terça-feira, 3 de setembro de 2013

Papa Francisco convoca a Igreja a uma Vigília pela Paz







Index
PAPA FRANCISCO
ANGELUS 
Praça de São Pedro
Domingo, 1º de Setembro de 2013


Hoje, queridos irmãos e irmãs, 
 
queria fazer-me intérprete do grito que se eleva, com crescente angústia, em todos os cantos da terra, em todos os povos, em cada coração, na única grande família que é a humanidade: o grito da paz! É um grito que diz com força: queremos um mundo de paz, queremos ser homens e mulheres de paz, queremos que nesta nossa sociedade, dilacerada por divisões e conflitos, possa irromper a paz! Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra! A paz é um dom demasiado precioso, que deve ser promovido e tutelado.

Vivo com particular sofrimento e com preocupação as várias situações de conflito que existem na nossa terra; mas, nestes dias, o meu coração ficou profundamente ferido por aquilo que está acontecendo na Síria, e fica angustiado pelos desenvolvimentos dramáticos que se preanunciam.

Dirijo um forte Apelo pela paz, um Apelo que nasce do íntimo de mim mesmo! Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor causou e está causando o uso das armas naquele país atormentado, especialmente entre a população civil e indefesa! Pensemos em quantas crianças não poderão ver a luz do futuro! Condeno com uma firmeza particular o uso das armas químicas! Ainda tenho gravadas na mente e no coração as imagens terríveis dos dias passados! Existe um juízo de Deus e também um juízo da história sobre as nossas ações aos quais não se pode escapar! O uso da violência nunca conduz à paz. Guerra chama mais guerra, violência chama mais violência. 

Com todas as minhas forças, peço às partes envolvidas no conflito que escutem a voz da sua consciência, que não se fechem nos próprios interesses, mas que olhem para o outro como um irmão e que assumam com coragem e decisão o caminho do encontro e da negociação, superando o confronto cego. Com a mesma força, exorto também a Comunidade Internacional a fazer todo o esforço para promover, sem mais demora, iniciativas claras a favor da paz naquela nação, baseadas no diálogo e na negociação, para o bem de toda a população síria. 

Que não se poupe nenhum esforço para garantir a ajuda humanitária às vítimas deste terrível conflito, particularmente os deslocados no país e os numerosos refugiados nos países vizinhos. Que os agentes humanitários, dedicados a aliviar os sofrimentos da população, tenham garantida a possibilidade de prestar a ajuda necessária.

O que podemos fazer pela paz no mundo? Como dizia o Papa João XXIII, a todos corresponde a tarefa de estabelecer um novo sistema de relações de convivência baseados na justiça e no amor (cf. Pacem in terris, [11 de abril de 1963]: AAS 55 [1963], 301-302).

Possa uma corrente de compromisso pela paz unir todos os homens e mulheres de boa vontade! Trata-se de um forte e premente convite que dirijo a toda a Igreja Católica, mas que estendo a todos os cristãos de outras confissões, aos homens e mulheres de todas as religiões e também àqueles irmãos e irmãs que não creem: a paz é um bem que supera qualquer barreira, porque é um bem de toda a humanidade. 

Repito em alta voz: não é a cultura do confronto, a cultura do conflito, aquela que constrói a convivência nos povos e entre os povos, mas sim esta: a cultura do encontro, a cultura do diálogo: este é o único caminho para a paz.

Que o grito da paz se erga alto para que chegue até o coração de cada um, e que todos abandonem as armas e se deixem guiar pelo desejo de paz. 

Por isso, irmãos e irmãs, decidi convocar para toda a Igreja, no próximo dia 7 de setembro, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, e no mundo inteiro, e convido também a unir-se a esta iniciativa, no modo que considerem mais oportuno, os irmãos cristãos não católicos, aqueles que pertencem a outras religiões e os homens de boa vontade.

No dia 7 de setembro, na Praça de São Pedro, aqui, das 19h00min até as 24h00min, nos reuniremos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo. A humanidade precisa ver gestos de paz e escutar palavras de esperança e de paz! Peço a todas as Igrejas particulares que, além de viver este dia de jejum, organizem algum ato litúrgico por esta intenção.

Peçamos a Maria que nos ajude a responder à violência, ao conflito e à guerra com a força do diálogo, da reconciliação e do amor. Ela é mãe: que Ela nos ajude a encontrar a paz; todos nós somos seus filhos! Ajudai-nos, Maria, a superar este momento difícil e a nos comprometer a construir, todos os dias e em todo lugar, uma autêntica cultura do encontro e da paz. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Inferno - São João Bosco

Deparei-me com este artigo, hoje, na internet.

Considerando o seu autor, São João Bosco, dispenso mais comentários.




Meditação I
Sobre o Inferno e a
Eternidade das Penas

Por São João Bosco
- Presbítero
Sobre o Inferno
1º)- O Inferno é um local destinado pela Justiça divina para castigar com suplícios eternos os que morrem em pecado mortal.

A primeira pena que os condenados padecem no Inferno é a dos sentidos, por ser todo o seu corpo atormentado por um fogo que arde horrivelmente sem jamais diminuir.

Esse fogo penetrará pelos olhos, pela boca e por todo o corpo, e cada um do sentidos padecerá uma pena especial.

Os olhos ficarão obscurecidos pelo fumo e pelas trevas, e aterrorizados ao ver os demônios e os demais condenados.

Os ouvidos não ouvirão incessantemente senão gritos, uivos, prantos e blasfêmias.

O olfato será atormentado com o mau cheiro do enxofre e betume ardentes, que o sufocará.

A boca sofrerá sede ardentíssima e padecerá uma fome canina: "Sofrerão fome como cães" (Sl 58,7; 15).Deus permitiu que o rico Epulão, em meio aqueles tormentos, dirigisse um olhar a Lázaro, pedindo por misericórdia uma gota de água para aliviar o ardor que o consumia; mas até esta lhe foi negada.

Aqueles infelizes, em meio às chamas, devorados pela fome e sede, atormentados por um fogo que não cessa, bradam, uivam e se desesperam.

Ah!Inferno, Inferno, como são desgraçados os que caem nos teus abismos!

E tu, meu filho, que dizes?

Se tivesses que morrer neste momento, para onde irias?

Se não podes suportar agora, se gritar de dor, a ligeira chama de uma vela na mão, como poderás sofrer aquelas chamas por toda a eternidade?

2º)- considera por outro lado, meu filho, o remorso que sentirá a consciência dos condenados.Sua memória, entendimento e vontade padecerão terrivelmente tormentos.

Recordarão continuamente o motivo porque se perderam, isto é, por terem querido satisfazer uma paixão qualquer, e esse pensamento será para eles um verme roedor que jamais morrerá.

Pensarão no tempo que Deus lhe tinha concedido para salvar-se da perdição; nos bons exemplos de seus companheiros; nos propósitos formados e não postos em prática.Pensarão nas pregações ouvidas, nos conselhos de seus confessores, nas boas inspirações pra deixar o pecado...E, vendo que já não há remédio, lançarão uivos desesperados.

A vontade jamais terá nada do que deseja, sofrendo pelo contrário todos os males.

O entendimento conhecerá o bem imenso que perdeu.A alma, separada do corpo e apresentada diante do divino tribunal, entreviu a beleza de Deus, conheceu sua bondade, contemplou por um instante o esplendor do Paraíso, terá ouvido talvez os dulcíssimos e harmoniosos cantos dos Anjos e Bem-aventurados.Que dor, vendo que tudo isso lhe é arrebatado para sempre!

Que horrorosos tormentos!Quem poderá suportá-los?

3º)- Meu Filho, que agora não te preocupas em perder a Deus e o Paraíso!Esperas por acaso conhecer tua cegueira, quando tantos companheiros teus, mais ignorantes e mais pobres do que tu, estiverem gloriosos e triunfantes no reino dos céus, e tu estiveres maldito por Deus e arrojado fora daquela pátria bem-aventurada, do gozo de Deus, da companhia da Virgem Santíssima e dos Santos?

Decide-te, pois, a servir ao Senhor, e faz penitência.Não aguardes para quando não haja mais tempo.Entrega-te a Deus.Quem sabe se esta meditação não será o teu último chamado da graça!Se não correspondes a ele, tu te expõe a que Deus te abandone e te deixe cair nos eternos suplícios.

Ah!Senhor, livrai-me das penas do inferno!
A eternidade das penas
1º)- Considera, meu filho, que se caíres no Inferno, dele jamais saíras.Nele se padecem todas as penas, e todas elas para sempre.

Passarão cem anos, mil anos, e o Inferno estará apenas começando; passarão cem mil anos, cem milhões de anos, milhões de milhões de anos e de séculos...e o Inferno estará ainda apenas começando.

Se um Anjo anunciasse a um condenado que Deus haveria de livrá-lo do Inferno depois de passar tantos milhões de séculos como gotas de água que há no mar, ou folhas de árvores e grãos de areia no mundo, essa notícia lhe causaria logo um consolo indizível."É certo, exclamaria, que é imenso o número de séculos que sofrerei, afinal, haverá um dia em que eles acabarão".

Mas, ai! passarão esses milhões de séculos e uma infinidade de outros, e o Inferno estará sempre apenas começando.

Cada condenado quereria poder dizer a Deus: "Senhor, aumentai quanto quiserdes minhas penas, e fazei-me permanecer aqui o tempo que quiserdes, contanto que me deis a esperança de ver este suplício acabar um dia!"Mas não!Esse término e essa esperança jamais chegarão.

2º)- Se ao menos o condenado pudesse iludir-se a si mesmo, pensando consigo: "Quem sabe se Deus algum dia terá piedade de mim e me tirará deste abismo!"

Mas, não!Jamais abrigará esta esperança!O condenado terá sempre presente a sentença de sua condenação eterna: "Este tormentos, este fogo, estes horríveis gritos, eu os terei para sempre".

Sempre! verá escrito nas chamas que o devoram.Sempre! na ponta das espadas que o transpassam; Sempre!, nas horríveis fisionomias dos demônios que o atormentam; Sempre!, naquelas portas fechadas que jamais se abrirão para ele!

Ó eternidade, ó abismo sem fundo!Ó mar sem limites!Ó caverna sem saída!Quem não tremerá pensando em ti?Ó maldito pecado, que tremendos suplícios preparas para quem te comete!Ah!Basta de pecados, basta de pecados em toda a minha vida!

3º)- O que deve encher-te de espanto é pensar que essa horrível fornalha está sempre aberta debaixo de teus pés e que basta um único pecado mortal para cair nela.

Compreendes, meu filho, isto que lês? Um pecado que cometes com tanta facilidade merece uma pena eterna.Uma blasfêmia, uma profanação dos dias festivos, um furto, um ódio, uma palavra, um ato, um pensamento obsceno, bastam para condenar-te às penas do Inferno.

Ah!meu filho, ouve atentamente o meu conselho; se a consciência te censura de algum pecado, vai imediatamente confessar-te para principiar logo uma boa vida; põe em prática todos os conselhos do teu confessor e se for necessário faz uma confissão geral; promete fugir das ocasiões perigosas, das más companhias, e se deus te chamar a deixar o mundo, obedece-Lhe com prontidão.

Tudo o que se faz para evitar uma eternidade de tormentos é pouco, é nada: "nenhuma segurança é excessiva quando está em jogo a eternidade", escreveu São Bernardo.

Oh!quantos jovens na flor da idade abandonaram o mundo, a pátria, a família e foram sepultar-se nas grutas e desertos, não vivendo senão de pão e água, às vezes só de algumas raízes!...E tudo isso para evitarem o Inferno!

E tu, o que fazes, depois de merecer tantas vezes o Inferno pelo pecado?

Lança-te aos pés de teu Deus e diz a Ele: "Senhor, vede-me pronto a fazer tudo o que quiserdes; já Vos ofendi demais até agora; de hoje em diante não Vos quero mais ofender; enviai-me, se preciso, todos os males nesta vida, desde que possa salvar minha alma".

Fonte: São João Bosco: 
O Jovem Instruído

(extraído de http://www.rainhadosapostolos.com/2007/05/o-inferno.html)

Seja Feliz!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

As provas da Ressurreição de Jesus - Prof. Felipe Aquino

A Igreja não tem dúvida em afirmar que a Ressurreição de Jesus foi um evento histórico e transcendente. No §639 o Catecismo afirma: “O mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Já S. Paulo escrevia aos Coríntios pelo ano de 56: “Eu vos transmiti… o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4). O apóstolo fala aqui da viva tradição da Ressurreição, que ficou conhecendo após sua conversão às portas de Damasco.

500-jesus-318O primeiro acontecimento da manhã do Domingo de Páscoa foi a descoberta do sepulcro vazio (cf. Mc 16, 1-8). Ele foi a base de toda a ação e pregação dos Apóstolos e foi muito bem registrada por eles. São João afirma: “O que vimos, ouvimos e as nossas mãos apalparam isto atestamos” (1Jo1,1-2). Jesus ressuscitado apareceu a Madalena (Jo 20, 19-23); aos discípulos de Emaús (Lc 24,13-25), aos Apóstolos no Cenáculo, com Tomé ausente (Jo 20,19-23); e depois, com Tomé presente (Jo 20,24-29); no Lago de Genezaré (Jo 21,1-24); no Monte na Galiléia (Mt 28,16-20); segundo S. Paulo “apareceu a mais de 500 pessoas” (1 Cor 15,6) e a Tiago (1 Cor 15,7).

S. Paulo atesta que Ele”… ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e foi visto por Cefas, e depois pelos Onze; depois foi visto por mais de quinhentos irmãos duma só vez, dos quais a maioria vive ainda hoje e alguns já adormeceram; depois foi visto por Tiago e, em seguida, por todos os Apóstolos; e, por último, depois de todos foi também visto por mim como por um aborto” (1 Cor 15, 3-8).

“Deus ressuscitou esse Jesus, e disto  nós todos somos testemunhas” (At 2, 32), disse São Pedro no dia de Pentecostes.  “Saiba com certeza toda a Casa de Israel: Deus o constituiu Senhor (Kýrios) e Cristo, este Jesus a quem vós crucificastes” (At 2, 36). “Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos”.(Rm 14, 9). No Apocalipse, João arremata: “Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos, e tenho as chaves da Morte e da região dos mortos” (Ap 1, 17s).

Toda a pregação dos Discípulos estava centrada na Ressurreição de Jesus. Diante do Sinédrio Pedro dá testemunho da Ressurreição de Jesus (At 4,8-12). Em At 5,30-32 repete.  Na casa do centurião romano Cornélio (At 10,34-43), Pedro faz uma síntese do plano de Deus, apresentando a morte e a ressurreição de Jesus como ponto central. S. Paulo em Antioquia da Pisídia faz o mesmo (At 13,17-41).

A presença de Jesus ressuscitado era a manifestação salvífica definitiva de Deus, inaugurando uma nova era na História humana; era a força do Apóstolos. Jesus ressuscitado caminhou com eles ainda quarenta dias e criou a fé dos discípulos e não estes que criaram a fé no Ressuscitado.

A primeira experiência dos Apóstolos com Jesus ressuscitado, foi marcante e inesquecível: “Jesus se apresentou no meio dos Apóstolos e disse: “A paz esteja convosco!” Tomados de espanto e temor, imaginavam ver um espírito. Mas ele disse: “Por que estais perturbados e por que  surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! “Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: “Tendes o que comer?” Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. Tomou-o então e comeu-o diante deles”. (Lc 24, 34s)

Os Apóstolos não acreditavam a principio na Ressurreição do Mestre. Amedrontados, julgavam ver um fantasma, Jesus pede que o apalpem e verifiquem que tem carne e ossos. Nada disto foi uma alucinação, nem miragem, nem delírio, nem mentira, e nem fraude dos Apóstolos, pessoas muito realistas que duvidaram a principio da Ressurreição do Mestre. A custo se convenceram. O próprio Cristo teve que falar a Tomé: “Apalpai e vede: os fantasmas não têm carne e osso como me vedes possuir” (Lc 24,39). Os discípulos de Emaús estavam decepcionados porque “nós esperávamos que fosse Ele quem restaurasse Israel” (Lc 24, 21).

Estes depoimentos “de primeira hora”, concebidos e transmitidos pelos discípulos imediatos do Senhor, são argumentos suficientes para dissolver qualquer teoria que quisesse negar a ressurreição corporal de Cristo, ou falar dela como fraude. Esta fé não surgiu “mais tarde”, como querem alguns, na história das primeiras comunidades cristãs, mas é o resultado da missão de Cristo acompanhada dia a dia pelos Apóstolos.

Com  os Apóstolos aconteceu o processo exatamente inverso do que se dá com os visionários. Estes, no começo, ficam muito convencidos e são entusiastas, e pouco a pouco começam a duvidar da visão. Já com os discípulos de Jesus, ao contrário, no princípio duvidam. Não crêem em seguida na Ressurreição. Tomé duvida de tudo e de todos e quer tocar o corpo de Cristo ressuscitado. Assim eram aqueles homens: simples, concretos, realistas. A maioria era pescador, não eram nem visionários nem místicos. Um grupo de pessoas abatidas, aterrorizadas após a morte de Jesus. Nunca chegariam por eles mesmos a um auto-convencimento da Ressurreição de Jesus. Na verdade, renderam-se a uma experiência concreta e inequívoca.

Impressiona também o fato de que os Evangelhos narram que as primeiras pessoas que viram Cristo ressuscitado são as mulheres que correram ao sepulcro. Isto é uma mostra clara da historicidade da Ressurreição de Jesus; pois as mulheres, na sociedade judaica da época, eram consideradas testemunhas sem credibilidade já que não podiam apresentar-se ante um tribunal. Ora, se os Apóstolos, como afirmam alguns, queriam inventar uma nova religião, por que, então, teriam escolhido testemunhas tão pouco confiáveis pelos judeus? Se os evangelistas estivessem preocupados em “provar” ao mundo a Ressurreição de Jesus, jamais teriam colocado mulheres como testemunhas.

Os chefes dos judeus tomaram consciência do significado da Ressurreição de Jesus, e, por isso,  resolveram apaga-la: “Deram aos soldados uma vultosa quantia de dinheiro, recomendando: “Dizei que os seus discípulos vieram de noite, enquanto dormíeis, e roubaram o cadáver de Jesus. Se isto chegar aos ouvidos do Governador, nós o convenceremos, e vos deixaremos sem complicação”. Eles tomaram o dinheiro e agiram de acordo com as instruções recebidas. E espalhou-se esta história entre os judeus até o dia de hoje” (Mt 28, 12-15). A ressurreição corporal de Jesus era professada tranqüilamente pela Igreja nascente, sem que os judeus ou outros adversários a pudessem apontar como fraude ou  alucinação.

Os Apóstolos só podiam acreditar na Ressurreição de Jesus pela evidência dos fatos, pois não estavam predispostos a admiti-la; ao contrário, haviam perdido todo ânimo quando viram o Mestre preso e condenado; também para eles a ressurreição foi uma surpresa.

Eles não tinham disposições psicológicas para “inventar” a notícia da ressurreição de Jesus ou para forjar tal evento. Eles ainda estavam impregnados das concepções de um messianismo nacionalista e político, e caíram quando viram o Mestre preso e aparentemente fracassado; fugiram para não ser presos eles mesmos (Cf. Mt 26, 31s); Pedro renegou o Senhor (cf. Mt 26, 33-35). O conceito de um Deus morto e ressuscitado na carne humana era totalmente alheio à mentalidade dos judeus.

E a pregação dos Apóstolos era severamente controlada pelos judeus, de tal modo que qualquer mentira deles seria imediatamente denunciada pelos membros do Sinédrio (tribunal dos judeus). Se a ressurreição de Jesus, pregada  pelos Apóstolos não fosse real, se fosse fraude, os judeus a teriam desmentido, mas eles nunca puderam fazer isto.

Jesus morreu de verdade, inclusive com o lado perfurado pela lança do soldado. É ridícula a teoria de que Jesus estivesse apenas adormecido na Cruz.

Os vinte longos séculos do Cristianismo, repletos de êxito e de glória, foram baseados na verdade da Ressurreição de Jesus. Afirmar que o Cristianismo nasceu e cresceu em cima de uma mentira e fraude seria supor um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição do Senhor.

Será que em nome de uma fantasia, de um mito, de uma miragem, milhares de fiéis enfrentariam a morte diante da perseguição romana? É claro que não. Será que em nome de um mito, multidões iriam para o deserto para viver uma vida de penitência e oração? Será que em nome de um mito, durante já dois mil anos, multidões de homens e mulheres abdicaram de construir família para servir ao Senhor ressuscitado? Será que uma alucinação poderia transformar o mundo? Será que uma fantasia poderia fazer esta Igreja sobreviver por 2000 anos, vencendo todas as perseguições (Império Romano, heresias, nazismo, comunismo, racionalismo, positivismo, iluminismo, ateísmo, etc.)? Será que uma alucinação poderia ser a base da religião que hoje tem mais adeptos no mundo (2 bilhões de cristãos)? Será que uma alucinação poderia ter salvado e construído a civilização ocidental depois da queda de Roma?  Isto mostra que o testemunho dos Apóstolos sobre a Ressurreição de Jesus era convincente e arrastava, como hoje.

Na verdade, a grandeza do Cristianismo requer uma base mais sólida do que a fraude ou a debilidade mental. É muito mais lógico crer na Ressurreição de Jesus do que explicar a potência do Cristianismo por uma fantasia de gente desonesta ou alucinada. Como pode uma fantasia atravessar dois mil anos de história, com 266 Papas, 21 Concilios Ecumênicos, e hoje com cerca de 4 mil bispos e 416 mil sacerdotes? E não se trata de gente ignorante ou alienada; muito ao contrário, são universitários, mestres, doutores.

Prof Felipe Aquino

O Poder da Oração

“Um dia, Jesus estava orando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: ‘Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus discípulos’. Ele respondeu: ‘Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome...’” (Lc 11,1-2).

Quando a equipe do Clube da Evangelização pediu que eu escrevesse sobre o poder da oração, lembrei-me desta passagem do Evangelho, pois ela nos ensina algo muito importante sobre a oração e o poder que ela traz em si.

Quando se fala em “poder” da oração, imediatamente pensamos naquela que realiza todos os nossos desejos, cura todas as nossas enfermidades e nos liberta de todo e qualquer mal. Imaginamos a oração como uma fórmula infalível para nunca mais passarmos por quaisquer tribulações e adversidades. Então, por que ficamos sem palavras diante daquela pessoa orante e piedosa que sofre tanto em sua vida? Será que Deus a desamparou?

Não, meus irmãos! Deus jamais abandona um filho Seu. E a razão disso é que Ele é Pai. Um amoroso Pai! O nosso Pai. Foi isso que Jesus revelou àquele discípulo ante o seu sincero pedido: “Senhor, ensina-nos a orar”. A grande lição do Mestre referente à oração foi nos mostrar que ela consiste num diálogo paterno. Jesus nos indica que oração é intimidade, é relacionamento com o Senhor.

Arquivo

Num tempo em que se busca combater a solidão da alma com relacionamentos virtuais, provisórios e, muitas vezes, fúteis; num tempo em que cada vez mais se evita ter aquela conversa “olhos nos olhos” dentro do sagrado território familiar; que os cônjuges, os pais e os filhos não encontram mais espaço para partilhar os tesouros e as angústias da própria alma, Cristo vem nos lembrar: “O nosso Pai nos quer junto de Si. Venham dialogar com Ele!”. A oração é, portanto, esse maravilhoso relacionamento de um filho que sabe não ser órfão nessa vida. Afinal, ele tem um Pai que o ama!

Assim, sempre que oramos, tocamos nesse poder que nos impulsiona cada vez mais à frente. Não caminhemos amedrontados! Muito pelo contrário, lancemo-nos com confiança rumo à meta (o Céu!), segurando na mão d’Aquele que nos chama de filhos amados.

Fazendo em cada oração essa linda experiência de relacionar-se com o Pai, descobre-se o eficaz antídoto para a solidão, para a tristeza e para aquela terrível dor que insiste em assolar nossa alma. Eis aí a importância do combate na oração, porque o mal quer, a todo custo, nos levar a acreditar que somos órfãos de Deus.

Penso que o grande poder da oração está em nos assegurar, aconteça o que acontecer na vida, essa verdade irrefutável: quem ora jamais está sozinho. E quem caminha nessa certeza vive mais feliz!

Faça a experiência de tocar no verdadeiro poder que existe nesse diálogo com Deus: amor, perdão, cura, fortaleza, filiação. É nessa íntima relação com o Pai, por meio da oração, que vamos sendo restaurados e lapidados como um precioso diamante, pois somos todos valiosos para Deus!

Termino esse artigo com um maravilhoso ensinamento que li no primeiro livro cristão que ganhei de presente, logo no início da minha caminhada com o Senhor, há mais de 25 anos. O livro chama-se "Cristo Minha Vida”, da autoria de Clarence J. Enzler. Nele, há um capítulo no qual Jesus nos fala a respeito da oração. Compartilho com você esse pequeno trecho, na esperança de que ele o faça cada vez mais fiel em sua oração diária no concreto da vida, para que seu ânimo, assim, jamais desfaleça: “Jamais deixes passar o dia sem rezar, vocal ou mentalmente. Fala comigo, com a certeza de que estou em tua alma, vendo-te, ouvindo-te, conhecendo-te, compreendendo-te. Fala comigo como teu maior amigo” (II Parte, Capítulo VII).

Um forte abraço!

Alexandre Oliveira
Membro da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Francisco aproveita férias para preparar próxima encíclica e exortação

Esboços e manuscritos

Nova exortação deve sair até 24 de novembro, na conclusão do Ano da Fé


Francisco aproveita férias para preparar próxima encíclica e exortaçãoO Papa Francisco tem aproveitado esse período de verão no Vaticano para escrever. Tendo renunciado às férias em Castel Gandolfo, o Santo Padre se dedica aos esboços de uma nova exortação apostólica, sobre a nova evangelização, e ao projeto de uma nova encíclica sobre a pobreza: “Beati pauperes”.

A exortação deve sair até 24 de novembro, quando se conclui o Ano da Fé, proclamado pelo Papa Emérito Bento XVI. O documento retoma o conteúdo e o esboço da exortação pós-sinodal da Assembleia Geral dos bispos sobre a nova evangelização, realizada no Vaticano em outubro passado.

Como revelado pelo próprio Francisco, o tema será abordado num contexto mais amplo, inspirando-se na “Evangelii nuntiandi“, exortação de Paulo VI, de 1975; uma firme referência para o Papa.

Já a nova encíclica, a “Beati pauperes” (Beatos os pobres) será centrada no tema da pobreza – tão querido ao Papa da “Igreja pobre e para os pobres”. O texto não deve interpretar a pobreza no sentido ideológico ou político, mas evangélico, como disse Francisco recentemente. O próprio título é extraído das Beatitudes evangélicas e do “discurso da montanha”: as beatitudes que Francisco, em seu tuíte de quinta-feira, 22, propõe como um “ótimo programa de vida para todos nós”.

Enquanto os textos são preparados, a primeira encíclica de Francisco faz sucesso na Itália. Em um mês, a “Lumen fidei” já vendeu mais de 200 mil cópias. A encíclica publicada recentemente conta com as reflexões de Bento XVI, que iniciou sua escrita.

fonte: Canção Nova

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Entenda o que está acontecendo no Egito - Prof. Felipe Aquino


Não é muito fácil compreender o que está acontecendo no Oriente, sobretudo nos países onde o islamismo é acentuado. Acontece o que a mídia tem chamado de “Primavera árabe”, ou seja, o povo nas ruas pedindo liberdade, democracia, direitos etc. O mundo árabe acordou!
Certamente, a globalização, que hoje acontece no mundo, especialmente pela ação da internet, é uma das causas desse fenômeno, do qual é difícil de prever os desdobramentos. Em alguns países, os ditadores foram depostos, como no Egito e na Síria, onde os oposicionistas do Governo pressionam a sua queda. A Síria experimenta quase uma guerra civil.
Um dos países, no qual aconteceu essa “Primavera árabe” com grande violência, foi no Egito, o maior e mais importante país árabe, com 85 milhões de habitantes. O fato ocorreu com a queda de Osni Mubarak (11/2/2011), hoje preso. Mubarak era apoiado pelos generais fardados, mas o povo árabe tomou as ruas, depôs o ditador e exigiu eleições. Foi, então, eleito um representante do movimento radical islâmico da “Irmandade Muçulmana”, Mohamed Mursi (18/6/2012), engenheiro que implantou, no Egito, um governo islâmico conduzido por leis do Corão ou Alcorão. Em 26/12/2012, Mursi aprovou uma nova Constituição redigida apenas por muçulmanos mais radicais e aprovada em um referendo.
Acontece que há um outro lado: os militares de linha dura que não aceitam isso, pois veem no islamismo um fator de atraso e querem uma sociedade mais moderna, como na Turquia, por exemplo. Então, há um terrível embate entre as duas forças, que pode se transformar numa guerra civil e se espalhar por todo o Oriente Médio. Já são centenas de mortos (mais de 600) pelos protestos na rua, por causa da deposição do Presidente eleito Mursi, da Irmandade Muçulmana. Na verdade, o confronto dos militares e a facção muçulmana vêm desde a década de 50.
Está cada vez mais difícil os dois lados sentarem-se a uma mesa de negociação, porque cada uma das duas forças políticas não reconhece a legitimidade da outra. A Irmandade Muçulmana é forte, tem o apoio de, pelo menos, 20% do povo e 5 milhões de militantes radicais. Acreditam seus adeptos que morrer nesta luta é ser mártir. Como não gostam do Cristianismo, esses radicais estão também perseguindo e matando cristãos, incendiando as igrejas cristãs coptas* [igreja cristã nacional do Egito], a qual conta com 10% de adeptos na população.
Em todos os países de governo muçulmano radical, os cristãos sofrem terríveis perseguições. As igrejas são destruídas, queimadas e muitos são mortos. Precisamos rezar por esses irmãos em Cristo que sofrem os piores martírios dos nossos tempos. É hora de unirmos as orações e ações para que se respeite, nos países de governo islâmico, a liberdade religiosa que tanto os Papas têm pedido. Nunca a Igreja de Cristo deixou de ser perseguida; hoje, continua sendo. São cerca de 200 milhões de perseguidos nesses países não cristãos. Rezemos por esses irmãos que padecem por Cristo, e por Cristo que padece nesses irmãos.

* Copta significa cristão egípcio

Créditos da fotografia: Reprodução TV Folha

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O destino da mentira

A verdade é como uma aljava.

Sempre com flechas que se lhe fixam.

As flechas, como que as mentiras, fixam-se ao fundo da Verdade, parecendo ferir-lhe.

Na vida, viver a Verdade é ser como a aljava do arqueiro. Receber flechas, que não são para nós, mas as guardamos. Aparentemente nos ferem, mas em verdade estão apenas aguardando seu destino, ao serem lançadas fora pelas mãos do Arqueiro.

Em verdade, tais mentiras estão sendo guardadas pela Verdade, para lançá-las, no momento oportuno ao alvo.

O alvo, será o intransponível julgamento das coisas, onde, invariavelmente, a flecha atingirá.

Toda mentira, um dia, será lançada pela Verdade ao seu alvo definitivo, onde será desmascarada.