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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Vaticano comenta relatório da ONU referente a pedofilia

Em nota, Santa Sé diz que observações conclusivas da ONU serão minuciosamente estudadas
Da Redação, com Boletim da Santa Sé
Vaticano comenta relatório da ONU referente à pedofiliaA Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou um comunicado, nesta quarta-feira, 5, sobre um relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) referente a casos de pedofilia envolvendo membros da Igreja.
Em 16 de janeiro deste ano, a Santa Sé apresentou um relatório referente à aplicação da Convenção sobre os Direitos da Criança em seus territórios. Hoje, a ONU divulgou suas observações conclusivas em relação a esse relatório.
Confira a íntegra do comunicado
Ao término de sua 65ª Sessão, o Comitê para os Direitos da Criança publicou as suas Observações Conclusivas sobre os examinados relatórios da Santa Sé e de cinco Estados Partes à Convenção sobre Direitos da Criança (Congo, Alemanha, Portugal, Federação Russa e Iêmen).
Segundo os particulares procedimentos previstos para as partes da convenção, a Santa Sé toma nota das Observações Conclusivas sobre seus relatórios, as quais serão submetidas a minuciosos estudos e exames no pleno respeito da convenção, nos diferentes âmbitos, apresentados pelo comitê segundo o direito e a prática internacional, bem como tendo em conta o debate público interativo com o comitê desenvolvido em 16 de janeiro de 2014.
A Santa Sé lamenta, no entanto, ver, em alguns pontos das Observações Conclusivas, uma tentativa de interferir no ensinamento da Igreja Católica sobre a dignidade da pessoa humana e no exercício da liberdade religiosa.
A Santa Sé reitera o seu compromisso em defesa e proteção dos direitos da criança, em linha com os princípios promovidos pela Convenção sobre Direitos da Criança e segundo os valores morais e religiosos oferecidos pela Doutrina Católica.

"Relatório da ONU é distorcido e negativo"

Liliane Borges
Da Redação, com Rádio Vaticano
Relatório da ONU é distorcido e negativo, diz Dom TomasiO Observador permanente da Santa Sé, Dom Silvano Tomasi, criticou, nesta quarta-feira, 5, o relatório do Comitê de Direitos da Infância, ligado à ONU, sobre a postura da Santa Sé referente aos direitos das crianças e as questões ligadas ao abuso de menores.
Segundo Dom Tomasi, o Comitê critica o Vaticano por sua posição sobre os métodos contraceptivos, a homossexualidade e o aborto. O arcebispo afirma que o texto aparenta não ter levado em conta o relatório pedido à Santa Sé sobre as medidas tomadas nos casos de abuso sexual nem o cuidado que a Igreja tem para com os menores.
“A primeira reação é de surpresa, porque o aspecto negativo do documento que fizeram aparenta que ele já estava pronto antes do encontro entre o comitê e a delegação da Santa Sé”, relata o arcebispo.
Dom Tomasi afirma que a posição do Comitê se mostra contraditória às exigências da Convenção Internacional dos direitos das Crianças, no que diz respeito à tutela da vida. Segundo o arcebispo, são pontos inegociáveis em relação ao que a Igreja pensa sobre o direito à vida.
 “A recomendação feita à Santa Sé é a de mudar sua posição sobre a questão do aborto. É claro que, quando uma criança é morta, ela não tem mais direitos. Então, isso me parece uma contradição real com os objetivos fundamentais da Convenção, que é proteger as crianças”, alerta o arcebispo.
O observador da Santa Sé afirma ainda que o relatório parece estar permeado por posições ideológicas e de “organizações não-governamentais que têm interesses sobre a homossexualidade, o casamento gay e outras questões. Certamente, esses tiveram suas observações apresentadas e, de alguma forma, reforçaram uma linha ideológica”, alerta.
O arcebispo afirma ainda que a Santa Sé responderá o relatório de modo detalhado e com calma, uma vez que não há nada a esconder. Ele comenta ainda que o próprio Comitê havia declarado que o documento apresentando pelo Vaticano era o mais completo e claro entre todos os países que o entregaram.
“Vem a tentação de dizer que, provavelmente, o texto já estava escrito e não reflete os pontos e a clareza, mas sim uma adição precipitada (…). Por isso, devemos, com serenidade e com base na evidência – porque não há nada a esconder! – levar adiante as explicações das posições da Santa Sé”, conclui o arcebispo.
fonte: Canção Nova