que o ser humano aparecesse como homem e mulher, porque já no corpo, na constituição física, o ser humano é destinado ao outro, à viver para a pessoa do sexo oposto, para constituir uma família, baseada no matrimônio".

Isso não quer dizer que a Igreja rejeite os homossexuais ou os esteja "atacando", ressalta padre Rafael. "Absolutamente não. Pelo contrário, existe um profundo respeito e um acompanhamento, fraterno e maternal".

Porém, a Igreja Católica obedece à ordem da lei natural, segue o princípio dado por Deus, e orienta às pessoas que se declaram homossexuais a viver a castidade.

De acordo com Dom Petrini, é verdade que, hoje em dia, se pode viver o afeto humano e até gerar um filho de muitas maneiras, "mas a forma que mais corresponde ao desejo de felicidade que existe no coração do ser humano, aquela que mais constitui um caminho de realização humana, é a família, conforme o desígnio de Deus - constituído por um homem e uma mulher, aberta para gerar filhos e educá-los, e fundada no matrimônio como sacramento. Porque ali, naquela convivência familiar é o próprio Jesus Cristo que se torna presente".
Kelen Galvan
Da Redação
TV Canção Nova
Assista entrevista completa com Desembargador Roberval Belinati



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