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terça-feira, 28 de maio de 2013

Corpus Christi

Corpuschristi 2.jpg A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas. Propriamente é a Quinta-feira Santa o dia da instituição, mas a lembrança da Paixão e Morte do Salvador não permite uma celebração festiva. Por isso, é na Festa de Corpus Christi que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo. 

 Quando surgiu? 

A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra do sacramento da Eucaristia.
Aconteceu, porém, que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.

O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia São Tomás de Aquino, informado do milagre, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.

Em 11 de agosto de 1264 o Papa emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata e percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos. 

Corpuschristi 3.jpg Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de "Lírio das Catedrais". Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em toda o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. A celebração normalmente tem início com a missa, seguida pela procissão pelas ruas da cidade, que se encerra com a bênção do Santíssimo.
 

Tradição dos tapetes 

Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo. Tudo isto tem muito sentido e deve ser preservado. 
 
Corpuschristi 1.jpg Começaram assim as grandes procissões eucarísticas e também o culto a Jesus Sacramentado foi incrementado no mundo todo através das adorações solenes, das visitas mais assíduas às Igrejas e da multiplicação das bênçãos com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos cada vez mais admiráveis. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.

O culto eucarístico não começou no século XIII, pois começou desde o Cenáculo, quando Jesus instituiu a sagrada Eucaristia. Mas faltava, porém, uma festa especial para agradecer ao "Prisioneiro dos Sacrários" esta presença inefável que o faz contemporâneo de todas as gerações cristãs. Era necessário, realmente, uma data distinta para que se manifestasse um culto especial ao Corpo e Sangue de Cristo, atraindo d’Ele novas graças e bênçãos para os que caminham neste mundo.
 
Milagre Eucarístico 

Por volta dos anos 700, na cidade italiana de Lanciano, viviam no mosteiro de São Legoziano os Monges de São Basílio, e entre eles havia um que se fazia notar mais por sua cultura mundana do que pelo conhecimento das coisas de Deus. Sua fé parecia vacilante, e ele era perseguido todos os dias pela dúvida de que a hóstia consagrada fosse o verdadeiro Corpo de Cristo e o vinho o Seu verdadeiro Sangue. Mas a Graça Divina nunca o abandonou, fazendo-o orar continuamente para que esse insidioso espinho saísse do seu coração.

Foi quando, certa manhã, celebrando a Santa Missa, mais do que nunca atormentado pela sua dúvida, após proferir as palavras da Consagração, ele viu a hóstia converter-se em Carne viva e o vinho em Sangue vivo. Sentiu-se confuso e dominado pelo temor diante de tão espantoso milagre, permanecendo longo tempo transportado a um êxtase verdadeiramente sobrenatural. Até que, em meio a transbordante alegria, o rosto banhado em lágrimas, voltou-se para as pessoas presentes e disse:

"Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!"

A estas palavras os fiéis se precipitaram para o altar e começaram também a chorar e a pedir misericórdia. Logo a notícia se espalhou por toda a pequena cidade, transformando o Monge num novo Tomé. A Hóstia-Carne apresentava, como ainda hoje se pode observar, uma coloração ligeiramente escura, tornando-se rósea se iluminada pelo lado oposto, e tinha aparência fibrosa; o Sangue era de cor terrosa (entre o amarelo e o ocre), coagulado em cinco fragmentos de forma e tamanhos diferentes. 
 
Corpuschristi 4.jpg As relíquias foram agasalhadas num tabernáculo de marfim mandado construir pelas pessoas mais credenciadas do lugarejo. A partir de 1713 até hoje, a Carne passou a ser conservada numa custódia de prata, e o Sangue, num cálice de cristal. Aos reconhecimentos eclesiásticos do Milagre, a partir de 1574, veio juntar-se o pronunciamento da Ciência moderna através de minuciosas e rigorosas provas de laboratório.

Foi em novembro de 1970 que os Frades Menores Conventuais, sob cuja guarda se mantém a Igreja do Milagre (desde 1252 chamada de São Francisco), decidiram, devidamente autorizados, confiar a dois médicos de renome e idoneidade moral a análise científica das relíquias. Após alguns meses de trabalho, exatamente a 4 de março de 1971, os pesquisadores publicaram um relatório contendo os resultados das análises:

"A Carne é verdadeira carne, o Sangue é verdadeiro sangue. A Carne é do tecido muscular do coração (miocárdio, endocárdio e nervo vago). A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sangüíneo (AB) e pertencem à espécie humana. No sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes materiais: cloretos, fósforos, magnésio, potássio, sódio e cálcio. A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à ação de agentes atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário".

Antes mesmo de redigirem o documento sobre o resultado das pesquisas realizadas em Arezzo, os Doutores Linoli e Bertelli enviaram aos Frades um telegrama nos seguintes termos: "E o Verbo se fez Carne!". É assim que o Milagre de Lanciano, desafiando a ação do tempo e toda a lógica da ciência humana, se apresenta aos nossos olhos como a prova mais viva e palpável de que "Comei e bebei todos vós, isto é o meu Corpo que é dado por vós".

Mais do que uma simples simbologia como possa parecer, é o sinal divino de que no Sacramento da Comunhão está o alimento da nossa esperança nas Promessas de Cristo para nossa Salvação: "Aquele que come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,55).
 
 
Referências 

Seja Feliz! 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Deus é o primeiro a chegar!

Vigília de Pentecostes: O Papa Francisco revelou como confirmou a sua vocação sacerdotal


foto News.va
VATICANO, 20 Mai. 13 / 03:30 pm (ACI/EWTN Noticias).- Ao celebrar no sábado de noite a Vigília de Pentecostes na Praça de São Pedro ante mais de 200 mil peregrinos, o Papa Francisco respondeu algumas perguntas dos fiéis e relatou como encontrou a certeza de que Deus o chamava para a vida sacerdotal.
Na Vigília participaram representantes de diversos movimentos e associações eclesiais, que estabeleceram um diálogo direto com o Papa. Entre eles, uma jovem perguntou a Francisco "Como alcançou na sua vida a certeza da fé?".
Francisco explicou que um dia "muito importante" em sua vida foi o dia 21 de setembro de 1953, era o dia do estudante na Argentina, que coincide com o dia da primavera, que se celebra com uma grande festa.
"Antes de ir à festa passei em frente da paróquia que eu frequentava e encontrei um sacerdote que eu não conhecia e senti a necessidade de me confessar, e esta foi para mim uma experiência de encontro, encontrei alguém que me esperava".
"Não sei o que aconteceu, não me lembro, não sei por que esse sacerdote estava ali ou porque senti esta necessidade de me confessar, mas a verdade é que alguém me esperava, estava me esperando desde muito tempo e depois da confissão senti que algo tinha mudado. Eu não era o mesmo, havia sentido uma voz, um chamado. Fiquei convencido de que tinha que ser sacerdote, e esta experiência na fé foi importante".
"Nós dizemos que temos que buscar a Deus, ir a Ele para pedir perdão, mas quando vamos, Ele já nos espera, está aí antes", acrescentou.
O Papa assinalou que o Senhor "é o primeiro, está te esperando e isto é uma graça grande, encontrar alguém que está esperando. Você vai, pecador, e Ele está te esperando para te perdoar".
O Papa explicou que recebeu o primeiro anúncio de Deus dentro do seio da sua família, e assinalou que as mulheres, as mães e as avós, devem ser como instrumentos de Deus para transmitir a graça da fé.
"Tive a graça de crescer em uma família em que a fé se vivia de uma maneira simples e concreta. Mas, sobretudo, foi a minha avó, a mãe do meu pai, que marcou meu caminho de fé. Uma mulher que nos explicava, nos falava de Jesus, nos ensinava o catecismo (...)".
"Recebi o primeiro anúncio cristão desta mulher, da minha avó, isto é muito belo, o primeiro anúncio em casa, com a família né? E isto me faz pensar na missão de tantas mães, tantas avós da transmissão da fé. São elas as que transmitem".
"São Paulo disse a Timóteo: 'Eu recordo a fé da sua mãe, a fé da sua avó'. Todas as mães que estão aqui, todas as avós, pensem nisto: Transmitir a fé. Porque Deus põe ao nosso lado pessoas que ajudam nosso caminho de fé".
O Papa assinalou que "a fé não se encontra no abstrato. É sempre uma pessoa que prega, que nos diz quem é Jesus, que nos dá a fé, que nos dá o primeiro anúncio, e esta foi a minha primeira experiência de fé", concluiu Francisco.

Seja Feliz!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Modo prático de se confessar

A confissão, ou Sacramento da Penitência, é o caminho escolhido por Nosso Senhor para nos redimirmos com Ele, com nossos irmãozinhos e conosco.

Nesses dias andei atribulado para me confessar, julgando-me culpado (é lógico!), porém mais do que o necessário e o devido. Então analisei de onde provinha tanto medo e acabrunhamento para buscar o socorro no sofrimento da alma, e percebi que era o sentimento de impenitência que me invadia, sorrateiramente...perigoso ardil de satanás para confundir-nos, aumentando em nós a tibieza, para nos atingir com um golpe que poderá ser fatal para nossa Fé.

Procurei logo, então, o socorro do Sacerdote, e o remédio da Confissão.

Antes, procurando fazer um mais detalhado exame de consciência, deparei-me com o artigo abaixo, que publico no desejo de que também possa levá-lo/a, ainda hoje, ao confessionário, para que você também reabilite-se com o Senhor e volte para a Graça!

Deus o/a abençoe!

O SACRAMENTO DA CONFISSÃO.
CONFESSAI-VOS BEM !!!
Parte XVI.
Modo prático de se confessar.
 
Exame
 
D. — Padre, depois dessas coisas tão bonitas que me disse até agora sobre a confissão, tenha a bondade de acrescentar algumas palavras sobre o modo de se confessar. Tenho medo de não ser capaz e de me confessar bem.
M.E por que esse medo? "A confissão, como a definiu o suavíssimo Papa Pio X, é a descoberta mais oportuna que Jesus soube fornecer à enfermidade humana".
Isso quer dizer que é o Sacramento mais fácil de se receber, ao alcance de todos, e que não requer condições difíceis, de modo que, todos os que têm boa vontade para fazer uma boa confissão, sempre o conseguem. Aqueles então que têm muito medo de se confessarem mal, são os que se confessam melhor, justamente por causa do medo.
 
D. — Devemos também rezar antes da confissão?
M.Sendo uma verdade de fé que, sem o auxílio da graça, não nos podemos confessar bem, devemos pedir esse auxílio com a oração:
1) Avivando a fé nesse Sacramento, que é o principal meio de santificação.
2) Agradecendo a Jesus que quis dar-nos tão valioso presente à custa da sua paixão e morte.
3) Recomendando-nos à nossa querida mãe. Maria Santíssima, refúgio dos pecadores, ao nosso Anjo da Guarda, às Almas do Purgatório.
 
Depois disso fazemos o exame de consciência.
 
D. — Ah, Padre, aqui começam as minhas inquietações. Eu não sou capaz de fazer o exame de consciência: ou não me lembro dos pecados, ou então me esqueço deles quando chego ao confessionário.
M.Vá devagar, meu caro, não turvemos a água com a aflição. Com o medo não se faz nada direito, mas, se nos aplicarmos com calma e confiança em Deus venceremos na certa.
Façamos o que nos for possível, e o Senhor suprirá ao resto; muitas vezes, é justamente quando estamos menos satisfeitos com nós mesmos que a sua satisfação é maior.
 
D. — Todos são obrigados a fazer o exame?
M. — Eu já vou dizendo que, se para uns o exame é obrigatório, para outros pode ser nocivo.
 
D. — É obrigatório para quem?
M. — Um exame sério e diligente é obrigatório:
1) Para os que cometem pecados mortais.
2) Para os que se confessam raramente.
3) Para os que, há algum tempo, não se confessam bem.
Todos esses, devendo acusar faltas graves, as circunstâncias que transformam a espécie, e também o número das mesmas, é claro que devem fazer um exame sério e cuidadoso.
 
D. — O quê se deve fazer para um bom exame?
M. — Para fazer um bom exame, devemos passar em revista diante da nossa consciência os mandamentos de Deus e da Igreja, juntamente com os deveres do próprio estado. Devemos examinar-nos sobre cada um deles para saber se pecamos por pensamentos, palavras, obras e omissões, tendo em mira principalmente a paixão predominante e as causas geradoras das faltas costumeiras.
 
Portanto, no que diz respeito ao primeiro mandamento, devemos observar se não tivemos fé em qualquer verdade de nossa religião se tomamos parte em conversas contra a religião, ou, se prestamos atenção a elas; se lemos livros ou jornais contra a religião; se cometemos sacrilégios, fazendo más Confissões ou más Comunhões, ou desprezando coisas ou pessoas sagradas; se cometemos práticas supersticiosas, ou se participamos de alguma sessão espírita.
 
Quanto ao segundo mandamento, observemos se blasfemamos o nome de Deus, da Virgem ou dos Santos, ou se fizemos juramentos ilícitos.
 
Quanto ao terceiro mandamento, observemos se não assistimos à Missa nos dias santos de guarda, ou se não assistimos à ela com a devida atenção; se, propositadamente, faltamos ao catecismo, ou ao sermão; se fizemos trabalhos manuais ou obras servis, ou então se passamos o dia de festa em divertimentos, pagodes, botequins.
 
Quanto ao quarto mandamento, vejamos se não respeitamos nossos pais e superiores, faltando-lhes ao respeito com palavras, obras ou insultos; ou se os fizemos chorar com o nosso mau procedimento.
 
Quanto ao quinto mandamento vejamos se golpeamos gravemente, ou se ferimos alguém; se nutrimos no coração ódio a alguma pessoa; se pensamos em vingança; se lançamos imprecações ou maldições; se demos escândalo, isto é, se com palavras ou ações excitamos outros ao pecado.
 
Quanto ao sexto e nono mandamentos, examinemos se tivemos pensamentos ou desejos contrários à castidade, se consentimos neles ou se fomos negligentes em afastá-los; se tomamos parte em conversas escandalosas, ou se lhes prestamos atenção; se lemos livros obscenos; se cometemos atos impuros, e se os cometemos sozinhos ou com outros e de que condição eram esses outros, desde que essas circunstâncias mudam a malícia do pecado; e se repetimos esses atos; se freqüentamos bailes ou espetáculos desonestos.
 
Quanto ao sétimo e décimo mandamentos examinemos se não roubamos alguma soma ou coisa de valor, seja em casa, seja de outras pessoas; se causamos danos; se tivemos pensamentos ou desejos de nos apropriarmos das coisas dos outros injustamente.
 
Chegando o oitavo mandamento vejamos se proferimos injúrias graves ou danosas; se murmuramos ou caluniamos gravemente; se causamos prejuízos à estima ou à honra de alguém.
 
Passando aos preceitos da Igreja, basta observar se violamos dias proibidos; ou se sendo obrigados a jejuar não o fizemos: finalmente se omitimos a Confissão e Comunhão bem feita no tempo da Páscoa.
 
Acrescentemos a esse exame sobre os mandamentos de Deus e da Igreja, um pequeno exame sobre os vícios capitais, considerando se cometemos pecados graves de soberba, de gula, de ira, de inveja; e para terminar deitemos um olhar para as obrigações do próprio estado.
 
D. — Para as obrigações do próprio estado também?
M. — Certamente! Um pai ou uma mãe, um marido ou uma mulher, um professor, um superior qualquer, podem muito bem observar todos os mandamentos, e ao mesmo tempo faltar gravemente aos deveres do próprio estado; o mesmo se dá com as crianças.
 
Portanto, o exame de consciência sobre os deveres do próprio estado é de suma importância, quando se quer fazer uma boa Confissão. A anedota seguinte é histórica.
O Imperador Carlos V, estava em viagem e, passando por um convento, quis confessar-se. Um religioso, cheio de caridade, ouviu a confissão do imperador e depois acrescentou:
"Confessus es peccata Caroli... nunc confitere peccata Caesaris...
Confessaste-me os pecados de Carlos, isto é, como se não fosse imperador; confessa-me agora os pecados que cometeste no desempenho do teu cargo".
 
E, com muita habilidade e simplicidade, interrogou-o sobre o modo como governava o seu povo. O imperador ficou tão comovido que, mais tarde, quando contou o fato, disse: "Finalmente encontrei quem me iluminou sobre certos argumentos, e deu à minha consciência paz completa!"
 
D. — Padre, será que todos são capazes de fazer "um exame tão diligente?"
M. — Os que não forem capazes, apresentem-se ao confessor, prontos para declarar todos os fatos de que se lembram, para responder sinceramente às perguntas que ele lhes fizer: é quanto basta.
 
D. — E se o confessor não fizer perguntas e se o penitente esquecer dos pecados mortais?
M. Os pecados, mesmo os mortais, quando não são propositadamente esquecidos, são perdoados como os que se confessar, ficando o penitente obrigado e declará-los, se se lembrar deles, nas confissões seguintes.
 
D. — Enquanto isso podemos ir para a Comunhão com a consciência tranqüila?
M. Sim, podemos ir para a Comunhão com a consciência tranqüila mesmo em ponto de morte.
 
D. — Padre, o senhor disse que nos devemos examinar sobre pensamentos e desejos?
M. Certamente, porque, quando maus, os pensamentos e desejos também são pecados.
— Mamãe, perguntou um menininho, se, como a senhora me ensinou, nada no mundo se perde, aonde vão parar os pensamentos e desejos?
— Meu filho, respondeu gravemente a mãe; vão morar na memória de Deus, e ali ficam para sempre.
— Para sempre! exclamou o menino surpreendido. Pensou um pouco, de cabeça baixa, e depois, abraçando a mãe bem apertado, murmurou baixinho:
Eu tenho medo! E pensando bem, quem é que não se sente compelido a dar o mesmo grito: eu tenho medo!...
E se certos pensamentos nos causam medo, por que não devemos examiná-los e detestá-los?
 
D. — Os maus pensamentos são sempre pecado?
M.Não, meu filho, algumas vezes não são pecado; outras vezes são pecado venial; mas podem também ser pecado mortal.
Ouça esta comparação:
Uma fagulha que cai sobre um vestido branco e é logo retirada não deixa mancha. Se a deixarmos ali, alguns instantes, deixa uma mancha chamuscada. Se a deixarmos ali, para ver o resultado, ela acaba queimando o vestido.
Assim acontece com os maus pensamentos. Se os expulsarmos logo, não são pecado nenhum; se consentirmos neles por alguns instantes são pecado venial; se ficarmos a seguir o curso, até ao fim, com plena consciência do que estamos fazendo e com prazer, nesse caso são pecado mortal.
 
D. — Quais são os que não são obrigados a fazer um longo exame?
M.As almas que tem temor de Deus e que se confessam sempre não são obrigados a um exame demorado, porque, segundo o célebre Frassinetti ou não cometem pecados mortais, ou então, na hipótese de cometerem algum, não se esqueceriam dele.
 
D. — Então, Padre, fazem mal os que ficam angustiados e se agitam porque não acham pecados?
M.Certamente! 'Não é de estranhar, diz ainda Frassinetti, se, não cometendo pecados, não os encontrais. Agradecei a Deus, e continuai a ficar deles afastados com o auxílio dos Sacramentos".
 
Lembro-me de um menino que indo para a confissão chorava como uma videira recém-cortada.
— Por que, pequeno, eu perguntei, por quê você chora tanto?
— Porque eu não encontro pecados!
— Você não os cometeu?
— Não, Padre, pecados eu nunca cometi.
 
D. — Diga-me enfim, Padre: para quem pode o exame ser nocivo?
M.Pode ser nocivo para as almas confusas, agitadas, irritadiças, escrupulosas, as quais, por terem a convicção de que devem fazer as contas como se se tratasse de matemática, não acabam nunca de se examinar para chegar sempre a zero, com despeito e desânimo sempre crescentes. Em tais casos, o Confessor proíbe o exame, e elas devem obedecer.
 
D. — Agradecido por tudo, Padre; eu nunca me esquecerei disso.



Seja Feliz!


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Misericórdia, a festa da conversão


Padre Fábio de Melo
Foto: Natalino Ueda/CancaoNova.com
A Festa da Misericórdia tem de ser a festa do encontro. Afinal, é a mística do encontro de Deus com o humano, com a miséria do homem.

Aquele que oferece a misericórdia torna-se inesquecível. Muitas pessoas passaram por nossa vida, mas aquela que nos amou quando nós não merecíamos ser amados, jamais esqueceremos. Experimentamos a miséria humana, seja de marido pra mulher, do amigo para o outro; a partir disso, podemos ter uma noção do amor de Deus por nós. A nós cabe oferecer ao outro um espaço no nosso coração.

A primeira aula de miserciórdia que vivemos é a experiência do amor de mãe. Elas sabem o significado do verdadeiro amor, da entrega, mas nem sempre oferecemos a misericórdia ao irmão. Hoje, queremos pedir a Deus que arranque do nosso coração todo pecado que, muitas vezes, nos privam de viver a misericórdia.

Hoje, ninguém está fora da graça que Deus nos concede. Todos nos temos misérias vergonhosas, mas a misericórdia é para todos, inclusive para aqueles que não têm coragem de dizer que “Deus o ama”.
O verdadeiro cristão é solidário ao outro
Foto: Natalino Ueda/CancaoNova.com
Quando alguém me ofender por gesto ou palavra, vou olhar na direção do seu amor, e dizer: Eu quero ter, ó meu Senhor, um coração igual ao teu. Nós sacerdotes nos tornamos padres por prestar atenção em alguém. Tivemos um modelo positivo, o qual nos atraiu.

O diabo virou quem é por conta da inveja que cresceu no seu coração - o desejo de ser como Deus. Ao invés de simplesmente ter um coração parecido com o do Senhor, ele quis estar acima do Mestre. O Evangelho de hoje nos convida a refletir o verdadeiro significado do sepulcro vazio em minha vida. O que ele diz para a minha vida naquilo que tenho feito?

Quando alguém nos machuca, trai nossa confiança ou faz algo contrário daquilo que esperávamos, retemos o pecado do outro em nós.

 
Encontramos pessoas destruídas, porque não conseguiram encontrar forças para perdoar!

Mesmo sabendo que o outro errou, se não o perdoarmos, acabaremos guardando o pecado dele no nosso coração. É por isso que precisamos ter um coração igual ao do Senhor. Que não alimenta dores nem rancores, tampouco ingratidão. A falta de conversão consiste em reduzimos nosso Cristianismo a um conjunto de ritos e obrigações. Em que situação você ainda não se parece com Jesus? A festa de hoje é de conversão, é momento de termos a coragem de olhar para nós mesmos e investigar onde não nos parecemos com Cristo. Seja na maneira de ser mãe, pai, marido, filho ou esposa.

A única religião que nivela as pessoas por baixo, que propõe as facilidades do pecado, é aquela que o diabo inventou. O verdadeiro cristão é solidário ao outro.

O espírito cristão é, antes de tudo, de solidariedade. Se você aceitou ser iluminado pela misericórdia precisará estar disposto a viver as pequenas mortes que nos fazem pensar no outro. O Cristianismo não é brincadeira; é difícil, mas em lugar nenhum você vai encontrar um Deus que faz de tudo para ter você por perto.

Quando alguém o ofender, é preciso olhar em direção ao Cristo e pedir um coração igual ao d'Ele. Isso, muitas vezes, significa que, mesmo diante de um desaforo, você deva se calar.

Quando alguém o ofender, peça a Deus essa graça. Assim, será mais fácil ser vizinho, amigo, colega, marido, esposa e filho. Não podemos viver na hipocrisia. Se alguém o maltrata, trate-o bem. Quem quer ter um coração misericordioso como o de Jesus, não paga com a mesma moeda. Se você não se sente acolhido, ofereça seu carinho e acolhimento. Seja cristão!

Mesmo quando alguém disser que essa atitude o torna bobo das pessoas, acredite que é melhor parecer “bobo” e ser como Jesus do que assemelhar-se à hipocrisia.

É na administração de nossas misérias que vamos alcançando um coração igual ao do Senhor. Não desanime. A misericórdia de Deus está sempre sendo oferecida em cada sacramento.

O amor de Jesus nos é oferecido. Mas o recebimento desse amor é comprometimento, pois, a partir desse momento, a sua vocação tem que ser o amor.

No nosso coração não pode haver espaço para rancores, mágoas e perdendo a oportunidade de ser feliz.

Hoje, na Festa da Misericórdia eu quero que o Senhor arranque do meu coração que me dificulta aproximar do seu coração e ser parecido com ele. Arranque as minhas mágoas, ressentimentos, preconceitos e tudo aquilo que é obstáculo para a sua graça. Hoje, eu quero um coração semelhante ao seu Jesus. Amém.

Transcrição e Adapção: Dado Moura

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Padre Fábio de Melo
Padre que evangeliza como cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova. 

(os grifos são do original - fonte: Canção Nova)

Seja Feliz!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Homilia do Papa Francisco na Missa do Crisma

Estupendas palavras!

Brasão Papal passa por pequenas modificações 
Homilia
Basílica Vaticana – Missa do Crisma
Quinta-feira Santa, 28 de março de 2013

Amados irmãos e irmãs,

Com alegria, celebro pela primeira vez a Missa Crismal como Bispo de Roma. Saúdo com afeto a todos vós, especialmente aos amados sacerdotes que hoje recordam, como eu, o dia da Ordenação.

As Leituras e o Salmo falam-nos dos “Ungidos”: o Servo de Javé referido por Isaías, o rei Davi e Jesus nosso Senhor. Nos três, aparece um dado comum: a unção recebida destina-se ao povo fiel de Deus, de quem são servidores; a sua unção “é para” os pobres, os presos, os oprimidos… Encontramos uma imagem muito bela de que o santo crisma “é para” no Salmo 133: “É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes” (v. 2). Este óleo derramado, que escorre pela barba de Aarão até à orla das suas vestes, é imagem da unção sacerdotal, que, por intermédio do Ungido, chega até aos confins do universo representado nas vestes.

Papa Francisco fala sobre vivência do bom sacerdote (Foto: Clarissa de Oliveira / CN Roma)As vestes sagradas do Sumo Sacerdote são ricas de simbolismos; um deles é o dos nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ónix que adornavam as ombreiras do efod, do qual provém a nossa casula atual: seis sobre a pedra do ombro direito e seis na do ombro esquerdo (cf. Ex 28, 6-14). Também no peitoral estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel (cf. Ex 28, 21). Isto significa que o sacerdote celebra levando sobre os ombros o povo que lhe está confiado e tendo os seus nomes gravados no coração. Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo.

Depois da beleza de tudo o que é litúrgico – que não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado –, fixemos agora o olhar na ação. O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo a ele, mas espalha-se e atinge “as periferias”. O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção, amados irmãos, não é para nos perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso… e o coração amargo.

O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo; temos aqui uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, “as periferias” onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé.

As pessoas agradecem-nos porque sentem que rezamos a partir das realidades da sua vida de todos os dias, as suas penas e alegrias, as suas angústias e esperanças. E, quando sentem que, através de nós, lhes chega o perfume do Ungido, de Cristo, animam-se a confiar-nos tudo o que elas querem que chegue ao Senhor: “Reze por mim, padre, porque tenho este problema”, “abençoe-me, padre”, “reze para mim”… Estas confidências são o sinal de que a unção chegou à orla do manto, porque é transformada em súplica – súplica do Povo de Deus. Quando estamos nesta relação com Deus e com o seu Povo e a graça passa através de nós, então somos sacerdotes, mediadores entre Deus e os homens.

O que pretendo sublinhar é que devemos reavivar sempre a graça, para intuirmos, em cada pedido – por vezes inoportuno, puramente material ou mesmo banal (mas só aparentemente!) –, o desejo que tem o nosso povo de ser ungido com o óleo perfumado, porque sabe que nós o possuímos. Intuir e sentir, como o Senhor sentiu a angústia permeada de esperança da hemorroíssa quando ela Lhe tocou a fímbria do manto. Este instante de Jesus, no meio das pessoas que O rodeavam por todos os lados, encarna toda a beleza de Aarão revestido sacerdotalmente e com o óleo que escorre pelas suas vestes. É uma beleza escondida, que brilha apenas para aqueles olhos cheios de fé da mulher atormentada com as perdas de sangue. Os próprios discípulos – futuros sacerdotes – não conseguem ver, não compreendem: na “periferia existencial”, vêem apenas a superficialidade duma multidão que aperta Jesus de todos os lados quase O sufocando (cf. Lc 8, 42). Ao contrário, o Senhor sente a força da unção divina que chega às bordas do seu manto.

É preciso chegar a experimentar assim a nossa unção, com o seu poder e a sua eficácia redentora: nas “periferias” onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus. Não é, concretamente, nas auto-experiências ou nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor: os cursos de auto-ajuda na vida podem ser úteis, mas viver a nossa vida sacerdotal passando de um curso ao outro, de método em método leva a tornar-se pelagianos, faz-nos minimizar o poder da graça, que se ativa e cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que não têm nada de nada.

O sacerdote, que sai pouco de si mesmo, que unge pouco – não digo “nada”, porque, graças a Deus, o povo nos rouba a unção –, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor “já receberam a sua recompensa”. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de coleccionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o “cheiro das ovelhas” – isto vo-lo peço: sede pastores com o “cheiro das ovelhas”, que se sinta este –, serem pastores no meio do seu rebanho e pescadores de homens. É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes. É um bem que a própria realidade nos faça ir para onde, aquilo que somos por graça, apareça claramente como pura graça, ou seja, para este mar que é o mundo atual onde vale só a unção – não a função – e se revelam fecundas unicamente as redes lançadas no nome d’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: Jesus.

Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus.

Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas “periferias” onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia. Que o nosso povo sinta que somos discípulos do Senhor, sinta que estamos revestidos com os seus nomes e não procuramos outra identidade; e que ele possa receber, através das nossas palavras e obras, este óleo da alegria que nos veio trazer Jesus, o Ungido. Amém.

Seja Feliz!